Pois é. Eu comprei um iPhone na Shopee.
Eu sei o que você tá pensando, comprar celular de mais de cinco mil reais na Shopee parece um pedido de problema. Mas eu fiz, recebi, e tô usando o iPhone 17 há algumas semanas. E essas semanas mexeram com uma dúvida que eu venho carregando faz tempo.
A pergunta de verdade aqui não é se o iPhone 17 é bom. A pergunta é se eu largo o Galaxy S26 Ultra e volto pra um celular compacto, que é o tipo de aparelho que eu sempre gostei de usar. Agora que o preço tá muito melhor, eu decidi testar esse iPhone, então bora pra review.
Design e construção
A primeira coisa que me pegou foi o tamanho. Depois de meses com o S26 Ultra, que é um tijolo lindo, mas continua sendo um tijolo, pegar o iPhone 17 na mão foi um alívio físico. A tela é de 6,3 polegadas, mas o corpo é compacto, é leve, cabe bem no bolso e não fica pesando na calça. Para mim, que sempre gostei de celular menor, isso já contou ponto antes de eu ligar o aparelho.
A construção é a de sempre da Apple: bem feita, encaixes perfeitos, aquela sensação de aparelho caro na mão. Você não acha um vão, não acha uma folga, não tem nada que ranja quando você aperta.
E aqui vale falar das proteções, porque a Apple mexeu nisso de um jeito que importa no uso real, não só no slide de apresentação. A frente tem o Ceramic Shield 2, que a Apple promete ser três vezes mais resistente a arranhões que a geração anterior, e ainda com um tratamento antirreflexo melhor. Na prática isso significa uma coisa bem concreta: a chance de você riscar a tela no bolso, junto com a chave, caiu bastante.
A novidade boa é que agora a Apple também botou Ceramic Shield na traseira, prometendo quatro vezes mais resistência a trincas que o vidro de trás das gerações antigas. Frente e verso protegidos, não só a tela. Confesso que isso me deixou mais tranquilo para usar o aparelho sem capa. E a resistência é IP68, então água e poeira não são problema.
Só que agora vem a parte honesta. Eu levei ele para o parque e usei sem capa justamente para sentir o aparelho puro, e ele é gostoso de segurar, mas é escorregadio. Eu fiquei com receio o tempo todo, aquele receio de que um esbarrão resolve o seu mês. Se você comprar, compra capa junto, não tem conversa.
Agora tem um problema nessas capas que você compra pela internet, elas estragam totalmente a experiência de manuseio do celular. O S26 Ultra tem uma capa original que a Samsung enviou e é tão bem feita que parece o próprio celular. Aí eu pensei, vou fazer uma na impressora 3D, e tá aí, uma boa capinha, sem deixar o aparelho gigante.
Tela
Aqui a Apple finalmente fez o que tinha que ter feito há tempo. A tela é uma Super Retina OLED de 6,3 polegadas, com resolução 1206p, um pouquinho maior que FULLHD e, atenção, 120 Hz.
Por que isso importa tanto? Porque até a geração passada o iPhone "de entrada" era travado em 60 Hz, enquanto qualquer Android de mil e poucos reais já entregava 120 Hz. Era uma vergonha, sinceramente.
"Ain Nicolas, a fluidez do iPhone faz parecer que tinha 90 ou 120hz." Mas nem ferrando. Agora sim, com 120Hz a rolagem é fluida, os jogos respondem bem, e a sensação geral é de um celular do ano que estamos vivendo, não de três anos atrás.
O brilho chega a 3000 nits no pico, e isso eu testei na prática no parque, sol batendo direto na tela. Não tive dificuldade nenhuma pra enquadrar foto, ver o que estava na tela, nada. A tela some no sol no bom sentido: você esquece que o sol tá ali.
Comparando com o S26 Ultra, que tem uma tela maior e ainda um pouco mais brilhante, o iPhone perde no tamanho, mas não perde em qualidade de imagem. Cor, contraste, fluidez, tudo no mesmo nível alto.
Hardware e performance
O iPhone 17 vem com o chip A19, fabricado em 3 nanômetros, com 8 GB de RAM. Importante saber: esse A19 é diferente do A19 Pro que equipa as versões Pro e Pro Max. As versões de armazenamento são de 256 GB e 512 GB, sem expansão, como sempre.
Mas aqui eu não vou te dar só número de benchmark, porque eu testei ele de verdade nos jogos, lá no canal Roda Liso. E olha, ele me surpreendeu.
A primeira coisa que mudou tudo foi a tela de 120 Hz. Os iPhone 16 e 16E ficavam presos em 60 Hz e isso limitava todos os testes. Com o iPhone 17, pela primeira vez entrando no top 10 do nosso ranking de performance. Nos jogos ele brilhou. Delta Force e no Wild Rift ele cravou 120 frames com 100% de estabilidade. No COD Mobile, 119 frames. São números de celular gamer.
Teve um momento que foi histórico pro canal: no Genshin Impact, pela primeira vez desde que eu testo jogos, consegui desbloquear mais de 60 frames. Nem os celulares gamers da REDMAGIC tinham conseguido isso.
Na média geral do nosso ranking de performance bruta, ele fechou com 84 frames e ficou em sétimo lugar, logo atrás do Motorola Signature, que fez 86, e na frente do POCO X8 Pro Max, que fez 82. O S26 Ultra está em terceiro, com 90 frames, para você ter a régua completa.
Mas o que mais me impressionou não foi o frame. Foi a temperatura. Depois de uma hora de Minecraft com shaders ativos, que é o teste mais pesado que eu faço, ele chegou a 35 graus. É uma das menores temperaturas que eu já vi nesse teste. Para você comparar, o POCO X8 Pro Max, que ficou logo atrás dele no ranking, foi a 44 graus. É outro patamar de controle térmico.
Bateria
A Apple, como sempre, não divulga a capacidade exata em mAh, mas foi identificada como 3.692 mAh, a menor bateria que eu testei o ano inteiro. E mesmo assim, ela me surpreendeu.
No meu teste de bateria, depois de 8 horas de testes, jogando, assistindo reels, navegando pela internet, ele terminou com um consumo de 65%. Pra um celular com a menor bateria do ano, segurar esse tipo de exigência e ainda sobrar carga é mérito puro. O chip de 3 nm somado à otimização do iOS fez um milagre.
| # | Celulares | Capacidade | Consumo | Tela Ligada | Tempo carregamento |
|---|---|---|---|---|---|
| 21° | Apple iPhone 17 | 3.692 | 65 | 07:45h | 0 |
| 46° | Samsung Galaxy S26 | 4.300 | 75 | 07:45h | 01:22h |
| 55° | Samsung Galaxy S26 Ultra | 5.000 | 77 | 07:45h | 01:12h |
Deixa eu abrir aqui o ranking de bateria pra você ter ideia, o S26 com bateria de 4300mAh completou o mesmo teste consumindo 75%, e eu julgo isso já um ótimo resultado. Só que o iPhone gastou 10% nominal a menos no mesmo teste.
Sobre carregamento, os números são bons: com um adaptador de 40W ele vai de zero a 50% em menos de 30 minutos, mas com os carregadores que eu testei, ele levou 1h30min pra completar a carga de 0 a 100%. Sem fio, dá pra usar o MagSafe com carregamento de aproximadamente 2h, foi o que consegui mais rápido por aqui. Não é o carregamento absurdo dos Android chineses, mas dá conta com folga.
Câmeras
Falando em sentidos, vamos para o que todo mundo realmente quer saber quando pensa em iPhone: a câmera. E aqui eu vou ser direto com você, porque esse não é um vídeo de pixel peeping.
O conjunto é uma principal de 48 megapixels e uma ultrawide de 48, apesar de contar com zoom de 2x, não existe uma lente telephoto, que para meu uso faz bastante falta. Ainda contamos com uma câmera frontal de 18 megapixels.
De dia, é o que você espera de um iPhone. Nitidez de ponta a ponta, dá para ler a escrita gravada no pneu da bike, e a sombra dura embaixo do deck continua com informação em vez de virar um borrão preto. A cor tem o tempero da Apple, contraste forte e céu bem azul, um pouco mais azul do que estava na hora, para ser honesto.
E essa aqui foi a que me convenceu. Sol dentro do quadro, contraluz total, e olha a folhagem na frente ainda com verde e detalhe, e o céu sem aquelas faixas de cor. Tem flare, tem, mas ficou bonito.
E essa aqui foi a que me convenceu. Sol dentro do quadro, contraluz total, e olha a folhagem na frente ainda com verde e detalhe, e o céu sem aquelas faixas de cor. Tem flare, tem, mas ficou bonito.
À noite ele me surpreendeu de verdade. Essa é a mesma cena de dia e de noite, e olha o que ele fez com a luz amarela da arandela. A parede não ficou encardida de amarelo, o céu ficou preto de verdade, e o ruído é baixíssimo. O preço é perda de textura fina na parede, porque o modo noite suaviza. Mas é troca justa.
Pessoa de noite, só com luz de spot de jardim, e o tom de pele saiu natural, o moletom preto continuou preto, e o fundo não morreu. Cabelo e textura de tecido perdem definição se você for olhar de perto, e a selfie tem uma suavizada leve na pele. Mas para postar, é foto pronta.
O ponto fraco é a ultrawide à noite. A cor e a exposição continuam iguais à da principal, o que é ótimo, mas os cantos ficam moles, o ruído sobe e o flare aparece mais. Dá para usar, mas dá para ver a diferença.
E aí vem a comparação com o meu S26 Ultra. Na foto principal, de dia ou de noite, essa briga é ombro a ombro, e em alguns casos eu prefiro a do iPhone pelo tom de pele. O problema é o alcance. O iPhone 17 tem 2x de recorte e acabou. O Ultra tem teleobjetiva de verdade, e quando eu quero puxar uma foto de longe, ou fotografar uma placa do outro lado da rua, o iPhone simplesmente não tem essa lente. Não é questão de qualidade, é questão de versatilidade. E é exatamente por isso que, no final desse vídeo, eu falo que a câmera do Ultra ainda é mais versátil para o meu uso.
Atualizações e sistema
Esse é, pra mim, o maior trunfo do iPhone, e o motivo de eu estar realmente em dúvida.
Ele vem com iOS 26 e a Apple entrega anos e anos de atualização. Na prática, você compra esse celular hoje e ele vai continuar recebendo sistema novo por muito tempo, com a fluidez intacta. É o tipo de longevidade que ainda incomoda o mundo Android, mesmo a Samsung tendo melhorado muito nesse ponto.
O iOS continua sendo o iOS: organizado, fluido, sem travada, com aquele ecossistema que conversa entre os aparelhos. Voltar pra ele depois do Android me lembrou do que eu sentia falta, a integração, a previsibilidade, a sensação de que nada vai dar errado.
Mas eu também lembrei do que me incomodava. O iOS ainda é mais fechado, menos flexível, e algumas liberdades que eu tinha no Android eu perco aqui. Pra mim, é um trade-off. Você ganha tranquilidade e longevidade, perde liberdade. Cada um sabe o que valoriza mais.
Preço e conclusão
- Tela 120Hz com ótima qualidade e nitidez
- Processador potente
- Câmeras muito boas, especialmente para vídeos
- Bateria com autonomia suficiente para um compacto
- Falta uma telephoto
- Não vem carregador na caixa
E chegamos na parte que aperta o bolso. O iPhone 17 no Brasil parte da casa dos sete mil reais nas lojas oficiais, dependendo da versão e do armazenamento. Foi exatamente por isso que eu fui parar na Shopee, onde dá pra achar bem mais em conta dependendo do dia e do vendedor.
E aqui o aviso honesto: comprar iPhone na Shopee dá certo, eu sou a prova, mas escolhe vendedor com reputação alta, loja avaliações sérias, e usa as proteções da plataforma. Não sai comprando do primeiro anúncio barato que aparecer.
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Agora, a conclusão de verdade. Eu volto pro iPhone?
Confesso que esse iPhone 17 me deixou perto disso. Ele é compacto, que é o que eu sempre gostei. Tem finalmente os 120 Hz que faltavam. Tem a longevidade de software que nenhum Android entrega igual. E faz tudo no dia a dia tão rápido quanto o S26 Ultra, num corpo que cabe melhor na mão.
Mas eu vou ser sincero com você, como sempre sou. Eu ainda não largo o S26 Ultra. A câmera mais versátil, a bateria de dois dias, a caneta, a tela gigante e a liberdade do Android ainda me seguram. O iPhone 17 me lembrou por que eu gostava de iPhone, mas não me deu motivo suficiente pra abandonar o que eu já tenho funcionando.
Então a minha recomendação é essa: se você quer um celular compacto, potente, com a melhor longevidade de software do mercado, e tá vindo de um iPhone antigo ou de um Android, o iPhone 17 é uma compra que vale muito a pena. Agora, se você já tem um topo de linha recente no bolso, seja iPhone ou Android, ele não é o salto que justifica a troca.
Pra mim, ficou claro: o iPhone 17 é o melhor compacto que eu testei em muito tempo. Só não foi o suficiente pra me fazer trair o Ultra. Ainda.





