A história da Netflix

Se você tem Netflix aposto que faz valer cada centavo. E se ainda não tem tá perdendo uma revolução diante acontecendo diante dos seus olhos

Comentários Maximiliano Meyer   -

A Netflix é uma das empresas mais amadas tanto no Brasil como no mundo e o sucesso dos nossos especiais Netflix prova isso. Não poderia ser diferente, eles têm o melhor SAC, oferecem conteúdo de qualidade, disponível para o cliente na hora em que desejar e tudo por um preço justo, afinal, a mensalidade mais cara custa menos do que 1 sessão de cinema e você nem precisa sair de casa.

Hoje o serviço está presente em quase todos os países do mundo, são mais de 190, faltando apenas a China (por enquanto) e em locais que o governo dos EUA impõem restrições, como Ucrânia, Coreia do Norte, Síria e Criméia. Mas o que muitos não imaginam é que a Netflix não começou com o streaming e também não é uma startup que explodiu em 1 ou 2 anos. 

Isso é o que veremos a partir de agora aqui na história da Netflix.

Países em vermelho onde a Netflix está presente
Países em vermelho onde a Netflix está presente

Diferentemente do que todo mundo pensa, a NetFlix (ela tinha o “F” maiúsculo no início, e assim seria até 2002) é mais velha do que muitos usuários. Ela foi fundada por Reed Hastings e Marc Randolph em 1997 (sim, lá se vão 19 anos), dois empreendedores do ramo de tecnologia que queriam vender algo pela internet, mas não sabiam o quê. Portanto, a Netflix não é uma Startup que em 1 ano ou 2 capitalizou milhões de dólares e virou o que virou. Na verdade, a história é muito diferente disso.

A sacada veio quando Reed Hastings teve que pagar 40 dólares de multa por ter atrasado a entrega do filme Apolo 13. Então ele percebeu que a relação locadora X cliente já estava ultrapassada. O problema era que na época a internet ainda não estava avançada o suficiente para permitir um streaming (responda rápido: Quantas pessoas você conheceu com acesso à internet em casa no final dos anos 90?).

Alguns anos depois, em 2004, Marc Rudolph deixou a empresa em um cenário de mistério. Até a própria história que vimos acima do Apolo 13 teria sido inventada por Hastings para criar uma aura lúdica característica dos gênios que tem um estalo a partir de algo banal (como Newton e a maçã caindo em sua cabeça – outro fato, provavelmente, distorcido). Mesmo assim Rudolph é humilde e diz que a melhor ideia de sua vida foi sair e deixar Hastings de CEO em seu lugar. E olha que ele já era milionário por ter criado uma empresa e tê-la vendida por 700 milhões de dólares anos antes da Netflix (daí veio o dinheiro para o investimento inicial). Portanto, ideias boas a esse cara não faltam.

Marc Rudolph e Reed Hastings
Marc Rudolph e Reed Hastings

Bom, mas voltando à história oficial da Netflix, mesmo que no seu início não desse para apostar no streaming (acho que esse conceito ainda nem existia), eles conseguiram achar uma saída e ainda assim inovar na distribuição de conteúdo. Se antes você tinha que ir até uma videolocadora, ou um cinema para assistir um filminho, em 1998 eles lançaram o site onde o você fazia a solicitação do DVD e eles enviavam para a sua casa através dos correios (nessa época ainda era pago por disco separado. A assinatura surgiria somente em no ano seguinte).

Começando com apenas 30 funcionários e 925 títulos disponíveis (o que era quase todos os filmes produzidos em DVD até o momento) a Netflix fez seu nome por oferecer a possibilidade de receber na porta de casa sem custo de envio, sem multas por atraso, sem custo extra por determinado título e o principal: possibilidade de vários DVD’s que um mesmo usuário podia receber em casa ao mesmo tempo (de acordo com o seu plano de assinatura, até o máximo de 8). O usuário tinha ainda a opção de comprar o DVD caso quisesse.

E o mesmo envelope em que vinha o disco seria o envelope que você devolveria o DVD, não gastando nenhum centavo com essa remessa também, tudo isso para garantir o retorno dos discos. Aposta certeira da Netflix, pois essa comodidade ao cliente não era muito barata, não. A empresa chegou a gastar mais de 20 milhões de dólares somente em 2007 com o envio dos discos. E uma última curiosidade sobre os envelopes: Até encontrar o ideal mais de 200 modelos foram testados.

Tudo certo e lindo, mas aqui um pequeno porém: Quando você pedia um DVD e todas as suas cópias estavam emprestadas era colocado em uma lista de espera. Tudo certo não fosse os usuários de planos mais baratos começarem a afirmar que estavam sendo preteridos por aqueles que pagavam mais. Eles afirmavam isso com base nas informações que a própria Netflix divulgava. Claro que a empresa negou isso tudo e como medida resolveu retirar essas informações do ar. O problema é que durante a medida foi removido também a API que dava acesso aos títulos recém adicionados, maior queixa dos usuários até hoje em dia. Para a sua sorte, nós aqui do Oficina começamos a publicar essa lista assim como a de títulos a serem removidos. Não conhece ainda? Então clique aqui e já aproveite para conhecer nossa sessão e já favoritar o link. Atualizações toda semana.

Mesmo assim a ideia não demorou a pegar e logo a empresa já era cotada em milhões de dólares. Por conta disso, no ano 2000, a Netflix foi oferecida para a maior rede de videolocadoras do mundo e sua principal concorrente, a Blockbuster, que no seu ápice chegou a ter cerca de 60 mil funcionários espalhados por mais de 9 mil lojas ao redor do mundo.

O irônico é que a marca não quis comprar a Netflix por desacreditar na premissa de locar um filme sem pegá-lo na mão, sem ver a caixinha, o encarte, etc. Imaginem a cara dos diretores que tomaram essa decisão quando, em 2008, o site da Netflix já tinha 5 vezes o número de acessos do site da concorrente. O resultado disso, como a gente já sabe foi que a Netflix não fracassou como a Blockbuster previu e, para piorar, quem faliu foram eles!! 2010 foi o ano em que a rede anunciou sua falência e começou a negociar sua venda para outras marcas ¯l_(ツ)_/¯ 

E quem acha que com o início das atividades de streaming a Netflix aposentou o “obsoleto” sistema de entrega via correio está redondamente enganado. No ano passado, somente nos 3 primeiros meses, foram despachados cerca de 5,5 milhões de discos para todos os cantos dos EUA. Mesmo com o investimento de quase 23 milhões de dólares para a compra de novas mídias físicas para o seu estoque, o lucro para este tipo de serviço nestes 90 dias iniciais de 2015 foi de 85 milhões, segundo dados oficiais.

Segundo o mesmo relatório citado anteriormente, a Netflix possui pelo menos uma cópia de qualquer filme já feito, praticamente. Mesmo que o setor ainda exista e já tenha passado da marca de 1 BILHÃO de discos despachados (em 2007), a Netflix sabe que o seu fim irá chegar, pois o número de usuários cai a cada ano (hoje são cerca de 5 milhões de assinantes que pagam para receber o dvd na porta de casa e 33 centros de distribuição, longe do pico de assinantes, que atingiu 20 milhões em 2010 e cerca de 50 centros, cada um com capacidade para enviar 50 mil encomendas por dia, na média.), enquanto que a de streaming, logicamente, só cresce.

Mesmo assim não há uma vontade em desativá-lo imediatamente, pois seu rendimento ajuda em muito o financiamento das novas séries expansão empregada atualmente. Segundo Cliff Edwards, diretor de comunicações, “Não há planos de desativar o serviço de uma vez [...] Será um declínio gradual. Ainda veremos o serviço funcionando por mais dez anos ou mais.”

A diferença entre o streaming e o envio de DVD é que no DVD não há as séries exclusivas Netflix, como Orange is the New Black que nunca foi lançado em mídia física. Já as vantagens do DVD é que um novo filme sai em mídia física (e chega no depósito da Netflix) meses antes do contrato com os estúdios permitir que ele seja distribuído pelo site e aplicativos on demand. Quanto ao tempo de entrega, a Netflix informa que em 92% dos casos o DVD chega em até 24 horas ao solicitante.

Bom, voltando ao desenrolar cronológico da história da Netflix, a empresa foi aberta aos acionistas no ano 2000, mesmo ano em que a Blockbuster tomou a pior decisão de sua vida. Uma tentativa de equilibrar as contas, já que, mesmo com todo o sucesso e a avaliação milionária do mercado, o balanço sempre fechava no vermelho. E assim permaneceria até 2003, primeiro ano em que a Netflix terminou o ano com mais ganhos do que perdas. O ano 2000 também foi especial, pois através de um acordo com a Best Buy deu exposição em uma rede de lojas de mais de 1800 lojas de varejo.

Até então o serviço avançava somente com dvd’s físicos, chegando a mais de 35 mil títulos diferentes disponíveis e despachando 1 milhão de cartinhas por dia em 2005 (eram 190 mil em 2002). O próximo passo seria, como já dissemos, a marca de 1 bilhão de discos enviados, alcançada em 2 anos depois.

A marca teve um impulso inusitado em 2001, logo após os ataques terroristas de 11 de setembro. Com isso viu seu número de assinantes dobrar, tudo graças ao medo dos americanos de deixar sua casa, optando por receber um filme sem sair do sofá.  Mesmo assim eles perderiam dinheiro por causa de investimentos. marketing e tudo mais. Foi somente em 2003 que a Netflix conseguiu sair do vermelho e ter um trimestre lucrativo. O bom resultado financeiro veio junto da marca do primeiro milhão de assinantes ativos.

Ainda em 2006 a Netflix deu um passo importante para se tornar o que ela é hoje. Foi quando eles esboçaram pela primeira vez a vontade em ser um distribuidor e criador de conteúdo original.

Através da criação do Red Envelope Entertainment (entretenimento do Envelope Vermelho – referência à sua característica embalagem em que são despachados os discos) a empresa começou a distribuir conteúdo e até apostar na produção de conteúdo original com diretores como John Waters no time – mas não confunda com as produções originais como House of Cards e outras, essas só viriam bem depois.

No entanto essa divisão não teve vida longa e foi encerrada em 2008 após distribuir e produzir mais de 100 títulos, entre eles os bastante conhecidos: 2 dias em Paris e Super High Me. O motivo do encerramento dessa divisão foi que a Netflix queria evitar a disputa com os estúdios parceiros.

A grande virada do jogo da Netflix aconteceria em 2007 com o lançamento do serviço de streaming, porém não como estamos acostumados a ter hoje em dia. No lançamento cada assinante tinha direito a apenas 1 hora de vídeo por dólar da assinatura, em média. O plano de U$$ 16.99 permitia que o usuário assistisse 17 horas de vídeo. Note que nesse momento não havia assinatura específica para streaming como tem hoje nos EUA, onde você opta por assinar o serviço de entrega de DVD ou conteúdo on demand.

A restrição não durou muito tempo e em 2008 a Netflix derrubou a medida. Pelo menos para aqueles que tinham uma assinatura mais robusta (quem tinha o plano de U$$4,99 que dava direito a 2 DVD’s por mês ainda permaneceu podendo assistir somente 2 horas de streaming a cada 30 dias). A medida foi motivada pela maior fonte motivação de motivação para as empresas: A concorrência. A Netflix alterou sua política e facilitou o acesso ao streaming após a estreia do Hulu e da venda de vídeos pela Apple.

A partir de então a empresa começou a fechar diversas parcerias para criar o gigantesco catálogo que dispõe hoje. Após a primeira parceria (Warner Brothers e Columbia) em 2001, em 2008 foi a vez de uma parceria com a Starz; em 2010 foi a vez de assinar um contrato de 5 anos e 1 bilhão de dólares com a Paramount, Lions Gate e MGM; a Fox em 2012 com suas tantas séries de nome; em 2013 foi a vez de comprar os direitos de tv da DreamWorks, dentre outras. Tais decisões fizeram com que Reed Hastings fosse eleito o CEO do ano pela revista Fortune.

Em 2010 veio também a primeira grande controvérsia da Netflix. Foi durante um concurso para que fosse desenvolvido um algoritmo de sugestões para os usuários melhor do que o existente na época (criado em 2006 também por um concurso no qual o prêmio foi de 1 milhão de dólares). Para que as equipes pudessem começar a criar a ferramenta foi preciso que a Netflix disponibilizasse informações de usuários, como lista do que assiste, tempo que fica vendo, rotina, etc. Claro que todos os dados seriam passados de maneira anônima.

Pois é, mas não foi. Descobriu-se depois que os dados eram vulneráveis e podiam ser rastreados e decodificados para se chegar até seu dono. Isto causou uma grande discussão sobre direitos e sobre privacidade. A FSF – Free Software Foundation – promoveu uma campanha (logo abaixo) para que os usuários cancelassem a assinatura. Mais pontual do que uma campanha de internet foi o processo judicial movido pela KamberLaw, que foi encerrado após um acordo.

Outras ações também já foram movidas, como o grupo que representa os surdos nos Estados Unidos e afirmou que os lançamentos não tinham legenda, o que impossibilitava os deficientes auditivos de acompanhar o conteúdo. A ação foi movida em 2011 e já em 2012 a Netflix afirmou ter aumentado significativamente o conteúdo com legendas. Depois disso a companhia passou a tomar medidas interessantes, como, por exemplo, a inserção de legendas feitas por um fansub, ou seja, um grupo de fãs. O caso ocorreu na Finlândia.

A única decisão errada que a Netflix teve que lidar ocorreu em 2011 quando Hastings anunciou que tinha a intenção de desmembrar o serviço de streaming (que continuaria chamando-se Netflix) e o serviço de envio de DVD’s e também videogames (que se chamaria Qwickster, uma nova empresa). A ideia não foi bem recebida e as ações da companhia despencaram ao ponto do CEO cancelar essa ideia menos de 1 mês depois. As perdas incluíram cerca de 600 mil cancelamentos de assinaturas naquele quadrimestre e uma baixa de 11 dólares no valor das ações somente em 1 dia.

Um ponto errado no meio de uma trajetória de acertos. Por isso, nada mais justo do que a Netflix ser a maior empresa de streaming hoje. Em 2015 ela teve seus papéis vendidos a mais de 700 dólares e foi avaliada em 32.9 bilhões de dólares, superando o valor de mercado da rede rede CBS, avaliada em 30.6 bilhões. A título de comparação, a CBS é a criadora de clássicos como NCIS, Criminal Minds, The Big Bang Theory, M*A*S*H, How I Met Your Mother, Two and a Half Men, The Mentalist, Cold Case, Hawaii Five-O e muitas outras.

Bom, hoje, ninguém pode negar que a Netflix é sucesso absoluto. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela é responsável por 37% de todo o tráfego de internet no país. Isso é o suficiente para começar a pensar no peso e impacto que uma única empresa tem sobre o tráfego de dados. E no dia anterior ao que escrevo esse texto eles chegaram a 75 milhões de usuários ativos.  E olha só esse dado: No mundo inteiro foram assistidas 42.5 BILHÕES de horas de vídeo e, 2015 (em 2014 foram 29 bilhões).

Todo esse sucesso é culpa do conteúdo oferecido. E você tem noção de quanto é esse conteúdo? Somente em streaming o Netflix possui mais de 1 petabyte (que corresponde a 1024 terabytes, que, por sua vez, cada terabyte é 1024 gigabytes. Assim, 1 petabyte é 1 milhão 48 mil e 576 gigas). Cada filme ou episódio está armazenado em mais de 50 formatos de dados diferentes, tudo para garantir que de alguma forma vai funcionar.

E o impacto da Netflix vai além do peso causado na internet. As transmissoras de conteúdo convencionais como canais de Tv e canal a cabo já sentem uma queda gigante na arrecadação, principalmente a Tv a cabo que vende 30 ou 50 canais pelo quádruplo do preço dos milhares de filmes da Netflix. O bom para nós é que eles terão de se mexer e se oferecer um conteúdo melhor caso queiram continuar na briga. Até os canais abertos estão colocando seu conteúdo completo na internet, coisa impensável até alguns anos atrás.

Segundo Neil Hunt, chefe de produtos da Netflix, o modelo que eles apresentam hoje é o modelo padrão para as emissoras de televisão em 2025, onde cada usuário terá a liberdade de escolher o que assistir e quando assistir. Torçamos =D

Expansão internacional

Como vimos, a Netflix começou com o serviço de streaming em 2007, mas o primeiro país a poder usufruir do serviço iria demorar mais alguns anos. Foi o Canadá, em 2010. Menos de 4 anos depois, 30% da população de língua inglesa do país já eram usuários de Netflix.

O sucesso foi excelente para nós, pois deu a ideia para que a Netflix continuasse conquistando mais e mais países. O alvo da vez foram 43 países da América Latina, entre eles países como Brasil (1º país a receber e 3º do mundo), Argentina, Chile, Colômbia, México, e outros 38 países.

Hoje a Netflix é um sucesso por aqui, porém, no início a coisa foi temerosa, pois o Brasil, e todos os países em geral, possuíam uma internet média muito lenta. No Brasil, por exemplo, somente 20% de usuários tinham a velocidade acima de 500 KB/s quando 800 KB/s eram necessários para conectar no serviço.

Em 2012 foi a vez da Europa receber a Netflix. Os primeiros países foram Reino Unido e Irlanda em janeiro. Quase terminando o ano foi a vez da Escandinávia: Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. A Holanda foi o próximo, em 2013, e este ano foi especial pelo seguinte motivo: 3 bilhões de dólares em assinatura nesse ano. A essa altura eram 32 milhões de usuários nos EUA (30% da população) e 10 milhões espalhados pelo restante do mundo.

Grande sacada investir em expansão. Note que antes a base de usuários crescia a uma taxa de 2.4 milhões de usuários ao ano, depois, em 2014 essa taxa passou a ser de 7 milhões por ano.

Oceania recebeu o serviço em março de 2015 com a estreia de Austrália e Nova Zelândia na lista de países disponíveis. A Ásia receberia alguns meses depois, sendo o Japão o pioneiro por lá.

O grande (gigante) passo foi dado na CES de 2016, quando em 6 de janeiro, Reed Hastings anunciou que mais de 130 novos países iam passar a assistir Narcos, House of Cards, etc. Agora a dominação total está cada vez mais próxima. Teve até vídeo de comemoração.

Conteúdo original

Hoje a Netflix não é somente conhecida por ser uma distribuidora de conteúdo, ela é uma produtora de conteúdo original. Recentemente foi anunciado um investimento de 5 BILHÕES de dólares em conteúdo assinado com a marca Netflix. O valor é pouco mais do dobro do orçamento da poderosa HBO, produtora de, entre outros, o incrível Game of Thrones.

A primeira série própria a estrear foi House of Cards, em 2013, um drama político que até o momento já recebeu dezenas de prêmios e indicações a Emmy, Golden Globe Awards, People’s Choice Awards e muito mais. Hoje House of Cards já se encontra renovado para uma quarta temporada e com um sucesso de público e crítica que só aumenta.

House of Cards foi um marco também por dispensar a necessidade de um piloto para aprovar o início de uma produção e isso, por mais indiferente que possa parecer, é bastante significativo. Kevin Spacey, o Frank Underwood da série, disse que no ano em que começou a produção do show, foram feitos 113 pilotos no circuito das emissoras estadunidenses, onde 35 foram escolhidos para serem produzidos e somente 13 ganharam uma 2ª temporada. O custo disso foi em torno de 300 a 400 milhões de dólares. No processo de produzir House of Cards sem uma avaliação prévia e deixar com que os assinantes decidissem se ela faria sucesso ou não a Netflix poupou milhões de dólares e provou que poderia ser uma fórmula de sucesso.

Por causa disso depois vieram outras produções originais: Orange Is the Black, Marco Polo, Demolidor, Sense 8, Narcos, Jessica Jones, BoJack Horseman, Making a Murderer, Unbreakable Kimmy Schmidt e muitas outras.

O mais legal de tudo é que a Netflix não é mais vista como uma coadjuvante. Prova disso é a parceria com a Marvel que irá resultar em 6 títulos: Demolidor; Jessica Jones, Luke Cage; Iron Fist; The Defenders.

Além disso a Netflix se destaca por ser uma nova maneira de distribuir conteúdo. Séries completas produzidas por canais norte-americanos assinam um contrato de distribuição com a marca e ela leva a série para todos os países onde está presente, exceto os EUA. Esse é o caso de Better Call Saul, The 100, Scream, Shadowhunters e outros títulos tão famosos quantos.

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E a marca também investe na produção de seus próprios filmes. O primeiro a ser lançado foi o drama Beasts of No Nation ganhador de diversos prêmios por sua qualidade técnica. O segundo lançamento foi a comédia Ridiculos 6 com um elenco de peso como Adam Sandler, Terry Crews, Jorge Garcia, Taylor Lautner, Rob Schneider, entre outros. Com menos de 1 mês o filme já era o mais assistido da história da plataforma.

Em 2015 a Netflix lançou, aproximadamente, 450 horas de conteúdo original e, em 2016, devem ser mais de 600 horas, segundo anúncio oficial. Essas 600 horas estão distribuídas em 30 novas séries, 8 filmes, 35 novas temporadas de séries infantis, 12 documentários e 9 shows de stand-up.

Inovações

15301 E não foi somente no campo da transmissão de conteúdo que a Netflix iniciou uma nova era. Eles foram mais longe e inventaram um meio de alterar a própria experiência do usuário. Em setembro de 2015 eles deixaram os usuários ansiosos ao anunciar que tinham criado um botão “mágico”.

Segundo os criadores, ao toque do botão chamado “Switch”, por exemplo, as luzes da sala baixariam, a tv liga, o Netflix faz login, o som é ajustado, o celular entra em modo silencioso, etc. O único porém é que a Netflix não tem a mínima previsão de comercializar o dispositivo. A criação foi feita e mostrada na Maker Faire de Nova Iorque, contudo, eles explicam passo a passo no site como você pode fazer seu próprio botão.

Abaixo um vídeo da Netflix mostrando as possibilidades do que pode ser feito com esse botão.

Mas não foi somente um botão místico que os caras criaram. A próxima invenção foram meias. Sim, meias. Dessas bem confortáveis que você usa para ficar atirado no sofá assistindo How To Get Away With Murder ou qualquer outra série.

Mas obviamente que não é uma meia convencional. Assim como o Switch que vimos há pouco, as meias possuem uma boa dose de tecnologia. Assim como a anterior ela também será feita por você e vem repleta de fios e placas de circuitos. Você veste a meia e começa a assistir suas séries. Caso você durma a meia percebe através dos sensores e seu batimento cardíaco. Quando isto acontece ela manda um comando para o arduíno que desliga a tv e a Netflix pra você não perder nada.

O projeto completo pode ser baixado no site também, e mais: Vem, inclusive, com 5 modelos de meia e o passo a passo para você BORDAR os logotipos das séries. Ficou interessado? Então veja como fazer:

VPN

Como a maioria dos usuários já sabe, cada país tem seu próprio conteúdo. Sendo assim a Netflix possui 247 catálogos, sendo a grande parte diferentes um do outro, para atender seus mais de 190 países. O Brasil, por exemplo, tem pouco mais de 3.500 títulos, estando na frente de países como Canadá e qualquer país da Europa.

Alguns países possuem títulos que somente estão disponíveis em determinado catálogo. Por isso que a cobiça por catálogos estrangeiros é tão grande. O catálogo estadunidense é o maior do mundo, com quase 6 mil títulos e por isso o mais desejado.

O tamanho dos catálogos demonstrado pela intensidade da cor
O tamanho dos catálogos demonstrado pela intensidade da cor

Isso faz com que alguns usuários desenvolvessem ferramentas capazes de burlar o sistema e acessar qualquer Netflix do mundo. São os famosos VPN’s, ou, Virtual Private Network. Mas o que é e como funciona essa sigla?

Resumidamente funciona assim: Quando você acessa o Netflix pelas redes normais a sua conexão passa por protocolos de segurança que autenticam a conexão proporcionados pelo ISP (Internet Service provider). Esse servidor "seguro" tem a função de barrar os possíveis invasores, as tentativas de ataques, os sites ou conexões sem certificados válidos, etc. Sim, o VPN é um túnel entre sua conexão e o local onde você está indo. Como esse túnel é fictício a ferramenta consegue simular como se você estivesse em qualquer país. Você pode simular uma conexão da Rússia, França, Austrália, Filipinas, etc.

O problema é que quando você acessa direto pelo túnel não tem a garantia dessa proteção extra que uma rede e servidor seguro proporcionam. É como se a internet fosse um tiroteio e o servidor seguro fosse seu colete á prova de balas. Quando você entra numa VPN você entra no tiroteio sem colete. Os tiros vão estar lá, e ser atingido é questão de tempo. Esses tiros podem ser espiões, ladrões de senha, dados de cartão, etc. (espero que tenham entendido com essa explicação tosca).

Um dos mais famosos provedores VPN é a extensão Hola do Google Chrome que funciona e faz tudo de uma forma bem fácil. O problema é que a Netflix é contra qualquer mutreta para fraudar sua política de direitos e permissões e, anunciaram recentemente, 14 de janeiro de 2016, que quem for pego fazendo isso será banido automaticamente, inclusive, do seu país de origem.

Olha só o que está escrito na sua política de uso:

A Netflix poderá encerrar ou restringir seu uso do serviço sem indenização ou aviso prévio se houver suspeita de

(i) infração de qualquer dos presentes Termos de uso ou

(ii) envolvimento com uso ilegal ou inadequado do serviço

Segundo a Netflix mais de 30 milhões de usuários utilizam VPN e proxy para burlar a proteção, sendo 20 milhões deles somente da China, onde a Netflix não está presente por restrições do governo local.

Acha que eles estão brincando? Poucos dias depois do anúncio já deu pra ver alguns usuários brasileiros falando nos grupos de Facebook que tiveram suas contas suspensas. Bom, o uso de VPN é fácil e está muito bem explicado pela internet afora. Então pense muito bem antes de usar.


Parece que a Netflix ainda vai mudar, em muito, o jeito como consumimos entretenimento televisivo. E você tem algum palpite para como serão as coisas daqui 10 ou 20 anos? Conta pra gente nos comentários.

 
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