Ano passado, no Edge 60 Pro, eu cobrei três coisas da Motorola: processador mais forte, a tela de volta aos 144 Hz e o fim das bordas de plástico. Peguei o Edge 70 Pro com essa lista na mão. Duas foram atendidas e uma não, mas algo que não pedi melhorou.

Bora descobrir por que o Edge 70 Pro vai ser o melhor custo benefício dos próximos meses?

Câmeras

Já que é um celular Pro, bora começar falando sobre as câmeras. São quatro sensores de 50 MP: principal, ultrawide que também faz macro, telefoto de 3,5x e selfie. Teve um teste que me surpreendeu.

0.5 X
1X
10X

Fiz o teste de zoom da sacada, num dia de sol, sempre do mesmo ponto.

Na principal, em 1x, a nitidez impressiona. Dá para ler a placa de 30 km/h lá no fundo, e as folhas em primeiro plano têm muito detalhe. O céu sai mais vivo do que natural, que é o estilo da Motorola, então quem gosta de cor fiel vai perceber.

Na ultrawide, em 0,5x, as cores ficam iguais às da principal. Você troca de lente e a foto não muda de temperatura. O preço é a distorção nas bordas, que aqui é bem marcada: a parede da casa fica visivelmente inclinada.

Em 3,5x, com a telefoto, a foto é excelente. Aparece detalhe até nos bloquinhos do calçamento, e as cores batem com as da principal.

Em 10x, já no zoom híbrido, eu me surpreendi. O banco da praça saiu com as ripas definidas e a grama com textura, e no celular dá para postar tranquilo.

O teste que me incomodou foi o de macro. Com a principal, um pouco mais afastado, a flor branca ficou linda, com as nervuras visíveis e um desfoque natural. Já o modo macro, que usa a ultrawide, criou uma aura branca em volta das pétalas por excesso de nitidez. Minha dica é afastar um pouco e usar a principal ou a telefoto.

Com pets, que é sempre meu teste favorito porque eles nunca ficam parados, o resultado foi ótimo. Na cachorra, os olhos têm reflexo e o pelo tem textura de verdade, sem aquele efeito de borracha. O gato branco no sol forte, ao lado de um vaso de flores, ficou excelente: o HDR segurou o branco do pelo sem estourar e ainda manteve detalhe na sombra.

Falando em HDR, ele trabalha bem em cena de contraste pesado. Na foto da excelentíssima sentada no deck, com o sol batendo direto, o tricô do casaco manteve a textura e a madeira não virou mancha escura. Só que o rosa do casaco saiu bem saturado. A Motorola gosta de cor viva.

Na frontal de 50 MP, a selfie no sol ficou muito boa: pele natural, sem beautify pesado, barba com detalhe e o céu ao fundo preservado, sem estourar. Se você ampliar bem, aparece um contorno leve em volta do cabelo, no ponto em que ele encontra o céu, mas é o tipo de coisa que ninguém vai notar num story.

FOTOS NOTURNAS

À noite, a câmera principal segura bem. Na foto da rua, o céu ficou escuro de verdade, sem aquele aspecto de fim de tarde falso, a grama manteve a cor e os postes não estouraram. Na fachada da casa, a luz amarela das janelas ficou bem controlada. Só as folhas das palmeiras saíram um pouco borradas, porque estava ventando. Já a ultrawide é a mais fraca no escuro, a foto sai mais escura, perde detalhe nos cantos e a luz do teto fez um reflexo em estrela.

A surpresa foi a frontal. Dentro de casa, com luz artificial, a selfie ficou nítida, com pele natural e boa cor. Na rua, já com pouca luz, o rosto continua bem exposto e com detalhe na barba, mas o fundo perde definição e fica mais suave. Para selfie à noite, ela entrega mais do que eu esperava e aqui vai a ressalva, procure sempre um lugar com mais iluminação no seu rosto, assim a nitidez sai como as fotos internas e não como as fotos externas onde a luz estava mais evidenciada no plano de fundo.

Vídeos

Em vídeo, todos os sensores gravam em 4K a 60 fps: principal, selfie, ultrawide e zoom, o que é demais. Mas gravando um chimarrão na cozinha, com bastante luz e o celular no tripé, o foco às vezes se perdia e a imagem parecia balançar, o que não deveria acontecer. Também gravei ele lado a lado com o Edge 70 na rua, nesse caso o comportamento foi outro.

Design e construção

Agora, na parte de design: várias análises e fichas técnicas apontam 7 mm de espessura, e o site da Motorola Brasil indicava 5,95 mm. Quando eu medi a parte menos espessa, deu 7,84 mm.

Medida do Edge 70 Pro 7.85mm
Medida do Edge 70 Pro 7.85mm

Posso parecer chato com medidas, mas é a espessura que passa conforto para ter o produto em mãos. Ainda assim, ele ficou mais fino que o antecessor. Ele não chega a ser tão fino quanto o Edge 70, que tem 6,33 mm, mas a diferença é justamente o que coube aqui dentro: uma bateria bem maior e uma câmera telefoto de verdade.

Edge 70 Pro Zinfandel
Edge 70 Pro Zinfandel

A cor que eu recebi é essa vinho, chamada Zinfandel, com uma textura que imita seda na traseira. Não marca digital e dá firmeza na hora de segurar. No Brasil, ele sai em quatro acabamentos com a parceria da Pantone: além do Zinfandel, tem o Titan, que é um azul escuro com textura de lã, o Chicory Coffee, que imita madeira, e o Lily White, branco.

Agora, o primeiro ponto em que eu preciso ser honesto. Lembra que na análise do Edge 60 Pro eu reclamei que a Motorola trocou as bordas de alumínio do Edge 50 Pro por plástico? Pois é, no Edge 70 Pro continua plástico. O acabamento imita metal e é bem-feito, mas num celular que foi lançado por 4.499 reais, eu esperava que a Motorola voltasse atrás. Não voltou.

Na parte de cima, microfone e a saída de som secundária. Na lateral direita, volume e power. Na parte de baixo fica o alto-falante principal, outro microfone, a gaveta de chip, sem espaço para cartão de memória, e a entrada USB-C. E aqui tem outro detalhe que pouca gente comenta: essa porta é USB-C 2.0. Para carregar não muda nada, mas se você transfere muito vídeo pesado para o computador por cabo, vai ser lento. A Samsung também jogou USB 2.0 no novo S26 FE, fazendo o mesmo downgrade.

O leitor de digital fica embaixo da tela, é óptico, e no meu uso foi rápido e acertou quase todas as vezes.

Na resistência, a Motorola manteve tudo que já vinha fazendo bem: certificação IP68 e IP69, aquela que aguenta jato de água quente sob pressão, padrão militar MIL-STD-810H e Gorilla Glass 7i na frente. Um celular fino que não tem medo de chuva.

Agora, essa tela curva é legal demais, mas eu jamais utilizaria ele sem proteção de uma película que não acompanha no kit, precisa ser comprada em separado e dificilmente você vai encontrar na sua cidade, mas a internet está aí para ajudar.

Tela

Edge 70 Pro tela
Edge 70 Pro tela

Por falar nela, cresceu um pouco: agora são 6,78 polegadas, AMOLED, resolução 1.5K, são 450 pixels por polegada. Para mim qualquer tela com mais de 400 px por polegada já é muito nítida. E uma boa notícia, a taxa de atualização voltou para 144 Hz. No Edge 60 Pro, a Motorola tinha baixado para 120 Hz, e eu comentei isso na época. Voltou.

O brilho de pico prometido subiu de 4500 para 5200 nits. Como eu sempre explico, esse número é de um trechinho da tela exibindo conteúdo HDR, não é o brilho que você usa o dia inteiro. Na prática, o sol do meio-dia não derruba essa tela.

Agora, um detalhe sobre os 144 Hz da ficha técnica. Eles existem, mas só aparecem dentro de jogos. No dia a dia, a tela vai até 120 Hz e alterna entre 120, 90 e 60 Hz, sem descer disso, porque ela não usa a tecnologia LTPO, que ajusta a taxa até 1hz para evitar consumo de bateria. Nas configurações, você escolhe entre três modos: um que trava em 60 Hz, o "Inteligente e equilibrado", que fica mais em 90 Hz, e o "Super suave", que fica mais em 120 Hz.

Para vídeo, a tela tem suporte a HDR10+ e HLG, mas não a Dolby Vision. Fora isso, a calibração de cor é excelente, com validação Pantone, e dá para deixar as cores mais saturadas ou mais naturais nas configurações.

Desempenho

Aqui mora a maior evolução em relação ao Edge 60 Pro. O chip agora é o MediaTek Dimensity 8500 Extreme, com 12 GB de RAM.

Esse ano, o Edge 70 Pro fez 2.3 milhões de pontos no AnTuTu Benchmark. Ou seja, finalmente a linha Edge Pro chega no patamar que eu cobrei no ano passado.

Ele não é o chip mais forte da faixa de preço, só que fez mais pontos que o POCO X8 Pro e ficou, teoricamente, empatado com o S26 FE.

Nos jogos, eu rodei a bateria de testes do Roda Liso. O Genshin Impact rodou a 60 FPS, com 99% de estabilidade, o Wuthering Waves ficou em 56 FPS e o Minecraft em 79 FPS. Nos competitivos, ele bateu no teto: 120 FPS no Wild Rift e no multiplayer do COD Mobile, e 118 no Delta Force. O único que realmente segurou ele foi o Minecraft com shaders, em 30 FPS, mas esse é um teste que quase todos os celulares despencam.

No ranking de desempenho do Roda Liso, ele ficou em 10º lugar, logo atrás do iPhone 17 e empatado com o POCO X8 Pro Max.

E aqui entra o ponto que vale atenção para quem joga por muito tempo: o aquecimento. Depois de uma hora de Genshin Impact, a câmera térmica marcou 46 graus, contra 38 do Edge 70. Ele esquenta, mas no nosso teste não perdeu desempenho.

É aquilo que eu sempre comento, se o celular roda bem games pesados nos testes que a gente faz aqui, tudo o que você pensar em fazer com ele será fichinha, e melhor, esse tipo de desempenho nos leva a um maior tempo de vida do celular sem travamentos.

Se esse tipo de teste, rodando jogo por jogo e medindo estabilidade, te ajuda na hora de escolher, te inscreve, eu realmente gosto de testar tudo e mostrar para vocês.

Bateria

Lembra do começo do vídeo onde falei que algo tinha melhorado e eu nem pedi? Pois é, a bateria é o ponto em que o Edge 70 Pro evoluiu, e é o que mais separa ele do Edge 70 base.

São 6500 mAh com tecnologia de silício-carbono, contra 6000 mAh do Edge 60 Pro e 4800 mAh do Edge 70. E, de novo, num corpo mais fino que o do antecessor.

No nosso teste de bateria, que são 8 horas de tela ligada com redes sociais, navegação, câmera, vídeo e jogo, o Edge 70 Pro gastou 61% da bateria e terminou com 39%. Isso colocou ele em 13º lugar no ranking geral do Oficina da Net.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
9°Xiaomi POCO X8 Pro6.5005807:45h00:42h
12°Motorola Edge 70 Pro6.5006107:45h00:49h
39°Motorola Edge 704.8007107:45h00:46h
50°Motorola Edge 60 Pro6.0007407:45h00:49h
55°Samsung Galaxy S26 FE4.9007607:45h01:09h
Para comparar: o Edge 60 Pro terminou esse mesmo teste com 26% e o Edge 70 com 29%. Então, contra os dois irmãos, a evolução é clara: sobram 13 pontos a mais que no Edge 60 Pro. Mas ele não é o campeão da categoria. O POCO X8 Pro, com os mesmos 6500 mAh, terminou com 42%, um pouco à frente. E o Galaxy S26 FE ficou bem atrás, com 24%.

No carregamento, a Motorola manteve os 90 W do Edge 60 Pro, com o carregador na caixa. No meu teste, foi de 0 a 100% em 49 minutos. Curiosamente, o Edge 70, com carregador de 68 W, completou a carga em 46 minutos, só que ele tem uma bateria bem menor para encher.

O carregamento sem fio continua em 15 W, o mesmo do Edge 60 Pro. Eu testei ele carregando no carro e com o carregador portátil sem fios da Anker, funcionou em todos os casos, estava apreensivo com esse módulo grande de câmeras, depois do erro de design do S26 Ultra, mas aqui nada afetou, uma pena o Edge 70 Pro não contar com sistema Magsafe.

Sistema e atualizações

Aqui está o ponto que mais me incomodou no Edge 70 Pro.

Ele sai de fábrica com Android 16 e a Hello UI, que continua sendo uma das interfaces mais limpas do Android. Os gestos da Motorola estão todos aqui, como balançar para ligar a lanterna, e a Moto AI continua evoluindo, embora o Edge 70 Pro ainda não tenha recebido a Qira AI.

Atualizações que ele deve receber
Atualizações que ele deve receber

Mas o problema principal continua sendo a política de atualizações. O Edge 70 Pro recebe três atualizações de Android, ou seja, vai do Android 16 até o 19. O Edge 70, que é mais barato, recebe quatro. Não faz sentido o modelo Pro, mais caro, ter suporte menor que o irmão de entrada da mesma geração. E ainda fica muito atrás dos sete anos que Samsung e outras marcas oferecem.

E tem mais: em setembro, o Edge 70 já começou a receber o Android 17 estável, enquanto o Edge 70 Pro, até quando gravei esse conteúdo, não tinha atualizado ainda. Inclusive fiz um vídeo falando sobre as novidades do Android 17 na Motorola:

Vídeo incorporado do YouTube

Então, se você é do tipo que fica com o celular quatro ou cinco anos, esse é um fator que pesa contra o Pro, especialmente porque falei do processador ser potente o suficiente para fazer esse celular durar bastante tempo.

Enfim, são políticas da Motorola que eu preciso toda vez criticar para ver se melhoraram, alguns celulares já tiveram avanço.

Conclusão

Edge 70 Pro vale a pena?
Edge 70 Pro vale a pena?

Então, o Edge 70 Pro vale a pena? Igual ao Edge 70, a resposta depende do preço que você paga.

Pelos 4.499 reais do lançamento, e principalmente pelos 5.999 da versão de 512 GB, eu não recomendaria. Por esse valor, a estrutura de plástico, a porta USB 2.0 e as três atualizações de Android pesam demais.

Mas ele não custa mais isso. E quando o preço cai, o que sobra é um celular muito equilibrado: fino, resistente com IP69 e padrão militar, tela de 144 Hz muito brilhante, bateria de 6500 mAh com carregador de 90 W na caixa, desempenho que chegou em um patamar suficiente para tudo, e uma telefoto de 3,5x que entrega foto boa até em 10x de dia.

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Os pontos fracos precisam ficar claros: só três atualizações de Android, menos que o Edge 70, aquecimento em jogo pesado por muito tempo, uma ultrawide que pode melhorar.

A minha recomendação para o Edge 70 Pro é essa: vale a pena abaixo de 3 mil reais na versão de 256 GB, e abaixo de 3.300 reais na versão de 512 GB. Acima disso, espere uma promoção, porque ela aparece: o menor preço que a gente já registrou foi de 2.684 reais. E como a gente está falando de preço, entra nos grupos de ofertas do Oficina da Net no WhatsApp e no Telegram, que é onde eu aviso quando ele aparece no valor certo.