O Samsung Galaxy Watch Ultra chega ao seu segundo ano de mercado com uma queda de preço significativa, o que reacende a pergunta: agora ele vale a pena? Depois de quase 2 meses de testes, dá para entender melhor o que esse relógio robusto entrega e para quem ele realmente faz sentido.
O design é o primeiro ponto que chama atenção. A inspiração no conceito "Ultra" da Apple é clara, com botões laranja, modo noturno e sirene de emergência. Mesmo assim, o relógio tem personalidade própria, com formato que mistura quadrado e círculo e moldura de titânio que reforça a sensação de resistência. Por outro lado, a base inferior em plástico reforçado destoa do preço cobrado. O peso de 60g e a espessura de 12mm também incomodam no uso diário, principalmente para dormir.
A tela é um dos grandes destaques. São 1,5 polegada Super AMOLED, resolução de 480 x 480 pixels e brilho de até 3.000 nits, o que garante ótima visibilidade sob sol forte. A fluidez impressiona, com transições instantâneas e navegação intuitiva por toques, gestos e botões físicos. O Quick Button personalizável dá acesso rápido a funções como treino, lanterna e alarme de emergência de 85dB.
No desempenho, o chip Exynos W1000, 2 GB de RAM e 64 GB de armazenamento entregam fluidez sem engasgos. O relógio roda Wear OS 5 com One UI 6 Watch e conta com LTE, Wi-Fi, Bluetooth 5.3 e NFC. Na prática, é possível baixar playlists, conectar fones, pagar com o relógio e sair de casa sem o celular, uma experiência de uso muito boa. Também dá para receber chamadas e responder mensagens direto do pulso.
Na parte de sensores, o Watch Ultra traz batimentos, oxigenação, bioimpedância, temperatura da pele e eletrocardiograma. Os dados são confiáveis como indicativos, não como diagnóstico médico. O GPS de banda dupla ativa rápido e funcionou bem em corrida e bike, com autopause preciso. Houve falhas pontuais, como contar passos durante uma limpeza e imprecisão numa atividade de futebol criada manualmente, esporte que o relógio não monitora por padrão.
A bateria de 590 mAh promete até 100 horas em economia e 48 horas em uso padrão. Na prática, com tudo ativado, a autonomia ficou entre 1 dia e meio e 2 dias, valor bom para um smartwatch completo, mas distante de marcas como Amazfit e Huawei. O carregamento por indução é rápido e compatível com qualquer base Qi.
Sobre preços, o Watch Ultra chegou custando R$ 5.000 e hoje pode ser encontrado por R$ 2.800, quase a metade. Para atletas, dificilmente substitui um Garmin. Já quem gosta do ecossistema Samsung e não precisa de tantos sensores encontra no Galaxy Watch 7 quase tudo que o Ultra oferece, por valor bem menor, a partir de R$ 1.500. O Watch Ultra passa a valer a pena na faixa de R$ 2.500 ou abaixo, quando o conjunto de sensores e a bateria maior justificam o investimento.












