Se você usa Android, o relógio mais completo que dá para comprar hoje é esse aqui: o Galaxy Watch Ultra 2. Ficou mais fino, aguenta três dias longe da tomada e é o relógio grande mais confortável que eu já usei. Mas até rei tem defeito. Pedalei, corri, joguei bola e dormi com ele para ver se ele merece a coroa.
Design e conforto
Vou começar pelo que mais me surpreendeu: o conforto. Esse é o relógio grande mais confortável que eu já usei. E olha que o primeiro Ultra tinha justamente esse problema: era pesado, grosso, e dormir com ele não era nada agradável.
O Ultra 2 mantém aquele formato de almofada, quadrado com cantos arredondados e tela redonda. Mas ficou cerca de 12% mais fino que o primeiro Ultra. O peso quase não mudou, são uns 61 gramas, mas a sensação no pulso é completamente outra.
E boa parte disso vem da pulseira. A nova pulseira Marine ficou mais leve e mais flexível. Ela abraça melhor o pulso, o toque é mais suave, e tem uma coisa que parece detalhe mas faz diferença: eu consigo digitar no notebook sem sentir que o relógio está estrangulando o pulso.
No primeiro Ultra, a pulseira era mais rígida e deixava o relógio com cara de ainda maior. Só um aviso: o encaixe é proprietário da Samsung, então pulseira padrão de relógio não serve.
E ele continua robusto. A caixa é de titânio grau 4, a tela tem vidro de safira, e a traseira combina cerâmica com cristal de safira. Tem resistência de 10 ATM, certificação militar MIL-STD-810H e agora a proteção subiu de IP68 para IP69K, que é a certificação contra jato d'água em alta pressão e alta temperatura. Para resumir tudo isso, pode mergulhar até no mar com ele em águas rasas de até 40m.
Agora, não dá para esquecer: é um relógio grande. O Ultra só existe em um tamanho, 47 milímetros, então em pulsos mais finos, principalmente de muitas mulheres, ele pode ficar grande demais. Se possível, vale experimentar antes de comprar.
Tela
A tela eu achava que era a mesma do Ultra anterior, porque no uso ela continua muito boa, como já era. Mas no papel ela mudou: são 1,52 polegada, um pouquinho maior, e o brilho máximo subiu de 3 mil para 5 mil nits.
Na prática, debaixo de sol forte, pedalando ou correndo, dá para ler tudo sem ficar virando o pulso atrás de sombra. E o vidro de safira faz o trabalho dele: depois de três semanas de uso contínuo, a tela não tem nenhum risco, nenhuma marca. Num relógio robusto desses, é o mínimo que se espera, mas é bom confirmar.
O always on display, aquele modo de tela sempre ligada, funciona bem e não destrói a bateria, que é um assunto que eu vou falar daqui a pouco.
Desempenho e software
Por dentro, a Samsung trocou o processador Exynos do primeiro Ultra pelo Snapdragon Wear Elite, o mesmo chip de 3 nanômetros do Watch 9. São 2 GB de RAM, e o armazenamento dobrou para 64 GB.
No uso, os aplicativos abrem rápido, trocar de mostrador é imediato e iniciar um treino não tem aquela espera. Não tive nenhum travamento. Mesmo com o GPS ligado, no meio do treino, dá para sair para outra tela, fazer o que precisa e voltar para o treino sem engasgo.
O sistema é o Wear OS 7 com One UI 9 Watch, e a Samsung promete cinco anos de atualizações. Tem Play Store, Google Maps, Google Wallet para pagar por aproximação, Spotify e YouTube Music para ouvir música offline.
Um detalhe: o Ultra 2 só existe na versão com 4G, não tem modelo só Bluetooth, e isso pesa no preço. E ele só funciona com Android, iPhone fica de fora.
Saúde e treinos
Aqui é onde o relógio tem que justificar o nome Ultra. Mas já deixo uma ressalva: boa parte dos dados de saúde depende de você dormir com o relógio. A Pontuação de Energia já aparece no dia seguinte, mas a carga vascular precisa de 3 noites nos últimos 14 dias, e o treinador de sono só começa a funcionar depois de 7 noites registradas em 30 dias.
Pedal e corrida: Desde que vendi meu GPS de bike, uso relógio para registrar as atividades. Assim eu tenho o monitor cardíaco e o trajeto num aparelho só, sem andar cheio de gadget. O GPS do Ultra 2 é de dupla frequência e o sinal engata praticamente na hora. Os trajetos foram marcados certinho, e quando exportei para o Strava, os dados bateram com os do app da Samsung. Durante o pedal eu quase não mexo no relógio, só quando estou fazendo algum treino específico, mas é bom saber que ele pausa sozinho quando você para a bike, e na corrida também.
Futebol: No futebol eu cubro o relógio com uma braçadeira de tênis, para não machucar ninguém num contato. Eu quis testar ele no futebol justamente para ver se consegue registrar distância e acompanhar o coração, porque é o esporte que mais me causa lesão, mas também é o meu preferido, então eu convivo com isso. No geral o relógio se comporta bem nesse esporte, mas a distância percorrida geralmente fica acima do que o Amazfit que tinha registrava.
Caminhadas: Na caminhada eu dificilmente inicio uma atividade, só quando sei que vou andar bastante. No resto, deixo a detecção automática agir. E, assim como no pedal e na corrida, a pausa automática é bem-vinda, porque deixa os números mais fiéis.
E tem modos novos que deixam claro para quem esse relógio foi feito. O modo de corrida em trilha mostra elevação, inclinação e ganho de altitude acumulado, e dá para importar rotas em GPX, inclusive do Strava. E o Ultra 2 agora tem certificação de mergulho recreativo, até 40 metros, registrando profundidade, temperatura da água e tempo de mergulho. Esses dois eu não testei, mas são exatamente o tipo de recurso que só faz sentido num relógio Ultra.
Bioimpedância: O sensor BioActive continua medindo batimento, oxigenação, temperatura da pele, eletrocardiograma, pressão e bioimpedância, que estima gordura corporal, massa muscular e água no corpo. Comparando com a minha balança de bioimpedância, alguns números não batem. Pelo que pesquisei, isso é comum, porque muita coisa interfere no resultado: quanta água você bebeu, se acabou de fazer um exercício e suou bastante. Por isso, o mais importante é usar um aparelho só para essa medição e acompanhar a tendência dele. Assim você tem mais controle sobre os dados.
Mas aqui vem o principal ponto de atenção do relógio inteiro: eletrocardiograma, pressão e bioimpedância só funcionam se o seu celular for Galaxy. Se você usa Android de outra marca, o Ultra 2 funciona, mas perde justamente alguns dos recursos de saúde mais interessantes.
Sono: Por ser mais fino e ter a pulseira mais macia, finalmente dá para dormir com um Ultra sem incômodo. Ele mede as fases do sono, tem detecção de apneia e o treinador de sono. E os dados fazem sentido: nas noites em que eu passo de 1 hora e 15 minutos de sono profundo e fico pelo menos 7 horas na cama, eu acordo disposto.
O que é exclusivo do Ultra
Agora, o que você ganha pagando a mais em relação a um Watch 9.
O botão laranja, o Quick Button, continua aqui. No primeiro Ultra, eu reclamei que as opções eram limitadas, e agora ele ficou um pouco mais útil: dá para iniciar um treino, marcar voltas, abrir um app, ligar a lanterna, acionar o cronômetro, o bloqueio de água ou o controle da câmera, entre outros. Eu deixei no controle da câmera, que é o que mais uso.
E segurando esse botão, o relógio dispara uma sirene de emergência, muito alta, pensada para quem se perde ou se machuca numa trilha.
Fora isso: titânio, IP69K, mergulho até 40 metros, modo trilha e, principalmente, a bateria maior. O que fica faltando é uma coroa ou um aro físico giratório. A navegação é por toque na borda da tela, que funciona bem, mas com a mão molhada ou de luva não é o ideal.
Gemini e inteligência artificial
O Ultra 2 tem a mesma novidade do Watch 9: você levanta o pulso e fala direto com o Gemini, sem tocar na tela e sem segurar botão.
Quando funciona, é muito prático. Mas nem sempre ele entende que você quer falar com ele, e com barulho em volta ele falha bastante. Em casa, em silêncio, vai bem. Na rua ou no meio de um treino, não dá para contar com isso.
Bateria e carregamento
E esse é o ponto em que o Ultra 2 se separa de todo outro Galaxy Watch.
A bateria cresceu de 590 para 800 mAh, 35% a mais, e isso num corpo mais fino. A Samsung promete até 60 horas com tela sempre ligada. No meu uso, ele durou três dias, com pelo menos uma hora de GPS em um desses dias.
Para ter noção: o primeiro Ultra me entregava entre um dia e meio e dois dias. O Watch 9 fica entre 30 e 38 horas. Três dias muda a rotina, porque você consegue dormir com o relógio e medir o sono sem ficar fazendo conta de quando vai carregar.
Agora, o carregamento ficou bem mais demorado. Ele leva umas duas horas para ir de zero a 100%, com qualquer carregador que eu testei, inclusive o de 60 W da Samsung. A parte boa é que o começo é rápido: em cerca de 30 minutos ele vai de zero a 40%, e só depois disso desacelera. Como eu só deixei a bateria zerar duas vezes, o meu hábito virou colocar ele para carregar enquanto estou escrevendo, e isso já resolve.
Preço e veredito
- Bateria melhorou
- Tela incrível
- Sistema completo
- Pulseira confortável
- Bateria ainda não é de uma semana
- Preço alto no lançamento
- Alguns itens sincronizam apenas com Samsung
O Galaxy Watch Ultra 2 chegou ao Brasil por R$ 4.999, na versão 4G. Na semana de lançamento, já apareceu por R$ 3.599 no Mercado Livre.
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Então, ele é o rei dos relógios Android? Para quem treina ao ar livre e usa celular Galaxy, é.
Se você faz pedal longo, trilha, corrida ou mergulho, o Ultra 2 é o melhor relógio que a Samsung já fez. Ele resolveu os dois problemas que mais me incomodavam no primeiro Ultra: conforto e bateria. Mas a quase cinco mil reais, é difícil recomendar. Abaixo de R$ 2.800, aí sim ele começa a fazer muito sentido para esse público.
Se você quer um relógio para o dia a dia, notificação, academia e medir o sono, o Watch 9 entrega quase tudo isso, com o mesmo processador e o mesmo Gemini, por menos da metade do preço em promoção. Você abre mão da bateria de três dias, do titânio e dos modos de trilha e mergulho.
E se o seu celular não é Galaxy, pensa duas vezes: você vai pagar caro e ficar sem eletrocardiograma, pressão e bioimpedância.
Para quem tem o primeiro Ultra e sofria com o tamanho ou com a bateria, essa é a troca que faz sentido. Se ele nunca te incomodou nisso, dá para esperar.
Ficha
| Samsung Galaxy Watch Ultra 2 | |
|---|---|
| GERAL | |
| Status | Verificado |
| Data lançamento | 22/07/2026 |
| Preço de lançamento | R$ 4.999,00 |
| Menor preço histórico | R$ 3.599,00 |
| Preço atual | R$ 3.999,00 |
| Preço justo | R$ 2.500,00 |
| Plataforma | |
| CPU | Snapdragon SW6100 Wear Elite (3 nm) |
| Sistema | Wear OS 7 e One UI Watch 9 |
| Instala Apps | Sim |
| Memórias | |
| Armazenamento | 64 GB |
| Outras informações | |
| Dimensões | 47.4 x 47.1 x 10.7 mm |
| Peso | 61.5g |
| Resistência a água | Resistência militar MIL-STD-810H e 10 atm |
| Material | Titânio |
| Tela | |
| Tipo | Super AMOLED |
| Tamanho | 1.52 |
| Resolução | 498 x 498 px |
| Proteção | Sapphire crystal glass |
| Bateria | |
| Bateria | 800 mAh e Si/C |
| Carregador | Wireless charging |
| Redes de dados | |
| Redes de dados | GSM, HSPA e LTE |
| Wi-fi | Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac e Dual Band |
| Bluetooth | LE, A2DP e 6.0 |
| GPS | GPS (L1 L5), GLONASS, GALILEO e BDS |
| NFC | Sim |
| SIM Card | eSIM |
| Outros | |
| Sensores | Sensor de Temperatura, Temperatura (água), SpO2, VO2max, Temperatura corporal, Altímetria, Sensor Magnético, Batimentos cardíacos, Barômetro, Giroscópio, Acelerômetro e Bússola |
| Atende chamadas | Sim |
| Responde mensagens | Sim |
| Músicas Offline | Sim |
| Faz pagamentos? | Sim |






