O Xiaomi 17T é a prova de que a linha T da Xiaomi decidiu virar a página depois do 15T. Ficou bem mais compacto, largou o corpo de 6,83 polegadas do ano passado por um formato de 157,6 por 75,2 milímetros que você usa com uma mão só, e trocou a teleobjetiva de recorte por uma periscópica de 5x de verdade, com calibração Leica. Só que o preço oficial de R$ 8.699,99 continua sendo o maior problema desse aparelho.
Na construção, a frente e a traseira são de Gorilla Glass 7i com certificação IP68, e isso está correto. O que me incomoda é a estrutura do meio: é plástico, não alumínio. Em um celular de quase nove mil reais, isso é difícil de engolir, mesmo com a montagem sólida e sem ranger. O leitor de digital óptico embaixo da tela, pelo menos, é rápido e sem reclamação.
A tela é um dos pontos altos: AMOLED de 6,59 polegadas, 1.5K, 120 Hz e pico de 3.500 nits, com Dolby Vision funcionando bem em HDR. A ressalva é que a geração anterior tinha 144 Hz, e essa aqui deu um passo para trás nesse número específico, embora na prática quase ninguém sinta diferença.
No desempenho, o Dimensity 8500-Ultra não briga com topo de linha em benchmark sintético, mas no nosso protocolo Roda Liso ele entregou 80 FPS médios, nono lugar entre 28 aparelhos testados, classificação "Roda Competitivo". Ele também segurou a temperatura em 40°C depois de uma hora de Genshin Impact, bem mais frio que o POCO X8 Pro no mesmo teste.
As câmeras foram a surpresa boa do review. A periscópica de 5x resolve detalhe de aparelho bem mais caro, e de dia ele segura contraluz sem estourar céu nem perder sombra. À noite continua competente, com duas ressalvas: sombra fecha demais e aparece reflexo fantasma de luz, principalmente na ultra-angular. A selfie de 32 MP sem autofoco é o ponto fraco de verdade. Em vídeo, grava 4K a 60 quadros na principal e na teleobjetiva, com HDR10+ e estabilização muito boa.
A bateria de 6.500 mAh, mil a mais que a geração passada em um corpo menor, ficou em 14º lugar entre 168 celulares já testados por aqui, superando até o 15T Pro do ano passado. O carregamento de 67W levou 58 minutos para completar o ciclo, mais lento que o Pro anterior, mas enchendo uma bateria maior. Não tem carregamento sem fio.
No software, vem HyperOS 3 sobre Android 16, com promessa de cinco anos de atualizações grandes e um sexto de segurança, política de suporte séria. O de sempre continua valendo: vem aplicativo pré-instalado que você não pediu, e uns dez minutos desinstalando resolve.
O preço oficial de R$ 8.699,99 não se sustenta. No mercado cinza, encontrei ele entre R$ 3.800 e R$ 4.200, e nessa faixa a recomendação muda completamente, com a ressalva de que é importação, sem garantia oficial nem nota fiscal formal.
Minha conclusão: o Xiaomi 17T é um ótimo celular com um preço oficial ruim. Ele acerta em bateria, desempenho em jogo, tela e zoom, e erra na moldura, na selfie e na etiqueta de preço. Encontrado na faixa de R$ 3.800 a R$ 4.200, é uma das compras mais inteligentes do ano. No preço de tabela, não recomendo.















