Você tem 2 mil reais e três opções: o Motorola mais fino e com a melhor tela, o Samsung com seis anos de atualização garantida, e o POCO que roda tudo. Qual deles você ainda vai estar feliz de ter comprado daqui a dois anos? Testei os três lado a lado, e a resposta depende de um detalhe.

Antes de qualquer coisa, os preços, porque é deles que depende cada palavra que eu vou falar daqui em diante.

O Galaxy A57 está saindo hoje por cerca de 1.800 reais. O Motorola Edge 70 está entre 2.000 e 2.200 reais, dependendo do dia e da loja. E o POCO X8 Pro está em 2.200 reais.

Ou seja, a distância entre o mais barato e o mais caro é de 400 reais. Parece pouco, mas é exatamente essa diferença que decide qual dos três vale a pena.

Câmeras

As câmeras
As câmeras
Assista o vídeo para ver as fotos

Já que um dos pontos que mais diferencia os três é as câmeras, eu trouxe elas logo para o início do vídeo. E eu não fui atrás de ficha técnica. Levei os três ao mesmo tempo, para as mesmas cenas e comparei foto por foto o que cada um realmente entregou.

Já na primeira selfie o padrão apareceu. O Edge 70 puxa a pele para o amarelo, o A57 acerta o equilíbrio e ainda ilumina melhor o rosto, e o X8 Pro sai mais frio, mas sem lavar a imagem mesmo com o céu aberto atrás de mim.

Na cena externa das dá para ver a personalidade de cada um: o Motorola fecha o contraste até ficar quase escuro demais, o Samsung também contrasta bastante mas esquenta o tom, e o POCO abre a imagem e fica o mais claro dos três. Esse padrão, Motorola fecha, Samsung esquenta, POCO abre, se repete o dia inteiro. Na fachada o Edge 70 fez o melhor balanço de branco, com cores mais reais, o A57 deixou o beiral com uma leve tendência a verde, e o X8 Pro entregou uma imagem mais lavada e menos contrastada.

No retrato de tarde quem ganha é o A57, com folga: melhor iluminação de rosto, cor mais fiel e a nitidez mais alta dos três. O Edge 70 nessa mesma cena escorregou feio, a pele saiu amarela demais, tipo desenho. O X8 Pro ficou no meio, com contraste alto no rosto e tom mais frio. E a foto que eu considero a melhor do teste inteiro é a da piscina, tirada pelo Edge 70: cor real, nitidez excelente tanto na água quanto na vegetação. O A57 deixou a piscina mais verde do que estava de verdade, e o X8 Pro simplesmente borrou a água com um processamento pesado demais, além de exagerar no contraste da vegetação.

E é na ultrawide do estúdio que a diferença de megapixel vira diferença visível. O Edge 70 grava essa lente em 4080x3060, 12,5 MP. O A57 grava em 4000x3000, 12 MP. O X8 Pro despenca para 2448x3264, ou seja, 8 MP, e a cor também fica mais chapada nessa foto.

De noite o jogo muda. Repeti a mesma fachada que fotografei de dia, às 18h54, e o Edge 70 manteve o tom mais quente de sempre, o A57 perdeu nitidez bem na viga com o número 14, que era o ponto de foco da cena, e puxou para o frio, e o X8 Pro foi o único que reproduziu a luz exatamente como eu estava vendo ao vivo. Na foto do carro se repete: o Edge 70 esquentou de novo e deixou o chão com um verde estranho, o A57 ficou mais frio e com boa nitidez mas mostrou ruído nas sombras perto do vidro, e o X8 Pro de novo acertou a cor real da cena, com boa nitidez.

Na cena interna a ordem se inverte: o Edge 70 mantém a nitidez ótima mas deixa a parede ao fundo quase verde, o A57 fica um pouco mais claro e com cores mais controladas, e dessa vez quem fica para trás é o X8 Pro, com um tom mais frio do que deveria. No retrato noturno é empate técnico com estilos diferentes: o Edge 70 clareia o rosto quase demais e suaviza a pele, mas o recorte fica bonito, o A57 corta um pedaço do óculos no recorte só que ilumina bem e com nitidez boa, e o X8 Pro é o mais escuro e contrastado dos três, com bastante nitidez e um recorte também bom.

Minha classificação final de câmera, considerando o pacote completo: em primeiro lugar o Edge 70, porque tem a melhor ultrawide, a melhor nitidez nas cenas de destaque e a cor mais fiel para paisagem e objeto, mesmo pecando na pele. Em segundo o Galaxy A57, o mais equilibrado, com o melhor retrato de dia, mas que perde força à noite com perda de nitidez. E em terceiro o POCO X8 Pro, que surpreende e vence em fidelidade de cor na baixa luz, mas às vezes peca em fidelidade de cor com bastante iluminação.

Mas é importante deixar ciente que os três aparelhos fazem ótimas fotos, e se não fosse lado a lado seria difícil escolher qual é melhor.

Design, construção e proteção

Design e construção
Design e construção

Vamos pela ordem em que você conhece o aparelho: a mão.

O Edge 70 é o mais impressionante dos três, e não é nem discussão. São 6,33 milímetros de espessura e 163 gramas. Ele não parece o tijolo que a gente se acostumou a carregar por causa das baterias gigantes. Traseira com textura, módulo de câmera embutido em metal escovado. Confesso que eu achava o módulo do Edge 60 mais bonito, essa cara de 2026 da Motorola não me ganhou, mas isso é gosto.

O que não é gosto é a resistência. O Edge 70 tem IP68 e IP69. O IP69 é o nível que aguenta jato de água quente sob pressão, não é só respingo de chuva. Junto disso vem o padrão militar MIL-STD-810H, testado em 16 categorias, e Gorilla Glass 7i na frente. Normalmente você escolhe entre fino ou resistente. Aqui você leva os dois, e é o ponto de hardware que mais me agradou no aparelho.

O POCO X8 Pro é o maior salto de geração dos três. A POCO tinha fama de economizar na construção para sobrar potência, e acabou com isso: as laterais agora são de alumínio, com acabamento lisinho que lembra Apple e Samsung, e a tampa traseira deixou de ser plástico para virar vidro Gorilla Glass 7i fosco. A proteção é IP69K, a mais alta que existe para eletrônico. Ele também ficou mais compacto, com tela de 6,59 polegadas contra 6,67 da geração anterior. Tem dois anéis de LED RGB em volta das câmeras, que dá para configurar para notificação e carregamento. Na caixa já vem película aplicada de fábrica e capinha de silicone.

O ponto negativo dele aqui é a gaveta: são dois chips físicos e só. Sem eSIM, sem cartão de memória.

O A57 é o mais bem acabado da história da linha A, e isso é elogio de verdade. Ele ficou mais fino que o A56 e 20 gramas mais leve, o que na mão é muito perceptível. As bordas da tela diminuíram bastante, e de frente ele deixou de ter cara de linha A para parecer um da linha S. Laterais em alumínio, e Gorilla Glass Victus plus nos dois vidros, tela e traseira. É o melhor vidro dos três. A certificação subiu de IP67 para IP68.

O que ele não tem é o IP69 do Motorola e do POCO, e o módulo de câmera continua grande, mesmo com as lentes agora embutidas num módulo acrílico.

Para mim a vitória em termos de design, construção e proteções, fica com o X8 Pro, ele tem a maior proteção contra água, já vem com película e capa de fábrica. Seguido pelo A57, que tem acabamento melhor e vidro com proteção maior. Por fim o Edge 70, que também é ótimo, especialmente se você prioriza um celular fininho e leve.

Tela

Telas dos aparelhos
Telas dos aparelhos

O Edge 70 traz 6,7 polegadas, AMOLED, resolução 1.5K, 120 hertz, HDR10 plus e calibração Pantone Validated. O número que a Motorola bate no peito é o brilho: até 4.500 nits de pico. E aqui eu preciso ser honesto com você, esse é o brilho máximo em situação bem específica, geralmente um trechinho da tela exibindo HDR. Você não usa o celular a 4.500 nits o dia inteiro. Mas na prática significa uma coisa só: sol forte de meio-dia não derruba essa tela.

O POCO X8 Pro chega perto. AMOLED, 1.5K também, 3.500 nits de pico, e leva duas vantagens que o Motorola não tem: Dolby Vision e frequência de PWM de 3.840 hertz, o dobro da geração anterior. Se você é do tipo que sente dor de cabeça ou cansaço visual com tela AMOLED no escuro, esse número importa mais para você do que qualquer nit.

O A57 é o terceiro lugar claro nesse bloco. São 6,7 polegadas, Super AMOLED plus, 120 hertz, mas resolução Full HD plus, contra 1.5K dos outros dois, e 1.900 nits de pico. No papel, é bem inferior. No uso, eu confesso que nunca senti falta de brilho, porque o modo automático da Samsung escolhe muito bem a luminosidade. Mas as bordas ainda são maiores que as da Xiaomi e da Motorola, aparentemente para não canibalizar a linha S.

Performance e jogos

Aqui a briga acaba rápido.

O POCO X8 Pro tem o Dimensity 8500 Ultra e faz cerca de 2 milhões de pontos no AnTuTu. O Edge 70 tem o Snapdragon 7 Gen 4 e cravou 1.390.980 pontos. O A57 tem o Exynos 1680 e faz cerca de 1,3 milhão.

Mas benchmark não joga, então vamos para o Roda Liso, que é onde a gente roda os jogos de verdade e mede o FPS efetivo, aquele número que pondera o desempenho pela estabilidade.

O POCO X8 Pro fecha com 78 FPS efetivos, o Edge 70 fecha com 69 FPS efetivos, e o A57 fica com 56 FPS efetivos. Para você ter ideia do tamanho da diferença, em Delta Force o POCO entregou o dobro da performance do Samsung.

Agora vem a parte mais importante desse vídeo inteiro. No ranking de custo-benefício gamer do Roda Liso, o POCO X8 Pro é o terceiro colocado, com score 33,4. O Galaxy A57 é o sétimo, com 28,5. E o Edge 70 aparece lá embaixo, em nono, com 24,3.

Só que esse 24,3 é calculado com o preço que o ranking considera para o Edge 70, quase 2.900 reais. Quando eu refaço a conta com o preço de oferta que ele tem hoje, perto de 2 mil reais, o score dele sobe para 35,7 e ele passa a brigar pelo pódio, na frente do próprio POCO.

Ou seja: o Edge 70 é o celular mais dependente de promoção que eu já testei esse ano. No preço de tabela, ele é um dos piores negócios da lista. Em oferta abaixo de 2 mil, vira um dos melhores. É literalmente o mesmo aparelho, com dois vereditos opostos. De novo, grupo de ofertas do WhatsApp e do Telegram na descrição, porque nesse caso o preço não é detalhe, é a conclusão.

E se você não joga, o raciocínio continua valendo. Se o celular aguenta jogo pesado, qualquer outra coisa que você fizer é fichinha.

Bateria e carregamento

Esse é o teste que eu mais levo a sério, porque é o que mais muda o seu dia. São 8 horas de tela ligada, com uso pesado de verdade: YouTube, Chrome, Reels e jogo.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
Xiaomi POCO X8 Pro6.5005807:45h00:42h
36°Motorola Edge 704.8007107:45h00:46h
62°Samsung Galaxy A575.0007807:45h00:01h

O POCO X8 Pro terminou com 42% de carga sobrando. São 6.500 mAh de bateria de silício-carbono, e esse resultado coloca ele em oitavo lugar entre os mais de 170 celulares que já passaram por esse teste no canal. É um celular que fecha o dia com folga e, em uso normal, chega no segundo dia.

O Edge 70 terminou com 29%. São 4.800 mAh, e é um resultado mediano, trigésimo quinto colocado. Você fecha o dia num uso normal, mas não conta com folga. Se você é usuário pesado, vai precisar de uma tomada no fim da tarde.

O A57 terminou com 22%, sexagésimo primeiro colocado. São os mesmos 5.000 mAh de sempre da Samsung, enquanto a concorrência já trabalha com 6.000 e 6.500. É justo dizer que ele melhorou, porque o A56 tinha terminado com 17% no ano passado. Mas melhorar em relação a um resultado ruim não faz dele um bom resultado.

E aí vem o carregamento, que é onde a diferença deixa de ser número e vira rotina.

O POCO vem com carregador de 100 watts na caixa e vai de 0 a 100% em 42 minutos. O Edge 70 vem com o TurboPower de 68 watts na caixa e faz o mesmo trajeto em 46 minutos, o que redime bastante a bateria mediana dele: 15 minutos na tomada já resolvem boa parte do dia.

O A57 suporta até 45 watts, mas o carregador que vem na caixa é de 15 watts. Com ele, o aparelho precisa de quase duas horas para completar a carga. É o pior dos dois mundos: a menor autonomia e o carregamento mais lento, no aparelho que promete durar seis anos.

Dentre os três, apenas o Edge 70 possui carregamento sem fios, isso pode ser um fator interessante para quem usa o celular no carro, como motoristas de aplicativo, por exemplo.

Sistema e atualizações

Sistema
Sistema

O A57 vence esse bloco e vence sozinho. Ele sai com Android 16 e One UI 8.5, a mesma versão que roda nos Galaxy S26, e tem seis anos de atualizações de sistema e de segurança. Esse é o prazo mais generoso do mercado intermediário, ponto. Ele não tem DeX e faltam alguns recursos de inteligência artificial mais avançados, mas nada que tenha feito falta no dia a dia.

O Edge 70 sai com Android 16 e vai até o Android 20, quatro anos de sistema mais as atualizações de segurança. É um ano a mais do que a Motorola vinha oferecendo, então é evolução, mas ainda fica abaixo do que Samsung e Google entregam. A Hello UI é limpa, leve, com Moto Secure e os gestos rápidos que eu já uso sem pensar.

O POCO tem Android 16 com HyperOS 3, quatro anos de Android e seis de segurança. E é aqui que mora a maior chateação do aparelho: os ícones da HyperOS são datados perto do que Samsung e Motorola fazem, e a interface tem propaganda. Dá para remover, mas você tem que ir lá desativar item por item, e isso num celular de 2.200 reais incomoda.

O placar

Colocando tudo lado a lado:

  • Câmeras: Edge 70 em primeiro, A57 em segundo, POCO em último.
  • Construção e resistência: empate técnico entre Edge 70 e POCO X8 Pro, os dois com IP69, e o Edge 70 leva por ser muito mais fino e leve.
  • Tela: Edge 70, pelo brilho. POCO logo atrás, com Dolby Vision e PWM mais alto. A57 em terceiro.
  • Performance e jogos: POCO X8 Pro, com folga.
  • Bateria e carregamento: POCO X8 Pro, disparado. Edge 70 em segundo por causa do carregador de 68 watts. A57 em último, nos dois quesitos.
  • Sistema e atualizações: A57 em primeiro, pelos seis anos.

Veredito por perfil e por preço

Agora a parte que interessa, e ela é condicionada ao preço, como sempre.

Se você joga muito, ou se você é do tipo que odeia procurar tomada: POCO X8 Pro, mas só abaixo de 2.200 reais. Hoje ele está bem em cima desse teto, então fique de olho: se o preço subir daqui, a conta deixa de fechar. Ele tem a melhor performance, a melhor bateria dos três com sobra, e o carregador de 100 watts na caixa. Só entre nessa sabendo que a câmera é o preço que você paga, principalmente a ultrawide.

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Se você tira foto todo dia e quer um celular fino, bonito e à prova de tudo: Edge 70, com uma condição que eu não abro mão. Só compre abaixo de 2 mil reais. Nesse preço ele é um dos melhores negócios do ano, com a melhor câmera daqui, 4K a 60 quadros até na frontal, IP69 mais padrão militar e uma tela excelente. Se ele estiver custando 2.200, aí eu prefiro o POCO, porque nessa faixa você está pagando o mesmo por menos desempenho e menos bateria.

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Se você quer comprar uma vez e esquecer por muitos anos, ou já vive no ecossistema Samsung: Galaxy A57, mas só abaixo de 1.900 reais. Hoje ele está saindo por cerca de 1.800, então já está dentro do que compensa. Seis anos de atualização não é detalhe, é o celular ainda recebendo One UI nova em 2032. Ele é o mais bem acabado da linha A, e as câmeras são confiáveis. Mas entra com os olhos abertos: você vai conviver com a pior autonomia dos três e com um carregador de 15 watts que leva quase duas horas. Se isso te incomoda, compre um carregador de 45 watts junto e resolva o problema no primeiro dia.

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Conclusão

Resumindo em uma frase cada um: o POCO X8 Pro é o mais celular pelo dinheiro, desde que você não se importe com foto. O Edge 70 é o mais agradável de usar, desde que você ache em promoção. E o A57 é o que vai durar mais tempo na sua mão, desde que você tenha paciência com a tomada.