A história do Google (parte 3)

Por | @Evilmaax Entretenimento

2002 terminou muito bem para o Google como pudemos ver no nosso post anterior, certo? A filosofia já dava mostras de sucesso, o mercado estava se abrindo cada vez mais a eles, sem contar que começavam a atuar em outros nichos, como o de hardware, com o Google Search Appliance, etc. Mas, como veremos, mais estava por vir, acompanhe:

Esse ano seria marcante por ser um divisor de águas na história da empresa, o motivo? O lançamento de uma plataforma de um serviço de publicidade com segmentação de conteúdo, o que, na teoria, proporcionou a grandes e pequenos editores, que acessassem a rede de anunciantes do Google. Ainda nesse ano, seria comprado a Applied Semantics, uma tecnologia que proporcionou à empresa a criação do Google AdSense, serviço tão conhecido dos blogueiros, criadores de conteúdo para YouTube, etc. que a partir de então puderam passar a receber dinheiro pelo seu material. Começou a era que permitiu às pessoas “comuns” ganharem dinheiro com internet.

Em 2003 surgiram as primeiras notícias de uma IPO da empresa, ou seja, abrir seu capital na bolsa, captar recursos vender suas ações. O mais curioso quanto a esta passagem de sua história foi que neste momento a Microsoft começou a sondar o emergente Google, tentando compra a empresa de Sergey Brin e Larry Page. O negócio nunca foi fechado e a oferta pública de ações seguiu.

O contratado para conduzir esta jogada foi um executivo do famoso grupo Goldman Sachs, que projetou arrecadar mais de 4 bilhões de dólares. Alguns meses depois, mais de 19 milhões de ações foram colocadas à venda, cada uma ao preço inicial de US$ 85,00. No final do dia, depois de indas e vindas do mercado financeiro, o Google havia captado mais de 23 bilhões de dólares!! Neste momento, muitos dos seus funcionários se tornaram milionários do dia para a noite. Em 2014, exatos 10 anos depois da capitalização, o valor das ações tinham subido cerca de 1300%, ultrapassando a casa dos mil dólares por papel negociado. Se você não entendeu bem, olhe esse dado: Se na época da abertura do capital tivesse investido 10 mil dólares naquelas ações de US$ 85, teria mais de 140 mil dólares. Aaah, e de 2014 pra cá a empresa cresceu ainda mais.

A história do Google (parte 3)
Larry Page na cerimônia de estreia na bolsa de valores de Nova Iorque, a Nasdaq

Até então, nem mesmo os fundadores podiam dizer que eram bens de vida, cada um ganhava 150 mil dólares por ano, um salário considerável, mas menor, por exemplo, do que o salário de Eric Schmidt, CEO da empresa, e funcionário dos 2, que recebia 250 mil/ano.

Concorrentes do próprio Google também foram beneficiados pela IPO, exemplo foi o Yahoo, que comprou 2,7 milhões de ações, tornando-se um de seus grandes acionistas. 

Foi nesse ano também que a empresa iniciou o Google Code Jam, uma competição que visava à busca de programadores que competiriam por prêmios em dinheiro e até por chances reais de contratação pelo Google, que usava a competição para minerar talentos. Nesta primeira edição as plataformas contempladas eram Jaca, C++, C# ou VB.NET onde uma série de problemas algorítmicos deveriam ser resolvidos em determinado tempo.

Hoje, qualquer linguagem de programação é aceita e mais de 25 mil competidores disputaram o prêmio de 2014, em Los Angeles. O atual campeão é o bielorrusso Gennady Korotkevich, ficando o 2º lugar com um russo e o terceiro com um chinês. Quem encabeça o ranking de campeões são os chineses.

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Com tamanho crescimento, a nova sede, que não tinha nem 5 anos, em Palo Alto, perto da universidade de Stanford já estava pequena para os 40 colaboradores, e, uma nova casa fazia-se necessária. Foi neste ano que a empresa arrendou, da Silicon Graphics, uma gigante propriedade em Mountain View, Califórnia. O complexo, conhecido com Googleplex (brincadeira com o número 1 seguido de um googol zeros). A mudança se daria no ano seguinte, em 2004.

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Quanto aos algoritmos de busca, neste ano entrou em vigor uma atualização chamada “Cassandra” que pôs em prática ações mais agressivas em técnicas de SEO contra links obscuros, escondidos ou disfarçados, que tentassem burlar as leis de pagerank. A ação fazia parte da busca do Google de tornar a web cada vez mais segura.

Google Books (na época, Google Print), serviço que passou a indexar pequenos trechos de livros para exibição nos resultados de livros; Google Grants, programa de publicidade para que organizações sem fins lucrativos possam criar campanhas sem fins lucrativos para suas causas;

Somente uma coisa ruim no ano de 2003 para o Google: Não tivemos brincadeira de 1º de abril =(

No ano seguinte, logo em janeiro, um lançamento mudaria a vida de muita gente por aqui, inauguraria as redes sociais no Brasil, e faria a fortuna de muitos donos de lan houses país afora: O Orkut. Criado pelo turco Orkut Buyukkokten, funcionário da empresa, em seus 20% de tempo livre, filosofia que vimos no post anterior, foi a primeira tentativa da empresa de entrar no ramo das redes sociais.

No início, o saudoso Orkut só podia ser acessado após você receber um convite de quem já era membro e logo chegou a marca dos milhões de usuários, comunidades, scraps, depoimentos que não eram pra ser aceitos, mas foram, e geraram pérolas da internet, etc. Junto a isso vieram milhares de processos judiciais por aqui, o país com maior número de usuários. Isto levou a empresa a passar a direção mundial do produto para o escritório brasileiro, em Minas Gerais.

A história do Google (parte 3)

Em março era lançado o Google Local, um serviço que organizava locais e serviços com seus endereços. Foi o início do Google de “organizar” as cidades, posteriormente seria incorporado ao Google Maps e aposto que é até hoje utilizado por você quando precisa encontrar rapidamente um local que faça cópias, por exemplo.

Em 1º de abril uma nova brincadeira: o Googlelunaplex. Tratava-se de uma nova instalação de pesquisas na lua que seria inaugurada em 2018 e que, na ocasião, estava com vagas abertas e aceitando currículos daqueles que tinham interesse na aventura. O “Google Copernicus Hosting Environment and Experiment in Search Engineering (G.C.H.E.E.S.E.) era uma base de pesquisas integradas no nosso satélite natural que conduziria experimentos um pouco absurdos. Se você realmente enviasse seu currículo, receberia a seguinte mensagem automática da empresa:

Obrigado por entrar em contato com o Google sobre o nosso Centro de Pesquisa Copernicus                                                                                                                                                                                                  Recebemos uma resposta esmagadora para esta oportunidade e não estamos mais aceitando currículos. Vamos, no entanto, manter suas informações em arquivo e deveremos ter novas chances no futuro. Nos níveis atuais de pessoal, prevemos que podemos precisar de candidatos adicionais ou em torno lá pelo Dia da Mentira de 2104. Até então, nós apreciamos seu interesse no Google e o tempo dispendido para nos escrever.                                                                                                                                                          Atenciosamente,                                                                                                                                       Equipe de Recrutamento Googlunar

A história do Google (parte 3)

Mas o 1º de abril daquele ano não foi só zoeira. Foi nesse mesmo dia que entrou no ar o Giga Mail, ou como conhecemos hoje, o Gmail. Chamado dessa forma por causa de sua incrível capacidade, à época, de 1 gigabyte de armazenamento, assim como o Orkut, ele também precisava de um convite para o cadastro. O Gmail foi uma criação do Google Labs, setor experimental da empresa que vimos nos posts anteriores e que destinava a ficar tendo ideias e criando coisas, inovadora em diversos aspectos, e não somente por causa do seu armazenamento. Ele foi o primeiro, por exemplo, a oferecer recursos como pesquisa rápida e mensagens agrupadas. O serviço só seria aberto a todos em 2007.

Entre as compras de 2004 estão a aquisição do Picasa, serviço voltado à edição, gerenciamento e organização de imagens e que até hoje está na ativa. Suas outras aquisições: Ignite Logic, ZipDash, Where2 e Keyhole, Inc, quase todas sobre análise de tráfego e mapas denunciava o rumo das pesquisas dali para a frente. Em breve, surgiria destas compras o Google Earth e o Google Maps.

Os números da empresa não paravam de crescer, atingindo a marca de 6 bilhões de itens a serem consultados, sendo mais de 4 bilhões de páginas e quase 1 bilhão de imagens; mais de 100 domínios Google em diferentes países; cerca de 85% de todos as buscas da internet mundial (no início deste ano o Yahoo! Desmanchara a pareceria e criara seu próprio sistema de buscas), abertura de novos escritórios, como na Irlanda, escritório de engenharia na Índia e escritório de pesquisa e desenvolvimento em Tóquio. Com tamanho sucesso da sua criação, os fundadores ganharam a inclusão de seus nomes em diversas listas honoríficas de sociedades e órgãos oficiais, por causa de suas “contribuições científicas e duradouras ao progresso humano no campo das ciências, comunicação e internet.”

A história do Google (parte 3)
Escritório em Dublin, na Irlanda

Podemos falar ainda dos outros lançamentos deste ano como o Google Acadêmico, um serviço para pesquisar gratuitamente artigos, teses e TCC’s; o Google SMS, no qual você podia fazer uma busca no seu celular, enviando o termo a ser buscado para 466453; o Google Desktop que permite fazer buscas dentro de seu HD (e-mails, arquivos, documentos do Word, Excel, histórico de páginas, etc.) com a mesma facilidade e eficácia do serviço online; o Google.org, filial criada com um fundo de 1 bilhão de dólares e que se dedica às causas filantrópicas, como conscientização sobre mudança do clima, pobreza e alternativas para carros híbridos.

No campo dos seus algoritmos de busca, entre diversas melhorias e mudanças podemos citar o implemento dos multi-index e elementos do “Hilltop”, que foca em mostrar páginas que tenham especialistas no assunto com base na quantidade de links que pareçam ser relevantes, dando a elas um caráter de autoridade no assunto. É por isso que quando você buscar por Excel no Google Brasil, achará como primeiro resultado no quesito didático o www.AprenderExcel.com.br

Está bom por hoje, certo? Em breve mais uma parte com os principais acontecimentos na história do Google. Até lá, confira a parte 1 e parte 2, caso ainda não tenha visto.

>> Leia aqui a parte 4 da história do Google.

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