Review: Logitech G402 Hyperion Fury, o mouse mais rápido do mundo?

Confira a nossa análise do Logitech G402, um dos melhores mouses de entrada para quem busca iniciar sua carreira gamer.

Por | @grasiel_grasel Periféricos

A Logitech é bastante conhecida por sua excelência em fabricação de periféricos, no entanto, engana-se quem acha que a marca limita seu público a linhas gamers, ela também trabalha com produtos para escritório e lazer, como mouses e teclados de escritório, adaptadores de áudio, speakers, home teathers, webcams e outros acessórios, a divisão responsável pelos equipamentos voltados para jogos é a chamada Logitech G.

O G402 é um mouse considerado pela Logitech como um sucessor do G400S, um dos primeiros da divisão dedicada da marca, lançada em março de 2013, que basicamente recebeu um “upgrade de design” do G400, assim como o G100, o G500 e o G700, que apenas tiveram uma renovação visual, um “S” no final de seus nomes e o novo “G” da marca gamer na carcaça dos produtos.

Uma das principais apostas do G402 está em seu marketing a respeito da velocidade de rastreio do mouse, que diz ser mais alta do que o próprio braço humano é capaz de reproduzir, não importando a circunstância ou ângulo em que o mouse esteja sendo arrastado. Ao longo deste review vamos ver como essa tecnologia é apresentada e se ela realmente faz alguma diferença para algum usuário.

Não que seja impossível utilizar o G402 com a mão esquerda, mas é visível que o mouse foi desenvolvido para destros, afinal, todos os seus botões extra estão do lado esquerdo, sendo eles dois de troca de DPI, dois para macros e um botão “sniper”, que diminui a DPI temporariamente para “aumentar a precisão”, o que é balela, afinal, você só é mais preciso quando tem total controle da sua crosshair em um conjunto de DPI e sensibilidade que te passem confiança.

A carcaça do mouse é feita basicamente em plástico fosco, sendo algumas de suas partes compostas por um material mais liso. Do lado direito, onde ficam apoiados os dedos anelar e mínimo, uma textura diferenciada ajuda a melhorar minimante o grip do mouse, assim como a curvatura do lado esquerdo, que ajuda a posicionar melhor o polegar. Sujeiras podem ser bastante comuns depois de algumas semanas de uso, principalmente em cantos e curvas, portanto, procure limpá-lo em intervalos de tempo.

O G402 usa de um design que costuma agradar a maior parte do mercado, ele tem um bom tamanho para mãos médias e grandes, assim como é confortável para pegadas palm e claw, portanto, infelizmente, este é mais um produto pouco recomendável para mãos pequenas.

Pegada Claw do G402
Pegada Claw do G402

Pegada Finger do G402
Pegada Finger do G402

O posicionamento dos botões adicionais do mouse são um dos aspectos um tanto negativos de seu design, pressioná-los acidentalmente talvez não seja uma novidade para alguns usuários, mas isso depende da forma como você pega o mouse e a posição de seus dedos nele. Os botões de troca de DPI ficam perto demais dos dedos de um jogador com pegada palm, assim como o botão sniper, que além de se tonar ainda mais inútil com o decorrer do tempo, fica bastante perto do polegar.

Pegada Palm do G402
Pegada Palm do G402

O cabo do mouse é feito em uma borracha pouco flexível, no entanto, dobras comuns em outros cabos como o do Corsair Katar não são comuns. Os pés do mouse são de um plástico liso e bastante simples, mas são o suficiente para garantir um deslize suave com uma vida útil considerável.

Atenção: Estas especificações são fornecidas pelo fabricante.

  • Dimensões: 136 mm de comprimento x 41mm de largura x 72mm de altura
  • Peso: 108 gramas (apenas mouse)
  • Sensor Avago AM010
  • DPI programável via software: de 240 a 4000 dpi
  • Polling rate programável de até 1000 Hz
  • 8 botões programáveis
  • Cabo de borracha de 213cm

O Logitech G402 é consideravelmente bem construído em seu interior, não é nada ao nível de perfeição de um G502, no entanto, é o suficiente para garantir que o usuário não tenha problemas de durabilidade baixa por mal funcionamento de componentes.

O primeiro item que podemos destacar é o acelerômetro, a peça que seria o “diferencial” do G402. Este componente também é utilizado em smartphones para identificar movimentos da mão do usuário, podendo utilizar recursos de movimentação como a direção em jogos de corrida para mobile, no qual o carro pode acompanhar o movimento das mãos de um jogador conforme ele inclina o aparelho.

No G402, caso a opção do Fusion Engine esteja ativada no software da Logitech, o acelerômetro é ativado quando o sensor percebe que movimentos acima de 2.9 m/s são alcançados. A partir de sua ativação, o equipamento passa a “adivinhar” o movimento feito pelo jogador e calcular qual foi a trajetória percorrida pelo mouse, no entanto, não é possível garantir que esse cálculo sempre será 100% correto, assim como é praticamente improvável que você realizará movimentos acima de 3m/s em uma jogatina, portanto, recomendamos que você deixe a Fusion Engine desligada.

O sensor do G402 é um Avago AM010, o mesmo do G100S e G302, ele é igualmente bem implementado em todos os mouses da marca e nenhum deles possui alguma vantagem a respeito disto.

Os switches dos botões direito e esquerdo do G402 são Omron, de ótima qualidade, já os botões extra (dpi+, dpi-, macro 1, macro 2 e sniper) possuem switches Himake, que não têm nada demais, mas também são de qualidade.

Agora, falando do scroll do mouse, o maior problema do G402 está por aqui. O switch do scroll é um modelo “vagabundo” e genérico, que pode ser comprado aos montes pela marca por valores insignificantes. Ele possui um clique mais pesado que a maioria de seus concorrentes e, ao que parece, não foi feito para durar. O codificador óptico está dentro do aceitável, no entanto, ele ainda está sujeito a apresentar problemas, causados principalmente por sujeira. Tópicos no reddit e vídeos no YouTube mostram que o codificador não é de total confiança, mas ele ainda assim é superior a até mesmo alguns modelos mecânicos.

O software de controle de periféricos da Logitech é um dos mais completos e bem desenvolvidos de todo o mercado, embora ele tenha uma quantidade considerável de recursos, todos eles são muito bem distribuídos e intuitivos, o que permite que ele seja facilmente utilizado por qualquer pessoa.

Na primeira janela do Logitech Gaming Software, é possível escolher se você quer utilizar configurações salvas no mouse, ou seja, você poderá trocar de computador e as configurações do G402 continuarão as mesmas, ou se prefere utilizar presets salvos no seu computador, podendo também criar padrões para determinados jogos.

Na segunda tela temos as definições do sensor do mouse, no qual podemos configurar níveis de DPI, adicionando ou excluindo novos níveis, e modificar a taxa de atualização (polling rate). Aqui você ainda pode configurar macros para cada botão do mouse.

Na aba de definições de iluminação é possível configurar o brilho do led do logo da Logitech, que fica na palma do mouse. Ainda existe a opção de manter ativado o efeito de pulsação, que vai alterando níveis de brilho e gerando uma animação, você pode escolher a velocidade do efeito também. Escolher se a iluminação de nível de DPI se manterá ligada e também o tempo ocioso necessário para o mouse desligar seus leds são mais opções deste menu.

Nesta aba podemos testar, acionar ou desativar a tecnologia de Fusion Engine da Logitech, vamos comentar sobre ela mais tarde, no quesito “Desempenho”.

Como todo software de controle de periféricos, a Logitech também tem a sua área inútil para amostragem de dados sobre cliques no mouse e mapeamento de calor. Algo que só vai servir para você mostrar para um amiguinho que não entende muito do assunto e acha legal ver esse monte de cores reunidas.

Como dito anteriormente, caso você opte por salvar configurações do mouse no computador, e não diretamente no mouse, é possível também criar e utilizar perfis de macros específicos para diferentes jogos. Um recurso interessante, mas pouco útil.

Bom, se você já leu algum review de mouses aqui no Oficina da Net, sabe como funcionam os testes que realizamos, certo? Se você tem alguma dúvida, recomendamos que leia nosso artigo sobre o que um bom mouse precisa ter clicando aqui.

MS Paint

Com o Microsoft Paint fazemos dois testes muito importantes, os de jitter e prediction que são, respectivamente, avaliações que verificam se o sensor do mouse sofre com alguma distorção (o que deixa as suas linhas “tremidas”) e também se ele tem algum tipo de sistema que tenta simular linhas perfeitas, o que você certamente não quer em um jogo de precisão, pois os movimentos humanos não são perfeitos.

Como esperado de um bom sensor, o AM010 não apresenta sinais de prediction, no entanto, em níveis de DPI mais altos, principalmente acima da 3200, a presença de jitter torna-se cada vez mais visível, portanto, não recomendamos que você utilize o G402 em DPIs tão altas.

Enotus Mouse Test

No Enotus realizamos mais dois testes, a frequência com que o mouse se comunica com o computador, o que nos dirá também o tempo que ele leva para mandar uma resposta à máquina, e também a velocidade máxima que o sensor é capaz de captar. Bons resultados devem estar acima de 500Hz (2 milissegundos de atraso) e no mínimo a 2m/s de velocidade máxima de rastreio.

Como esperado, o mouse opera com a uma boa frequência e tem um tempo de resposta excelente, assim como é capaz de rastrear velocidades altíssimas, como 4.79 m/s, o que é muito mais do que o necessário ou do que você reproduzirá em jogos. Lembramos que esta velocidade máxima de rastreio foi obtida sem que a Fusion Engine estivesse ligada, o que a torna ainda mais inútil.

Mouse Tester

O Mouse Tester nos mostra resultados um pouco mais técnicos e muito importantes, a consistência do sensor e o teste de aceleração para sabermos se o mouse possui algum tipo de alteração em seu rastreio em relação à velocidade que o movemos.

Consistência

No teste de consistência vamos verificar se o sensor possui algum tipo de alteração em seu rastreio, portanto, as linhas são o trajeto percorrido pelo mouse em relação ao tempo e as bolinhas são os registros do mouse sobre sua posição, quanto mais próximas da linha, mais preciso é o sensor.

O rastreio do G402 com seu AM010 é consideravelmente bom, embora existam alguns erros no rastreio, a maioria deles é anulado e corrigido pelo próprio mouse. Conforme o aumento de DPI, mais inconsistentes tornam-se os erros, e este é mais um motivo para você utilizar DPIs baixas.

Aceleração

A aceleração é um problema mais comum em mouses de baixa qualidade, no entanto, é extremamente importante verificar se ele possui algum tipo de aceleração, pois isso pode atrapalhar seu desempenho em jogos que exigem precisão, como Counter Strike, por exemplo.

Como vimos no review do G302 do Wetto, o sensor AM010 parece comumente apresentar um pouco de aceleração, no caso do G402, ela é uma aceleração negativa, no entanto, o valor de alteração é praticamente nulo e dificilmente afetaria a sua jogatina.

Um dos poucos problemas do mouse, mas um dos principais, é o scroll de baixa qualidade, que possui um switch com durabilidade duvidável, bastante duro e desconfortável, o que incomoda bastante jogadores que costumam utilizá-lo com certa frequência (o que não foi o meu caso). Ainda sobre o scroll, o seu codificador ótico também não é dos melhores, afinal, algumas reclamações em fóruns e vídeos no YouTube mostrando problemas colocam em dúvida a sua qualidade, no entanto, a maioria desses problemas é causado por sujeiras, e o scroll é comumente mais durável que muitos modelos mecânicos.

Os switches do mouse (exceto do scroll) costumam ter uma boa durabilidade e são bastante suaves, portanto, eles dificilmente serão um problema para você, assim como o sensor, que é utilizado em outros mouses da Logitech e também costuma mostrar o mínimo de qualidade necessária para bons anos de jogatina.

Quanto a ergonomia do mouse, ele é suficientemente confortável para a maioria dos jogadores de mãos médias e grandes, no entanto, não acho que ele seja a melhor escolha para quem tem mãos pequenas. Vale a pena citar que, talvez, jogadores com mãos grandes e pegada palm podem ter problemas com o já citado botão sniper, pois ele pode ficar exatamente onde o dedo polegar é apoiado, o que certamente acarretará cliques acidentais de vez em quando.

A tecnologia Fusion Engine é mais uma tentativa da Logitech de mostrar o quão absurda é a sua obcessão por qualidade de rastreio, no entanto, voltamos a afirmar que mantê-la ativada é desnecessário, afinal, além de você provavelmente não atingir os 2.9 m/s necessários para ativa-la durante uma jogatina. Vale lembrar que também não é garantido que a tecnologia funcione sempre, afinal, acelerômetros costumam não ser muito precisos. No vídeo abaixo você vê, de uma maneira mais explicada, como a Fusion Engine funciona.

O G402 é um mais um produto da Logitech que mostra a excelência da marca no desenvolvimento de mouses, basta olhar para os testes e você verá, ele oferece um desempenho excelente e, embora não tenha a melhor das construções internas, é o suficiente para garantir uma boa durabilidade.

Leia também:

É uma pena que o valor de eletrônicos em geral tenha aumentado consideravelmente nos últimos meses, afinal, a menos de um ano atrás, era possível encontrar o G402 por até R$170, hoje você só via encontra-lo por uma média de R$210. Mas fique calmo, isto não quer dizer que o mouse não vale o seu atual preço, muito pelo contrário, ele é excelente para a sua faixa de preço.

Se você ainda assim não tem tanto dinheiro para investir, uma dica que podemos dar é o “irmãozinho” deste mouse, o G302, que tem um desempenho muito parecido com o G402, é um pouco mais barato e a única perda considerável é em conforto.

Notas

  • 0 4 6 8 10
  • Implementação do Sensor
  • Switches principais
  • Codificador do Scroll
  • Ergonomia
  • Switches extras
  • Construção interna
  • Peso
em nosso ranking
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  • Logitech G302
  • Logitech G402 Hyperion Fury
  • Sharkoon SKILLER SGM1
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