Review: Mouse Redragon Centrophorus, o "quase" da Redragon

Confira a nossa análise do Redragon Centrophorus, um mouse barato que por pouco não se tornou uma das melhores opções do mercado de mouses de baixo custo.

Por | @grasiel_grasel Periféricos

Uma das marcas de periféricos mais conhecida aqui no Brasil é a Multilaser, principalmente por vender produtos de baixo custo e, na maioria das vezes, de baixa qualidade. O que muitos não sabem, é que boa parte dos produtos da marca são produzidos por uma OEM que vem ganhando muito espaço em terras tupiniquins, a Redragon, mais conhecida pela qualidade e excelente custo/benefício de seus teclados.

Clique aqui e confira o review do Redragon Yaksa feito pelo Wetto

Embora que a Redragon ainda seja nova no mercado (encontrei algumas fontes que dizem que ela foi fundada em 2012), ela vem de um grupo chinês de OEM’s chamado Challenger Technology Limited, que trabalha no mercado de periféricos para computadores desde 1996, fabricando produtos para grandes marcas.

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Neste review vamos conhecer o Redragon Centrophorus, que chegou até a nossa redação pelo combo Redragon Vajra, o qual possui um teclado de membrana juntamente com o mouse. O propósito deste combo é oferecer periféricos de baixo custo para usuários de entrada, portanto, vamos começar descobrindo como o mouse se sai em nossos testes. Você pode conferir o review do teclado Vajra clicando aqui assim que ele for publicado. Para quem possa preferir, o Centrophorus também é vendido separadamente.

O Redragon Centrophorus é mais um modelo de baixo custo que aposta no seu visual para chamar a atenção do público, ele possui poucas curvas, mas tem vários furos e texturas para mudar o feeling de uma pegada. Seus leds são todos na cor vermelha, e o indicador de faixa de DPI possui 3 níveis de intensidade para que o jogador saiba qual é o valor que está utilizando: se ele estiver desligado, 1000dpi; ligado, mas com baixa intensidade, 1600dpi; e com o brilho máximo, que corresponde a 2000dpi.

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Ergonomicamente falando, acredito que o mouse não seja muito confortável para mãos grandes, no entanto, para mãos médias e pequenas ele é bastante confortável para uma pegada palm ou claw. Para pegadas ao estilo finger tip, acredito que somente mãos pequenas sejam ideais para o Centrophorus, pois senti um certo desconforto por não conseguir encontrar uma posição confortável para meus dedos anelar e mínimo. Embora tenha um perfil ambidestro, os botões de macro do lado esquerdo podem ser um tanto desconfortáveis para canhotos.

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De maneira geral, o Centrophorus é bem construído e passa um ar de durabilidade em sua carcaça. A maior parte do corpo do mouse é feita em plástico fosco, tendo uma textura diferenciada nas laterais e alguns detalhes em plástico liso.

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Uma opção de customização que a Redragon oferece aos compradores do Centrophorus é a de adicionar até 8 pesos extras ao mouse, os quais pesam 2,5g cada e podem somar 102g (sem o cabo) no peso total do produto, uma média bem abaixo do comum em mouses gamers, o que é excelente.

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Estas especificações são fornecidas pelo fabricante.

  • Ajuste DPI em 3 níveis 1000/1600/2000 DPI
  • 6 botões, incluindo 2 botões laterais programáveis
  • Conjunto de 8 peças de ajuste de peso (20g)
  • Corpo contornado com pés TEFLON
  • Construção em plástico ABS
  • Cabo de 1,8m de fibra trançada
  • Peso de 82g sem as peças de ajuste de peso e sem o cabo

*A Redragon não disponibiliza um software para o Centrophorus

A surpresa que o Centrophorus reserva está justamente dentro dele. O mouse possui alguns componentes de boa qualidade, mas também peca em alguns aspectos. Como eu sempre digo em minhas reviews, essa é uma das partes mais importantes de uma avaliação, portanto, vamos começar.

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Os switches principais do mouse são Tantrec (TTC) de boa qualidade, um ponto extremamente positivo para um mouse de valor tão baixo. O switch do scroll e dos botões laterais são ChangeFeng (Cf) que são de qualidade inferior, mas ainda assim são uma boa escolha para um mouse de baixo custo.

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Vale citar que, em alguns modelos do mouse, pode existir a possibilidade de um dos botões principais virem com switches ChangeFeng, como aconteceu no modelo que o Wetto do Adrenaline utilizou no comparativo de mouses baratinhos, o que é bastante chato tanto pela diferença no feeling do clique quanto pela durabilidade e qualidade do componente em si.

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O switch de mudança de DPI é um modelo tátil genérico, o que não é um problema já que este provavelmente será o botão menos utilizado.

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O sensor do mouse é um PAN3509, e é aqui que o Centrophorus comete o seu maior erro. Este sensor é bastante comum em mouses de escritório, mas ele definitivamente não serve para jogos de FPS ou qualquer outro game que exija movimentos rápidos do jogador, pois nem com uma boa implementação ele é capaz de atingir resultados aceitáveis. Veremos os resultados dos testes de rastreio mais adiante neste review.

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O codificador do scroll é um modelo da TTC, uma das melhores opções de codificadores mecânicos no quesito durabilidade, portanto, mais um ponto muito positivo para o mouse.

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Os LEDs do mouse são modelos comuns na cor vermelha, eles são bem menos duráveis do que modelos SMD, mas são aceitáveis para um mouse barato que não tem como proposta uma iluminação RGB. O único LED de qualidade mais inferior é o de indicação de troca de DPI, o qual precisa trabalhar com intensidades para definir as configurações que o mouse está utilizando, como é provável que você nem o mantenha ligado, ele não deve apresentar problemas.

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As soldas do mouse são um tanto malfeitas, principalmente na PCB dos botões de macro, que possuem até mesmo algumas soldas queimadas e refeitas. De modo geral, os componentes são bem organizados e os vários resquícios de limpeza não fazem diferença no desempenho do Centrophorus.

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Soldas da PCB principal

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Soldas da PCB das macros

Se você tem alguma dúvida a respeito de termos técnicos, recomendamos que leia nosso artigo sobre o que um bom mouse precisa ter clicando aqui.

MS Paint

Com o Microsoft Paint fazemos dois testes muito importantes, os de jitter e prediction que são, respectivamente, avaliações que verificam se o sensor do mouse sofre com alguma distorção (o que deixa as suas linhas “tremidas”) e também se ele tem algum tipo de sistema que tenta simular linhas perfeitas, o que você certamente não quer em um jogo de precisão, pois os movimentos humanos não são perfeitos.

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No paint vemos as primeiras evidências dos problemas do PAN3509, mesmo em um nível consideravelmente baixo de DPI, na faixa de 2000 pontos, o mouse apresenta claros problemas de jitter e até alguns vestígios de prediction, o que é inaceitável para um mouse que é vendido como “gamer”, mesmo nesta faixa de preço.

Enotus Mouse Test

No Enotus realizamos mais dois testes, a frequência com que o mouse se comunica com o computador, o que nos dirá também o tempo que ele leva para mandar uma resposta à máquina, e também a velocidade máxima que o sensor é capaz de captar. Bons resultados devem estar acima de 500Hz (2 milissegundos de atraso) e no mínimo a 2m/s de velocidade máxima de rastreio.

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As limitações do PAN3509 são bastante visíveis no Enotus. O Centrophorus opera a 125hz, o que garante um tempo de resposta de 8ms, ficando bem longe do aceitável, no entanto, este não é o seu maior problema, mas sim a sua velocidade máxima de rastreio, que incrivelmente não chega 1m/s, o que é completamente inaceitável para a categoria. Com estes resultados, é provável que você passe por frustrações até em jogos que não exigem tanto de um mouse, como um RPG.

Mouse Tester

O Mouse Tester nos mostra resultados um pouco mais técnicos e muito importantes, a consistência do rastreio e o teste de aceleração para sabermos se o mouse possui algum tipo de alteração em seu rastreio em relação à velocidade que o movemos.

Consistência

No teste de consistência vamos verificar se o sensor possui algum tipo de alteração em seu rastreio, portanto, as linhas são o trajeto percorrido pelo mouse em relação ao tempo e as bolinhas são os registros do mouse sobre sua posição, quanto mais próximas da linha, mais preciso é o sensor.

Review: Mouse Redragon Centrophorus, o "quase" da Redragon

Quando digo que o Centrophorus fica no “quase”, eis o motivo: Os resultados dos testes de consistência do mouse são realmente muito bons para um mouse dessa média de preços, a Redragon conseguiu fazer uma boa implementação de um sensor horrível, o que indica que ela certamente conseguiria trabalhar com um PMW3320 como o do Motospeed V30, oferecendo um rastreio infinitamente melhor por um preço ainda baixo.

Clique aqui e confira o nosso review do Motospeed V30.

Aceleração

A aceleração é um problema comum apenas em mouses de baixíssima qualidade, no entanto, é extremamente importante verificar se ele possui algum tipo de aceleração, pois taxas altas podem atrapalhar seu desempenho em jogos que exigem precisão, como Counter Strike, por exemplo.

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Devido ao terrível resultado do mouse no Enotus, que mostra uma velocidade máxima de rastreio extremamente baixa, é praticamente impossível realizar um teste de aceleração e obter um resultado seguro, pois, devido a necessidade do mouse ser movimentado rapidamente para verificar se haverá alguma alteração na posição final, o rastreio simplesmente buga e parte da trajetória é perdida no meio do caminho, causando um resultado que chamamos de aceleração negativa, um termo popular entre entusiastas que tem uma nomenclatura um tanto errada.

A aceleração negativa pode ser causada por dois problemas:

  1. O sensor do mouse possui uma velocidade máxima de rastreio muito baixa, portanto, perde parte das informações que deveria coletar quando o mouse é movimentado rapidamente (linha de baixo no teste).
  2. A implementação do sensor pode ser otimizada para oferecer um Lift Off Distance (LOD) mais baixo, o que pode exigir recursos do sensor que limitam a sua tolerância a cores mais claras em mousepads, fazendo com que o sensor fique maluco ou simplesmente pare de funcionar ao passar sobre determinados materiais ou cores, causando perdas na coleta de informações.

Estes problemas no qual o mouse costuma perder informações no rastreio é também chamado de pixel-skipping, uma nomenclatura que ficou bastante conhecida depois que alguns jogadores de Overwatch alcançaram a “descoberta” de que níveis de DPI muito baixos (abaixo de 800 pontos por polegada) podem ser prejudiciais em jogos com configurações de sensibilidades altas, pois o mouse não rastreia pontos o suficiente para a velocidade imposta por uma sensibilidade elevada, causando “pulos” na reprodução do movimento.

Não é preciso dizer que minha experiência ao utilizar o Centrophorus foi terrível. Meu tipo preferido de game é justamente o FPS, no qual necessito de um mouse preciso e rápido, duas qualidades que não vimos neste review.

A única usabilidade que vejo para o Centrophorus é a de um mouse de escritório estilizado, pois, nem mesmo em jogos nos quais o jogador não exige tanto do sensor ele consegue se sair bem, tudo isto devido a velocidade máxima de rastreio medíocre que o PAN3509 suporta.

Review: Mouse Redragon Centrophorus, o "quase" da Redragon

O LOD do mouse fica acima de 1 e abaixo de 2 CDs, o que é aceitável para um mouse de baixo custo e mostra como realmente a Redragon soube implementar este sensor. Os switches do mouse são bastante convincentes e o codificador do scroll é uma das melhores opções disponíveis no mercado, mostrando novamente que o Centrophorus fica no “quase”, acertando em quase tudo, mas errando FEIO no principal.

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O peso do mouse é outro aspecto que eu gostei muito, são raros os produtos que conseguem oferecer um peso tão baixo nos dias de hoje. Eu costumo criticar marcas que oferecem a opção de adicionar pesos extras para supostamente “balancear melhor” o mouse, mas, neste caso, não vejo motivos para demonizar esta opção em um produto que pesa tão pouco, um pesinho a mais certamente não seria o suficiente para prejudicar um usuário.

A Redragon construiu um mouse barato com componentes muito convincentes para o seu preço, no entanto, todos os seus acertos são sobrepostos pelo erro terrível na escolha de um sensor medíocre utilizado em mouses de escritório baratos. O interessante é que ela soube implementar muito bem um sensor de má qualidade, o que quer dizer que eles provavelmente poderiam ter algum futuro se investissem em um componente que ofereça o mínimo de qualidade, como um PMW3320.

Review: Mouse Redragon Centrophorus, o "quase" da Redragon

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Embora que eu gostaria, não posso recomendar o Centrophorus como uma opção de mouse gamer e, de acordo com o pouco que sabemos sobre os mouses da Redragon, parece que todos os outros modelos sofrem do mesmo mal: acertam na maioria, mas erram miseravelmente no sensor. No entanto, posso dizer que este é um excelente mouse de escritório, principalmente por parecer ser muito durável para essa função.

Depois deste review, espero que eu possa ter contribuído de alguma forma para a Redragon e seus mouses (se é que algum dia este review chegará até algum deles), mostrando as principais falhas de um produto que tinha tudo para dar certo e ser uma opção interessante em custo/benefício, mas que acabou ficando no “quase”.

Notas

  • 0 4 6 8 10
  • Implementação do Sensor
  • Switches principais
  • Codificador do Scroll
  • Ergonomia
  • Switches extras
  • Construção interna
  • Peso
28° em nosso ranking
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  • Corsair Katar
  • James Donkey 125M
  • Redragon Centrophorus
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