Eu tô gravando essa abertura com a câmera frontal do Xiaomi 17T. Trinta e dois megapixels, 4K a 30 quadros por segundo, no papel. Guarda esse número, porque lá na frente eu vou te mostrar por que essa é justamente a câmera que mais me decepcionou nesse aparelho de quase nove mil reais.
E essa é a história desse review inteiro: o Xiaomi 17T acerta em quase tudo que separa um celular bom de um celular caro de verdade, teleobjetiva periscópica de 5x com Leica, bateria de 6.500 mAh, desempenho sólido em jogo, e erra em detalhes que não deveriam existir num aparelho desse preço.
Eu testei ele por dias inteiros: rodei nossa própria bateria de fotos, de dia, de noite, em contraluz e no zoom, coloquei ele para jogar no protocolo do Roda Liso contra outros 28 aparelhos e passei ele pelo nosso teste padrão de bateria, que já rodou em 168 celulares diferentes. Com esse tanto de dado na mão, dá para te dizer com segurança se vale a pena pagar R$ 8.699,99 nesse celular, ou se você deveria fazer o que eu fiz.
Bora começar pelo que você sente primeiro quando pega ele na mão: o design.
Design e construção
Na prática, o 17T é bem mais compacto do que a linha T costumava ser, e isso é uma mudança grande de postura. O 15T do ano passado era um tijolo de 6,83 polegadas; esse aqui você usa com uma mão só, sem fazer ginástica. Em números, são 157,6 por 75,2 milímetros, 8,2 de espessura e 200 gramas.
A frente e a traseira são de vidro Gorilla Glass 7i, e a certificação é IP68, aquela que aguenta três metros de água doce por meia hora. Até aí tudo bem.
Agora vem a parte que eu preciso ser honesto com você: a estrutura do meio é de plástico. Não é alumínio. Em um celular que a Xiaomi anuncia por quase nove mil reais, isso é difícil de defender. Não é um plástico ruim, o aparelho não range, não torce, a montagem é sólida. Mas se você vem de um celular com moldura metálica, você vai sentir na hora que pegar.
O módulo de câmera é simétrico, não é escandaloso, e tem o carimbo da Leica ali. O leitor de digital é óptico, embaixo da tela, e é rápido. Nenhuma reclamação nesse ponto.
Tela
São 6,59 polegadas de AMOLED em resolução 1.5K, com 120 Hz de taxa de atualização e um pico de brilho anunciado de 3.500 nits. Traduzindo: você lê a tela na rua, no meio do dia, sem fazer sombra com a mão. Isso funciona muito bem.
O painel suporta Dolby Vision, o que na prática significa filme em HDR na Netflix sem faixa visível de cor, o degradê do céu sai liso. As cores são bem calibradas e as bordas são finíssimas. É uma tela boa de verdade.
Mas repara em uma coisa: a geração anterior tinha 144 Hz e essa aqui tem 120 Hz. Na prática, 99% das pessoas não vão perceber diferença nenhuma, porque quase nada roda a 144 quadros no Android. Ainda assim, é um item de ficha técnica que andou para trás em um celular mais novo, e eu prefiro te contar isso do que fingir que não existe.
Performance
Aqui a conversa fica boa. O processador é o MediaTek Dimensity 8500-Ultra, fabricado em 4 nanômetros, com núcleos chegando a 3,4 GHz, acompanhado de 12 GB de RAM LPDDR5X e 512 GB de armazenamento UFS 4.1 na única versão que veio para o Brasil.
Em benchmark sintético, ele fica na casa de intermediário premium forte, não de topo de linha absoluto. No AnTuTu ele fez 2 milhões de pontos. Ninguém aqui vai fingir que ele bate um Snapdragon de última geração.
Só que benchmark não joga. Por isso a gente criou o Roda Liso, que mede FPS médio real com o jogo rodando. E o resultado do 17T foi excelente: 80 FPS de média, nono lugar entre os 28 aparelhos já testados, com a classificação "Roda Competitivo". Para você ter noção do que isso significa, o líder do nosso ranking hoje é o Realme GT 8 Pro, com 98 de média (pódio completo na tela). O 17T está encostado em celular de sete mil reais e em celular feito exclusivamente para jogar.
E tem um detalhe que importa mais do que o pico: no nosso teste de estresse, ele manteve a maior parte do desempenho até o fim, sem quedas bruscas de FPS. É o tipo de comportamento que faz diferença na partida longa, não nos primeiros trinta segundos.
Na temperatura também tivemos um resultado interessante: o Xiaomi 17T esquentou apenas até 40°C depois de uma hora de Genshin Impact, uma temperatura que hoje em dia a gente já pode considerar fria para um celular jogando. Já o POCO X8 Pro, que tem ficha técnica parecida, foi muito além, esquentando até 46°C no mesmo jogo. Nessa temperatura eu já cogitaria usar um cooler. Isso mostra uma coisa importante: só porque dois celulares têm especificação parecida no papel, não significa que vão performar igual na prática. Só testando mesmo para descobrir.
Câmeras
Agora aquela peça que eu falei que tinha me surpreendido. É aqui.
O conjunto tem uma principal de 50 MP com abertura f/1.7 e estabilização óptica, uma ultra-angular de 12 MP e, o grande salto, uma teleobjetiva periscópica de 50 MP com zoom óptico de 5x. Tudo com calibração Leica. A geração passada, o 15T, tinha uma tele de 2x, que é praticamente um recorte da câmera principal. Aqui é periscópio de verdade, com 115 milímetros de distância focal.
E dessa vez eu não vou te repetir teste de laboratório dos outros. Eu rodei a nossa bateria de fotos com esse aparelho: dia, noite, contraluz, zoom, retrato e selfie. Vamos ao que saiu.
De dia ele acerta com folga. O céu sai azul denso e sem banding, e ao mesmo tempo as paredes brancas das casas não estouram. Na foto da rua dá para contar as pedras do calçamento até bem longe do ponto de foco. E olha essa aqui, com o sol dentro do quadro: a folha continua verde em contraluz, a sombra da grama continua com informação e ele não abriu mão do céu para conseguir isso. Esse é o tipo de cena que quebra intermediário, e ele passou.
A periscópica é a estrela. Nessa foto da casa de tijolo, o 5x resolve a textura do tijolo, o desenho da telha e até os fios de energia contra o céu, sem aquele contorno de nitidez artificial. É zoom de topo de linha em um celular que não é topo de linha.
À noite ele continua bem. Ruído baixo, céu preto limpo, sem o roxo de celular barato, e o verde das plantas sob luz de jardim fica bonito. Duas ressalvas honestas. A primeira: ele fecha demais as sombras, então cena escura sai mais dramática do que estava na vida real. A segunda: lâmpada dentro do quadro gera círculo de reflexo fantasma na imagem, e isso apareceu em várias fotos minhas, principalmente na ultra-angular. A ultra-angular, aliás, mantém a cor coerente com a principal, o que é um mérito, mas perde nitidez nos cantos e é a lente que mais sofre com esse reflexo.
E a selfie, que é o ponto fraco. São 32 MP sem autofoco. No sol ela segura o rosto exposto e o céu azul ao mesmo tempo, e isso é mérito real. Mas a sombra no rosto fica dura e o detalhe de pele é bem mais suave do que 32 MP prometem. Para story e videochamada resolve. Para quem faz conteúdo pela frontal o dia inteiro, é limitação.
Em vídeo, ele grava em 4K a 60 quadros com a principal e com a teleobjetiva, com HDR10+ e uma estabilização muito boa.
Bateria
São 6.500 mAh com tecnologia de silício-carbono, mil a mais do que a geração anterior, dentro de um corpo que ficou menor. Isso, por si só, já é engenharia bem feita.
| # | Celulares | Capacidade | Consumo | Tela Ligada | Tempo carregamento |
|---|---|---|---|---|---|
| 1° | Xiaomi POCO X8 Pro Max | 8.500 | 37 | 07:45h | 01:03h |
| 2° | Oppo Find X9 Pro | 7.500 | 52 | 07:45h | 01:16h |
| 3° | JOVI V70 | 7.000 | 52 | 07:45h | 00:56h |
| 4° | Xiaomi POCO M8 Pro | 6.500 | 52 | 07:45h | 00:43h |
| 5° | JOVI Y31 | 7.200 | 54 | 07:45h | 01:33h |
| 7° | Xiaomi POCO X8 Pro | 6.500 | 58 | 07:45h | 00:42h |
| 15° | Xiaomi 17T | 6.500 | 64 | 07:45h | 00:58h |
| 25° | Xiaomi 15T Pro | 5.500 | 68 | 07:45h | 00:43h |
E o resultado bateu com a expectativa. No nosso teste padronizado de bateria, aquele que já rodou em 168 celulares, o Xiaomi 17T ficou em 14º lugar geral. Para efeito de comparação, o Xiaomi 15T Pro do ano passado, que custava mais caro e era o modelo mais parrudo da família, ficou em 24º. Ou seja, o modelo mais barato da geração nova entrega mais autonomia do que o mais caro da geração passada.
Em uso, isso significa um dia inteiro tranquilo, com folga, e para quem usa menos o aparelho encara o segundo dia sem sofrimento.
O carregamento é de 67 W com fio e completou o ciclo de 0 a 100% em 58 minutos no nosso teste. Não é o carregamento mais rápido do mercado, e é até mais lento do que os 43 minutos do 15T Pro, mas ele está enchendo uma bateria bem maior.
Tem também carregamento reverso de 22,5 W, útil para socorrer fone e relógio. O que ele não tem é carregamento sem fio, e isso o 15T Pro também não tinha, então não é uma perda, é uma ausência que continua.
Sistema e atualizações
Ele sai de fábrica com HyperOS 3 sobre Android 16, e isso é importante porque muita gente compra celular novo e recebe sistema velho. Aqui não. A Xiaomi promete cinco anos de atualizações grandes de Android e um sexto ano de correções de segurança, política de suporte séria que sustenta a ideia de comprar esse aparelho para ficar quatro ou cinco anos com ele.
O de sempre continua valendo: vem aplicativo pré-instalado que você não pediu. Dez minutos desinstalando resolve, mas é chato ter que fazer isso em um celular caro.
Preços
Chegamos na parte que decide tudo. O preço oficial de lançamento do Xiaomi 17T no Brasil é R$ 8.699,99, na única versão que veio para cá, com 12 GB de RAM e 512 GB. E eu vou dizer com todas as letras: por esse valor, não compre. Não existe justificativa para pagar quase nove mil reais em um celular com estrutura plástica e chip de intermediário premium, por melhor que ele seja.
Só que esse preço é ficção. Hoje, no dia dessa gravação, encontrei o 17T no mercado cinza por valores entre R$ 3.800 e R$ 4.200, batendo bem em cima do nosso preço de referência de custo-benefício, que é R$ 3.955, onde ele ocupa a 14ª posição no ranking. Nessa faixa, a conversa vira outra completamente. Você está levando 80 FPS médios em jogo, uma das quinze melhores baterias que já testamos, tela de 3.500 nits e uma periscópica de 5x com Leica que, nas nossas fotos, entrega detalhe de aparelho bem mais caro. Isso é muito celular pelo dinheiro.
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Só um adendo honesto aqui: mercado cinza é importação, sem garantia oficial da Xiaomi no Brasil e sem nota fiscal formal. Funciona, e é onde está o preço bom, mas você está trocando a rede de proteção da compra oficial por um desconto de quase metade do valor. Avalie com essa informação na mão.
O meu corte é esse: até uns R$ 4.500 é compra fácil e recomendada, considerando esse risco do mercado cinza. Entre R$ 4.500 e R$ 5.500 ainda dá, se o zoom e a bateria forem prioridade para você. Acima de R$ 6.000, esquece, tem opção melhor.
E como preço de celular muda de um dia para o outro, entra no grupo de ofertas da Oficina da Net no WhatsApp ou no Telegram. O link está na descrição. É lá que a gente avisa na hora em que o 17T cai de preço de verdade, para você não pagar o valor de tabela.
Conclusão
- Zoom periscópico de 5x com Leica
- 80 FPS médios em jogo (Roda Competitivo)
- Bateria entre as 15 melhores já testadas
- Moldura de plástico para o preço
- Tela caiu de 144 Hz para 120 Hz
- Selfie fraca, sem autofoco
- Preço oficial não compensa
O Xiaomi 17T é um ótimo celular com um preço oficial ruim. Ele acerta nas coisas que você usa todo dia, que são bateria, desempenho em jogo, tela e zoom, e erra no material da moldura, na selfie e na etiqueta de preço.
Se você achar ele entre três mil e oitocentos e quatro mil e duzentos, como eu achei hoje, é uma das compras mais inteligentes desse ano, com a ressalva do mercado cinza que eu já te contei. Se o vendedor insistir nos oito mil e setecentos, vira outro celular, um que eu não recomendo para ninguém.
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O que eu quero saber de você agora, aqui nos comentários: você trocaria uma tela maior de 144 Hz por uma teleobjetiva de 5x? Porque é exatamente essa a troca que a Xiaomi fez nessa geração, e depois de ver as fotos que saíram desse zoom, eu tenho a impressão de que ela acertou. Me conta se você concorda.
Se esse vídeo te ajudou, deixa o like, se inscreve no canal e ativa o sininho, porque a gente vai colocar esse aparelho em mais alguns testes. E se você quer ver como ele se compara com os concorrentes diretos, tem um comparativo aqui do lado. Valeu, e até o próximo.






