Quantas vezes você já viu notebook Dell no escritório, na escola, na casa de um amigo? A Dell é a marca que todo mundo conhece, confia e sabe que tem suporte no Brasil. Mas tem uma pergunta que não sai da minha cabeça desde que eu comecei a testar o Dell 16: será que a confiança na marca justifica o que eles estão cobrando agora?
O Dell 16 chegou para substituir o Inspiron 15. Mudou de nome, mudou o tamanho da tela, atualizou o processador. Mas o preço subiu de um jeito que eu precisava testar com calma antes de opinar. Eu passei semanas usando o modelo DC16250 aqui, e nesse vídeo eu vou te mostrar tudo: o que melhorou, o que cortaram, quanto custa cada versão e, principalmente, qual delas vale a pena comprar. Porque nem todas valem.
Fica aqui até o final, porque essa última parte é a mais importante.
Dell 16 Review
Modelos no Brasil
Se você entrar no site da Dell e pesquisar "Dell 16", vai aparecer mais de 100 opções. A Dell usa esse nome como guarda-chuva para praticamente qualquer notebook de 16 polegadas da marca, desde entrada até versões premium com RTX e tela OLED.
O nosso foco aqui é no Dell 16 DC16250, modelo de entrada com Intel Core 5 ou Core 7 e gráfica integrada. É ele que você vai encontrar nas principais lojas do Brasil a partir de R$ 4.499, e é exatamente esse que eu testei.
Esse modelo chega em quatro configurações: Core 5 com 8 GB e 512 GB por R$ 4.499, Core 5 com 16 GB por R$ 5.299, Core 7 com 16 GB por R$ 6.699 e Core 7 com 32 GB e 1 TB por R$ 7.999. Ao longo do vídeo eu vou te dizendo qual faz sentido comprar.
Design e construção
Para notebook de trabalho, eu gosto de design limpo e discreto, algo que a Dell faz bem desde sempre. Tive um Vostro que me acompanhou por anos sem uma manutenção sequer. Simplesmente morreu de velho mesmo.
O Dell 16 mantém esse DNA: design sóbrio na cor preto carbono. A Dell removeu o círculo em volta do logo e ficou mais clean. Confesso que gostei. Você bate o olho e já sabe que é Dell, sem precisar de nenhum exagero.
O acabamento é em plástico fosco característico da linha Inspiron. Até aí, nada de novo. Só que tem um detalhe que incomoda: o Dell 14, o irmão menor, vem com chassi de alumínio. E várias configurações dos dois custam praticamente o mesmo. Ou seja, você pode pagar igual ou mais pelo modelo maior e levar um notebook de plástico enquanto quem comprou o menor fica com metal. É difícil de justificar isso.
O revestimento áspero evita marcas de dedos, mas ainda aparece respingo e a marca da palma da mão na área de digitação. Plástico continua sendo plástico: risca com o tempo e passa aquela sensação de produto mais barato quando colocado ao lado de um concorrente na mesma faixa.
O peso fica em torno de 2 kg com quase 2 cm de espessura. Transportável, mas o perfil é mais de mesa do que de mochila.
Tela
A tela de 16 polegadas tem proporção 16:10, e isso faz diferença real no dia a dia. Mais espaço vertical para planilhas, documentos e navegação. Parece pouco no papel, mas você nota assim que começa a usar.
A resolução é Full HD+ de 1920x1200 com painel WVA, que é basicamente IPS com outro nome. Ângulo de visão amplo, sem distorções de cor pela lateral. O tratamento antirreflexo funciona bem em ambientes internos. O brilho máximo de 300 nits resolve em escritório, mas ao ar livre você vai querer uma sombra.
A taxa de atualização ficou em 60 Hz. Versões anteriores da linha chegaram a ter 120 Hz e sumiram aqui. Para trabalho e consumo de conteúdo é suficiente. Para jogos, é limitação.
Não tem Dolby Vision nem HDR10+. Para streaming com qualidade máxima, você vai notar essa ausência.
O áudio vem de dois alto-falantes estéreo nas laterais da base. Agudos limpos, médios com vocais claros, graves básicos. Sem Dolby Atmos, mas para reunião, videoaula e streaming casual resolve.
Hardware e desempenho
O Dell 16 vem com Intel Core 5 121U ou Core 7 150U, ambos da série U, focados em eficiência. A arquitetura tem dois núcleos de performance e oito de eficiência, e é aqui que mora um detalhe importante.
O processador distribui as tarefas entre esses núcleos por um algoritmo da Intel. Quando escala para os núcleos de performance, o resultado aparece. Quando empurra muita coisa para os de eficiência, você sente uma queda perceptível. Isso aconteceu nos meus testes, e não de forma previsível.
No PCMark 10 a pontuação ficou acima de 5.800, com destaques para navegação e produtividade. Edição de fotos simples e vídeo para redes sociais também rodam bem.
Sem placa dedicada. Games exigentes estão fora. Para Office, videoconferência, navegação e edição pontual, entrega o que promete.
O Dell 16 tem dois slots de RAM. Dá para comprar a versão de 8 GB e expandir depois com outro pente. Para o SSD há espaço para um M.2 padrão, fácil de encontrar. O salto de 8 GB para 16 GB no ato da compra custa quase R$ 1.000 a mais na versão Core 5. Na prática você paga o equivalente a meio notebook só pela memória.
Conectividade
No lado esquerdo: entrada de energia proprietária, HDMI 1.4, USB-A 3.2 e USB-C com Power Delivery e DisplayPort 1.4. Testei as duas funções da USB-C e funcionaram bem. Inclusive, em caso de emergência, qualquer carregador de celular de 27W resolve ali.
No lado direito: mais uma USB-A e entrada de áudio para fone com microfone.
O que senti falta: slot microSD, que deveria ser obrigatório em qualquer notebook hoje, e porta de rede física, especialmente num produto com perfil corporativo. Para rede cabeada, vai precisar de adaptador.
Wi-Fi 6 presente, com bom alcance e estabilidade nos meus testes.
Teclado, trackpad e Webcam
Teclado completo com bloco numérico e tecla Copilot. Layout ABNT2 correto. O numérico eu uso bastante quando está disponível, e aqui está.
Mas não tem retroiluminação. Sinceramente, em 2026, num notebook acima de R$ 4.000, isso é uma decisão difícil de defender. O Dell 14 tem. O Dell 16 não tem. Toda vez que você usar num ambiente com pouca luz, vai lembrar desse corte.
O touchpad tem aquela textura emborrachada característica da Dell. Funciona bem, mas não fica centralizado em relação ao teclado. Pode incomodar no início, até o braço se acostumar com o movimento.
A webcam é HD, 720p a 30 FPS. Para reuniões e videoaulas resolve, mas em 2026 está abaixo do esperado. Sem biometria. Nem impressão digital, nem reconhecimento facial.
Bateria
Bateria de 54 Wh com carregador proprietário de 65 W.
Nos meus testes com uso real, escrevendo roteiros, navegando no Chrome e atualizando o site com brilho na metade, aguentou cerca de cinco horas. Abaixo do que eu esperava para um chip focado em eficiência. O carregamento completo levou quase duas horas, um intervalo que poderia ser menor para um carregador de 65 W.
Para quem usa na mesa com tomada por perto isso não é problema, e acredito que seja esse o perfil principal de uso de um notebook com tela grande. Mas se autonomia for prioridade, entra na conta.
Preços e modelos
A versão que indico é a mais barata: Core 5 com 8 GB e 512 GB, na casa dos R$ 5.600. Com 16 GB vai para R$ 5.900.
Os modelos com Core 7: a versão de 16 GB está em torno de R$ 6.900, e a com 32 GB passa de R$ 9.000. Esses valores deixam uma pergunta no ar: a memória DDR5 é culpada por isso? Em partes sim. O padrão é o mais caro do mercado e empurra o preço pra cima de forma desproporcional.
CONCLUSÃO
O Dell 16 é um notebook bom para trabalho, mas com preço de notebook gamer de entrada. A tela 16:10 com antirreflexo é um diferencial real. A expansibilidade da RAM é um ponto positivo que poucos concorrentes oferecem. E a confiabilidade da Dell com suporte nacional continua sendo um argumento válido.
Mas plástico no corpo, teclado sem retroiluminação, sem biometria e bateria abaixo do esperado são cortes que eu não esperava ver, especialmente nas versões mais caras.
A versão de 8 GB do Core 5 sai pelo mesmo preço de um concorrente com 16 GB, Core i7 e às vezes até GPU dedicada. Minha indicação de compra só vale quando essa versão básica atingir preços abaixo de R$ 4.000.
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