A Motorola lançou o Moto G17 no Brasil na semana passada e ele já chamou atenção por um motivo incomum: ele chega com Android 15, mas sem garantia de atualização de sistema. É isso mesmo o que você leu: a Motorola não deve lançar nenhuma atualização de sistema para um celular lançado em pleno 2026. Será que isso pode? O que a legislação brasileira fala sobre o suporte de atualização? Vamos ver!​

O que aconteceu com o Moto G17

No Brasil, a Motorola lançou o Moto G17 em 29 de janeiro de 2026, com preço sugerido a partir de R$ 1.299, e confirmou Android 15 de fábrica. No mesmo anúncio, a empresa não informou se haverá atualizações do sistema operacional, mas prometeu updates de segurança até 2028, ou seja, por dois anos.​

Moto G17
Moto G17

E aí, como bem observado pelo Android Authority, nada do material que a Motorola enviou para a imprensa fala sobre atualização atualização de software para o Moto G17. Pesquisando e apurando, descobriu-se que na Europa, a Motorola realmente confimou que é só isso: dois anos de atualizações de segurança e nada mais. Nasceu com Android 15 e vai morrer com ele.

Para os anos atuais, isso é algo inédito. Mas fica a dúvida: será que isso não pode gerar um problema para a Motorola, principalmente pelos órgãos de proteção ao consumidor? A resposta é não.

Motorola achou uma "brecha" na União Europeia

Conforme apurado, a legislação europeia diz que fabricantes devem disponibilizar atualizações gratuitamente por pelo menos 5 anos caso forneçam atualizações de segurança, corretivas ou de funcionalidade para um sistema operacional. A interpretação é que o "caso" não quer dizer que a empresa é obrigada a isso. Basta não prometer upgrades de sistema que está tudo certo.

O site AfterDawn explica exatamente essa interpretação da Motorola, de que as autoridades locais teriam indicado que fabricantes não são obrigadas a fornecer atualizações de sistema operacional; porém, se optarem por oferecer, o suporte teria de durar ao menos cinco anos.

Motorola foi a primeira, mas outras empresas podem adotar esse movimento de não lançar atualizações para alguns aparelhos.
Motorola foi a primeira, mas outras empresas podem adotar esse movimento de não lançar atualizações para alguns aparelhos.

Agora se isso faz sentido para Motorola, podemos pensar no custo que é manter um celular atualizado por mais tempo. Pensa só: desenvolver, testar e distribuir upgrades de Android custa caro, e essa despesa pesa mais quando estamos falando de aparelhos de entrada, como é o caso do Moto G17. Ao não prometer atualização de sistema, a marca reduz compromisso de engenharia e suporte, ficando apenas com um período definido de patches de segurança (o que, no caso do G17 no Brasil, foi comunicado como até 2028).​

Pensando agora no lado do consumidor, um celular que não atualiza significa que vai ficar obsoleto mais rapidamente. Como ele vai receber updates de segurança, podemos dizer que ainda será segudo continuar usando ele, pelo menor por um tempo. Mas sem atualizações de sistema, ele não vai receber novos recursos, melhorias, nem nada do tipo, o que pode pesar para quem busca um aparelho para durar três ou quatro anos.

E no Brasil: pode lançar assim?

Nós brasileiros adoramos atualizações, mas a legislação brasileira não obriga as empresas a oferecer essa garantia. No Brasil, a política de updates é puramente opcional por parte da fabricante. Nem o carregador é obrigatório em nosso país, que dirá as atualizações de sistema.

De qualquer forma, já que a gente gosta tanto de receber atualização no celular, fica a dúvida sobre o que teremos pela frente. Será que outras empresas também vão adotar essa brecha nos seus próximos lançamentos? Vamos aguardar para ver.