Como funciona o Hyperloop e como ele vai mudar nossas vidas

Confira tudo o que você precisa sobre o meio de transporte que vai revolucionar o jeito como nos viajamos.

Por | @Evilmaax Tecnologia

Talvez muitos nem saibam, mas estamos neste momento prestes a passar por uma nova revolução nos meios de transporte, tal qual aconteceu com a roda, com o navio, com o trem, com o avião, o carro particular e, agora, com o HyperLoop.

Para quem nunca ouviu falar, o Hyperloop é um meio de transporte bolado há alguns anos e que está em fase avançada de pesquisas e testes. Ele se constitui de um veículo parecido com um trem que se desloca em um túnel a vácuo. Por estar em um ambiente a vácuo este veículo consegue deslocar-se quase sem atrito algum – não sofre nem mesmo com o atrito do ar – imprimindo assim velocidades incríveis.

A ideia é mais uma das “loucuras” de Elon Musk, o bilionário criador da Tesla – montadora de carros elétricos –, da SpaceX – empresa privada de exploração espacial – e tantos outros negócios de vanguarda. E, sinceramente, você já viu Musk errar em algo?

Que tal ir de Porto Alegre a São Paulo em menos de 1 hora? Então prepare-se, pois, o sucesso da empreitada é inevitável.

Confira a partir de agora a “quantas anda” o Hyperloop (entendeu o trocadilho? Quantas anda... velocidade... em que ponto está o projeto e tal... eu achei boa).

O conceito

Antes de tudo precisamos entender melhor do que se trata e como irá funcionar os tais trens a vácuo.

Bom, você já viu algum daqueles tubos em hotéis e empresas que aparecem em alguns filmes americanos mais antigos? Aqueles tubos serviam para despachar correspondências, comunicados, documentos e tudo mais com velocidade antes do advento da internet e do e-mail.

Você abria a portinha, colocava o papel lá dentro e em frações de segundo ele era sugado pela tubulação indo parar somente ao chegar na central de distribuição ou no seu destino final. Muito utilizados no final do século XIX e início do século XX os tubos transportavam tudo o que era sólido e que coubesse ali.

Cidades como Paris, Londres e Nova Iorque tinham quilômetros de tubulações sob a terra, indo para todos os cantos e, inclusive, cidades vizinhas. Estas cidades tinham centrais de recebimento e distribuição dos pacotes, algo como um correio voltado só a esse tipo de encomendas. Lá os trabalhadores chegavam a cuidar de centenas de canos.

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O conceito empregado neste processo é o do ar comprimido, que data Grécia antiga e é da autoria de Heron de Alexandria. A ideia pode ser considerada o embrião do Hyperloop e consite em um "ventilador" que fica no destino final. Quando algo era colocado lá no início ele era ativado e sugava todo o ar do tubo, trazendo junto o que mais estivesse pelo caminho. Com a força da sucção alguns canos podiam alcançar a velocidade de até 10 metros por segundo de velocidade. Para você entender rapidamente, este é o mesmo princípio de canudinho de refri.

Pois este é a ideia básica imaginada por Musk. A cápsula com os passageiros irá deslocar-se por um tubo a vácuo (os mais literais irão dizer que não é um vácuo propriamente dito, mas sim um ambiente de baixíssima pressão, já que ele opera a 1 milibar de pressão, mas isso não faz muita diferença) onde não encontrará nenhum obstáculo à sua velocidade, nem mesmo o ar e os trilhos. A força de movimentação será gerada por um potente motor elétrico e através de painéis solares dispostos ao longo do túnel.

para deslocar-se sem obstáculos a cápsula irá flutuar sobre os trilhos, seja através de levitação magnética ou até mesmo de um “colchão de ar”. Até mesmo Arx Pax, o criador da Magnetic Field Architecture (algo como arquitetura do campo de levitação) está trabalhando para adaptar sua invenção ao uso no Hyperloop. A tecnologia criada por ele foi usada em no Hendo Hoverboard, o primeiro hoverboard funcional até hoje.

Os testes já estão acontecendo:

E caso você esteja pensando nesse momento: “Ah, mas os trens que viajam sem contato com os trilhos já existem”. Sim, os Maglev’s já estão aí e passam facilmente dos 400 km/h. Mas você não tá entendendo o quão rápido pode ser um Hyperloop. Sem o atrito do ar (presente nos Maglev’s) o comboio que está sendo desenvolvido poderá atingir mais de 1200 km/h – o mesmo que a velocidade do som –, o que o colocará na categoria de um veículo transônico e, em questão de tempo com as prováveis evoluções, um veículo supersônico (aqueles que passam dos 1470 km/h).

Em tese o Hyperloop poderá acabar com os trajetos curtos e demorados de aviação doméstica. Os Estados Unidos, por exemplo, possuem o espaço aéreo mais movimentado do planeta. Mesmo que uma aeronave vá fazer um percurso de 100 km, o passageiro terá de aguardar os procedimentos de bagagem, segurança, embarque, depois o avião entrará na fila de aeronaves que esperam permissão para decolar. Após chegar no destino tem os procedimentos de pouso da aeronave, desembarque e, se houver, o de bagagem. Só o taxiamento aéreo (processo de decolagem e aterissagem) costuma ser, muitas vezes, mais demorado do que a própria viagem e isso que nem estamos considerando os habituais e frequentes atrasos. 

Veja estes números: uma viagem de Nova Iorque à capital Washington (cerca de 350 km) demora algo como 4 horas de carro, 3 horas em um trem expresso e cerca de 1 hora via avião (somente o tempo de voo). Na tecnologia pensada por Musk o mesmo trajeto demoraria menos de 30 minutos.

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O princípio de tudo

A ideia nasceu na cabeça de Musk após ele analisar o projeto de trem de alta velocidade que está em estudo na Califórnia. O trem-bala terá uma extensão de pouco menos de 58 quilômetros irá custar cerca de 70 bilhões de dólares para ser executado (com muita dificuldade) em um terreno montanhoso e de difícil trabalho. A previsão é de que as obras iniciem-se somente em 2019 e que tudo fique pronto em 2026, quando, segundo Musk, a tecnologia já estará velha e ultrapassada há tempos. O trem-bala da Califórnia alcançará, no máximo, 320 km/h. 

Por essas e outras que o Hyperloop é mais vantajoso do que qualquer outro meio de transporte conhecido. Alguma das razões descritas por Musk incluem:

  • Rapidez na construção: Já que os “canos” por onde passarão os comboios com as pessoas podem ser fabricados em qualquer lugar – ou até mesmo em várias fábricas ao mesmo tempo para ganhar tempo – o único trabalho será montar as grandes peças de lego;
  • Espaço: A estrutura que irá acomodar o Hyperloop (os trilhos serão suspensos no ar) é fina o suficiente para ser colocada em uma faixa de uma autoestrada, por exemplo, sendo assim o governo não precisa comprar terras para escavar túneis ou construir espaçosas e pesadas estruturas;
  • Segurança: Totalmente controlado por sistemas computadorizados e sem a possibilidade de obstáculos, as chances de um acidente dentro dos túneis são praticamente impossíveis. Até mesmo em um ataque terrorista o Hyperloop se sairia bem melhor do que um metrô ou trem comum (e nem vamos citar os aviões). Caso uma bomba estoure em algum dos comboios, além do sistema daqueles que vem atrás identificar automaticamente e frear os veículos, o próprio buraco causado no túnel resultaria na entrada de ar, acabaria com o sistema de vácuo e eles freariam automaticamente.
  • Previsão do tempo: Já perdeu um avião por mau tempo? Ou pior, já teve que retornar para o aeroporto de origem após chegar no destino e o piloto constatar que não poderia aterrissar? Eu já e foi – muito – chato. Esses problemas o viajante que optar pelo Hyperloop não terá já que influências exteriores não afetam os veículos isolados dentro dos tubos.
  • Sustentável: Segundo os cálculos do idealizador o veículo deve ser acelerado no início do percurso por um motor elétrico e então sairá deslizando/flutuando a altíssima velocidade e totalmente livre de atrito. Sem perda significativa de energia e velocidade, somente precisará de um novo “aceleramento” a cada 112 km percorridos.
  • Terremotos: Como se sabe, terremotos são um dos maiores medos dos trens, principalmente dos subterrâneos, mas não no Hyperloop. Segundo Elon, os túneis serão construídos sob pilares, mas não ficarão fixos neles, podendo assim “dançar” conforme os tremores de terra, saindo ileso ou com quase nada de dano à estrutura ou passageiros.

Como funciona o Hyperloop e como ele vai mudar nossas vidas

Até mesmo para cargas já se imaginou o uso do novo sistema de transporte. O porto de Los Angeles, por exemplo, é um dos mais movimentados dos EUA e um dos principais locais de entrada de contêineres, principalmente por conta do Vale do Silício. Após chegarem no porto eles devem ser despachados em caminhões fazendo do trânsito da região um dos piores do país. Musk disse que o Hyperloop pode ser adaptado ao transporte de contêineres e, além de baratear as mercadorias ao baratear seu transporte e diminuir o tempo de fornecimento da cadeia de produtos, o tráfego das rodovias seria o grande beneficiado.

Além disso, as empresas (conheceremos elas abaixo) apostam em um sistema on demand onde as cápsulas sairão das estações a cada 10 ou 30 segundos, acabando com as filas e atrasos, tão comuns em qualquer outro meio de transporte conhecido (exceto a linda bicicleta).

Com tudo isso em mente Musk abriu suas ideias ao público em julho de 2012 nesta entrevista:

 

A partir de então, sem muitos testes e comprovações, as pessoas começaram a ficar desconfiadas de frases como “3 ou 4 vezes mais rápido do que um trem-bala” e “funcionar por 24 horas por dia e 7 dias por semana sem usar baterias”. Não era para menos. Lembre-se que em 2012 Musk ainda não era o Musk de hoje em dia e muitas das suas tecnologias eram consideradas coisas de maluco.

Assim, a história do Hyperloop só começou a ser crível com este pdf publicado no ano seguinte. Além de explicar em detalhes as possibilidades de todas aquelas loucuras que ele havia falado, o documento deixava claro que, todos que quisessem e tivessem condições, poderiam começar a pesquisar e trabalhar em sua própria versão do novo sistema de transportes.

Rapidamente, 2 personagens surgiram tentando ser o nome responsável por desenvolver o transporte do futuro: A Hyperloop Transportation Technologies (HTT) e a Hyperloop Technologies (HT).

Hyperloop Transportation Technologies (HTT)

Iniciativa liderada pelo alemão Dirk Ahlborn, o HTT trata-se de um projeto de engenharia financiado em modo crowdfunding, mas, diferentemente dos demais, esse daqui não pede que você invista dinheiro, mas sim algo mais valioso e precioso: Seu tempo e ideias. Após o apelo de Dirk, cientistas e engenheiros do mundo todo passaram a doar seus conhecimentos e colaborarem através de discussões online para aprimorar cada vez mais a tecnologia do Hyperloop.

Caso você ache que possa contribuir, clique aqui “para investir”. O tempo mínimo de dedicação semanal é de 10 horinhas.

E caso você pense que esses trabalhos gratuitos e caritativos não atraem nada além amadores, você está bastante errado. Dirk disse que conta com pessoas da Nasa, Tesla, Boeing e SpaceX entre seus colaboradores. Já são mais de 500 colaboradores e até 10 novos currículos recebidos diariamente, fora as universidades e empresas parceiras.

O trabalho, hoje, é de graça, mas futuramente todos que contribuíram terão direito a receber uma parte das ações das empresas que serão formadas a partir da HTT. O alemão, no entanto, acredita que as pessoas fazem o que fazem por amor à ciência, assim como a comunidade que leva o navegador Firefox adiante, por exemplo. Mas, além destes que querem contribuir intelectualmente, ele disse já ter sido procurado por mais de 600 pessoas querendo colocar dinheiro neste negócio que promete ser bastante rentável.

Segundo ele a HTT está trabalhando, atualmente, em uma cápsula de pouco menos de 3 metros de largura que poderá acomodar até 40 pessoas em uma viagem de classe econômica. Mas se você prefere conforto, há um mesmo tipo de vagão que poderá comportar até 28 passageiros na classe executiva.

O projeto de Dirk já conta até com algumas previsões de custos das passagens. Em uma viagem entre São Francisco e Los Angeles (cerca de 559 quilômetros em linha reta) custará mais ou menos 30 dólares na classe econômica e levará meia hora. A título de comparação, trens convencionais demoram mais de 8 horas, hoje em dia, e custam mais do que o dobro.

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Para garantir o preço baixo das passagens (20x mais barato do que o avião) ele disse em entrevista que as cápsulas terão propagandas sendo exibidas, seja em telas ou outdoors. Dirk diz que sem o subsídio do governo é muito raro que um transporte público seja lucrativo. Sendo assim, as anunciantes poderiam ajudar a pagar as contas. Uma outra saída que ele não descartou é fazer preços variados em horários de pico e horários de baixa lotação. 

Resta lembrar que no início da empresa – ainda em 2015 – ele disse que as viagens poderiam até mesmo serem gratuitas, pelo menos aquelas fora do horário de pico. As passagens seriam pagas por outros meios, assim como os jogos para smartphone de hoje em dia, por exemplo, os conhecidos freemium.

A HTT já está em fase de negociações e se tudo der certo, em 2018 abrirá as portas para os passageiros. A empresa assinou um acordo para a construção de uma linha de testes de 8 quilômetros na “cidade” de Quay Valley (comunidade localizada também na Califórnia). Formada por diversas startups e negócios que apostam em iniciativas de meio ambiente eles não têm prefeito, mas sim um CEO. Lá os pesquisadores vivem normalmente ao mesmo tempo em que testam suas ideias em um ambiente real. Todas as casas em que moram seus mais de 75 mil habitantes, por exemplo, serão abastecidas por uma usina de energia solar sustentável até 2020. A linha do HTT fará a volta na comunidade e, embora não tenha condições de atingir a velocidade máxima devido ao curto trajeto, levará os habitantes de uma ponta a outra em apenas 80 segundos.

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A iniciativa já chamou a atenção de diversas cidades que desejam ter entre elas uma rota de Hyperloop, mas, ao que tudo indica, devido a razões políticas e econômicas o primeiro trajeto comercial aberto ao público não será nem na Europa nem nos Estados Unidos (eles já anunciaram quem não seguiram a rota inicial de Musk entre São Francisco e Los Angeles).

Hoje, HTT tem um contrato com alguns governos da Europa para realizar estudos de viabilidade de uma possível rota entre Viena (Áustria) a Bratislava (Eslováquia) e, a Budapeste (Hungria) e Brno (República Tcheca). Os custos já estimados para as 3 primeiras cidades está entre 200 e 300 milhões de dólares e, após concluído, terá capacidade para transportar até 10 milhões de passageiros ao ano. O governo de Abu Dhabi também já pediu estudos sobre um trajeto entre a cidade e Al Ain. O governo da Índia também já começou negociações

Outro fato interessante é que há pouco tempo eles celebraram um contrato com a cidade de Toulouse, mas não para criar um sistema para a cidade, mas sim criar o sistema NA cidade. Acontece que o município francês é a capital europeia da engenharia espacial e aeronáutica e fez questão de receber uma fábrica do novo sistema de transporte. Assim, a Hyperloop Transports Technologies receberá um parque tecnológico de mais de 3 mil metros quadrados para testes e desenvolvimento de tecnologias gratuitamente.

Confira o vídeo divulgado para celebrar o acordo entre a cidade e a companhia:

A HTT também já demonstrou a vontade de criar uma versão adaptada a pequenas distâncias, em outras palavras: uma versão de Hyperloop que funcionará dentro das cidades. Atingindo menores velocidades, ela seria usada para conectar pontos da cidade à estação central do Hyperloop, de onde poderia, então, ir para outas partes do continente. Quem sabe tenhamos também algumas paradas no meio deste caminho? Assim, quem sabe, poderíamos ter a evolução do atual sistema de metrôs.

Você pode ver uma explicação completinha de Dirk Ahlborn no SXSW 2016 no vídeo abaixo.

Hyperloop One (HO)

E se de um lado temos a HTT correndo por fora, no centro dos holofotes temos a Hyperloop One, amparada por grandes investidores e por um time peso no comando. Entre os co-fundadores estão Shervin Pishevar e Kevin Brogan. Eles descrevem o Hyperloop como a "banda larga dos transportes".

Talvez os nomes não lhe sejam familiares, então cabe uma explicação: O primeiro deles é um investidor anjo certeiro que já colocou grana em empresas como Uber e Airbnb. Como ele e Elon Musk são amigos pessoais, Pishevar foi uma das primeiras pessoas as quais Musk contou sobre o Hyperloop. Ao perguntar se ele podia também investir na ideia Musk disse que sim, afinal já estava ocupado o bastante com a Tesla e SpaceX. Isso ocorreu antes mesmo de Musk tornar a ideia do Hyperloop pública.

Já o outro – que também foi o chefe de engenharia da HO – ficou famoso ao ser um dos principais nomes da SpaceX e responsável pelo design do Falcon 1 e da Dragon. Foi na garagem de Brogan que a Hyperloop One oficialmente deu início aos trabalhos.

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Para fechar com chave de ouro, a empresa conta com Rob Lloyd, ex-presidente da Cisco (uma das maiores empresas de tecnologia do mundo) como CEO e nada mais nada menos do que um SULTÃO como conselheiro. E não é qualquer sultão, é o Sultão Ahmed Bin Sulayen, que encabeçou a expansão infraestrutural ocorrida em Dubai nos últimos anos, contribuindo – e muito – para o crescimento a níveis assustadores da cidade e de todo os Emirados Árabes.

Fundada em 2014 e com alguns milhões de dólares arrecadados de investidores (hoje já são mais de 160 milhões) foi “só” dar início às pesquisas. O local que a HT escolheu para seus testes é o complexo do Apex Industrial Park na cidade de North Las Vegas, estado de Nevada. Lá mesmo o motor desenvolvido foi testado e aprovado publicamente em maio de 2016 (na ocaisão 187 km/h foram alcançados em 1.9 segundo). Os primeiros testes com o sistema completo ocorrerão nos primeiros meses de 2017

As previsões são bastante animadoras. Abaixo uma simulação feita para os mais de 800 km que separan Sidney de Melbourne na Austrália:

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A HO mudou muitos dos conceitos iniciais propostos por Musk, desde o sistema de propulsão à rota inicial, por exemplo. Ao invés do trajeto proposto a empresa desenvolve rotas em 5 países diferentes: Estados Unidos, Finlândia, Rússia, Suíça e, claro, Emirados Árabes. A previsão de início dos transportes públicos é 2020 para cargas e 2021 para passageiros. 

Mas e cadê Elon Musk nessa história toda?

Embora Elon tenha sido o criador da ideia, ele não quis se meter com mais um empreendimento dessa magnitude, não por enquanto, ao menos (o nome Hyperloop é propriedade provada da SpaceX em diversos países). Contudo, isso não quer dizer que ele ou alguma de suas outras empresas não esteja envolvido na revolução do transporte público. Prova disso é a SpaceX.

A empresa de exploração espacial de Elon embarcou de cabeça na iniciativa usando uma boa parte de seus engenheiros para aprimorar a tecnologia, além de usar dinheiro do seu caixa para financiar eventos de incentivo ao estudo do Hyperloop. O primeiro deles foi uma competição ocorrida em janeiro de 2017 e que se repetirá na metade do mesmo ano.

Nesta competição participaram(ão) times de engenheiros de diversas universidades (e grupos independentes) do mundo inteiro em busca da criação da cápsula perfeita para o transporte de pessoas.

No primeiro final de semana de competições concorreram 27 equipes vindas de 4 continentes e 6 países. A categoria principal neste final de semana foi a velocidade atingida, sendo a campeã neste quesito o projeto da universidade de Munique – Alemanha. Logo atrás vieram aqueles que mais pontuaram em todas as 5 subcategorias. A equipe vencedora neste caso foi a da universidade de Delft – Holanda. A lista completa de vencedores é: 

Prêmios principais

  • Cápsula mais veloz: WARR Hyperloop (Universidade de Munique)
  • Pontuação geral: Delft Hyperloop (Universidade de Delft)

Como funciona o Hyperloop e como ele vai mudar nossas vidas
a equipe vencedora

Subcategorias

  • Melhor performance em voo:  WARR Hyperloop (Universidade de Munique)
  • Melhor performance em operações: UMDloop (Universidade de Maryland)
  • Design e construção: Delft Hyperloop (Universidade de Delft)
  • Prêmio de inovação da cápsula: Badgerloop (Universidade de Winsconsin – Madison) e rLoop (Reddit)
  • Segurança e confiabilidade: MIT Hyperloop (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)

Foi neste evento que aconteceu a primeira “viagem” registrada de Hyperloop. Quem teve a honra foi o time do MIT, já que havia vencido a etapa classificatória ocorrida em 2016. Veja no vídeo abaixo o momento histórico e repare que, aproximadamente, aos 15 segundos de vídeo a roda para de girar, sendo a movimentação gerada apenas por levitação magnética:

A SpaceX também irá financiar um túnel “oficial” (com vácuo e tudo) de cerca de 1.5 km de comprimento junto de sua sede para que as equipes vencedoras possam fazer testes práticos e estudar melhorias aos projetos (previsão de início da construção para abril de 2017).

E por falar em competição, a Hyperloop One também está fazendo a sua, mas para escolher as melhores equipes que irão construir suas rotas para o seu meio de transporte. Os vencedores só serão conhecidos em maio após 3 rodadas de apresentações ( 28 de fevereiro em Nova Déli, na Índia; 6 de abril em Washington, capital dos EUA; e 27 de abril em Londres, Inglaterra). Atualmente 35 equipes estão na disputa (20 delas com apoio governamental) representando todos os continentes. O sul-americano é o trajeto Córdoba - Buenos Aires, na Argentina.

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Críticas ao Hyperloop

Mas claro que se há os prós, certamente há de existir os contras.

Um deles diz respeito a tal segurança que Elon Musk apontou como um dos maiores pontos positivos do seu novo sistema de transportes. Segundo os críticos um tubo ao ar livre que cruza desertos e áreas remotas está totalmente vulnerável a ataques externos, podendo ser um excelente alvo para ataques terroristas, por exemplo.

Outra questão levantada foi o real custo para construção do sistema. Michael Anderson, professore de economia da Universidade de Berkeley fez uma conta e disse que os custos de um sistema de Hyperloop não seriam inferiores a 100 bilhões de dólares. Segundo ele a estrutura que elevaria os túneis acima das rodovias tem seu preço bem mais elevado do que foi considerado em apontamentos iniciais. Ele disse ainda que se o projeto fosse levado adiante, mesmo com esse custo excessivo, para ser viável as passagens teriam de custar cerca de mil dólares cada. 

Por fim há também aqueles que temem pelo próprio desconforto do passageiro. Segundo alguns médicos haverá a inevitável sensação de pânico ao estar locomovendo-se a mais de mil km por hora em uma cápsula sem janelas em um túnel totalmente vedado. Além disso o barulho do ar sendo comprimido em torno da cápsula em velocidades quase sônicas, a vibração e até mesmo o “empurrão” inicial seriam um grande incômodo. Segundo os que defendem esta teoria, quando estamos a uma velocidade tão alta, qualquer leve oscilação já é suficiente para causar uma grande movimentação no interior da cápsula. A HTT já imagina algumas possíveis soluções para estes problemas, como a colocação de janelas nas cápsulas e projeção de paisagens nos túneis ou até óculos de realidade virtual para simular situações mais agradáveis.      

Aponta-se ainda que mesmo que o Hyperloop opere em capacidade máxima ele não será tão eficiente como imaginado. Os críticos calculam que o Hyperloop possa carregar, no máximo, 3360 pessoas por hora em cada túnel, ficando bem abaixo dos 12 mil passageiros transportados pelos trens de alta velocidade e até mesmo dos 4 mil que viajam através das rodovias expressas.

Mas vamos focar na parte boa e deixar as críticas para um momento futuro. Veja abaixo como serão os transportes através do Hyperloop no futuro próximo:

Ainda não podemos saber quem está certo, mas, hoje, o Hyperloop já avançou muito e está melhor do que quando foi imaginado por Elon Musk e até do que quando recebeu as primeiras críticas.

Agora é só aguardar e ver quem estava certo. Enquanto isso no Brasil ainda se luta (ou nem tanto) para terminar as obras da copa de 2014 ¯_(ツ)_/¯   (e nem estou falando do nosso trem-bala que ficou no papel).

Mais algumas fontes: ZME Science; Tech Crunch; Hyperloop Transport TechnologiesHyperloop One; Business Insider; Geek Wire; Engadget

Mais sobre: hyperloop elon musk spacex
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