Isso não é LED. Não é edição. E não gasta bateria. Esse é o POCO F9 Pro, e a parte mais estranha dele nem é essa.
A POCO colocou aqui uma versão cortada do Snapdragon 8 Elite Gen 5, com um terço a menos de GPU, que é justamente o que segura os jogos. E mesmo assim ele bateu o recorde no Call of Duty.
E não parou aí. A bateria ficou em 13º lugar entre os 179 celulares do nosso ranking, e a tela brilha mais do que a do iPhone 18 Pro no sol.
A lente principal de 200MP fez uma foto que me fez ficar de queixo caído. Eu testei bastante esse cara, bora começar pelo design, porque essa traseira esconde mais coisa do que esse brilho.
Design e construção
A primeira coisa que eu senti tirando ele da caixa foi o tamanho. São 6,59 polegadas, ele é um pouco menor do que a gente está acostumado nos topo de linha de hoje, e encaixa melhor na mão. São 206 gramas e 8,8 milímetros de espessura, então ele não é leve, mas o peso é bem distribuído.
O POCO F9 Pro mantém um visual parecido com o do antecessor. Na traseira, o destaque é o grande módulo retangular de câmeras, que concentra as lentes e o flash LED na metade esquerda. E esse "Sound by Bose" escrito ali? Na versão mais cara, o F9 Ultra, esse espaço guarda um mini subwoofer. Aqui é só detalhe visual mesmo.
Mas a afinação da Bose está aqui, sim. O som é estéreo: um alto-falante embaixo e o outro em cima, que também funciona como alto-falante de chamada. E o de cima, que costuma ser bem mais baixo, quase acompanha o de baixo. O volume é alto e o som é limpo e encorpado, com mais grave do que a maioria dos concorrentes, sem embolar a voz nem os agudos.
As bordas são de alumínio e passam aquela sensação de celular caro. Na frente tem Gorilla Glass 7i e o leitor de digital é ultrassônico, na tela. Ele tem certificação IP68 contra água e poeira.
Agora, um detalhe que pouca gente vai perceber: a traseira não é de vidro. É plástico reforçado com fibra de vidro. No visual e no toque é muito parecido com vidro, mas vale saber o que você está comprando.
Nas laterais, os botões de volume e de energia ficam em posições confortáveis. A bandeja de chips fica embaixo e aceita dois nano-SIM. Também tem eSIM, que pode substituir um ou os dois chips físicos, com limite de duas linhas ativas ao mesmo tempo. Pode ser um eSIM e um nano-SIM, dois nano-SIM ou dois eSIM.
E é justamente na traseira que mora a coisa mais curiosa desse celular: ele brilha no escuro. É sério. Eu estava tirando foto com ele na rua, entrei em casa e o celular estava fluorescente na minha mão. Não é LED e não gasta bateria: a traseira inteira absorve luz, do sol ou da lâmpada, e devolve no escuro, com um brilho suave e uniforme.
Só que tem um porém: isso é exclusivo da versão verde, que a POCO chama de Aurora Green. A branca e a preta não brilham. Então, se essa é a graça para você, escolha a cor certa.
Tela
A tela é AMOLED, com resolução 1.5K e taxa de atualização de até 185 Hz. Isso mesmo, 185.
Mas aqui eu preciso ser direto com você: no uso normal, a tela trabalha até 120 Hz. Os 185 Hz só aparecem em jogos compatíveis, e a POCO fala em pouco mais de 20 jogos. Nos nossos testes, nenhum jogo chegou em 185. O mais perto foi o Call of Duty, o jogo do recorde, e daqui a pouco eu mostro quanto deu. Então os 185 Hz hoje são mais número de caixa do que diferença real, mas pelo menos deixam espaço para o futuro.
O brilho impressiona. A fabricante fala em até 4.500 nits de pico, mas esse número sozinho não diz muita coisa: esses dias eu testei um celular com pico de 5.000 nits que era bem pior no sol do que outro com 3.000. O que eu posso afirmar é que o F9 Pro brilha pra caramba. Comparando com o iPhone 18 Pro, que tem uma das telas mais fáceis de enxergar no sol e 3.000 nits de pico anunciados, o POCO brilha ainda mais.
Processador, jogos e temperatura
Por dentro, são 12 GB de RAM e o Snapdragon 8 Elite Gen 5, só que na versão "V": a CPU é a mesma, mas a GPU, que segura os jogos, tem um terço a menos de unidades gráficas.
E isso aparece nos jogos? Coloquei ele lado a lado com o REDMAGIC 11 Pro, que tem o chip completo.
Nos jogos do dia a dia, quase não aparece. Foram 120 FPS no Asphalt, 60 cravados no Genshin e, no Call of Duty multiplayer, 165 FPS, que é o limite do próprio jogo e o recorde do canal. Fechou com 90 FPS de média e ficou em 5º lugar no nosso ranking de performance, empatado com o Galaxy S26 Ultra.
Mas tem dois poréns. No Minecraft ele fica travado em 60 FPS, uma trava de software que todo Xiaomi tem, enquanto o REDMAGIC passa de 130. E em carga pesada e prolongada o calor cobra a conta. Com shaders no Minecraft, ele caiu para 52 FPS com 71% de estabilidade. Na emulação de PC, com o Dirt Rally 2, fez 54 FPS contra 62 do REDMAGIC.
Depois de 1 hora de shaders, a traseira ficou em 41 graus, mas a tela chegou a 47, e aí incomoda o dedo. A minha hipótese é que a traseira de plástico com fibra de vidro segura o calor, que acaba saindo pela moldura e pela tela.
Bateria e carregamento
A bateria tem 6.330 mAh, e esse é um dos pontos mais fortes dele.
No nosso teste padrão, são 7 horas e 45 minutos de tela ligada, com navegação, Instagram, gravação de vídeo, YouTube, 2 horas de jogo e teste de estresse. O POCO F9 Pro chegou ao fim consumindo 61% da bateria, ou seja, ainda sobravam 39%. Com isso, ele ficou em 13º lugar entre os 179 celulares do nosso ranking.
[TELA: ranking de bateria da Oficina da Net, destacando POCO F9 Pro, POCO X8 Pro e Motorola Edge 70 Pro]
Para comparar, peguei dois celulares com bateria um pouco maior, de 6.500 mAh. O POCO X8 Pro fechou o mesmo teste com 58% de consumo, e o Motorola Edge 70 Pro consumiu 61%, empatado com o F9 Pro. Ou seja, mesmo com bateria menor, ele acompanha os dois.
Para carregar, com um carregador de 100 W, ele foi de 0 a 100% em 34 minutos, mais rápido que os dois: o X8 Pro levou 42 minutos e o Edge 70 Pro, 49. Ele também aceita carregamento sem fio de 50 W, mas, assim como vários outros Androids, não tem ímãs para grudar em carregadores e acessórios magnéticos.
Câmeras
São 3 câmeras atrás, e eu fotografei com todas, de dia e de noite.
[TELA: gato branco (`IMG_20261019_171036`) e, em seguida, carro azul à noite (`IMG_20261026_212755`)]
A principal tem 200 megapixels com estabilização óptica, e é muito boa. De dia, tem detalhe de sobra e o céu não estoura. As cores seguem o padrão Xiaomi, com céu e água bem saturados: fica bonito no Instagram, mas não é fiel. E olha esse gato: pelo branco costuma estourar, e aqui a textura ficou toda lá. À noite foi o melhor resultado de todos: a cena fica clara sem parecer dia, o céu continua preto e as luzes não estouram. Só aparece um pontinho de reflexo da lente perto de luz muito forte.
A tele tem 50 megapixels e zoom óptico de 2,5x, e ela acompanha a principal: mesma cor, quase o mesmo detalhe, e vai bem até à noite.
Para objeto, comida e retrato, é a lente certa, porque o desfoque do fundo vem da lente, não de software.
O 5x já é zoom digital. De dia, na tela do celular, parece bom, mas ampliando aparece aquele efeito de pintura a óleo.
À noite, ele borra: o "cuidado" ainda dá para ler, o resto da placa vira mancha. Então, à noite, fica no 2,5x.
O ponto fraco é a ultrawide, de só 8 megapixels. A distorção nas bordas está bem corrigida, mas, ampliando, as folhas viram aquarela. À noite ela fica clara, só que lavada, com o chão liso e artificial. Serve para registro.
E tem o modo de 200 megapixels. Ele leva uns 10 segundos para terminar cada foto, uma eternidade para quem está acostumado a apertar e pronto. Mas o resultado é muito legal: dá para dar zoom na foto, e você vai dando e dando zoom e não acha problema na imagem, é loucura. Só que precisa de bastante luz.
A surpresa foi a frontal, de 32 megapixels: muito detalhe na pele e na barba, tom de pele natural, sem filtro de beleza forçado, e no contraluz o rosto ficou bem exposto com o céu azul atrás. O modo retrato recorta bem o cabelo e até os óculos.
No vídeo, a principal e a tele gravam em 4K a 60 quadros, mas a ultrawide fica no Full HD a 30. Coloquei lado a lado com o Motorola Edge 70 Pro, e os dois entregam o que eu espero: nitidez muito boa de dia e estabilização suficiente para caminhar com o celular na mão. E, quando você faz aquele movimento lateral, o vídeo não fica com aquele aspecto gelatinoso que tinha antes.
Software e atualizações
Antes de falar de preço, tem duas coisas sobre o sistema que você precisa saber antes de comprar.
Ele vem com Android 16 e HyperOS 3, com o Gemini como assistente, e a promessa é de 4 grandes atualizações de Android.
A primeira coisa: assim que ligar o celular, atualize o sistema. A Xiaomi já soltou uma correção para a câmera, que ficava instável quando outro aplicativo usava ela. A segunda é boa notícia: ele vem com poucos aplicativos instalados, como AliExpress, Amazon Music e Netflix, e dá para desinstalar todos. Quem lembra dos Xiaomi antigos, lotados de aplicativo e propaganda, vai sentir o alívio. Hoje é muito pouca coisa.
Preço e veredito
Eu achei que a versão "V" do processador ia ser o problema desse celular. No fim, ela foi o de menos. O problema é outro.
O POCO F9 Pro é um celular bem completo. Ele tem desempenho de topo de linha, uma bateria entre as melhores do nosso ranking, uma tela muito brilhante e carregamento rápido. O ponto fraco são as câmeras: a principal e a tele são muito boas, mas na mesma faixa de preço dá para encontrar celulares que fotografam melhor.
E o que mais pesa é o preço. Hoje ele está na casa dos R$ 4.500 para cima, e nesse valor fica difícil eu indicar ele no lugar de um celular com câmeras melhores. Ultrawide de 8 megapixels não combina com esse preço. O zoom na foto de 200 megapixels é muito bom, eu gostei de verdade, mas esperar 10 segundos por uma foto não é algo que dá para fazer no dia a dia.
Para mim, o preço justo dele é logo acima do POCO X8 Pro Max, ou seja, entre R$ 3.200 e R$ 4.000. E eu acredito que ele chegue nesse valor em alguns meses. Se você quer pegar ele quando baixar, entra no nosso grupo de ofertas no WhatsApp ou no Telegram, o link está na descrição. Quando ele aparecer nessa faixa, a gente avisa lá.
Encerramento
E você, pagaria mais de 4.500 reais nele ou esperaria baixar? Deixa nos comentários.
Os próximos POCO que vão passar por aqui são o POCO F9 Ultra e o POCO X8 base. Se inscreve no canal para não perder. Valeu, e até o próximo vídeo.






