Esse ano, eu não consigo recomendar nenhum celular da linha Redmi, nenhum. E o Note 15 5G é o melhor exemplo do porquê. Ele não é ruim - tem tela AMOLED, conexão 5G, pagamento NFC, aguenta uma chuva sem medo e ainda roda uns joguinhos sem travar. No papel, tudo ok.

O problema vem quando a gente compara ele com concorrentes da Motorola, Samsung e até da POCO. Fica fácil perceber que a linha Redmi da Xiaomi ficou para trás em vários quesitos. Nesse vídeo, vou apresentar vários detalhes desse celular e no final digo por qual preço compensa comprar.

Construção Externa e Design

Ano após ano os celulares aumentam cada vez mais de tamanho, e aqui no Note 15 5G temos um dos maiores aparelhos da categoria. Ele traz uma telona de 6.77 polegadas, mas apesar disso, o celular continua bem fino e leve, até mais que a versão 4G.

Para diferenciar o 5G do 4G, a Xiaomi colocou uns efeitos bem bonitos na tampa de plástico do modelo mais caro, mas só aqui na versão roxa. Eu dei uma olhada em outras reviews e o modelo preto é bem basicão, sem efeitos.

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O design mantém aquela nova identidade que a Xiaomi está seguindo em vários de seus aparelhos. É um visual simétrico com 4 aneis localizados num módulo levemente elevado. Esse é um ponto positivo, já que graças a simetria, podemos usar o celular na mesa sem balançar.

Apesar de ser um intermediário, o Note 15 não conta com materiais premium como vidro, alumínio ou coure vegano. Aqui é plástico, tanto nas laterais quanto na tampa traseira. Isso não é necessariamente um ponto negativo, ainda mais quando tudo está bem encaixado e sem defeitos de fabricação, que é o que realmente importa.

Girando o celular, encontramos na parte de cima um microfone, uma das saídas de som e também o emissor infravermelho. Para quem nunca usou Xiaomi, com esse emissor você consegue usar o celular como um controle remoto, mudando temperatura de ar condicionado, volume da TV e por aí vai.

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Os botões de volume estão unificados em um só, e ficam na lateral direita junto ao botão power.

Na parte de baixo é onde fica o microfone principal, junto da saída de som, entrada USB-C e da gavetinha de chip. É igual ao Note 15 4G, suporta dois chips físicos, ou um chip e um cartão de memória. Não tem suporte a e-SIM.

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A boa notícia é que, além da conexão 5G, temos também suporte a pagamentos por NFC. Quem assistiu a review passada sabe que eu fiquei decepcionado com a ausência de pagamento por aproximação do outro celular, mas isso foi resolvido no Note 15 5G. Dá para deixar a carteira em casa e pagar tudo pelo celular, facilitando a vida.

Proteção

Outro ponto que eu critiquei no Note 15 4G foram as proteções, e é um fator que foi melhorado no 5G. Ele conta com certificação IP66, um nível acima do IP64 do celular mais barato, garantindo proteção contra poeira e até jatos de água. Não chega a ser aquela certificação de mergulho em água, mas já encara uma chuva forte sem medo.

E não para por aí: ele vem com certificação militar STD-810H, que garante durabilidade extra contra mudanças bruscas de temperatura e pequenas quedas. Quanto ao vidro da tela, a Xiaomi não especificou exatamente o tipo, só dizem que é um vidro de alta durabilidade.

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Uma coisa legal que também está presente no 4G é a película de hidrogel. Ela já vem aplicada de fábrica, o que é bem legal, já que é difícil instalar película direitinho nesses celulares com tela curva.

Também vem com uma capinha de silicone na caixa e um carregador de 45W. É aquele kit-Xiaomi que estamos acostumados, mas que eu sempre menciono porque eles são os únicos que mantiveram essa prática.

Hoje em dia, na Motorola você ganha um carregador e é isso. Na Samsung, o carregador muitas vezes é aquele pequeninho de 15W. E pode esquecer capinha ou película.

Tela

Fora esse kit de capinha, película e carregador, outro ponto positivo dos celulares da Xiaomi com certeza é a tela. Fale o que quiser, mas tela é um ponto onde eles não economizam. A Xiaomi foi pioneira em trazer tela AMOLED para aparelhos de entrada, e foi essa competitividade que obrigou as outras marcas a fazerem o mesmo.

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Aqui no Note 15 5G é o exato mesmo painel curvo do 4G: AMOLED, tamanho grande de 6.77 polegadas, boa resolução FULL HD+ e 120Hz na taxa de atualização.

Soma tudo isso com o brilho incrível de 3200 nits e você tem uma tela que poderia pertencer a um celular bem mais caro e ninguém acharia estranho.

Comparando a tela do Note 15 5G com a de um celular com tela LCD, a diferença de cores e contraste é gigante. Isso ocorre porque os pixels da tela AMOLED, além de regularem o seu próprio brilho, conseguem desligar por completo, criando aquela imagem com tons escuros bem precisos, justamente onde fica o ponto fraco da tela LCD.

Tela LCD (cima) vs Tela AMOLED (baixo)
Tela LCD (cima) vs Tela AMOLED (baixo)

O lado negativo é que esse tipo de tela AMOLED custa bem mais caro que as LCD, e considerando que o Redmi Note 15 é um intermédiario de entrada, a Xiaomi com certeza precisou economizar no restante do aparelho. No modelo 4G, economizaram no processador. Será que o mesmo se repetiu aqui no 5G? Bora descobrir.

Performance

Com a versão 5G, a Xiaomi aposta num processador bem estabelecido no mercado, trata-se do Snapdragon 6 Gen 3. Eu sou bem familiarizado com esse chip, já que testei ele dentro do POCO M8, Galaxy A36 e também do Moto G75. Todos esses celulares apresentam uma performance honesta, boa para o dia a dia, mas que não impressiona em tarefas pesadas.

O Note 15 não é diferente, ele entrega aquele desempenho acima do que estamos acostumados a ver nos celulares baratinhos, e dentro do esperado para um intermediário básico.

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A boa notícia é que ele vem com 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento. Com essas especificações, o celular não sofre para navegar entre vários aplicativos ao mesmo tempo. Ele consegue abrir a câmera e tirar fotos sem travar, diferente do Note 15 4G.

Outra diferença dele para o modelo 4G são os jogos. Eu sofri bastante com aquele aparelho tentando fazer rodar games básicos, mas o 5G consegue e até surpreende um pouco nesse quesito. Conseguiu rodar games pesados como CarX Street com gráficos no mínimo e uma performance razoável. Já em games leves como COD Mobile e Wild Rift ele se sai muito melhor.

Então se você está procurando um celular para comprar para dar de presente para algum parente que só usa WhatsApp e outras redes sociais - até mesmo jogos leves - o Note 15 preenche muito bem esse papel.

Bateria

Mas tem um ponto onde o modelo 5G perde para o 4G, que é na bateria. Por algum motivo, a Xiaomi colocou uma de 5.520mAh de capacidade dentro desse celular, enquanto o Note 15 4G tem uma de 6.000mAh.

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Mesmo assim, eu coloquei os dois para enfrentar o nosso teste de bateria. A duração total é de 8 horas com tela ligada executando várias tarefas diferentes, como navegação no Chrome, reels do Instagram, jogos, gravação com câmera e por aí vai.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
95°Realme C71 5G5.0008607:45h01:05h
96°Xiaomi Redmi Note 15 5G5.5208607:45h00:57h
97°Oppo Reno 11 F5.0008607:45h00:50h
126°Samsung Galaxy S244.0009507:45h01:17h
127°Xiaomi Redmi Note 14 5G5.1109607:45h01:04h
128°Xiaomi 12 Lite4.3009607:45h00:45h

Depois dessas 8 horas, o Note 15 5G terminou com 14% de bateria sobrando, tendo consumido cerca de 4.746mAh ao longo das etapas. É um resultado ok, significa que o celular aguenta o dia todo, mas tem uma autonomia pior que o do modelo 4G. Aquele celular terminou o teste com 33% sobrando. Então se a sua prioridade número um é durar o máximo possível longe da tomada, o Note 15 4G leva essa fácil.

Na hora de carregar o celular, ambos vem com carregadores de 45W, e o Note 15 5G enche a bateria inteira dos 0 ao 100% em 57 minutos. Esse é um ótimo tempo de carregamento, significa que você pode deixar o celular uns 15 minutos na tomada e ele já tem carga para várias horas de uso.

Câmeras

Eu deixei para falar das câmeras mais para o final da análise, já que, honestamente, não tem nada de novo aqui. A Xiaomi mantem basicamente o mesmo conjunto do Note 15 4G, que também é o mesmo conjunto do Note 13, 12, 11S - enfim, vocês já entenderam.

Eu tirei fotos lado a lado com o concorrente principal do lado da Motorola, o Moto G86. Apesar da câmera principal do Xiaomi ter mais que o dobro de megapixels, eu preferi sempre os resultados das fotos tiradas pelo Moto G.

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Nessa do móvel, notem como o Redmi esclarece as sombras e deixa a foto quente. Além de perder a profundidade, mudou totalmente a cor da madeira. O mesmo aconteceu na versão noturna dessa foto - mais quente, menos sombras e sem detalhe.

Na rua eu tirei primeiro uma foto com a câmera principal e depois com a ultrawide. Nesse cenário com boa iluminação, teve pouca diferença entre os dois.

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Agora, à noite, eu fiz a mesma coisa - primeiro foto com a câmera principal e depois a mesma com a ultrawide. Apesar de ambas serem de 8 megapixels, a nitidez do sensor do Moto G é visivelmente melhor em ambientes com pouca luz.

Mas a foto que melhor ilustra a diferença do pós processamento dos dois celulares foi essa do carro na garagem. O piso perdeu toda a cor e textura, parece outro piso. O mesmo aconteceu com os bloquetes de concreto da entrada, mudaram completamente no Redmi. Finalizando com o muro traseiro, limpinho no Redmi e mofado no Motorola. Quanto mais você olha, pior fica.

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Selfies

Mas será que o Redmi tem alguma chance nas selfies? É, como vocês estão vendo, não tem. O Moto G86 se sai melhor aqui também. O rosto não tem aquele efeito pálido comum das selfies dos Xiaomi.

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Sistema e Atualizações

O Note 15 5G sai da caixa rodando Android 15 sob a interface HyperOS 2. Então aqui cabe uma crítica honesta: o celular foi lançado com Android 15, enquanto o Android 16 já está disponível há um tempo. Ou seja, na prática, ele já nasce uma geração atrás.

Um dos quatro anos de atualização que a Xiaomi promete já foi gasto quando eu atualizei para o Android 16 e HyperOS 3. Ainda assim a Xiaomi promete 6 anos de patches de segurança, então mesmo descontando essa geração que ele saiu devendo, é um tempo de suporte razoável para um intermediário.

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Quanto à interface HyperOS, ela é bem organizada e tem tudo que você pode precisar, mas fica aqui a crítica em relação às propagandas. Eu costumo dizer que a Xiaomi não perdoa nem os celulares caros da marca, imagina então esses aqui. Claro, a gente pode ir de aplicativo à aplicativo desativando as propagandas, mas honestamente, quem quer fazer isso com um celular recém comprado?

Conclusão

Não existe celular ruim, existe celular com preço errado. Esse é o principal problema do Note 15. Ele simplesmente não pode custar mais que R$ 1.300, já que é nessa faixa de preço onde encontram-se os principais intermediários básicos de outras marcas.

  • R$ 1.784,71 Shopee Xiaomi Redmi Note 15 5G 256GB/8GB RAM, Processador Snapdragon 6 gen 3, Câmera 108MP, Bateria 5520mAh Ver oferta
  • R$ 1.899,00 Mercado Livre *** Xiaomi Redmi Note 15 5G 8GB/256GB Ver oferta
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O próprio Moto G86 que comparamos nas câmeras - eu comprei ele recentemente por R$ 1.350, e é um celular melhor que o Note 15 5G não só nas câmeras, mas também na proteção contra água, performance e bateria.

  • R$ 1.619,00 Mercado Livre *** Motorola Moto G86 5g - 256gb Ver oferta

Outro concorrente é o Galaxy A36 da Samsung, frequentemente aparece por menos de R$ 1.500 e é um ótimo celular.

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Nesse cenário onde o celular testado está muito mais caro do que devia, eu geralmente analiso o aparelho não pelo preço que está agora, mas pensando no quanto vai cair nos próximos meses. O problema é que o Note 15 5G foi lançado há 7 meses e continua na casa dos R$ 1.700.

  • R$ 1.329,00 Mercado Livre **** Samsung Galaxy A36 5G 6GB/128GB Ver oferta

Por esse valor, podemos ir atrás de aparelhos muito melhores da própria Xiaomi, como o POCO M8 Pro e também o POCO X7 Pro. Se conseguir encontrar promoções desses dois, compensa demais.

Para ser honesto, é uma pena que o Note 15 5G esteja tão caro, já que estamos precisando de um celular baratinho bom para recomendar. Ele cumpriria muito bem esse papel, já que tem bateria ok, pagamento por aproximação, 5G, construção boa, performance razoável no dia a dia - enfim. Se um dia ele eventualmente cair para R$ 1.300, pode valer a pena,