Sinceramente, quando esse POCO M8 chegou aqui para testes, eu não esperava muita coisa. Celular barato, marca secundária da Xiaomi, processador intermediário… pensei que ia ser apenas mais um aparelho sem graça e esquecível. Mas depois de algumas semanas, eu me vi relendo as especificações tentando entender como um celular tão completo está sendo vendido por menos de R$ 1.500 aqui no Brasil.
Construção Externa e Design
A POCO abandonou de vez aquele design traseiro característico da marca, optando por deixar praticamente iguais aos aparelhos da linha Redmi. Talvez esse compartilhamento de moldes seja uma das melhores formas que a Xiaomi encontrou para manter o preço baixo, o que certamente é bem vindo em aparelhos focados em custo benefício como esse aqui.
A Xiaomi vende o M8 nas cores prata, verde e esse modelo preto "blackout" de dois tons, um é preto fosco e o outro imita fibra de carbono próximo das laterais. Particularmente, eu achei lindo demais, principalmente nessa versão preta.
Por se tratar do modelo base, eu esperava um celular quadradão super simples, mas o M8 tem um design fino, com uma tela curva que se encaixa perfeitamente na moldura lateral. A pegada é firme, ele em mãos lembra muito o Moto G86 da Motorola, outro celular barato que eu gostei muito de testar.
Quanto aos materiais utilizados, pode apostar que tanto a moldura quanto a traseira são feitas de plástico, mas isso já era de se esperar. O importante é que a Xiaomi soube usar muito bem esse material, e o celulares está longe de parecer barato.
Girando até a parte de cima, encontramos duas saídas de som, junto de um microfone e do emissor infravermelho. É com esse emissor que os aparelhos da Xiaomi são os únicos do mercado que conseguem controlar ar condicionados, TVs e outros eletrodomésticos - o celular funciona basicamente como um controle remoto universal.
Na lateral direita encontramos o botão de volume e o botão power. Eles estão bem encaixados na moldura e oferecem um click bem satisfatório.
A lateral esquerda é completamente lisa, sem nada, já que a gavetinha de chip está na parte de baixo, ao lado da saída de som principal, do segundo microfone e também da entrada USB-C.
O POCO M8 não tem suporte a e-SIM, então você precisa necessariamente usar ao menos um chip físico. A boa notícia é que ele suporta até dois chips físicos, e você também pode optar por substituir um deles por um cartão de memória de até 2 TB.
Para desbloqueio, o celular conta com um sensor biométrico posicionado embaixo da tela. Apesar de eu preferir esse sensor na lateral, junto do botão power, esse do POCO é responsivo e funciona muito bem.
Proteções
Quanto às proteções, o POCO M8 vem com certificação IP66, oferecendo resistência contra poeira e também jatos de água de alta pressão. Esse é um grau de proteção abaixo do IP67, que garante resistência contra submersão em água. Mesmo assim, com IP66 ele já tem altas chances de sobreviver a um rápido mergulho na piscina ou até mesmo, quem sabe, um ciclo na máquina de lavar roupa.
Quanto ao vidro da tela, a Xiaomi não especifica qual o tipo utilizado, mas afirmam no site que é de alta durabilidade e PODE suportar quedas de 1.7 metros com a tela virada para baixo em superfícies de mármore.
Esse é um grau de proteção dentro do esperado para um aparelho com foco em custo benefício. Agora, onde a Xiaomi se destaca da concorrência é na inclusão de uma capinha de silicone e também de uma película já aplicada de fábrica na tela do POCO M8.
Eu sempre comento sobre isso em análises que faço, e vou continuar falando sobre, já que eu acho muito legal esse "pacote completo" que a Xiaomi envia junto na caixa de todos seus aparelhos. A capinha é ótima e a película protege muito bem contra arranhões e até quedas, e eu falo isso por experiência própria.
Tela
A Xiaomi sempre manda bem nas telas, e com o POCO M8 não é diferente: nada de painel LCD aqui, ele vem com um display AMOLED curvo de 6.77 polegadas, taxa de atualização em impressionantes 120Hz, resolução FULL HD+ e 3200 nits de brilho máximo.
Aqui no site a gente já está acostumado a ver telas excelentes em vários celulares, mas para quem está saindo de um celular baratinho com tela LCD e experimentado AMOLED pela primeira vez, vai se impressionar muito com o nível de cor e contrastes que só esse tipo de tela consegue reproduzir. Principalmente reproduzindo tons escuros, é impossível ficar insatisfeito com essa tela.
Fora os contrastes, a fluidez do painel importa bastante para transmitir aquela sensação de responsividade nas animações do celular, e é aí onde os 120Hz entram em ação. Eu recomendo deixar no modo adaptável que já vem ativo por padrão, assim a taxa se auto-regula para economizar bateria ao exibir conteúdos que não se beneficiam dos 120Hz, como vídeos no YouTube, por exemplo.
Quanto ao brilho, 3200 nits é mais que o suficiente para vencer a luz solar e usar o celular confortavelmente até mesmo em ambientes externos.
Bateria
Quanto a bateria, mais boas notícias: diferente da Samsung, a Xiaomi não tem medo de colocar baterias com tecnologia silício carbono em seus celulares, e o resultado é impressionante: o POCO M8 vem com 5.520mAh de capacidade, cerca de 500mAh a mais que a maioria dos celulares disponíveis no mercado. Claro, não é uma diferença muito grande, mas falando de bateria, eu digo que é sempre melhor sobrar do que faltar.
Para testar a autonomia, eu coloquei o POCO M8 para enfrentar o nosso teste completo de bateria que consiste em várias etapas que simulam o uso real por 8 horas. Começamos o dia leve, scrollando no Chrome por 1 hora e depois mais 1 hora em Reels do Instagram. Vai ficando cada vez mais difícil para o celular, partindo para vídeos no YouTube, jogos e até mesmo um teste de estresse de 45 minutos.
| # | Celulares | Capacidade | Consumo | Tela Ligada | Tempo carregamento |
|---|---|---|---|---|---|
| 34° | Motorola Edge 60 Pro | 6.000 | 74 | 07:45h | 00:49h |
| 35° | Xiaomi POCO M8 | 5.520 | 75 | 07:45h | 00:58h |
| 36° | ASUS ROG Phone 7 Ultimate | 6.000 | 75 | 07:45h | 00:57h |
| 44° | Motorola Edge 60 | 5.200 | 77 | 07:45h | 00:44h |
| 45° | Motorola Moto G86 | 5.200 | 78 | 07:45h | 01:08h |
| 46° | REDMAGIC 9S Pro | 6.500 | 78 | 07:45h | 00:43h |
| 94° | Xiaomi 14T | 5.000 | 89 | 07:45h | 00:43h |
| 95° | Samsung Galaxy A36 | 5.000 | 89 | 07:45h | 02:01h |
| 96° | Realme 12 | 5.000 | 91 | 07:45h | 01:13h |
O POCO M8 conseguiu fazer tudo isso e ainda sobraram 25% de carga, o que é um bom resultado. Significa que ele aguenta um dia todo de uso pesado fora da tomada e ainda sobra carga.
Ou seja, ele carrega aproximadamente 1% por minuto, então basta deixar o POCO na tomada por 20, 30 minutos e você já tem carga para várias horas de uso. Para mim, esse carregamento rápido é tão importante quanto a capacidade total da bateria, então nada a reclamar aqui do POCO M8.
Performance
Quando falamos de performance, o POCO M8 está dentro dos padrões que esperamos para um smartphone intermediário de entrada. Ele vem com o processador Snapdragon 6 Gen 3, que apesar de estar longe de ser lento, também não chega a entregar um desempenho de arregalar os olhos.
No aplicativo de performance AnTuTu, o POCO M8 fez 854 mil pontos, colocando-o próximo a outros celulares da categoria como o Galaxy A36 e Moto G86.
Ele vem disponível em versões com 6 GB e 8 GB de memória RAM, mas eu só encontrei a versão de 8 GB, e é essa que eu recomendo comprar. O processador pode não ser dos mais potentes, mas ter 8 GB de memória disponível ajuda bastante a manter o aparelho funcionando com agilidade.
O armazenamento é de 256 GB até 512 GB, e se você precisar mais que isso, vale lembrar que ele tem suporte a cartão de memória externa.
Eu testei o POCO M8 em alguns jogos lá no canal Roda Liso e ele até que vai bem, principalmente em jogos leves como COD Mobile e Minecraft. Eu notei que ele gasta pouca bateria jogando, 22% durante duas horas de gameplay e praticamente não esquenta. Então se você está procurando um aparelho para jogos leves, o POCO M8 é uma boa opção.
Câmeras
Até agora, só pontos positivos, mas se tratando de um celular econômico, é impossível ser bom em tudo, e foi nas câmaras onde a Xiaomi economizou na fabricação do POCO M8:
De primeira vista ele até aparenta ter um kit completo com 4 módulos de câmera, mas não, a única lente real que temos é a principal de 50 MP que fica acima do flash. O resto só está aqui para manter a simetria do design.
A única outra câmera que temos é a de selfie, com 20 MP.
Eu tirei algumas lado a lado com outro intermediário, o Galaxy A36, o principal concorrente da Samsung. Eu pensava que o POCO M8 tomaria uma surra nessa parte, mas não foi isso que aconteceu.
É só quando a gente aplica um zoom bem considerável que fica clara a vantagem do A36 da Samsung. Ele consegue captar melhor os detalhes, mas foi só nesse cenário extremo.
(começa com a imagem normal e dá um zoom pra ficar assim)
Nas outras fotos, a diferença fica mais nas cores do que na qualidade. O POCO M8 deixa
as fotos mais quentes e aconchegantes, enquanto o Samsung puxa mais para tons frios.
Certamente as fotos são diferentes - não estou negando isso - mas como eu disse antes, esperava resultados muito piores no POCO M8, mas não há nada de errado com as fotos dele com a câmera principal.
Nas selfies, aquele esquema de cores fica mais predominante ainda, com o POCO deixando tudo mais quente e o Samsung mantendo os tons frios.
Nessa selfie escura, notem que o POCO optou por suavizar a pele, escondendo o ruído da imagem. Já o A36 pegou mais detalhe, só que deixou a selfie com bastante ruído.
Já nas selfies com mais luz eu preferi o resultado do Samsung, mas, novamente, não há nada de errado com o POCO. São resultados diferentes, algumas pessoas vão gostar mais da selfie do POCO e outras do A36.
Um ponto onde o Samsung vence disparado é na gravação de vídeo, principalmente no que se diz a estabilização. Ambos filmam em 4K 30 FPS, mas notem que na filmagem do POCO você consegue ver direitinho a tremedeira dos passos enquanto eu caminho, bem diferente do Samsung.
Sistema e Atualizações
O POCO M8 vem rodando Android 15 sob a interface HyperOS 2 da Xiaomi. Apesar de ser um modelo básico, ele prometem 4 anos de atualização de Android e mais dois de patches de segurança. Esse é um número excelente para um celular desse calibre, já que cobre praticamente toda a vida útil do aparelho.
Eu não falei antes, mas apesar dele não ter suporte a e-SIM, o POCO M8 é um celular 5G e também tem suporte a pagamentos por NFC, então é bem completinho no quesito software.
Quanto à interface HyperOS, hoje em dia não tem tanta diferença entre as fabricantes, já que todas se estabeleceram num padrão de design bem parecido com o iOS da Apple, então mesmo que você use um Motorola ou Samsung, consegue se acostumar rapidinho com a interface da Xiaomi.
Conclusão
O POCO M8 é um dos melhores custo benefício abaixo de R$ 1.500 no Brasil hoje. Ele tem vários pontos positivos, como tela AMOLED com muito brilho, bateria que passa o dia inteiro e ainda sobra, carregamento rápido de 45W, 8GB de memória RAM e 256GB de armazenamento já na versão base - tudo isso com película, capinha e carregador inclusos na caixa.
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Outro diferencial é que ele vem com 4 anos de atualizações de software - o dobro do Moto G86, o principal concorrente no lado da Motorola.
O único ponto fraco que eu consegui encontrar no POCO M8 foram as câmeras. A lente principal até entrega boas fotos no dia a dia, mas a falta de uma câmera ultrawide e estabilização de vídeo deixam o M8 um pouquinho atrás da concorrência nesse quesito. As selfies também não impressionam.
Fora esse detalhe, é difícil achar outro celular que entregue tanto por menos de R$ 1.500, com certeza o POCO M8 é um concorrente a altura e vai dar trabalho pra Samsung e Motorola na categoria dos smartphones intermediários de entrada.