Review: Mouse James Donkey 325RS, um bom plug and play

Confira a nossa análise do James Donkey 325RS, um mouse que pode ser mais um excelente custo benefício internacional.

Por | @grasiel_grasel Periféricos

O interessante de participar de uma comunidade entusiasta é que você conhece várias pessoas e descobre coisas que talvez nunca conheceria se não fosse pela interação com membros com interesses parecidos com os seus. A James Donkey é uma dessas marcas que acabei conhecendo por membros do grupo Periféricos High End e provavelmente nunca ouviria falar sobre ela se não fosse por esta comunidade, tanto que você só está lendo este review porque um membro do grupo resolveu me enviar produtos da marca que havia comprado para testar.

A James Donkey vem de mais uma empresa chinesa da cidade de Shenzhen, um centro comercial importantíssimo do país. A marca foi fundada em 2014 e trabalha com mouses, teclados, mouse pads e headsets. De acordo com a ela, todos os produtos são feitos em fábricas próprias, mas o serviço de OEM para terceiros não é oferecido.

Não é muito fácil encontrar informações sobre a James Donkey na internet, ela ainda é um tanto desconhecida fora do mercado entusiasta low-end, portanto, esta é uma boa oportunidade para apresentá-la aos brasileiros. Posso dizer que o principal atrativo da marca são os seus teclados que possuem um custo / benefício muito bom, pois eles utilizam switches Gateron, que são de maior qualidade que os Outemu.

James Donkey 619, um dos teclados mais aclamados da marca.James Donkey 619, um dos teclados mais aclamados da marca.

Neste review vamos conhecer um dos últimos mouses apresentados pela marca, o James Donkey 325RS, que foi lançado em setembro de 2016 e promete ser mais um excelente custo / benefício, pois ele utiliza um dos novos sensores da Pixart, o PMW3330, que teoricamente seria uma versão melhorada do sensor utilizado nos mouses da Zowie e da Ducky, o PMW3310.

ATENÇÃO: O 325RS não é o mesmo mouse que o James Donkey 325, eles são mouses completamente diferentes, um tem um sensor ótico e outro tem um sensor a laser!

DESIGN

O James Donkey 325RS é um mouse que abusa de características de mouses baratos que o mercado já conhece, várias curvas e cortes formam a sua carcaça, no entanto, ao contrário de um mouse como o Sharkoon SGM1, isto não prejudica a sua ergonomia, pois nenhuma destas curvas é exagerada e seus cortes não ficam em posições que podem incomodar a mão.

Review: Mouse James Donkey 325RS, um bom plug and play

O mouse é confortável para qualquer tipo de pegada, seja ela palm, claw ou finger e, para falar a verdade, a pequena curvatura do lado esquerdo até dá uma segurança maior para o grip. Os botões também são muito bem posicionados, pois não atrapalham ou ficam incomodando qualquer pegada. Por mais incrível que possa parecer, o mouse não possui nenhum problema de ergonomia, ele apenas pode parecer um pouco feio para alguns usuários.

Por mais incrível que possa parecer, o mouse não possui nenhum problema de ergonomia

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Um dos aspectos mais interessantes do James Donkey é a sua parte inferior, pois ela é feita completamente em metal, ou seja, o mouse não possui skates, algo que eu sinceramente nunca havia visto antes. O curioso é que eu pensava que isto seria um grande problema no mouse, que ele não funcionaria ou até mesmo danificaria um mouse pad, mas eu estava errado, estes pés de metal funcionam absurdamente bem em mouse pads speed, garantindo um deslize tão suave que muitas vezes você estará movendo o mouse sem perceber.

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Eu infelizmente não tenho um mouse pad control para testar se o deslize é afetado por este material ou se o próprio mouse pode danificar o tecido, mas acredito que isto não ocorra.

A proteção do cabo do mouse é um dos poucos aspectos de design que decepcionam, ela é feita em nylon e acaba deixando o cabo muito duro e pouco maleável, o que atrapalha bastante a mobilidade de jogadores que não costumam utilizar um bungee para deixa-lo elevado.

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O peso do mouse também não me agrada muito, ele tem 125g e acaba desvalorizando o design do 325RS, no entanto, posso dizer que este é um dos produtos que menos senti ter a ergonomia afetada pelo peso, pois ele tem um grip muito seguro e confortável.

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A iluminação é bastante simples, pois o mouse só possui alguns leds de indicação de DPI, um led na palma e alguns outros leds na parte inferior da carcaça, apenas para dar uma estilização diferenciada. Nenhum deles apresenta uma animação RGB muito complexa, apenas o da palma fica em um ciclo de cores constante.

ESPECIFICAÇÕES

Especificações fornecidas pelo fabricante:

  • Dimensões: 133.8 x 73.4 x 41.8 mm
  • Peso do mouse: 125g
  • Ajuste de resolução: 1000 / 2000 / 3600 / 7200 dpi
  • Polling rate: 125 / 250 / 333 / 500 / 1000Hz
  • Iluminação RGB
  • 7 botões
  • Aceleração: 20G
  • Cabo de 1,8m

SOFTWARE

Eu poderia destoar por algumas linhas sobre o software da James Donkey explicando como ele funciona, mas, sinceramente? Vou me negar a fazer isso.

O software da marca é simplesmente a organização de códigos de programação mais horrível que já vi em toda a minha vidaO software da marca é simplesmente a organização de códigos de programação mais horrível que já vi em toda a minha vida, ele é terrível. Evite baixar isso em seu computador, é melhor utilizar o 325RS sem ele mesmo.

Se você quer ter uma ideia de como ele funciona, assim que você abre o software, uma música do satanás começa a tocar e o efeito sonoro de um motor de carro ligando estupra os seus ouvidos. Depois é preciso procurar o seu mouse em uma lista de produtos da marca.

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Para finalizar, eu bem que tentei, mas não consegui encontrar a bendita atualização de firmware que ele fica me avisando que preciso instalar sempre que vou para o modificador de configurações do mouse. Inclusive, essa parte do software também é bem mal feita.

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Em resumo, a minha dica é que você fique longe do software da James Donkey, pelo menos enquanto ela não faz algo completamente novo, porque a atual opção é terrível.

CONSTRUÇÃO INTERNA

A carcaça do mouse é bastante complexa, pois ela é praticamente a mesma do James Donkey 007, um modelo personalizável da marca que vem com diversas peças e partes trocáveis para modificar o grip do mouse. Este é certamente um dos motivos do seu peso elevado.

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Os switches principais do mouse são OMRON China, um modelo bastante comum na maioria dos mouses e o básico recomendável para um produto do preço do 325RS.

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O switch do scroll é um Huano Green, um switch não muito visto em outros mouses, mas que está de bom tamanho para o 325RS.

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Os switches laterais e de troca de DPI do mouse são todos modelos táteis, o interessante é que, embora que os modelos da lateral sejam aqueles bem genéricos e baratos, os de troca de dpi são de um modelo melhor, mas praticamente impossível de reconhecer. Diversas marcas fazem switches táteis muito parecidos com estes, de corpo preto, topo branco e botão amarelo, até mesmo a OMRON, mas é praticamente impossível distinguir eles, pois não existe nenhuma indicação ou numeração do modelo.

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O sensor do mouse é um dos motivos que me fizeram ter um interesse maior neste mouse, ele utiliza um PMW3330, um dos novos sensores da Pixart que promete ser uma versão melhorada do PMW3310, o sensor presente nos mouses da Zowie e da Ducky. Já recebi outro mouse com 3330 para testes, o MasterMouse S da Cooler Master, mas ainda não fiz muitos testes com ele.

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A MCU do mouse é uma iTON IF88C8T6, um modelo que aparentemente é exclusivo da James Donkey, pois ela utiliza este componente em praticamente todos os seus mouses e não consegui encontrar nenhuma informação na internet sobre a utilização dele em outro produto.

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O codificador do scroll é outro grande ponto de interrogação no 325RS, um modelo F-Switch que nunca vi antes. Procurei em todos os lugares possíveis na internet e não encontrei nada sobre ele, então, é praticamente impossível saber se ele é tão bom quanto um TTC ou tão ruim quanto um Kailh.

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Os LEDs do mouse são todos SMD bem pequenos, é pela simplicidade deles que a iluminação do mouse é tão modesta, isto aliado à MCU do mouse, que provavelmente também é bem fraca.

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As soldas do mouse são bem-feitas e seus componentes são muito bem organizados. É muito bom ver que a James Donkey se preocupa com estes detalhes, mostrando capricho na construção de seus produtos.

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TESTES

Se você tem alguma dúvida a respeito de termos técnicos, recomendamos que leia nosso artigo sobre o que um bom mouse precisa ter clicando aqui.

MS Paint

Com o Microsoft Paint fazemos dois testes muito importantes, os de jitter e prediction que são, respectivamente, avaliações que verificam se o sensor do mouse sofre com alguma distorção (o que deixa as suas linhas “tremidas”) e também se ele tem algum tipo de sistema que tenta simular linhas retas perfeitas, o que você certamente não quer em um jogo de precisão, pois os movimentos humanos não são perfeitos.

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Nos testes do paint o mouse se sai muito bem, ele praticamente não apresenta nenhum sinal de jitter ou prediction, mostrando o poder e o futuro promissor do PMW3330, que certamente vai aparecer em mais mouses de elite do mercado.

Enotus Mouse Test

No Enotus realizamos mais dois testes, a frequência com que o mouse se comunica com o computador, o que nos dirá também o tempo de resposta dele com a máquina, e também a velocidade máxima que o sensor é capaz de captar. Bons resultados devem mostrar um Polling speed acima de 500Hz (2 milissegundos de atraso) e no mínimo a 2m/s em Max speed.

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No Enotus o mouse se sai muito bem, ele possui uma fidelidade excelente no tempo de resposta tanto em 500hz (poling rate nativo do mouse) quanto em 1000hz, ficando com uma média muito boa de 5.20 m/s de velocidade de rastreio em ambas as frequências de atuação.

Mouse Tester

O Mouse Tester nos mostra resultados um pouco mais técnicos e muito importantes, a consistência do sensor e o teste de aceleração para sabermos se o mouse possui algum tipo de alteração em seu rastreio em relação à velocidade que o movemos.

Consistência

No teste de consistência vamos verificar se o sensor possui algum tipo de alteração em seu rastreio, portanto, as linhas são o trajeto percorrido pelo mouse em relação ao tempo e as bolinhas são os registros do mouse sobre sua posição, quanto mais próximas da linha, mais preciso é o sensor.

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Em 500hz o mouse funciona muito bem, ele possui resultados excelentes mostrando um rastreio praticamente livre de distorções, no entanto, os resultados não são os mesmos quando vemos os testes em 1000hz:

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Trabalhando na faixa de 1000hz, o 325RS começa a apresentar algumas distorções bastante chatas, as quais não deveriam ocorrer em um sensor tão recente. Verifiquei alguns testes do sensor em outros mouses e isto não acontece, ou seja, a James Donkey não fez um bom trabalho na implementação deste componente. Talvez seja por isto que a marca escondeu a opção de utilizar o mouse em 1000hz em seu software terrível.

Aceleração

A aceleração é um problema comum apenas em mouses de baixíssima qualidade, no entanto, é extremamente importante verificar se ele possui algum tipo de alteração em relação a velocidade que é movimentado, pois taxas altas podem atrapalhar seu desempenho em jogos que exigem precisão, como Counter Strike, por exemplo.

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O sensor do 325RS apresenta um pouco de aceleração negativa, ou seja, ele possui algum problema de pixel skipping quando movimentado muito rapidamente. O problema certamente não ocorre por perda de informações, pois ele possui uma velocidade máxima de rastreio excelente. Isto não chega a ser um problema, pois a perda de informações é quase insignificante, mas existe.

Espero ver mais mouses utilizando este sensor em breve, pois acredito que os problemas dos testes do 325RS certamente não vão ocorrer em melhores implementações do PMW3330.

DESEMPENHO

Tenho que admitir que o James Donkey 325RS me surpreendeu. O mouse de fato é bom e o seu design agressivo não chega nem perto de ser desconfortável como pensei que seria assim que o vi pela primeira vez, portanto, se você me perguntar se o 325RS é um bom produto na categoria, eu direi que sim, mas ele certamente tem suas limitações.

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A extrema dificuldade de modificar as faixas de DPI do mouse por ter que simplesmente abrir o software terrível da marca foi o que mais me incomodou, afinal, como sua menor resolução nativa é 1000 DPI e eu costumo utilizar este valor na casa dos 800 DPI, tanto jogando quanto utilizando casualmente o computador. Posso dizer que o único fator que me causou algum desconforto foi este.

Eu poderia ficar um bom tempo só falando sobre quão bem o mouse funciona em 500hz e que 2 milissegundos de tempo de resposta não fazem tanta diferença, mas, convenhamos amigos, se você lança um mouse em 2016 com um sensor que oferece a possibilidade de atuar em 1000hz, não existe desculpa que justifique os erros da James Donkey, afinal, quem está na chuva é para se molhar.

O James Donkey 325RS funciona bem como um plug and playDe maneira geral, o James Donkey 325RS funciona bem como um plug and play, pois as suas configurações nativas são o básico que qualquer jogador precisa. Em minhas jogatinas de Counter Strike: Global Offensive, não senti meu desempenho sendo afetado pela utilização dele em 500hz, portanto, se você não se importa com isto, talvez a fraca implementação do sensor em 1000hz não seja tão ruim.

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O Lift Off Distance do mouse é um dos aspectos que mais me agrada, ele chega a menos de 1 CD e, vendo as limitações da implementação da James Donkey, acredito que seja fácil atingir esta marca com um PMW330, o que é excelente principalmente para mouses de uma marca como a Zowie, que prioriza um LOD melhor em troca de uma menor tolerância de superfícies com os seus PMW3310.

VEREDITO

O James Donkey 325RS é um bom mouse de entrada, seus componentes são de qualidade e sua construção é muito convincente, mas o seu desempenho está longe de ser o que um PMW3330 deveria oferecer, e isto não reflete no seu preço, afinal, um produto que possui este componente não terá o seu preço reduzido simplesmente pela marca não ter feito um bom trabalho em sua implementação, muito pelo contrário, você obviamente vai pagar o preço de seu custo e mais uma margem de lucro.

Se você está procurando um mouse custando uma média entre R$100 e R$150, o 325RS definitivamente não é um mouse ruim, mas, por ser uma opção que ainda depende de importação, pense muito bem antes de escolhê-lo, afinal, existem mouses que utilizam os mesmos componentes (ou até melhores), são tão baratos quanto ele e tem disponibilidade aqui no Brasil, como o MasterMouse S da Cooler Master, que custa cerca de R$150 e tem uma implementação muito melhor do PMW3330.

Review: Mouse James Donkey 325RS, um bom plug and play

Caso você tenha se interessado pelo James Donkey 325RS, você pode encontra-lo na Amazon atualmente por US$34,99 mais frete. É provável que você pague uma média de R$170 no preço final do mouse, lembrando que ele pode levar cerca de um mês para chegar até a sua casa.

Agradeço ao Arthur Pinheiro por ter me emprestado o 325RS para testes, espero poder testar mais produtos da James Donkey em breve. Se você quiser saber mais sobre a marca, clique aqui para acessar o site deles.

Notas

  • 0 4 6 8 10
  • Implementação do Sensor
  • Switches principais
  • Codificador do Scroll
  • Ergonomia
  • Switches extras
  • Construção interna
  • Peso
23° em nosso ranking
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  • Motospeed V30
  • James Donkey 325RS
  • Logitech G402 Hyperion Fury
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Mais sobre: jamesdonkey, mouses, perifericos
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