O Moto G67 é o celular mais contraditório que eu testei esse ano. Por um lado, a tela deu um salto absurdo de qualidade, saindo de LCD e chegando finalmente ao AMOLED com brilho de topo de linha e muita resolução.

Mas para a tela melhorar, a Motorola teve de economizar em outras partes, e tem três pontos onde ele é PIOR que o antecessor Moto G57.

Bora descobrir se essa troca de prioridades vale a pena, ou se compensa mais deixar esse Motorola de lado e comprar outro celular.

Construção e Design

Esse ano a Motorola resolveu dar uma leve retocada no design de seus intermediários. Continua com aquele visual clássico de quatro módulos, mas a curvatura ficou para fora, ao invés de para dentro. É uma diferença minuscula no design, mas é impressionante a diferença que fez. Ficou bem mais bonito, na minha opinião.

A lateral continua em plástico e a traseira em "polímero de silicone", também chamado de couro vegano. Como sempre, a Motorola caprichando muito na construção e acabamento do celular. Apesar de ser um modelo de entrada, tudo é bem encaixado e sem rebarbas.

Essa foi a primeira coisa que eu pensei quando tirei ele da caixa. É um celular grande, sim, mas é fino e leve. Em relação ao antecessor, Moto G56, o novo celular tem 1 milimetro a menos de espessura e 18 gramas mais leve. Pode parecer pouca coisa, mas faz bastante diferença na hora de manusear.

O problema é que, para chegar nesse peso e espessura, a Motorola teve de sacrificar a entrada P2. Aqui encontramos o primeiro ponto onde ele piorou em relação ao Moto G57 - perdeu a tão amada conexão 3.5mm para fones cabeados.

Nas cores, a Motorola deu uma maneirada e só oferece duas opções: verde claro ou chumbo. Eu geralmente prefiro tons mais neutros no celular, e esse modelo em "chumbo" ficou muito bom.

Na parte de cima tem a logo "Dolby Atmos", empresa parceira da Motorola no que diz respeito ao áudio. Aqui tem também um microfone e uma saída de som. Na lateral temos três botões, dois de volume e um power. Embaixo encontramos uma das saídas de som, entrada USB-C e outro microfone.

O som é estéreo, os dois speakers funcionam com a mesma potência. A qualidade é boa, principalmente se você manter o volume abaixo dos 50%. Acima disso, é bem alto, mas a qualidade piora muito, o que já era de se esperar para um aparelho dessa categoria.

A gavetinha de chip está localizada na lateral, e aqui cabem dois chips físicos, ou um chip e um cartão de memória. Bem legal da Motorola em manter essa função de armazenamento expansível, poucos celulares tem isso hoje em dia. Ah, e se você preferir, pode substituir um dos chips físicos por um chip virtual e-SIM.

O Moto G67 também tem NFC, então suporta pagamentos por aproximação. E apesar do preço baixo, ele tem sim suporte a redes 5G. Ou seja, diferente dos baratinhos da Xiaomi, o Moto G67 vem completo no quesito de conectividades. Nada ficou faltando.

Proteção

O ponto que eu mais elogiei o Moto G56 na review foi a durabilidade, e infelizmente houve um retrocesso no novo celular: o Moto G67 possui certificação IP64, contra poeira e respingos de água mas não é certificado para imersão completa igual o antecessor.

Apesar disso, ele mantém o padrão militar STD-810H e vidro Gorilla Glass 7i, mas considerando que danos por umidade é uma das principais causas de morte precoce de celulares, eu não gosto de ver a Motorola regredindo nesse quesito. Se o Moto G56 era praticamente à prova d'água, o novo Moto G67 também precisa ser.

Ah, uma curiosidade que eu descobri: o Moto G67 tem tela Water Touch. Mesmo jogando água na tela e usando com a mão molhada, ele continua respondendo perfeitamente a todos os toques. Esse tipo de coisa você só descobre usando o celular de verdade.

Tela

Apesar do antecessor Moto G56 mandar muito bem na durabilidade, o ponto que eu mais critiquei nele foi a tela. Era uma painel LCD ultrapassado e com pouco brilho, ma isso foi corrigido no novo celular: agora o Moto G67 vem com tela do tipo AMOLED, oferecendo contrastes, cores e ângulos de visão muito superiores a qualquer tela LCD.

No começo da análise eu comentei que o Moto G67 é fino, e isso é verdade, mas com tela de 6.78 polegadas, ele está longe de ser um aparelho compacto. É uma tela bem grande e com bordas finas, então é muito boa de assistir filmes, vídeos, qualquer conteúdo fica top nesse telão. O lado negativo é que é o celular não é muito bom de manusear com apenas uma mão, mas hoje em dia, praticamente todos são assim.

Outro ponto positivo na tela é que resolução também aumentou, foi de FULL HD+ para resolução 1.5K. Esse aumento de nitidez é bem vindo, principalmente em telas grandes como essa aqui.

Tem também o brilho, a Motorola afirma que o Moto G vai até 5.000 nits de pico máximo em conteúdos HDR, então é uma tela absurdamente nitida e brilhante, uma das melhores do mercado e certamente o melhor display nessa faixa de preço.

E pode até parecer que eu estou elogiando demais, mas é importante dar crédito onde o celular merece, afinal, a tela é o maior ponto positivo do Moto G67. Agora, avançando mais na análise, tá chegando a hora de falar de pontos onde esse Moto G deixa a desejar.

Performance

Entramos agora no terceiro ponto onde o novo Moto G piorou em relação ao celular do ano passado, a performance.

O negócio é o seguinte: para lançar um celular com tela AMOLED e ainda assim manter o preço baixo, a Motorola teve que sacrificar outros aspectos desse aparelho. Quem tomou o maior penalti com certeza foi o desempenho. O Moto G67 vem com processador Dimensity 6300 da Mediatek, um chip mais fraco que o Dimensity 7060 do Moto G56.

No processamento bruto, esse celular pontua 562 mil no aplicativo AnTuTu versão 11, contra os 680 mil do Moto G56. É uma diferença pequena, mas considerando que a performance do G56 já não era lá essas coisas, eu não fico feliz em ver o novo celular regredindo, ao invés de evoluir.

Para piorar, esse celular tem apenas 4 GB de memória RAM. Você com certeza já deve ter visto eu e outros YouTubers dizendo que não vale a pena celular com 4 GB de RAM hoje em dia, e de fato, é metade da memória que eu recomendo para usar o celular sem travamentos. Mesmo assim, eu fiz alguns testes para você mesmo julgar se o Moto G67 é usável ou não.

Abrindo a câmera e tirando várias fotos, notem que o celular abre rápido o aplicativo, mas trava ao tirar fotos. É um teste simples, mas essa é uma das tarefas mais difíceis e pesadas que exigimos dos celulares todos os dias.

Ao abrir vários aplicativos ao mesmo tempo, a memória RAM não consegue manter todos em primeiro plano, então precisa recarregar do zero quando voltamos de um para o outro. Isso não aconteceria se o celular tivesse mais RAM e também um processador melhorzinho.

A boa notícia é que a interface da Motorola é bem leve - provavelmente a mais otimizada das principais marcas - então para uso leve, o Moto G não vai sofrer igual um Samsung de 4GB, por exemplo. Para ser bem honesto com vocês, eu até me surpreendi um pouco com a agilidade do Moto G67. Pelas especificações, eu esperava resultados piores. Mas a real é que, nessa faixa de preço dos 1.000 a 1.400 reais, existem aparelhos que dão de 10 a 0 no Moto G67. No final do vídeo, na parte dos concorrentes, eu vou falar mais sobre isso.

Bateria

Na bateria, a Motorola manteve a capacidade em 5.200mAh e carregamento de 30W do Moto G56. Aquele celular terminou o nosso teste de bateria com 14% de carga sobrando, o que é um resultado razoável. Com o novo Moto G67, a tela AMOLED gasta menos bateria, então ele conseguiu terminar o teste completo de 8 horas com 23% de carga ainda sobrando. Agora sim, bem melhor. É autonomia suficiente para usar um dia todo sem precisar ficar se preocupando com carga.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
38°Samsung Galaxy M52 5G5.0007307:45h01:30h
39°Motorola Moto G855.0007307:45h01:16h
40°Motorola Moto G675.2007307:45h01:13h
41°Realme 95.0007307:45h02:25h
42°Samsung Galaxy M14 5G6.0007307:45h02:20h
91°Samsung Galaxy A55 5G5.0008507:45h01:46h
92°Motorola Moto G755.0008607:45h01:21h
93°Motorola Moto G56 5G5.2008607:45h01:16h
94°Realme C71 5G5.0008607:45h01:05h
95°Xiaomi Redmi Note 15 5G5.5208607:45h00:57h

No tempo de carregamento, ele levou 1 hora e 12 minutos para encher a bateria do 0 até 100%. Considerando que usamos o carregador de 30W que vem junto, podia ser mais rápido, na minha opinião.

Câmeras

Falando agora de câmeras, o Moto G67 mantém o mesmo conjunto do antecessor, com um sensor principal da Sony de 50 MP, uma ultrawide de 8 MP e selfie de 32 MP. Eu tirei várias fotos lado a lado com outro celular da Motorola, o Edge 70 Fusion. O objetivo aqui é descobrir o que a gente perde no quesito câmeras optando por um celular mais barato da Motorola.

A boa notícia é que, de primeira vista, as fotos dos dois saíram bem parecidas. Em ambientes com boa iluminação, o Moto G67 consegue bons resultados.

As diferenças estão nos detalhes, olha só: de primeira vista, essa foto parece igual nos dois, mas enquanto mais você olha, pior fica para o Moto G67. Com zoom nas poltronas, note que o Edge 70 Fusion conseguiu pegar certinho os detalhes da imagem - especialmente na textura da madeira. Já o Moto G transformou tudo num blur e com bastante ruído.

A principal diferença entre as fotos dos dois é a profundidade. Nessa da moto, o HDR do Edge 70 Fusion captou melhor os detalhes, mantendo o contraste das partes escuras, enquanto o Moto G clareou tudo.

A foto que melhor ilustra essa diferença de profundidade foi essa da piscina. Notem que a do Moto G67 parece um desenho 2D, enquanto o intermediário captou bem as sombras da água, resultando numa imagem mais realista.

Claro que esse comparativo não é justo: o Edge 70 Fusion é bem mais caro, mas mesmo assim, é interessante colocar lado a lado e ver o quanto as câmeras da Motorola evoluíram, mas só nos celulares acima de R$ 1.500 reais.

Com os baratinhos, como o nosso Moto G67, as fotos não são ruins, mas mesmo assim, a gente quer ver evolução em todas as faixas de preço.

Eu tirei algumas fotos noturnas também, e aqui os problemas são os mesmos, mas ainda pior. O gramado na frente de casa ficou completamente diferente, nem parece que tirei as duas fotos juntas.

Imagem da galeria
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Mas nem tudo é ruim: vale mencionar que a ultrawide do Moto G67 funcionou melhor, até mesmo na foto noturna. Aqui foi onde o intermediário da Motorola exagerou demais na exposição. Acontece.

Outro ponto onde o Moto G67 se sai bem são as selfies. Tem duas diferenças principais entre as fotos: a nitidez do Moto G ficou maior e as fotos saíram mais frias, enquanto as do Edge 70 Fusion ficaram menos nitidaz e mais quentes. Dois resultados diferentes, digite aí nos comentários qual dos dois tirou as melhores selfies. Digita mesmo, eu leio todos os comentários e quero muito saber a opinião de vocês.

Muita gente pede para gravar vídeo testando a estabilização, e aqui está. Não é a melhor estabilização que a gente já viu, mas com certeza não chega a ser ruim igual os baratinhos da Xiaomi, por exemplo. É um nota 6, está na média.

Sistema e atualizações

O Moto G67 vem rodando Android 16 de fábrica sob a interface Hello UI da Motorola. Eu pesquisei bastante e não consegui encontrar um número oficial de tempo de atualização, mas alguns sites afirmam que são 2 anos de Android e 4 de segurança. Honestamente, deve ser esse tempo mesmo. Se a Motorola não publica o tempo de atualização, pode apostar que não vai ser mais de 2 anos.

Quanto a interface, é a nossa querida Hello UI de sempre. Tudo está aqui, com personalização acessível, e uma experiência de uso bem próxima do Android puro.

Conclusão

Depois de alguns dias usando, fica claro que o Moto G67 não é um upgrade linear em relação ao Moto G56, mas sim, uma troca de prioridades. Ele resolve a maior reclamação que eu tinha com o modelo anterior, a tela LCD agora virou AMOLED. Isso foi legal de ver, pena que perdeu a resistência a submersão em água, entrada P2 e a performance piorou.

A questão é que, nessa faixa de preço entre 1.000 e 1.400 reais, o brilho do Moto G67 é ofuscado por outro celular da Motorola, o Moto G86.

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Apesar do visual diferenciado, eles tem muito em comum: a bateria é a mesma, o peso também, a tela é tão boa quanto e em conectividades ambos tem eSIM, NFC, 5G e por aí vai. A diferença principal é na performance, sai o Dimensity 6300 e entra o Dimensity 7300, um processador intermediário bem superior. Some isso aos 8GB de RAM, e você tem uma experiência de navegação muito melhor, sem travamentos.

O Moto G86 apareceu no nosso grupo de ofertas por R$ 1.362 há poucos dias atrás, e esse preço é da versão de 256GB. Provavelmente o melhor custo benefício do momento, na minha opinião.

Outro celular que vale a pena ficar de olho nas promoções é o intermediário da Samsung, o Galaxy A36. Já que o A37 já saiu, eles querem limpar os estoques do celular do ano passado, então ele aparece em promoções por R$ 1.100. O Galaxy A36 tem proteção contra submersão em água, construção premium em vidro, 6 anos de atualização, e a melhor parte, tem uma performance bem melhor que a do Moto G67, graças ao processador e também aos 6 GB de memória RAM na versão mais barata.

A moral da história é que, se você encontrar o Moto G67 por menos de mil reais, aí sim, pode ser uma boa compra, principalmente para quem prioriza a qualidade da tela. Mas considerando que ele está R$ 1.400 no dia que gravo esse vídeo, não faz sentido, e vale muito mais a pena tanto o Moto G86 quanto o Galaxy A36.