É a primeira vez que analisamos um produto da Mancer aqui no Oficina da Net, então vale um pequeno disclaimer: a Mancer, assim como a TGT Gaming, é uma marca da Pichau. Publicam diversos produtos voltados ao público gamer, como headsets, watercoolers, cadeiras, etc. Então sempre que ver um produto da marca Mancer, saiba que é apenas um branding da Pichau - da mesma forma que a Kabum lança produtor através da Husky, por exemplo.

Review Mancer Tauri - Pichau

Sobre os mouses com furos

Quando os mouses com design honeycomb (furados) começaram a ganhar popularidade no mercado, muita gente ficou com o pé atrás, classificando o design apenas como uma modinha desnecessária. Questionavam a necessidade dos furos, e também a questão do mau funcionamento, em vista do pó e sujeira que adentrariam aos interiores do mouse. Agora que alguns anos se passaram e o design está estabelecido no mercado, com diversas marcas lançando modelos honeycomb diferentes, temos algumas informações que você precisa saber: Os furos são mais uma questão estética do que redução de peso, já que existem diversos mouses ultra-leves hoje em dia no mercado que não possuem o design furado, como o Razer Viper Mini, DeathAdder V2, Logitech G PRO X Superlight, entre outros.

Já na questão limpeza, todo periférico fica sujo. Claro que se você tem uma família de gatos em casa, fuma, mora numa região seca, com bastante poeira, ou simplesmente enche a mão de doritos sempre que morre no CS:GO, terá de limpar seu mouse e teclado com maior frequência, mas no geral, é uma questão de tempo de uso. Nesse quesito, os mouses furados sao até mais fáceis de limpar, principalmente com ar comprimido. Então lembre-se: design de mouse furado é marketing e estética, não só redução de peso.

Com isso fora do caminho, vamos ao que interessa.

Construção Externa e Design

Fora o design honeycomb e o formato extremamente semelhante ao Zowie EC1, pouco pode ser dito sobre a aparência externa do Mancer Tauri. O que não é necessariamente um lado negativo. Muito pelo contrário. Já passou a era dos mouses gamers com botões extras em todos os cantos e modinhas de marketing como o "botão sniper" e pesos removíveis. Obviamente, é tudo questão de gosto pessoal (nada errado em gostar de um mouse de procedência duvidosa que brilha feito Kriptonita), mas estamos nos referindo a tendências de mercado - que estão seguindo um design mais minimalista, como é o caso do nosso Mancer Tauri.

Mouse Mancer Tauri | Design
Mouse Mancer Tauri | Design

Acessibilidade

O Mancer Tauri não é um mouse para uso ambidestro. Além dos botões extras estarem na lateral esquerda, o próprio formato do mouse o torna utilizável apenas para destros.

Mouse Mancer Tauri | Lateral
Mouse Mancer Tauri | Lateral

Pés e botões

Embaixo do mouse encontramos pés brancos em PTFE 100% (infelizmente não acompanha pés extras na embalagem) e dois botões, um para mudar a taxa de Polling e o outro de DPI. Pela qualidade e tamanho generoso dos pés, o mouse desliza lindamente pelo mousepad.

Mouse Mancer Tauri | Botões inferiores
Mouse Mancer Tauri | Botões inferiores
Mouse Mancer Tauri | Pés
Mouse Mancer Tauri | Pés

Iluminação

No quesito iluminação RGB, o mouse contém uma fina linha luminosa na base, dando um toque bem elegante de underglow ao produto. Vale ao gosto pessoal, mas é bom encontrarmos uma iluminação RGB minimalista como essa, para as pessoas que não se contentam com um setup escuro, mas também não querem jogar num setup "árvore de natal". Ponto positivo para o Tauri.

Mouse Mancer Tauri | Iluminação RGB
Mouse Mancer Tauri | Iluminação RGB

Cabo

O cabo em paracord pode parecer boa notícia, mas não nesse caso. Extremamente duro e inflexível, chega até a atrapalhar. Perde pontos aí, até um cabo de borracha convencional seria melhor.

Mouse Mancer Tauri | Cabo
Mouse Mancer Tauri | Cabo

Pegadas

Apesar do peso, o mouse não é pequeno. Possui um formato bem convencional e confortável para as pegadas Claw e Fingertip. Para usuários de mãos grandes e pegada Palm, cuidado. Os dedos ficam sobrando na frente. Mas se sua mão é pequena ou mediana, não deve encontrar desconforto.

Abaixo uma demonstração das três pegadas no mouse:

Mouse Mancer Tauri | Pegadas: Claw, Fingertip e Palm respectivamente
Mouse Mancer Tauri | Pegadas: Claw, Fingertip e Palm respectivamente

Componentes

  • Modelo do Sensor: Pixart PMW3360
  • Switches principais: Kailh GM 4.0 60M
  • Codificador do Scroll: Mecânico Kailh
  • Switch do scroll: Huano Green
  • Peso: 60g
  • Taxa de atualização: 1000Hz
  • Possui software?: Sim
  • Botões extras: 2 botões extra
  • Pegada: Claw e Finger
  • Mancer Tauri - Ficha técnica completa

Sensor

Um dos maiores fortes do Mancer Tauri é o sensor Pixart PWM3360, que já foi testado e aprovado em diversas reviews aqui no Oficina da Net. É normalmente encontrado em mouses numa faixa de preço muito maior, como o Fallen F70.

Switches

A Pichau optou por utilizar switches mecânicos resistentes a double click, os Kailh GM 60M, já bem conhecido pelos entusiastas. Apesar de não serem switches ópticos como os utilizados no Pichau Hive e Redragon King Cobra, cumprem bem o seu papel.

Scroll-wheel

A scroll-wheel é excelente, silenciosa, tátil e macia. Porém, é aqui que também encontramos, na minha opinião, o maior ponto negativo do mouse, o click do scroll. É necessário fazer um esforço consciente para apertar um simples botão. A tarefa torna-se uma decisão, uma meta: "agora eu preciso apertar o mouse3, você consegue, vamos lá."

Se eu estivesse utilizando outro mouse com esse mesmo problema, reprogramaria o click do mouse3 para um dos outros botões que ficam abaixo da scroll-wheel - botões extras que infelizmente o Tauri não possui.

Desempenho

Consistência

No teste de consistência, as linhas representam o trajeto em que o mouse percorre e as bolinhas são os registros do mouse sobre o seu posicionamento atual. Enquanto mais próximo da linha ficarem as bolinhas, melhor o resultado.

Teste de consistência | 400 DPI
Teste de consistência | 400 DPI
Teste de consistência | 1200 DPI
Teste de consistência | 1200 DPI
Teste de consistência | 4000 DPI
Teste de consistência | 4000 DPI

Nesse teste ele se sai muito bem, demonstrando apenas pequenas variações, mas apresentando consistência entre as variaões de DPI. A Pichau implementou bem o sensor PMW3360 e o mouse passa no teste.

Aceleração

Já no teste de aceleração, é importante que o trajeto percorrido pelo mouse na ida seja o mesmo da volta, independente da velocidade que você flickou. Se ele retornar no mesmo ponto do eixo X que partiu, o mouse não tem aceleração - o resultado que buscamos.

Teste de aceleração | 800 DPI
Teste de aceleração | 800 DPI

Repeti o mesmo teste dezenas de vezes, e em todas o Tauri apresentou uma levíssima aceleração positiva. Não deve interferir na jogatina, mas é replicável em teste.

Pixel Shifting

No teste de pixel Shifting, testamos no MS Paint se durante movimentos circulares o mouse é capaz de manter-se no centro, sem dar as famosas caminhadas para fora, resultado da aceleração.

Teste de pixel shifting | 800 DPI
Teste de pixel shifting | 800 DPI

Neste teste já não é possível notar a aceleração positiva encontrada no teste anterior, comprovando que é realmente uma aceleração negligenciável. Tudo certo, o Tauri passa em todos os testes.

Software

O mouse possui um software próprio, permitindo ao usuário que configure as cores do RGB, mude as configurações dos botões, ajustes de DPI, Polling Rate, macros, etc. É simples, porém funcional. Um ponto positivo para a Mancer, que lançou o software junto com o mouse, sem atrasar (É para você mesmo que falo, T-Dagger).

Software Mancer
Software Mancer
Software Mancer
Software Mancer
Software Mancer
Software Mancer

Veredicto

A missão principal do Mancer Tauri é trazer componentes e características de mouses high-end num preço acessível, semelhante à marca Redragon. Por isso devemos ficar atentos aos preços: quando comecei a fazer essa review. o mouse podia ser encontrado por R$ 260,00 no site da Pichau, caríssimo. Em menos de 24 horas, era possível comprá-lo por R$ 169,00 no mesmo site, bem melhor. Seu lugar realmente é entre os R$ 100,00 e R$ 180,00 - que é onde ele compete melhor.

O lançamento do Tauri entra para competir na disputada categoria de "mouse custo-benefício" do Brasil. E de fato, existem diversas opções tão boas quanto ele nessa faixa de preço. Podemos encará-lo como uma versão mais barata do famoso Pichau Hive, já que ambos possuem o mesmo formato e pesam exatas 60g. O valor extra que você pagaria num Hive seria pelo sensor mais avançado e, principalmente, os switches ópticos. No momento em que escrevo essa review, o Hive está quase o dobro do preço de um Tauri, então cabe a você decidir se vale o investimento extra.

Ao escolher um mouse hoje nessa faixa de preço, o principal concorrente do Mancer Tauri é o Redragon King Cobra. Ambos possuem o mesmo sensor, mas o King Cobra utiliza Switches ópticos. A scroll-wheel do King Cobra é de melhor qualidade e o mouse também conta com três botões extras a mais. Mas perde num fator: peso. O Tauri é definitivamente o mais leve entre a concorrência, então se estiver procurando um mouse ultra leve de qualidade, leve-o para casa. Recomendo-o para qualquer usuário que goste ou queira experimentar o estilo de design honeycomb ultra-leve, sem abrir mão de sensores e switches high-end.

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