Como robôs influenciaram as eleições de 2014 no Brasil

Lulinha é dono da Friboi? Esqueça as fake news e não pense que isso só acontece nos EUA. Os bots estão agindo mais próximos do que você imagina

Por | @Evilmaax Tecnologia

Ninguém pode negar que a política no Brasil é uma zona desde que existe política no Brasil. De um lado um punhado de pessoas querendo fazer algo para ajudar enquanto do outro está uma multidão de pessoas querendo ajeitar a sua vida e de sua família.

E se até então já era difícil colocar um político honesto no congresso - já que eles não aceitam financiamentos ilícitos, parcerias suspeitas e outras artimanhas que facilitariam sua campanha - agora a coisa ficou ainda mais complicada: Além de todos os problemas "normais" agora temos o problema dos bots influenciando cada vez mais nos resultados.

Engana-se quem pensa que isso é coisa de eleição americana e treta EUA x russos. Se você é um desses, uma notícia desagradável: Somos influenciados pelos bots há pelo menos 2 eleições e até então ainda não havíamos nos dado conta.

Quem garante isso é Dan Aranudo, professor brasileiro e pesquisador da Universidade de Washington, autor de um estudo que analisou como a propaganda computacional pode assumir a forma de contas automatizadas (bots), disseminar informações, manipular algoritmicamente pessoas reais e disseminar notícias falsas para moldar a opinião pública e influenciar na escolha de representantes.

Mas claro que essas técnicas por si só não surtem efeito. Elas precisam ser aplicadas em combinação com a análise e uso de grandes conjuntos de dados e informações sobre cidadãos que são mantidas por empresas e governos. Lembra do escândalo recente do Facebook e da Cambridge Analytica na manipulação das eleições de Donald Trump?

Sabendo que este tipo de propaganda rompe barreiras e se espalha pelo mundo (caso do Reino Unido e o Brexit, por exemplo) o professor brasileiro conduziu um estudo que examina o uso de propaganda computacional no Brasil, não só o maior e mais rico país da América Latina mas também o responsável por uma parte significativa do tráfego de Internet no mundo. O exame feito por ele se dá na forma de estudo de três casos recentes de uso da propaganda computacional no Brasil: as eleições presidenciais de 2014, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as eleições municipais de 2016 no Rio de Janeiro - o estudo completo pode ser obtido aqui.

Através de um estudo no Twitter e Facebook relacionados aos principais momentos recentes da política brasileira e a grandes investigações sobre corrupção na política ele identificou bots envolvidos nos debates de reforma política, previdenciária, eleições, corrupção, privatização, etc.

Um compilado dos resultados obtidos você confere a partir de agora.

O cenário brasileiro que estimula os bots

Além de ser a quinta maior população do mundo e uma das 10 maiores economias o Brasil também está entre os líderes mundiais em internet seja com a criação de menes ou gifs da Gretchen. Por conta desse poder de fogo o nosso país controla muito da infraestrutura de rede, backbone, da América do Sul, além de fibra óptica transatlântica, conexões internacionais, pontos de troca de Internet e centros de dados de Google e Microsoft, por exemplo. Essa proeminência nos dá um certo poder de influência na rede que se estende a recursos críticos da Internet como o nome de domínios, endereços IP, números de sistemas autônomos e outras coisas que podem ser usadas para fins de influência digital. 

Ter poder sobre isso significa ter muito poder.

Cabos submarinos instaladosCabos submarinos instalados

Por conta dos motivos citados o Brasil goza de uma influência internacional considerável como membro do grupo BRICS em nações em desenvolvimento vizinhas, sendo um líder não só na América Latina, mas em todo o hemisfério sul. Ter controle sobre isso significa ter muito controle. Sabendo disso, adivinhe quem abriu um escritório em São Paulo em 2017; a Cambridge Analytica, a mesma que agora surge como pivô do escândalo envolvendo o Facebook.

Pegue tudo isso e acrescente o fato de se tratar da maior - e uma das mais recentes e frágeis - democracias da América Latina, misture com um sistema de corrupção fortemente enraizado e você terá um enorme mercado para consultoria política prontinho para ser explorado, com rios de dinheiro a serem pagos. Ninguém pode negar que a jogada da Cambridge em abrir um escritório por aqui foi cirúrgica.

Todos os partidos vêm usando e abusando do poder das redes sociais e da internet em geral nos últimos anos para organizar campanhas e promover seus candidatos ou qualquer questão relevante enquanto atacam os demais. As redes sociais são vistas como a mídia que tem mudado as coisas de uma hora para a outra. John Perry Barlow, fundador da Electronic Frontier Foundation, descreveu a situação do nosso país da seguinte forma:

O Brasil é uma enorme piada interna, e a internet é uma conversa em massa. O Brasil era a Internet antes da Internet existir.

E o cara sabe o que está falando: Há mais de 10 anos atrás ele distribuiu todos os seus 100 convites do Orkut somente entre brasileiros (no tempo em que para você entrar em uma rede social precisava de convite). A partir de então os brasileiros se espalharam pelo Orkut como praga fazendo com que nos tornássemos, rapidamente, a maior base de usuários da rede social em todo o mundo. Ela seria a nossa rede social preferida até 2014, quando o Facebook tomou o posto.

Hoje fazemos tudo pela internet e isto é maravilhoso, é claro. Mas esta participação online intensa e abrangente impacta também no processo democrático em si. Ao passo que a internet e as redes sociais tornaram-se instrumentos na divulgação de informações sobre candidatos, notícias, debates e questões que vão da corrupção à reforma previdenciária foi preciso criar uma declaração digital de direitos dentro da constituição do país para governar a rede brasileira. Criada de maneira colaborativa e online a lei ficou conhecida como Marco Civil da Internet e, por seu pioneirismo, virou referência mundial e modelo de governança a ser adotado pelos países do mundo quando o assunto é Internet e o foco é proporcionar garantias de privacidade aos cidadãos e estabelecer princípios como neutralidade da rede, acesso universal à Internet e liberdade de expressão online.

Bonito no papel, mas não tão simples na prática. Como garantir uma internet segura para todos se vivemos atolados em corrupção, incerteza política e crise econômica? Como garantir que a propaganda computacional e sua manipulação algorítmica não irá desempenhar papel-chave no cenário político? Essas e outras perguntas foram o mote da pesquisa de Aranudo.

Além de já ser difícil por si só, imagina no caso em que os bots estão por aí, ou melhor, estão por aqui; no Brasil mesmo. Segundo um cientista político não identificado que foi entrevistado para a pesquisa, "O uso de bots não é algo que surgiu do nada, ou surgiu recentemente. Eles estão trabalhando no Brasil há pelo menos seis anos [a pesquisa é de 2017, logo, acrescente 1 ano ao valor]; acontece que agora está se tornando mais comum, os bots estão se tornando mais sofisticados, a tecnologia está se tornando mais sofisticada".

Em 2016, a Symantec, uma das maiores empresas de segurança digital do mundo, informou que o Brasil está na oitava posição entre os países com maior número de bots em todo o mundo, de acordo com dados coletados em seus sistemas. Já o  Spamhaus Project, uma iniciativa que monitora diariamente as redes em todo o mundo, mais de meio milhão de bots foram encontrados nas redes brasileiras no dia anterior a este em que escrevo. Os mais de 508 mil bots nos garantiram um honroso quinto lugar entre os países que mais sofrem com esse mal, logo após a China, Índia, Vietnã e Rússia. Já o CERT.BR - Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil - registrou um aumento nos números anuais após 2 anos de queda seguidos. Foram mais de 830 mil incidentes em 2017, após o pico de mais de 1 milhão em 2014, ano da Copa do Mundo.

Como robôs influenciaram as eleições de 2014 no Brasil

2014 e o papel dos bots nas eleições presidenciais

E por falar em 2014, senta que lá vem história, afinal aquele foi um ano ideal para ataques, phishing, roubo de identidade, fake news e os bots, é claro. Em meio a um ano de Copa do Mundo e de eleições, o pleito de 2014 foi o 1º caso brasileiro a mostrar na prática a influência das botnets (redes de bots) e como elas agem e se infiltram no sistema político de um país. Na eleição presidencial daquele ano ocorreu o 2º turno onde tínhamos a então presidente Dilma Rousseff indo para a reeleição concorrendo com Aécio Neves.

Neste ano as campanhas eleitorais eram impedidas de pagar para promover suas causas diretamente na internet durante a eleição ou promovê-las através de redes sociais. Qualquer conta que publicasse mensagens em uma campanha deveria ser operada por pessoas, ou seja, constituiria nada mais do que a própria opinião pessoal sendo expressa, direito fundamental assegurado pela Constituição. 

Essa era o que dizia na lei, porém, você acha que algum dos candidatos cumpriu?

Ninguém acha, por isso que o jornal Folha de São Paulo encomendou uma pesquisa junto a um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo onde constatou-se que dentro de 15 minutos do início do debate televisivo entre Dilma e Aécio os bots já estavam trabalhando a pleno vapor, como pôde ser visto no número de tweets com hashtags relacionadas ao senador que triplicou. Para os autores, tal tipo de aumento, visivelmente anormal, é uma forte indicação de que os bots foram usados, especialmente quando as hashtags rivais, que apoiavam a presidente Dilma Rousseff, não seguiam o mesmo fluxo, como se espera em uma disputa que tem, no mínimo, mais de 50 milhões de seguidores de cada lado.

Segundo o estudo Aécio Neves foi mais enfático nos bots. É o que revela o alcance de pessoas reais conseguido através das publicações suspeitas: 80 milhões enquanto que aquelas ligadas aos bots do partido no poder e à presidência da república alcançou apenas 22 milhões. 

A ofensiva de Aécio foi revelada pouco tempo depois, no mês da eleição, quando o grupo Muda Mais reportou uma lista com 699 contas automatizadas que tinham como única missão retuitar o perfil do senador e candidato à presidência 180 vezes por dia cada. Ao rastrear quem estava gerenciando tais contas chegou-se ao empresário Eduardo Trevisan, proprietário da Face Comunicação On Line Ltda, que recebeu, no mínimo, R$ 130.000 para prestar tal serviço.

De acordo com um memorando interno do PSDB vazado e publicado no jornal Estadão, de São Paulo, após as eleições, confirma-se a operação de bots do candidato tucano não só no Twitter e Facebook, mas também no WhatsApp. O texto da cúpula do partido calcula que teve a divulgação indevida nas redes sociais tiveram um custo estimado em 10 milhões de reais naquela eleição.

Como robôs influenciaram as eleições de 2014 no Brasil

O autor da pesquisa, Aranudo, afirma que o WhatsApp era o método preferencial para este tipo de propaganda, já que o aplicativo não é público e o conteúdo do que traféga pela rede só é sabido por quem manda e quem recebe. Por isto o documento vazado do PSDB é importante para confirmar a ação. Segundo ele uma única pessoa operava cerca de 250 contas que disseminavam as mesmas mensagens ao longo dos grupos e contatos enquanto aproveitava para medir o impacto das ações de promoção através da reação dos próprios grupos aos quais o conteúdo era encaminhado.

As botnets miravam nas pessoas munidos de vastas quantidades de dados coletados sobre o que eles gostam, quem eles seguem, informações demográficas, informações sobre seu grupo de amigos e conhecidos e sobre sua família. Assim o mecanismo de campanha podia usar suas conexões pessoais para ter acesso a possíveis eleitores, muitas vezes através de redes sociais como WhatsApp ou Facebook que são projetados para trabalhar com círculos de amizades ao conectar os usuários de alguma maneira, principalmente por afinidades de assuntos. 

 O tal documento vazado em 2014 pelo Estadão informou que esse tipo de gasto continuou mesmo após a campanha ter terminado. A motivação passou da campanha de Aécio para o apoio a grupos que se opusessem a presidente reeleita. Analisando os números das principais páginas de oposição ao governo estima-se que o alcance fake conseguido pela página Revoltados Online foi de 16 milhões o movimento Vem Pra Rua, os 2 maiores, foi de 4 milhões. Os bots ligados aos grupos foram explicitamente financiados pelo PSDB.

Mas o PT também continuou agindo por meio de contas falsas, só que com um detalhe que o impossibilitava de agir da forma que fosse necessária, assim como o partido rival. Segundo um pesquisador brasileiro que trabalhou em campanhas on-line, após a eleição todos os servidores e bots da campanha de Dilma foram desligados ou foram trabalhar para a presidência, o que significa que eles passaram a seguir regras já que agora estavam a serviço do gabinete presidencial, enquanto que os bots adversários tinham carta-branca para agir à revelia.

Após os acontecimentos de 2014 virem a tona os legisladores aproveitaram que uma minirreforma da lei eleitoral estava sendo elaborada e, em 2015, aproveitaram para incluir alguns artigos onde os partidos ficaram expressamente proibidos de pagar pela propagação de materiais de campanha nas mídias sociais durante a eleição. Além de ser desleal manipular a situação, essa coisa toda passou a configurar crime eleitoral desde então. 

Mas não vai ser nem um pouquinho difícil conseguir algo assim nas eleições deste ano novamente. Tudo porque hoje a tarefa pode ser terceirizada para empresas como a Brasil Liker, que vende interação no Facebook, Twitter, YouTube e Instagram e garante likes somente de contas brasileiras e reais (eles dão até nota fiscal). As curtidas em páginas no Facebook custam de R$ 18 para 100 likes até R$ 3.400 para 50.000 curtidas, enquanto para posts, os clientes podem ganhar 10.000 likes por apenas R$ 180. Se o candidato quiser poderá comprar 15 mil seguidores no Instagram por R$ 740 e assim por diante.

E não dá para esquecer a velha regra do mercado globalizado: Não importa o quê, mas na China está mais barato. Já imaginou quantas interações poderiam ser comprados com 10 milhões de reais nas fazendas chinesas? E mais, independentemente de 10 milhões de reais serem um valor inimaginável para nós, em relação ao engajamento que pode ser comprado com ele, o investimento passa a ser muito pequeno em relação ao tamanho do retorno proporcionado.

E o assunto vai longe. Segundo Aranudo e sua pesquisa foi possível rastrear o caminho dos bots do PSDB que após a eleição nunca foram desconectados, mas sim redirecionados à um novo propósito: o impeachment de Dilma Rouseff. A conclusão foi feita após seguir os traços deixados por eles que chegaram até os principais influenciadores das campanhas pró-impeachment.

Porém acho que a ideia de que convivemos há um bom tempo com os bots no nosso cenário político já está bem clara e por isso não precisamos entrar no mérito do impeachment. Quem quiser ver como eles agiram com essa questão - e também nas eleições municipais do Rio de Janeiro - deixo novamente o link para o estudo aqui.

Enquanto isso passemos a algo mais interessante: testes práticos que identificou o modo como agem os bots brasileiros.

Segundo <a onclick="_gaq.push(['_trackEvent', 'link_externo', 'de_post-POSTURI', 'para_url_https://www.incapsula.com/blog/bot-traffic-report-2016.html']);"   href="https://www.oficinadanet.com.br/redirect.php?tipo=postout&urlout=https%3A%2F%2Fwww.incapsula.com%2Fblog%2Fbot-traffic-report-2016.html" rel="nofollow"  target="_blank">pesquisa do Incapsula</a> os bots já respondem pela maioria dos acessos dos sitesSegundo pesquisa do Incapsula os bots já respondem pela maioria dos acessos dos sites

Estudo dos bots aplicado à Lava Jato

Botnets são, geralmente, resguardadas por diversos aparatos de segurança e engenharia social que tenta fazer os robôs mais pessoais possíveis (mais sobre o assunto no segundo exemplo de testes aplicados), porém às vezes é bem simples identificar uma falha nesse sistema com uma simples olhadela nas hashtags.

O que a pesquisa fez foi coletar 2 amostras de hashtags em momentos distintos do Brasil. Os assuntos selecionados para análise foram temas ligados à política (corrupção, reforma política, protestos) e questões econômicas.

A primeira coleta foi realizada entre 27 de fevereiro e 27 de março de 2017 e resultou em 281.441 tweets coletados de 82.575 usuários diferentes. As hashtags foram geralmente associadas com os temas de corrupção, Lava Jato e protestos em torno dessas questões. A segunda coleção foi mais direcionada e durou duas semanas a partir de 1 de maio até 14 de maio de 2017 e recolheu 80.691 tweets de 33.046 usuários diferentes. Além do feriado do dia do Trabalhador a data foi escolhida pela grande manifestação que ocorreria em 30 de abril.

Ao analisar os dados percebeu-se que a hashtag #AGreveFracassou atraiu um apoio bastante peculiar. Escrita em português e com um evento totalmente localizado ela virou trending topics na ... Índia?!?! Da mesma forma foi a #MoroOrgulhoBrasileiro alcançou o 5º tópico mais comentado no Vietnã.

Moro é famoso até no VietnãMoro é famoso até no Vietnã

Bots no Brasil

Diversos outros pesquisadores brasileiros investigam o impacto dos bots. Entre eles está um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais que, há 7 anos atrás, fez um estudo pioneiro no país ao criar duas contas falsas no Twitter para entender como bots podem se infiltrar nas redes sociais, ganhar seguidores, espalhar mensagens e interagir com pessoas reais (estudo completo pode ser visto aqui). 

No final do estudo um deles havia alcançado pouco mais de 250 seguidores, enquanto que o outro quase 2 mil.

A primeira conta quase não interagia e não teve nenhuma "inteligência" por trás de sua atividade. Foram apenas 7 tuítes e uns quantos usuários seguidos aleatoriamente pela conta. Como resultado pouquíssimos seguidores em retribuição.

Já o segundo bot se saiu bem melhor. Com um algoritmo predeterminado que o ajudava a tuitar e retuitar assuntos específicos ele ganhou quase 10 vezes o número de seguidores do bot anterior. A conta de sucesso se passava como uma jornalista iniciante da Globo que disseminava artigos do grupo no qual trabalhava e reagia automaticamente aos demais usuários conseguindo respostas de celebridades, apresentadores e até lutadores de MMA. 

A farsa foi revelada em 25 de junho de 2016, quando o grupo de pesquisadores anunciou que tudo não se passava de uma pesquisa. Segundo os autores do estudo foi possível concluir como é fácil fazer com que bots enganem as pessoas e gerem engajamento usuários reais, multiplicando a capacidade de um conteúdo específico e direcionado atingir grandes audiências através de seguidores influentes, círculos de amizades restrito, mensagens e respostas automatizadas.

No final das contas o bot mais bem-sucedido alcançou pontuação digna de jornalistas influentes de verdade, segundo o Twitalyzer.

Scarina, o 2º bot criado alcançou índices de influência digno de jornalistas influentes e verdadeirosScarina, o 2º bot criado alcançou índices de influência digno de jornalistas influentes e verdadeiros

O cenário futuro e uma luz no final do túnel

E assim segue o baile. Em outubro teremos novas eleições e os bots já estão sendo preparados (isso se eles chegaram a ser desligados). Como eles agirão agora que a oposição de 2014 virou governo e o governo de 2014 virou a oposição? Além disso eles estão bem mais potentes e invisíveis do que no último pleito. Devemos nos preocupar?

Sim, duplamente. Não só com os bots, mas também com as tentativas de manter os bots longe da gente. Isso porque, nesse momento, tramitam diversas propostas de lei que poderiam fornecer respostas ao uso de bots ao mesmo tempo em que comprometem nossa privacidade. O PL Espião, por exemplo, se aprovado fará com que seja exigido de todas as empresas de internet em operação no Brasil que elas coletem dados dos usuários como nome, e-mail, endereço e número de identidade.

Ao mesmo tempo em que uma possível implementação dessa tornaria mais difícil a operação dos bots, já que cada conta deveria ter uma pessoa física identificada e acessível por trás, ela acabaria com os princípios do Marco Civil da Internet ao ceder dados básicos dos usuários. O Comitê Gestor da Internet no Brasil já se manifestou contra a medida

Mas em meio a esse cenário de incertezas um lampejo de esperança contra a corrupção surge justamente na forma de bots. Chamada de Rosie - por causa da empregada robô no desenho Os Jetsons - este bot é operado por um projeto conhecido como Operação Serenata de Amor - referência a um caso dos anos 90 que causou a renúncia do vice-primeiro-ministro sueco
que usou cartão de crédito do governo para despesas privadas.

A missão de Rosie é analisar os pedidos de reembolso dos deputados brasileiros, suas despesas e preços informados por serviços e contas pagas por eles. Se algo fora da curva for identificado ela formula denúncias pedindo a investigação das notas. Uma água que custou 18 reais em um almoço? 4 jantares em um único dia? Tudo isso é captado por Rosie e denunciado à Câmara para que ela audite os valores.

Entre os casos notáveis Rosie já encontrou um deputado que encheu o tanque de seu carro 30 vezes por mês, outro solicitando uma refeição no valor de R$ 6.205 e notou que 219 deputados simplesmente solicitam a quantia máxima permitida de reembolso todos os dias. Mais de 3.6 milhões de reais suspeitos já foram denunciados nos mais de 8 mil alertas de Rosie.

Alguns dos números da RosieAlguns dos números da Rosie

E assim segue o Brasil. Com uma ameaça de uma terceira denúncia de impeachment contra Michel Temer (que vai custar aos contribuintes mais uma fortuna) e uma nova eleição a caminho os bots parece que terão, novamente, um papel importante na trama política de House of Brasil. O que você acha do assunto? Deixa um comentário aí. #LulaLadrãoRoubouMeuCoração

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