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As outras empresas de Elon Musk - SolarCity e OpenAI

Nem só de carros elétricos e espaçonaves vive Elon Musk. O cara é um empreendedor em série

Por | @Evilmaax Elon Musk Pular para comentários

Se você já passou pelos demais posts dessa série sabe que Elon Musk é um verdadeiro empreendedor em série: Ele foi um dos criadores da empresa de carros elétricos que está revolucionando os transportes; o criador da maior e mais promissora empresa de exploração espacial; criador do Hyperloop, aquele transporte à vácuo onde viajaremos a mais de 1200 km/h, em breve, entre outras tecnologias e sacadas.

E é justamente sobre "estas outras coisas" que falaremos aqui nesse post. Uma delas é nada mais nada menos do que a maior empresa de energia solar dos Estados Unidos enquanto que a outra é uma organização sem fins lucrativos que busca alinhar segurança e inteligência artificial. 

Ahh, e se você não conferiu os demais posts da saga de Elon Musk que citei no primeiro parágrafo, abaixo estão eles, em ordem cronológica. Confira. Leia em destaque: As outras empresas de Elon Musk - SolarCity e OpenAI.

Mas se você quiser um resumão antes de começar a ler o(s) artigo(s) completos, dá o play aí embaixo ❤

Post atualizado em 13/11/2018

SolarCity

Assim como a Tesla, a SolarCity não foi fundada, diretamente, por Elon, mas sim por outros empreendedores; neste caso os irmãos Peter e Lyndon Rive, em 2006. Lyndon Rive era um típico magnata do Vale do Silício: um empresário de tecnologia que já havia fundado e vendido sua primeira empresa em uma idade em que a maioria das pessoas ainda está tentando conseguiu um emprego fixo após o estágio profissional e agora buscava o seu próximo sucesso.

Mas dessa vez era diferente; ele acabava de ter um filho e queria que seu próximo empreendimento fosse algo com um propósito; que ajudasse a tornar o mundo um lugar melhor. 

A ideia de investir em energia renovável veio de seu primo, Elon Musk. Além da ideia, Musk entrou com 10 milhões de dólares para que a companhia começasse a operar e ele contasse com uma parte das ações, é claro, afinal se tem uma coisa que Musk não é, é bobo. Assim, não pega mal chamar Musk de um cofundador.

Inicialmente a SolarCity entrava com a experiência da venda e a instalação, enquanto que os fabricantes terceirizados forneciam os painéis. Com 150 funcionários contratados para as fazer as instalações, a maioria deles trabalhadores da construção civil, no ano seguinte a empresa já estava instalando cerca de 70 sistemas solares por mês no norte da Califórnia.

Lyndon, um dos fundadores, havia sido vendedor de painéis nos primeiros dias da empresa e sabia que a maior barreira para que as pessoas aderissem à energia solar era o preço: as pessoas simplesmente não tinham capital para comprar e instalar o sistema completinho, que normalmente custava mais de US$ 40 mil. Assim eles tiveram uma grande sacada: E se a SoalrCity alugasse as placas a uma mensalidade acessível e duradoura ao invés de vendê-las a um preço salgado que poucas pessoas podiam pagar de uma vez só?

O mercado era cético quanto a isso, afinal outras empresas já haviam explorado modelos semelhantes de financiamento e haviam falhado, mas mesmo assim eles insistiram. Dessa forma a SolarCity foi a pioneira - a ter sucesso - em acordos que permitiam que pessoas pudessem ter suas casas abastecidas por energia solar sem pagar um centavo pelas placas, apenas um aluguel. Os termos do leasing configuravam um acordo de 20 anos de aluguel onde, a cada mês, seria pago um valor mais barato do que a eletricidade convencional.

O sucesso foi grande e em 2009, os painéis solares instalados já estavam gerando 440 megawatts de energia, valor significativo para uma empresa iniciada há tão pouco tempo. Foi quando Elon, na condição de presidente, e o conselho consultivo, decidiu que eles estavam prontos para começar a investir em novos mercados. Além das residências a SolarCity começou a atender o governo, empresas e um ramo que mudaria significativamente seu futuro: o carregamento de carros elétricos.

Peter Rive, Elon Musk e Lyndon RivePeter Rive, Elon Musk e Lyndon Rive

Os negócios começaram a crescer e a empresa acabou expandindo para mais de uma dúzia de estados. Musk, que na época estava ocupado envolvido com os momentos complicados pelos quais passavam a Tesla e a SpaceX, não estava envolvido muito além do nível do conselho. Mas os Rives seguraram a barra legal.

Quando a SolarCity abriu capital no final de 2012, a US$ 8 por ação, as ações subiram 47% somente no primeiro dia de negociação. Com mais grana e mais investimento a empresa entrou em um período de prosperidade onde foi possível dobrar as vendas a cada ano que se passava. No início de 2014, já eram mais de 70.000 clientes e suas ações batendo US$ 86 por papel, um recorde histórico. 

hMaiores instaladores residenciais 2013
Em 2013, a SolarCity consolidou-se como a principal instaladora de painéis solares residenciais nos EUA e, em 2015, a companhia já era responsável por aproximadamente 28% da instalação solar não-utilitária nos EUA, fazendo mais instalações do que seus próximos 50 concorrentes juntos. 

A SolarCity deu tão certo que ela entrou em uma polêmica "diferente" no final de 2015. Foi quando ela precisou se retirar de Nevada após a Comissão de Serviços Públicos do estado aumentar a taxa de serviço mensal para clientes que tivessem energia solar instalada. A motivação foi que os clientes de a SolarCity estavam devolvendo muita energia para a rede e pagando apenas uma taxa baixíssima do serviço que, sozinha, não dava conta da companhia de energia tradicional pagar as custas.

Compra pela Tesla

Muitos talvez já saibam, outros irão descobrir agora, mas a SolarCity agora é uma empresa que faz parte da Tesla, agindo como sua subsidiária. O acordo aconteceu em junho de 2016, ao custo de US$ 2,6 bilhões e, segundo Elon, já deveria ter sido feito há muito tempo atrás.

A explicação lógica para a fusão é bastante simples: Até aquela data, caso você quisesse ter uma casa equipada com Powerwall, precisaria confiar em um instalador local e independente - já que a Tesla não tinha profissionais treinados para o serviço - e o pior: teria que contratar uma terceira empresa para fazer a ligação da bateria à energia solar; sendo essa empresa terceirizada a SolarCity ou qualquer outra de suas concorrentes. "Era como ter que comprar seu computador peça a peça e depois montar tudo", nas palavras do próprio Elon.

Além disso, de acordo com Musk, a união entre as duas empresas serviria para "criar uma bateria da Tesla que fosse perfeitamente integrada a um produto à base de energia solar e que ainda fosse bonita".

A bateria caseira Powerwall foi a grande motivação para a Tesla comprar a SolarCityA bateria caseira Powerwall foi a grande motivação para a Tesla comprar a SolarCity

Solar Roof

Mas se até então você está achando a SolarCity um tanto quanto aquém das demais criações de Musk, afinal ela ainda não havia revolucionado a indústria na qual se inserira, lá vem.

Imagine uma cena não muito convencional: Elon Musk no meio de uma rua residencial, no Universal Studios, Hollywood, em meio a casas que serviram de cenário para a série Desperate Housewives. Após um rápido - e pessimista - cenário sobre a crise do aquecimento global Musk faz a grande revelação daquele evento: “As casas que vocês veem ao seu redor são todas casas solares. Vocês notaram?”

As casas não tinham nada de mais; nenhuma placa solar sobre o telhado e as telhas pareciam telhas comuns. E essa é a grande sacada que mostra que a SolarCity é sim mais uma daquelas empresas transformadoras de mercados que volta e meia são criadas por Musk.

Aas telhas, visualmente idênticas às demais, são as Solar Roofs, um sistema mais barato, mais durável, mais resistentes a granizo e que gera mais eletricidade em comparação a uma placa de energia solar comum; tudo isso com o detalhe extra de que parece uma telha comum. 

Esta casa está equipada com as Solar RoofsEsta casa está equipada com as Solar Roofs

Além disso, dentro da garagem de cada uma daquelas casas estava um Tesla e uma Powerwall, a bateria recarregável desenvolvida em 2015 para armazenar energia para uso doméstico. Assim o plano de Musk se completa: Durante o dia, as telhas solares estavam gerando eletricidade e recarregando o Powerwall; depois que o sol se fosse, a bateria assumiria o controle e forneceria energia sem se preocupar com a rede tradicional. “Este é o futuro integrado. Você tem um carro elétrico, um Powerwall e um telhado solar. É bem simples, na verdade. Isso pode resolver toda a equação de energia." 

Mas como sempre, para Musk as novas telhas não devem ser apenas eficientes, elas devem ser também bonitas; as pessoas precisam ter vontade de usar as novas tecnologias; o consumidor deve se sentir orgulhoso ao ponto de pegar o telefone e chamar seus amigos para irem até sua casa conferir as novas telhas. Foi assim com os Tesla, com a bateria Powerwall e não seria diferente com as Solar Roofs.Detalhe de SolarRoofs instaladasDetalhe de SolarRoofs já instaladas

Aliás, foi por isso que Elon barrou o lançamento das mesmas até que elas estivessem esteticamente de seu agrado. Atrasou? Sim - como tudo que Elon Musk resolve investir e não aceita nada menos do que a perfeição - mas no final deu certo e as telhas viraram a nova esperança para a tão sonhada revolução da energia solar.

E as novas telhas não parecem ser atraentes apenas para os consumidores finais; mas também para investidores, mais que os veículos da Tesla, inclusive. 

Gavin Baker, que administra um portfólio de US$ 13,8 bilhões na Fidelity, que foi quem aumentou o investimento na SolarCity logo antes da fusão entre as duas empresas, disse que está otimista em relação ao produto, mas que o preço pode ser um problema. Colocar Solar Roof no telhado requer um trabalho completo de recobertura, ao contrário dos painéis solares tradicionais, que podem ser montados em cima das telhas existentes; assim, um teto solar pode custar US$ 65.000 ou mais.

Elon Musk disse que o apontamento do investidor não se justifica, principalmente com a produção em larga escala que faz com que o preço do produto despenque. E por falar em produção em larga escala, confira o próximo tópico.

Gigafactory 2

Para quem não sabe ainda, a Gigafactory - ou Gigafábrica - é uma fábrica criada pela Tesla, em parceria com a Panasonic, que, sozinha, tem mais de 6500 pessoas trabalhando simultaneamente. Lá são produzidas as milhares de baterias que fazem parte dos veículos da montadora. A pleno vapor ela pode produzir baterias suficientes para até 1 milhão e 500 mil veículos por ano!

E como tudo que Musk faz é em larga escala, com a produção de painéis solares da SolarCity (e atualmente com a produção das Solar Roofs) não seria diferente. Por isso que, em 2014, a empresa anunciou planos para construir uma nova Gigafactory, desta vez em Buffalo, Nova York, após adquirir a Silevo, fabricante de módulos solares de alta eficiência já instalada na área.

O complexo industrial inicial será uma instalação de 110 mil metros quadrados e custará US$ 900 milhões (apenas para comparação, a primeira fábrica deste tipo, construída no estado de Nevada, tem mais de 500 mil m² e custou, aproximadamente, 5 bilhões de dólares. Ela é a maior construção em espaço físico contínuo já feita pelo homem). Com uma capacidade planejada de produzir 1 gigawatt de painéis solares anualmente até 2019, a nova usina será a maior usina solar dos EUA.

A mais recente Gigafactory foi inaugurada em agosto de 2017 com uma capacidade de produzir até 10.000 painéis solares por dia; isso sem contar a produção de Solar Roofs que também estão sendo produzidas ali.

Gigafactory 2 foi inaugurada em agosto de 2017 no estado de Nova IorqueGigafactory 2 foi inaugurada em agosto de 2017 no estado de Nova Iorque

OpenAI

E depois de falar de todas as empresas fundadas por Elon Musk que acabaram tornando-o um dos homens mais ricos do mundo, está na hora de falar de uma organização sem fins lucrativos fundada por ele em parceria com Sam Altman, um famoso empreendedor tech: a OpenAI.

A OpenAI é uma empresa de pesquisa de Inteligência Artificial sem fins lucrativos que tem como objetivo promover e desenvolver uma Inteligência amigável de forma a beneficiar a humanidade como um todo. Fundada no final de 2015, ela colabora com outras instituições e pesquisadores tornando suas patentes e pesquisas abertas ao público.

A empreitada foi patrocinada por muitos dos bilionários do Vale do Silício que, juntos, doaram mais de 1 bilhão de dólares para a fundação da companhia. Entre os nomes estão muitos daqueles que fizeram parte da famosa Máfia do PayPal, como Peter Thiel e Reid Hoffman. Embora possa parecer que os motivos tenham sido apenas altruístas, Elon Musk e Sam Altman já publicizaram que uma de suas motivações teria sido uma preocupação com o risco existencial da inteligência geral artificial.

E isso não é neura dos dois, não. Alguns dos maiores cientistas do nosso tempo, como Stephen Hawking, acreditavam que, se um dia uma inteligência artificial chegasse ao nível de se redesenhar a um ritmo cada vez maior e, consequentemente, sozinha isso poderia levar à extinção humana. Musk disse que considera a IA como a "maior ameaça existencial" da humanidade

A OpenAI afirma que é difícil entender quanta inteligência de "nível humano" pode beneficiar a sociedade, e, da mesma forma, que é igualmente difícil compreender o quanto isso poderia prejudicar a sociedade se construída ou usada incorretamente. Mas as pesquisas sobre segurança não podem ser adiadas com razões de segurança; não tem lógica, certo? Assim, Musk fez a pergunta: “qual é a melhor coisa que podemos fazer para garantir que o futuro seja bom? Poderíamos ficar à margem e encorajar a supervisão regulatória, ou poderíamos oferecer a estrutura certa, com pessoas que se importam profundamente com o desenvolvimento de uma IA ​​segura e benéfica para a humanidade.”

Segundo ele a melhor defesa é “capacitar o maior número de pessoas possível para ter IA. Se todos têm acesso à IA, então não há uma única pessoa ou um pequeno conjunto de indivíduos que terão a chance de ser uma superpotência de IA.”

Mas claro que nem todo mundo concorda com esse pensamento de Musk. Alguns partem da seguinte linha de raciocínio: Se existe algo que pode causar grandes danos, como uma inteligência artificial em seu pior cenário, por que entregaríamos esta coisa a cada uma das pessoas do mundo? Não é ainda mais perigoso? Altman rebate essas teses dizendo que a OpenAI não planeja liberar todos os seus códigos fonte e resultados. Além disso, há um plano para que grandes países elejam representantes para um novo conselho de governança focado na questão; algo como um conselho de segurança da ONU, só que segurança digital voltado, principalmente, para a inteligência artificial.

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Discussões à parte, a OpenAI já está com diversos projetos e produtos. Entre eles o Gym, um benchmark para inteligência artificial e o DebateGame, que visa a treinar e capacitar uma inteligência artificial para que ela possa colaborar com humanos em debates e auditorias.

Elon Musk, no entanto, deixou a OpenAI em fevereiro de 2018 alegando um possível conflito de interesses com o desenvolvimento de inteligência artificial voltado ao sistema de navegação sem motorista que está sendo criado na Tesla. Ainda assim ele continua como um doador.


E aí, o que achou? Alguma dúvida de que a SolarCity vai entrar para a lista de empresas mais valiosas do mundo em breve?

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