A tecnologia está avançado todos os dias e provavelmente você fica feliz em saber que ela está ajudando cada vez mais pessoas em diferentes áreas da vida, principalmente na saúde. Hoje já existem alguns meios tecnológicos que ajudam pessoas de todas as idades a diagnosticar um problema ou prevenir antes mesmo de acontecer. No entanto, esse progresso ainda esbarra em um desafio: não chega a quem realmente precisa.
O alerta é de Suélia Fleury Rosa, membro sênior do IEEE, maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. Segundo ela, ferramentas como telemedicina, monitoramento remoto e sistemas digitais de apoio clínico só conseguem gerar impacto social se elas deixarem de lado o estágio experimental e passarem a integrar a rotina dos territórios que mais precisam.
A desigualdade determina quem tem acesso a tecnologia
Hoje, desigualdades sociais, econômicas e geográficas ainda determinam quem tem acesso à prevenção e ao cuidado adequado. Em muitas regiões, o diagnóstico tardio não é exceção e sim uma regra, principalmente no caso de doenças crônicas e condições que poderiam ser evitadas se avaliadas com mais atenção e precisão, coisas que a tecnologia pode proporcionar.
Órgãos internacionais reforçam esse alerta, como o Relatório Mundial sobre Determinantes Sociais da Equidade em Saúde, publicado pela OMS em 2025. Esse documento levanta o questionamento sobre a urgência de soluções capazes de antecipar riscos para atender quem realmente precisa.
De acordo com Suélia, a tecnologia tem potencial para mudar esses paragidmas quando o assunto é cuidado com a saúde:
"Quando bem implementadas, essas soluções permitem triagens digitais, acompanhamento à distância e uma organização mais eficiente dos fluxos de atendimento. Isso ajuda as equipes de saúde a agir de forma preventiva, priorizar casos de maior risco e reduzir atrasos no diagnóstico."
De acordo com essa análise, esse modelo contribui diretamente na vida das pessoas, podendo evitar agravamentos e também aliviar a sobrecarga dos sistemas de saúde, especialmente em regiões onde os recursos e profissionais são limitados. O problema, segundo a especialista, é que muitas dessas iniciativas não avançam além da fase de piloto.
"Muitos projetos ficam restritos a testes pontuais, sem integração aos sistemas locais de saúde ou planejamento de longo prazo. Quando isso acontece, o potencial transformador da tecnologia se perde antes de alcançar quem realmente precisa."
Para que a inovação em saúde cumpra seu papel social, é necessário ir além do desenvolvimento técnico. Infraestrutura adequada, capacitação das equipes, continuidade dos projetos e envolvimento das comunidades desde o início são fatores decisivos. Segundo Suélia, "a tecnologia só reduz desigualdades quando é desenhada para incluir. Se não chegar aos territórios mais vulneráveis, corre o risco de aprofundar as diferenças existentes".
Não existe planejamento
Outro ponto crítico está na sustentabilidade dessas soluções. Muitas não evoluem para uso em larga escala por que falta uma adaptação à realidade local, que muitas vezes esbarram nas limitações de conectividade ou ausência de evidências que possam sustentar esse processo de forma contínua.
"Sem planejamento e compromisso de longo prazo, a tecnologia acaba sendo apenas uma boa ideia", resume Suélia.
Nesse contexto, o IEEE atua como um elo entre conhecimento técnico, inovação e demandas sociais, promovendo o uso responsável da tecnologia em áreas como saúde, educação e bem-estar. A organização reúne engenheiros, pesquisadores e educadores de diversos países com o objetivo de transformar inovação em soluções práticas, escaláveis e com impacto humano real.
"A antecipação de riscos é fundamental, mas reduzir desigualdades exige presença contínua, compromisso e adaptação às realidades locais. Só assim a tecnologia cumpre seu papel de melhorar vidas", conclui Suélia.






