A história do Google (parte 2)

Lembram-se da parte 1 da nossa história? Como tudo ocorreu de forma tão rápida? Como o Google já desbancava os maiores nomes da web, como AOL e Yahoo em tão pouco tempo de existência? Pois é aqui que começamos a parte 2 de nossa história.

Por | @Evilmaax Entretenimento

E se você não leu a parte 1, é só clicar aqui

Estamos em 2000 e recentemente a marca havia se tornado o maior motor de buscas da internet, mudado-se para sua sede nova, chegado à marca dos 40 funcionários, havia recebido um aporte de US$ 25 milhões de dólares, etc. E só lembrando: Os fundadores tinham se conhecido há menos de 4 anos e inventado o serviço há menos de 2!!

Após a passagem tranquila pelo temido 31 de dezembro de 1999 e o bug do milênio, o Google estreou seu sistema bilionário de receita: Vender anúncios associados a keywords, palavras chave. O novo sistema logo emplacou ao serem mais leves dos que até então eram usados, maximizando a velocidade de carregamento das páginas numa era de modems discados. Nessa época estourou a bolha da internet e muitas das empresas milionárias, faliram da noite para o dia. Por causa do sucesso dos clicks patrocinados e de outros fatores, o Google passou ileso por essa.

Também em 2000 o Google lançou seu slogan mais famoso: Don’t be evil (não seja mau), uma frase que ia muito além da simplicidade que possa parecer. Sugerida por Paul Buccheit, criador do Gmail, a frase era um tapa de luva nas concorrentes do Google que exploravam os dados dos usuários para causas ilícitas.

A história do Google (parte 2)

Ainda no ano 2000 a marca começou a se tornar um nome global quando disponibilizou outras 13 linguagens de busca: francês, alemão, italiano, sueco, finlandês, espanhol, português, holandês, norueguês, dinamarquês, chinês, japonês e coreano. Neste mesmo ano tornou-se o primeiro indexador a contabilizar 1 bilhão de urls cadastradas.

Também em 2000 a empresa mostrou ao público aquela que seria uma das suas características mais marcantes: A de não levar tudo tão a sério, de ser uma empresa jovem, descolada. Tudo isso materializou-se no MentalPlex, um site que eles colocaram no ar em 1º de abril daquele ano. O serviço – original – pode ser acessado aqui

O MentalPlex era uma tecnologia de pesquisa do Google que usava a mente do usuário como motor de busca. Funcionava assim: Ao invés de você digitar o que queria buscar, precisava apenas mentalizar e então fixar o olhar no círculo que ficava girando na tela. Para ser ainda mais convincente a página retornava resultados, mas claro, não era o que a pessoa estava pensando. E para ser ainda mais realístico, você poderia receber as seguintes mensagens de erro:

  • Erro 01 – “Ondas cerebrais recebidas em modo analógico. Por favor, repense em modo digita.”
  • Erro 005 – “Pesquisas sobres este assunto são proibidas por leis internacionais.”
  • Erro 008 – “Interferência detectada. Remova folhas de alumínio e controles remotos de perto.”
  • Erro 8P – “Não ficou claro se sua busca é sobre dinheiro ou macacos. Por favor, refaça-a.”
  • Erro 666 – “Múltiplas transmissões detectadas. Silencie as vozes em sua cabeça e tente novamente.”
  • Erro – MentalPlex ™ sabe que esta não é sua pergunta final. Por favor, refaça-a novamente.”

A história do Google (parte 2)

O serviço era completo e ainda vinha com instruções, como: “remover chapéus e óculos”, perguntas mais frequentes e até imagens  ensinando a posição correta para dar certo. E essa não foi a única brincadeira de 1º de abril, a partir de 2000, quase todo ano há uma nova (não se preocupe, vamos ver todas por aqui). E 2000 ainda separaria mais umas novidades para eles: A empresa venceria prêmios de inovação tecnológica e prêmios populares. Eles já tinham a simpatia dos críticos e público. Neste ano a empresa fecha acordo com o Yahoo para ser sua ferramenta de busca oficial.

No ano seguinte o Google daria um passo de suma importância para se tornar o que se tronou hoje. Em fevereiro de 2001 ela compraria a Deja.com, um serviço de discussões, tópicos e mensagens que já contava com mais de 500 milhões de discussões arquivadas desde 1995, quando fora lançado. O serviço serviu de base para o Google Groups. Você está se perguntando por que esse passo é tão grande, se o Groups nem mesmo fez sucesso? Simples, pois esta foi a primeira das quase 200 compras, incorporações e fusões que eles fariam até os dias de hoje e marca o momento em que passaram a ser uma “incorporadora” do mundo virtual, um chefão da web, que compra e toma conta de tudo que dá certo, afinal, hoje em dia, o que faz sucesso vai parar no Google, certo? Muitos programadores querem criar algo para vender ao Google.

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Outro serviço que estreou neste ano e que, com certeza, você adora foi o Google Imagens. No ato de seu lançamento a busca de imagens já disponibilizava cerca de 250 milhões de figuras, fotografias, desenhos, prints, scans, etc.

Mais marcas em 2001: Até o fim do ano seriam 26 idiomas disponíveis, e mais de 3 bilhões de páginas indexadas. E se você já tinha internet nesse ano, desde outubro já podia acessar o Google daqui. Isso graças a uma parceria com a UOL, que beneficiou milhões de usuários da América Latina. E do outro lado do mundo, lá em Tóquio, no Japão, era aberto em agosto o primeiro escritório internacional da marca.

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Escritório em Tóquio

Neste ano estrearia também o idioma “Cozinheiro Sueco”. Trata-se de mais uma brincadeira, que imitava o personagem Cozinheiro Sueco, dos Muppets, um cozinheiro que dava receitas em um idioma que só ele entendia e misturava sueco com inglês com palavras próprias, etc. Confira a preferência de idioma aqui

O ano seguinte, 2002, foi mais um ano especial para a marca e principalmente para você, que em algum momento da sua adolescência nos anos 2000 criou um blog. Tudo isso por causa da compra da Pyra Labs, empresa responsável pela criação do Blogger (que seria lançado no ano seguinte). A ferramenta acabou se tornando o maior centro criador de blogs na internet e é hoje, mesmo com a queda da popularidade dos diários virtuais, o 8º site mais acessado do planeta.

Também em 2002 o Google deu uma redirecionado nas suas atuações, saindo pela primeira vez do mundo virtual e chegando ao mundo físico, com o lançamento do Google Search Appliance. A máquina, que você confere abaixo, integra serviços de hardware e software, e nos permite fazer o mesmo tipo de busca que fazemos online nos servidores de uma empresa que conta com o serviço.

O GSA rastreia o conteúdo de um servidor e cria um índice de documentos; esse índice fica acessível para exibição instantânea assim que um cliente ou funcionário fizer uma busca, tal qual ocorre com o motor de busca online, permitindo que cada um visualize apenas aquilo que tem permissão. Diferentes versões do sistema podem ser encontradas, permitindo a indexação de 500 mil documentos até 30 milhões.

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Um outro marco em 2002: a empresa implantaria sua famosa e revolucionária filosofia de trabalho. Segundo ela, os engenheiros e funcionários foram incentivados a dedicar 20% do seu tempo dentro do Google para trabalhar em algo que não fosse seu projeto principal dentro da empresa. Dessa iniciativa surgiram serviços famosos como o Google News (veja mais sobre ele no próximo parágrafo), Orkut e o Gmail.

E se você acha que para um ano inteiro isso já está de bom tamanho, confira o que mais foi lançado ainda neste ano: o Google News, serviço de notícias que hoje está presente em 29 idiomas e diferencia-se por não ter nenhum editor, redator, editor executivo, etc. todas as notícias são escolhidas apenas por algoritmos; Google Labs, um site onde testadores podiam experimentar as ferramentas antes de todo mundo e achar erros, contribuir, dar ideias, etc; Froggle – hoje chamado de Google Shopping. Ainda teve a inauguração dos escritórios em Sydney, Austrália.

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Escritório em Sydney

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Aah, e se você está se perguntando se nesse ano não teve a brincadeira de 1º de abril, nós respondemos: teve sim =DD Naquele distante ano, o Google reveou que a tecnologia por trás do seu sistema de ranqueamento era um sistema PigeonRank (ranqueamento por pombos) e que tinha uma equipe treinada para dar conta do serviço, mas não se preocupe, pois eles tranquilizavam os usuários dizendo que os animais não sofriam qualquer tipo de maus-tratos. A página e a explicação trazia uma série de trocadilhos, como um gráfico mostrando o consumo de linhaça, representado por “Lin/AX Kernels”, um trocadilho com o kernel do Linux. Ok uma piada nerd, mas ainda assim uma piada.

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Por fim, diga-me uma coisa: Você é fluente em Klingon? Aquela linguagem utilizada nos mais profundos recantos do espaço na série Star Trek, falada pela raça Klingon, conhece? Se você é fluente nela, uma boa notícia: O Google tem suporte a esse idioma. Duvida? Confira aqui.

Ficamos com essa parte por aqui. Se você ainda não leu a parte 1, não perca tempo, clique aqui e confira já.

>> Leia aqui a parte 3 da história do Google.

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