O Jovi X300 Ultra chega com a proposta mais ousada que eu já vi num smartphone: câmeras de nível profissional, Kit Fotógrafo completo direto na caixa, e um preço que separa quem realmente é entusiasta de fotografia de quem só quer um celular bom.
Abrindo a caixa: versão Kit Fotógrafo
A Jovi vende no Brasil a versão completa com o chamado Kit Fotógrafo, e sinceramente essa é a forma certa de entender pra que esse celular existe.
Dentro da caixa, além do aparelho em si, veio:
- Uma case com textura emborrachada bem gripada, que já serve de base para encaixar o resto do kit
- Um grip destacável que conecta via USB-C, com botão de gravação, botão de obturador com meio-toque pra focar, botão de flash, botão de função e uma rodinha (jog dial) pra fazer o zoom, além de uma segunda rodinha pra ajustar a compensação de exposição na mão
- Duas lentes telefoto que rosqueiam por cima da câmera telefoto da case: uma equivalente a 200mm e outra a 400mm
- Um anel/colar de encaixe pra montar o celular em tripé
- Suportes pra prender filtros externos na frente das lentes
- Cabo USB-C e, na minha unidade pelo menos, o carregador de 100W (isso varia de região pra região, então não é garantido em todo mercado)
O mais legal é que o próprio grip tem uma bateria interna de 2300mAh e ainda repassa energia pro celular quando você conecta ele no carregador. Ou seja, ele não é só um punho bonito, ele estende a autonomia. Encaixa e desencaixa em segundos, então se você quer guardar o aparelho no bolso, é só soltar a case toda.
Nada de pareamento por Bluetooth, nada de configuração chata. Clicou, funcionou. E como eu vou explicar lá na parte de câmera, essas duas lentes fazem sentido justamente pela forma como a Jovi decidiu construir esse sistema de câmeras, que foge do padrão do resto do mercado.
Design e construção
O visual do X300 Ultra é similar a outros smartphone câmeras que já vimos, só que exagerou (e muito) no tamanho do módulo de câmera. É, sem meio-termo, o maior bloco de câmera que eu já vi em um celular até hoje.
Por incrível que pareça, por ele ser centralizado ele sob a mesa balança somente se pressionar os cantos superiores. Esse blocão tem uma funcionalidade, além de aglomerar os sensores, é por esse formato que ele dá sustentação ao encaixe do kit de fotografia, mantendo tudo muito bem preso e encaixado..
É uma construção bem sólida: moldura de alumínio fosco, vidro nas costas com acabamento fosco também, certificação IP68 e IP69, ou seja, resistência tanto à imersão em água quanto a jatos de água quente sob pressão, o que é mais raro de ver, na tela ele já vem com película aplicada de fábrica, além da capinha de polímero dentro do kit base. Muito bom ver em um topo de linha com um kit de proteção na caixa.
O peso gira em torno de 232 gramas na versão preta, com 8,2mm de espessura. E sim, é um aparelho pesado e espesso: pra comparar, o Galaxy S26 Ultra fica em 214 gramas e 7,9mm, ou seja, é visivelmente mais fino e mais leve. No manuseio do dia a dia, não é tão simples de usar quanto um smartphone sem esse bloco enorme nas costas, mas o arredondamento dos cantos ajuda bastante na pegada, deixando o uso mais confortável do que parece à primeira vista. No fim, é um smartphone do tipo gigante, então não espere praticidade de usar com uma mão só, assim como não dá pra esperar isso de outros concorrentes desse porte.
Tela
Aqui o Jovi entrega uma tela de 6,8 polegadas AMOLED com tecnologia LTPO, taxa de atualização adaptativa de 1Hz até 144Hz e resolução de 3168x1440 pixels, dando uma densidade de 510 PPI. É nítida pra caramba, e olha que ela nem vem habilitada na resolução máxima de fábrica. Você precisa entrar nas configurações e ligar manualmente, porque o padrão de saída de caixa já é afiado o suficiente pro dia a dia.
O brilho de pico anunciado é de 4.500 nits, na prática dá pra usar tranquilamente ao sol forte, e o brilho mínimo é tão baixo que funciona pra usar a noite com luz apagada.
A precisão de cor também está no ponto, próxima dos 99% de cobertura do padrão sRGB no perfil mais calibrado. Pega essa tela combinada com as cores fiéis que as câmeras fazem e você pode literalmente estar olhando para um espelho enquanto se enxerga.
O sensor de digital embaixo da tela é ultrassônico, e nisso a Jovi mandou bem: reconhecimento rápido e sem falha, cadastrei vários dedos sem qualquer problema.
Câmeras
Chegamos na parte que realmente importa nesse aparelho, porque é pra isso que ele existe.
O sistema é formado por três câmeras grandes:
- Principal: 200MP, f/1.9, equivalente a 35mm, sensor de 1/1.12"
- Ultra-angular: 50MP, f/2.0, equivalente a 14mm, sensor de 1/1.28", com foco por dual pixel PDAF e estabilização óptica
- Telefoto: 200MP, f/2.7, equivalente a 85mm, zoom óptico de 3,7x, sensor de 1/1.4"
E aqui está a sacada que diferencia esse celular de praticamente tudo no mercado: a câmera principal não é 24mm como a maioria dos flagships. Ela é 35mm, ou seja, já vem com zoom por padrão, sem cropping, ele é permanentemente. É tipo pegar um iPhone e deixar preso no 1.5x o tempo inteiro. 24mm é aquele ângulo genérico bom pra qualquer coisa: foto de grupo, prédio, paisagem, tudo no automático.
Já 35mm pede mais atenção, é também o ângulo preferido por quem fotografa rua, porque força você a escolher um assunto. Achei genuinamente uma escolha ousada da Jovi, é diferente tirar foto com ele a qualquer outro celular que já fiz.
As fotos saem incríveis, nítidas e com aquele processamento que você sente que existe, mas não consegue apontar exatamente onde.
Agora, um dado que eu preciso trazer pra essa conversa, porque é revelador: no ranking global da DXOMark, o X300 Ultra fechou com 170 pontos de câmera, empatado com o Oppo Find X9 Ultra, só que atrás do próprio Jovi X300 Pro, que ficou com 171. Ou seja: pelo menos numa das metodologias mais respeitadas do mercado, o irmão mais barato pontuou melhor que o "Ultra". A própria Notebookcheck resume bem esse sentimento ao dizer que o X300 Ultra só conseguiu, com dificuldade, igualar o antigo recorde de câmera que era do X300 Pro. É aquele clássico "trocou seis por meia dúzia", e mostra que nem tudo que vem com nome "Ultra" é automaticamente melhor.
Pelo que entendi ao pesquisar, o Ultra realmente evolui é na ultrawide: a Jovi trocou o módulo e o salto de qualidade em relação ao X300 Pro é nítido, com boa nitidez de ponta a ponta e mínima distorção, mesmo nos cantos da imagem, algo raro pra uma lente desse tipo. O sensor aqui, inclusive, é quase do dobro do tamanho do ultra-angular do Galaxy S26 Ultra, e tem foco PDAF por dual pixel mais estabilização óptica, recurso normalmente reservado pra câmera principal ou telefoto.
O modo retrato também merece elogio: pele com tom natural, boa separação de profundidade, resultado consistente mesmo em condições difíceis. É um dos melhores bokehs que eu já vi em celular.
A telefoto de 3,7x entrega detalhe muito acima da média até uns 7,4x de zoom, ponto em que já dá pra perceber a mão da inteligência artificial suavizando a imagem. À noite, é justamente essa lente que mais sofre, foco lento e trepidação de movimento aparecem com mais frequência do que na principal ou na ultra-angular, que seguem confiáveis mesmo com pouca luz.
E é aqui que o Kit Fotógrafo faz sentido: com as lentes telefotos de 200mm e 400mm encaixadas por cima da telefoto, você ganha alcance extra de verdade, sem zoom digital. Funciona muito bem pra fotografia de natureza ou pra fotografar a lua com o celular preso num tripé, mas exige paciência: numa sessão inteira, é bem comum descartar boa parte das fotos por causa de tremido, principalmente na lente de 400mm em ambientes muito claros, onde ela tende a estourar os realces.
Sobre vídeo, o X300 Ultra grava até 4K a 120fps, com suporte a Log de 10 bits e Dolby Vision, um pacote de videomaker sério. Fazendo vídeos caminhando é bem complicado usar a lente de 35mm, ela apesar de ter ótima estabilização, balança bastante por conta do ângulo mais fechado, você tem essa sensação. Ainda que funcione, eu preferi usar a lente de 14mm, aquela bem aberta. É um aspecto diferente, mas funciona bem para vlogs e especialmente se gravar para fazer vídeos verticais.
A câmera frontal é de 50MP, é bem competente, sem ser motivo de destaque no smartphone. Até porque todo esse kit que acompanha o produto é feito exclusivamente para usar as lentes traseiras.
Hardware e performance
O X300 Ultra vem com o Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm, em processo de 3nm. É o chip considerado hoje "o melhor" pra Android, e no AnTuTu Benchmark ele fez 4 milhões de pontos, contra 3.7 milhões do S26 Ultra no mesmo teste, demonstrando todo o potencial.
No dia a dia, o resultado é: abrir app, trocar de tela, jogar, tudo roda liso e sem engasgo. A configuração vem com 16GB de RAM e armazenamento UFS 4.1, com a versão internacional oferecendo uma única opção de 1TB, sem meio-termo pra quem quer economizar espaço.
Ainda vamos fazer os testes de jogos, apesar de não ser o foco, é notável que esse smartphone é potente o suficiente para rodar qualquer app ou game da PlayStore.
Bateria
Bateria de 6.600mAh à base de silício-carbono, com carregamento de até 100W no cabo e 40W no carregador sem fio.
Eu peguei o celular e viajei, então não tive ainda tempo de fazer o teste de bateria, mas pelo meu uso diário, com ele como meu smartphone principal eu tive capacidade de usar durante um dia, deixei sem carregar, no outro fiz muitas fotos e chegando meio da tarde ainda havia 15% sobrando. Certamente em meu uso normal, não de heavy user, ele facilmente suportaria 2 dias longe da tomada.
O carregamento também é rápido de verdade: em pouco mais de 20 minutos você já recupera perto de 60% da carga, e uma carga completa fica abaixo de uma hora.
Sistema e atualizações
O aparelho roda OriginOS 6 em cima do Android 16, e é uma skin pesada, com bastante inspiração visual no iOS, desde a central de controle até o layout de configurações. Tem bastante coisa boa: atalhos de tela dividida, barra de apps flutuante pra multitarefa, várias opções de animação e widget pra tela de bloqueio e always-on display, além de um recurso parecido com a Dynamic Island da Apple.
Só que tem bloatware, e bastante. Duas pastas inteiras de apps e jogos recomendados vêm instaladas, e a notificação persistente da V-Appstore simplesmente não pode ser desativada nem desinstalada. Isso é chato pra caramba, principalmente num aparelho desse valor. Outro detalhe pequeno que incomoda: não dá pra remover o ícone de NFC da barra de status, mesmo com tanta opção de customização disponível, parece contraditório, porque hoje em dia a gente deixa o NFC ligado o tempo inteiro (pagamento, cartão de acesso), então esse ícone fixo perde a função de "aviso".
Sobre inteligência artificial, a Jovi praticamente ignorou a onda, não empurra ferramenta de IA generativa a torto e a direito, deixando a papelada pro próprio Google e pra Play Store resolverem. Pra mim, é um misto de alívio, não tem aquele monte de coisas inúteis, por um lado, mostra falta de ambição num momento em que a concorrência (Samsung, Google) está apostando pesado nisso.
No quesito atualização, a promessa é boa: 5 anos de atualizações de Android e 7 anos de patch de segurança. Isso coloca o suporte de longo prazo do X300 Ultra entre os melhores do mercado Android hoje, ainda que abaixo da Samsung e Google.
Vale a pena?
Afinal, pra quem esse smartphone foi feito? A ideia é clara: entregar o celular mais potente, bonito, robusto e com as melhores câmeras pra fotos que eu já usei num smartphone. E nisso a Jovi acertou. Por outro lado, pagar R$ 19.999 nessa configuração com o Kit Fotógrafo incluso, aqui no Brasil, só reforça o posicionamento que a Jovi escolheu pra esse aparelho: um ótimo produto, cujo nicho é o entusiasta de fotografia que não se importa em gastar dinheiro pra ter o melhor.
Então vou ser direto, como sempre: se você é esse entusiasta de fotos e seu bolso permite, o Jovi X300 Ultra entrega isso com sobra, e o Kit Fotógrafo é algo incrível de usar, mas não é algo que você leva pra lá e pra cá com facilidade, não nos bolsos.
Se eu teria um celular assim? Acredito que se a Jovi vendesse sem o Kit fotografia, algo que ela já excluiu em reunião que participei, seria um smartphone ideal, obviamente não por esse preço.
Lembrando que esse aqui não foi totalmente um review, não deu tempo suficiente para eu produzir todos os testes, mas o que eu consegui a tempo eu trouxe, e aí curte esse tipo de smartphone.






