A Motorola está mandando dois recados completamente diferentes para quem compra os celulares dela. Eu testando o novo o dobrável Razr Fold, me deparei com um smartphone incrível, além dele, o Motorola Signature também chega com a promessa de 7 anos de atualizações de Android e de patches de segurança, equiparando a marca a Samsung e Apple, hoje as referências do mercado nesse quesito.
Do outro lado, no mesmo portfólio, os modelos Razr 70, Razr 70 Ultra ficam limitados a apenas 3 anos de atualizações de sistema, e o Moto G17, lançado agora no início de 2026, já saiu de fábrica com Android 15, sem qualquer promessa de upgrade de versão, mesmo com o Android 16 disponível há meses.
Ou seja: dependendo de qual Motorola você compra, o suporte de software pode durar mais que o dobro de tempo do concorrente da própria marca que fica na prateleira ao lado. E isso, cada vez mais, importa tanto quanto câmera ou processador na hora de decidir a compra.
O que cada linha da Motorola oferece
O Razr Fold, dobrável mais premium da marca, lançado no Brasil por a partir de R$ 16 mil (com uma versão especial de Copa do Mundo saindo por R$ 17 mil), tem tela externa de 6,6 polegadas, tela interna LTPO 2K de 8,1 polegadas, Snapdragon 8 Gen 5, câmera de 50 MP e bateria de 6.000 mAh. Junto com o Signature, é o primeiro aparelho da Motorola a alcançar 7 anos de atualizações de Android e de segurança, o mesmo patamar que a Samsung passou a oferecer para a linha Galaxy S24 em diante.
O problema é que essa política não se estende ao resto da família Razr, também premium. O Razr 70, o Razr 70 Ultra, que custam entre 5.000 a 10.000 reais, ficam presos a apenas 3 anos de atualizações de sistema operacional e 5 anos de patches de segurança. Na prática, isso significa que um Razr Ultra top de linha, tem uma política de suporte pior que a de um Galaxy A de entrada da Samsung atual. Algo difícil de defender.
Moto G17: Android 15 de fábrica, sem previsão de Android 16
Enquanto isso, na ponta mais barata do portfólio, o Moto G17 foi lançado no Brasil em janeiro de 2026, por preço sugerido a partir de R$ 1.299, já rodando Android 15 de fábrica, meses depois do Android 16 ter sido oficialmente lançado. A Motorola não prometeu nenhuma atualização de versão do sistema para o aparelho, apenas dois anos de patches de segurança, até 2028.
A justificativa técnica por trás disso envolve uma brecha na legislação europeia de sustentabilidade de eletrônicos, que exige 5 anos de atualizações de segurança dos fabricantes, mas só obriga atualizações de versão do sistema operacional caso a empresa se comprometa a oferecê-las desde o lançamento.
Como a Motorola simplesmente não promete nenhuma atualização de versão para o G17, ela cumpre a letra da lei sem cumprir o espírito dela, que é justamente combater a obsolescência programada. No Brasil, a situação é ainda mais frágil: não existe legislação para smartphones, que obrigue fabricantes a oferecer atualizações de software, então a política aqui fica inteiramente a critério da marca.
E as outras marcas?
A disparidade da Motorola fica ainda mais evidente quando colocada ao lado do que os concorrentes diretos oferecem hoje:
- Samsung: desde a linha Galaxy S24, todos os flagships e boa parte dos intermediários (inclusive a linha A) recebem 7 anos de atualizações de Android e de segurança.
- Apple: historicamente, os iPhones recebem entre 6 e 7 anos de atualizações de iOS, mesmo em modelos mais antigos, como aconteceu com o iPhone XS e XR, que seguiram recebendo updates de sistema por bem mais tempo que a média do mercado Android.
Outras marcas de android praticam casos parecidos com a Motorola:
- Oppo: promessa de 5 anos para a linha X, 3 anos para a linha intermediária Reno.
- Jovi: promete 5 anos para a linha X e 3 anos para os intermediários.
- Realme: faz 3 anos de atualizações.
- Google - não vendido no Brasil: os Pixel a partir do Pixel 8 também têm garantia de 7 anos de suporte completo, incluindo atualizações de versão do Android.
Por que isso importa para quem vai comprar?
Política de atualização de software deixou de ser um detalhe técnico e virou um fator direto de durabilidade e de valor de revenda do aparelho. Um celular sem atualizações de segurança fica mais vulnerável a falhas e golpes, e sem atualizações de versão do sistema, aplicativos e recursos mais recentes tendem a parar de funcionar corretamente com o tempo.
Sinceramente, eu quero que esse texto chegue até a Motorola. E quero que ele chegue como crítica construtiva, porque eu gosto de verdade dos aparelhos da marca. O hardware que eles colocam nos Edge e nos Razr aguenta tranquilamente ficar ativo por muito mais tempo do que a Motorola costuma sustentar com atualizações. Tempo de suporte não é detalhe: é o compromisso que a marca assume com quem comprou o produto, confiou nela e apostou que valia a pena. Perder recursos e novidades por falta de suporte da marca não é legal. Bora lá Motorola!






