Robô usado para fiscalizar deputados já conseguiu restituição de dinheiro usado indevidamente

O projeto surgiu de uma ideia de Irio Musskopf, líder técnico do time, que reunião a equipe com a finalidade de analisar as despesas dos parlamentares.

Por | @oficinadanet Tecnologia

Um grupo formado por oito jovens de várias partes do Brasil e também do exterior foi responsável por montar um projeto para poder fiscalizar as despesas dos políticos do Brasil. A plataforma em questão é um robô que é capaz de identificar o uso indevido de verba pública.

A equipe está espalhada por Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Campinas e Itália e está atuando em conjunto já há três meses. “Cada um trabalha do seu local, mas fazemos reuniões diariamente para discutir o andamento do projeto”, disse Pedro Vilanova, um dos integrantes do grupo, que é responsável pela comunicação e investigação.

Ele explica que o projeto surgiu de uma ideia de Irio Musskopf, líder técnico do time, que reunião a equipe com a finalidade de analisar as despesas dos parlamentares. Após a avaliação dos dados da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar a que cada deputado federal possuía direito, eles começaram a desconfiar de uma grande brecha, em que possibilitava que muitos políticos gastassem o reembolso que possuem direito de forma irregular.

O grupo, através do Facebook, se denomina como “um grupo de hackers que faz uso da habilidade de análise de dados e criação de inteligência artificial a fim de detectar corrupção, envio de dossiês para MP (Ministério Público) e jornais”.

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Crowdfunding

O projeto foi concluído após a equipe conseguir o dinheiro necessário através de um financiamento coletivo. Desta forma, o robô começou a funcionar novembro de 2016.

“Os registros que a Câmera dos Deputados tinha eram muitos, com dados desde 2011, e era impossível para um ser humano analisar tudo de forma mecânica. E depois de estudos e análises dos dados, vimos que seria mais viável criar um robô e por isso lançamos em setembro o crowdfunding”, disse Vilanova.

Rosie, como foi batizada, identifica casos de mau uso do dinheiro público e monta relatórios com as notas fiscais consideradas mais “estranhas”, a partir de termos chaves selecionados pelo grupo, como compra de bebidas alcoólicas e refeições.

“A Rosie identifica um desses elementos, separa, e entrega um relatório. São muitos casos, mesmo com esse filtro. A partir disso, manualmente analisamos cada um e enviados as denúncias à Câmara”, disse Vilanova.

Com apenas um mês de trabalho, os resultados: as primeiras 40 denúncias que foram enviadas para a Câmara. Em três os problemas encontrados por Rosie chegam a 3.500. Foram auditados 849 casos, que geraram 629 denúncias contra 216 deputados. No total, mais de R$ 378 mil em reembolsos desde 2011 foram contestados junto à Câmara.

No ano passado, o projeto conseguiu algumas restituições. Uma delas foi a devolução de cerca de R$ 700 pelo deputado Celso Maldaner (PMDB-SC), que são referentes 13 refeições em um único dia de 2011.

Prosseguimento do projeto

Vilanova explica que a equipe já lançou um novo crowdfunding, porém, ainda não tem um objetivo definido.

“Temos vontade de investigar muitas coisas, como passagens áreas, hotéis, combustível, pensamos também em ampliar essa mesma lógica da Rosie para empresas privadas, municípios menores e até para o Senado. Mas tudo depende de quanto vamos conseguir angariar, e por enquanto estamos concentrados na ‘Serenata do Amor’”, disse Vilanova.

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