Percebi que tinha esquecido de carregar o relógio. Fui olhar preocupado: 32%, dez dias após sair da caixa. Aí, no mesmo dia, tentei pagar o café por aproximação e não consegui. E o mais estranho: esses dois fatos têm a mesma causa. Huawei Watch GT 7 Pro, mil quatrocentos e noventa e nove reais.
Lançamento no Brasil
O GT 7 Pro chega hoje ao Brasil por R$ 2.699, e no dia 9.9 entra em promoção por R$ 1.499. O link do nosso grupo de WhatsApp e Telegram está na descrição, para você ser avisado quando a promoção abrir.
Design e construção
Fisicamente, o GT 7 Pro é um relógio robusto, e aqui isso não é só impressão. A caixa é de liga de titânio, a tela é protegida por vidro de safira e a traseira é de cerâmica. Depois de uma semana usando direto, só tirando do pulso pra tomar banho, bati algumas vezes e não tem um risco.
E a certificação acompanha: IP69, que é aquele nível de aguentar jato de água em alta pressão, mais 5 ATM, com mergulho livre certificado até quarenta metros. Na prática, você não precisa pensar duas vezes antes de entrar na piscina ou no mar com ele no pulso. Por que eu não tomo banho com ele, você deve tá se perguntando, não é? A resposta é simples, eu lavo o pulso.
E tem um detalhe aqui: a pulseira. De um ano para cá eu venho reparando uma mudança no material das pulseiras dos relógios. Ela ficou mais maleável, mais flexível, e isso muda completamente a sensação de uso. Eu vi isso no Galaxy Watch Ultra 2, vi de novo no Watch 9, e agora encontro o mesmo tipo de pulseira aqui no GT 7 Pro.
É confortável a ponto de eu conseguir dormir com ele sem incomodar. Para mim, esse é um critério importante, e não é frescura: é justamente durante o sono que boa parte do monitoramento de saúde acontece. Relógio que incomoda na cama é relógio que fica na mesa de cabeceira, e aí metade dos dados que você comprou simplesmente não existem. Digitar textos com ele vestido também não é problema.
O GT 7 Pro chega ao Brasil em três cores: amarelo selvagem, verde geada de pinheiro e preto cristal de carbono. Confesso que o preto é o que mais me agradou. O verde até é bonito, se parece muito com o GT4 que tenho aqui, verde também. Mas essa coroa sob a tela, na minha visão poderia ser prateada, ia dar um tom bem mais sofisticado ao relógio, mas é gosto pessoal.
Tela
Testando as telas da Huawei, eu nunca tive o que criticar, e o GT 7 Pro não muda isso. É um AMOLED de uma vírgula quarenta e sete polegadas, com quatrocentos e sessenta e seis por quatrocentos e sessenta e seis pixels, trezentos e dezessete PPI, protegido pelo vidro de safira que eu falei agora há pouco. No papel, o brilho máximo chega a 3.000 nits.
Na prática eu li sem esforço em campo aberto, meio dia, sol na cara. Pelo que eu pesquisei, é exatamente a mesma tela do GT 6 Pro, mesma polegada, mesma resolução, mesmo brilho.
Bateria
E chegamos no motivo pelo qual esse relógio realmente se destaca.
Eu recebi o GT 7 Pro há dez dias. Usei com notificações ligadas, monitoramento de saúde rodando o tempo todo, GPS e atividade física. E até agora, no momento em que eu gravo esse vídeo, ele está com 32% de bateria. Ele não viu carregador nenhuma vez desde que saiu da caixa.
Nesse ritmo, são cerca de 8% por dia. A conta projeta algo perto de duas semanas de uso real. E isso é mágica + hardware: são 867 mAh dentro de um relógio.
E para quem treina pesado, o fôlego é ainda maior: até cinquenta e uma horas de bateria no modo Corrida em trilha, e quarenta e quatro horas no modo Ciclismo ao ar livre, com GPS ligado o tempo todo. É uma autonomia de relógio dedicado a esportes, dentro de um relógio do dia a dia.
Para efeito de comparação, isso é algo que nenhum relógio com Wear OS me entrega. Se você já usou um Galaxy Watch, sabe do que eu estou falando: é carregar praticamente todo dia, ou no máximo a cada dois dias. Aqui a lógica muda completamente. Você para de organizar a sua rotina em volta da tomada.
E é esse tipo de diferença que faz o HarmonyOS valer a pena.
Sanções: o preço que você paga por essa bateria
Confesso que essa autonomia toda vem com um custo, e não é o custo em reais. É o custo das sanções que ainda pesam sobre a Huawei.
O relógio conta com NFC e tem uma carteira digital embarcada, mas essa carteira não funciona oficialmente aqui no Brasil. Então, na prática, você não consegue fazer pagamento por aproximação com esse relógio. É um recurso que hoje já é básico em relógios concorrentes, e que muita gente usa todo dia sem nem pensar.
E o problema não para por aí. O HarmonyOS tenta suprir a falta de acesso aos serviços do Google com a própria loja de aplicativos, mas grande parte desses apps foi pensada para o mercado chinês. Isso significa que boa parte das integrações que a gente espera de um smartwatch moderno simplesmente não chega até você.
Se você usa o relógio como extensão do celular, respondendo tudo pelo pulso e pagando o mercado com ele, é aqui que o GT 7 Pro vai te frustrar. Não tem como suavizar.
E o detalhe cruel dessa história é que é exatamente isso, esse sistema fechado, sem nada do Google rodando por baixo, que faz a bateria durar o que dura. E, por enquanto, eu não encontrei um relógio que consiga unir esses dois mundos.
Saúde: sensores bons, e a leitura finalmente evoluiu
Em sensores, o GT 7 Pro não deve nada a ninguém: frequência cardíaca, eletrocardiograma, oxigenação, temperatura de pele, o pacote completo, que compete de igual para igual com qualquer concorrente.
E dessa vez a Huawei também avançou na leitura desses dados. O relógio agora calcula uma pontuação de disposição física, que cruza qualidade do sono, nível de estresse, duração do exercício, carga de treino, temperatura corporal e informações cardiovasculares para te dizer o quanto você recuperou durante a noite.
É o mesmo tipo de leitura que Samsung Health e Google Health já entregavam há um tempo, mas confesso que olhando lado a lado com os dados que a Samsung produz, fica difícil comparar essa questão.
Esportes
Por outro lado, tem um detalhe nos esportes que eu realmente gostei, e é um ponto que eu já tinha reclamado em relógios de outras marcas.
O GT 7 Pro separa o futebol em duas modalidades: futebol interno e futebol externo.
Se você ativa o modo interno, ele monitora frequência cardíaca, tempo e estimativa calórica, do jeito básico. Mas se você ativa o modo externo, ele liga o GPS automaticamente, sem você precisar fazer nada. Isso vale tanto para futebol de campo quanto para futsal. Ciclismo e caminhada também são detectados sozinhos.
Parece detalhe pequeno, mas é o tipo de coisa que só aparece quando alguém usa o relógio de verdade.
A Huawei também anuncia outras novidades nessa geração que eu não tive tempo de testar a fundo, mas valem menção. Chega o modo Esqui em ambientes fechados, inédito na marca, com acesso a mais de três mil mapas de estações de esqui ao redor do mundo. No ciclismo, chega o potenciômetro de pulso, que estima sua potência em watts durante o pedal. E para quem passa o dia sentado, os miniexercícios: rotinas rápidas pensadas para onze partes do corpo, sem equipamento nenhum.
Strava
Desde março de 2025, a Huawei tem integração oficial com o Strava, o que resolveu uma dor antiga. Só que ela exporta corrida, ciclismo e natação, e não exporta futebol.
Ou seja: aquele treino que o relógio detectou sozinho, com GPS e tudo, morre dentro do aplicativo da Huawei. E esse é o padrão desse relógio inteiro: ele coleta muito bem, e solta muito mal.
Conclusão
- Até 2 semanas de bateria real (51h no trilha, 44h no ciclismo)
- Titânio, safira e cerâmica, com IP69 + 5 ATM
- Tela nítida mesmo sob sol forte
- Sensores de saúde completos, disposição física mais precisa
- Detecta esportes sozinho (GPS liga automático)
- Strava até que enfim
- Sem pagamento por aproximação oficial no Brasil
- Loja de apps fraca, poucas integrações
O Huawei Watch GT 7 Pro chega hoje ao Brasil por R$ 2.699, e no dia 9/9 entra em promoção por R$ 1.499. Quer ser avisado quando abrir? O link do nosso grupo de WhatsApp e Telegram está na descrição, no dia 9 eu vou mandar lá.
E o veredito depende do preço e de como você usa um relógio. Pelos R$ 2.699 de tabela, eu não compraria. As limitações do sistema pesam mais que a autonomia nesse valor.
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R$ 2.699,00
HUAWEI WATCH GT 7 Pro 46mm
Ver oferta
Por R$ 1.499, para quem prioriza bateria e robustez, faz sentido. Nessa faixa ele compete com o Galaxy Watch 8, que também aparece em promoção por cerca de R$ 1.400. É pagar com o pulso e carregar quase todo dia, ou ter titânio, safira e 2 semanas de bateria. Se autonomia é prioridade, o GT 7 Pro é a melhor escolha.
Pra quem é e pra quem não é esse relógio:
- Paga com o pulso? Não compre, em nenhum dos 2 preços. A carteira digital não funciona oficialmente aqui. Não é todo mundo que usa esse recurso, mas pra mim é algo interessante.
- Acompanha saúde de perto? Essa geração avançou. A pontuação de disposição física agora entrega mais dados. Se você gosta de números, esse relógio melhorou.
- Tem um GT 6 Pro? Não troque. O hardware é quase o mesmo.
- Joga bola, corre ou pedala? O relógio acerta: registros bem precisos, bastante números nas atividades como pedal, corrida e natação.
Esse relógio é a outra moeda de um Wear OS, você ganha em autonomia e perde recursos como pagamento por aproximação e músicas offline. Enfim, são escolhas e atualmente a gente não pode ter os dois mundos em apenas um relógio.





