A Xiaomi caprichou em vários aspectos do Redmi Note 15 Pro 4G - bateria de 6.500mAh, tela AMOLED, carregador de 45W na caixa - mas infelizmente tem um problema que acaba comprometendo toda a experiência de uso.

Nesse post eu vou abordar todas as características do celular e no final você vai entender por que, apesar de tantos pontos positivos, eu não recomendo a compra do Note 15 Pro 4G.

Redmi Note 15 Pro 4G Review:

Design e Construção

Vamos começar falando do visual do novo celular da Xiaomi. Ele mantém aquele mesmo design que a marca aderiu em seus celulares de entrada e também alguns intermediários.

Os dois círculos superiores são as câmeras, a principal de 200 MP e a ultra-wide de 8 MP. Já os dois módulos de baixo tem o flash e no outro não tem nada dentro - serve apenas para complementar esteticamente a simetria do celular.

A versão que estamos testando é na cor "azul glacial", mas o Note 15 Pro 4G também é vendido em preto ou titânio. Vale mencionar que esse "titânio" é só o nome da cor mesmo, já que todas as versões são feitas em plástico, tanto na traseira quanto nas laterais.

A boa notícia é que a Xiaomi colocou um acabamento fosco que deixa o celular muito resistente a marcas de gordura e suor, algo que eu particularmente valorizo muito, não precisa ficar limpando o celular toda hora.

Um detalhe que eu reparei é que o módulo de câmeras tem esse anel que, à primeira vista parece funcionar como proteção às lentes, mas não, ele é muito baixo. O mesmo acontece com o vidro da tela - ele tem um relevo maior que a estrutura do aparelho, o que pode ser preocupante no quesito durabilidade a quedas.

A boa notícia é que a solução para ambos os problemas vem na caixa: é a capinha de silicone incluída pela Xiaomi. Ela é de boa qualidade e cobre todos os pontos arriscados que eu citei anteriormente.

Na parte de cima é onde fica o emissor infravermelho para controlar ar condicionado, TVs e também outros eletrodomésticos. Aqui também tem um microfone e a saída de som secundária.

A lateral direita é plana, sem nada. Já a esquerda tem o botão de volume e o botão power.

O sensor biométrico não fica na lateral, mas sim, na tela. Na primeira geração, esses sensores eram lentos e eu durante muito tempo preferi os laterais, mas esse aqui do Note 15 Pro está muito rápido e responsivo. Funcionou todas as vezes que eu precisei.

Girando para a parte de baixo, temos a saída de som principal, mais um microfone, entrada USB-C e também a gavetinha de chip. Aqui podemos colocar dois chips físicos ou um chip e também um cartão de memória.

Ele tem suporte a pagamentos por NFC, mas não suporta chip virtual eSIM, nem a redes móveis 5G.

Eu praticamente nunca falo de som de celular, mas vale mencionar que o som dos falantes do Redmi Note 15 4G, apesar de bem altos, são bem estridentes e com zero grave.

Proteções

Vamos falar agora sobre durabilidade: a versão 4G do Note 15 Pro vem com certificação IP65, garantindo resistência contra poeira e também jatos de água de baixa pressão. Ou seja, ele sobrevive a chuva e pode ficar até num bolso molhado, mas se o celular cair na piscina, as chances de sobrevivência são baixas.

Vale mencionar que a versão 5G do Note 15 Pro tem certificação IP68 e IP69K, ou seja, jatos de água de alta pressão e mergulhos em água por vários minutos. É a melhor certificação contra água e poeira que temos disponível em smartphones.

Quanto à proteção na tela, não tem diferença entre as versões 4G e 5G: ambos recebem Gorilla Glass Victus 2, um dos vidros mais resistentes disponíveis no mercado.

Outra coisa legal dos celulares da Xiaomi é que, além da capinha de silicone que eu já mencionei, eles também já vem com uma película hidrogel instalada na tela. Tem gente que critica essa película da Xiaomi já que ela risca fácil, o que é verdade, mas o importante é que a tela continue inteira, mesmo com a película riscada.

Foi o que aconteceu com o meu Redmi Note 11S - usei ele com a película de fábrica durante dois anos, e no final ela estava toda riscada e até furou quando deixei cair numa pedra. Mas quando eu tirei a película, a tela estava perfeita, com zero arranhões. Então é muito bacana a Xiaomi já incluir essa proteção para você já tirar o celular da caixa e sair usando sem medo.

Tela

Um dos maiores pontos positivos de comprar um celular custo benefício da Xiaomi é a tela: o Note 15 Pro 4G vem com um painel AMOLED de 6.77 polegadas, resolução Full HD+, 120Hz na taxa de atualização e 3200 nits de brilho máximo.

Mas o que esses valores significam? Para começar, só pelo fato da tela ser do tipo AMOLED evidência que a Xiaomi não economizou em nada no display: se você ler nas especificações de qualquer celular, "AMOLED, Super AMOLED, P-OLED", é tudo basicamente a mesma coisa. São esses os únicos paineis capazes de reproduzir imagens com os chamados "contrastes infinitos" e tons escuros perfeitos.

E se você gosta de celular grande, o Note 15 é um dos maiores: com 6.77 polegadas de tela e resolução FULL HD+, pode apostar que o smartphone funciona muito bem para ver vídeos, filmes e séries.

De fábrica, a taxa de atualização da tela fica alternando entre 120Hz quando tem movimento na tela e 60Hz ao exibir conteúdos estáticos. Assim o celular economiza bateria sem perder fluidez.

Finalizando a tela, eu não posso deixar de falar do brilho. Isso é outra coisa legal do OLED - você pode diminuir a luminosidade até a tela ficar praticamente desligada, e subir até um brilho de cegar os olhos. É uma amplitude excelente, ideal para qualquer cenário.

Resumindo, pode contar com a Xiaomi para mandar bem nas telas. Eles foram pioneiros em trazer esse tipo de painel nos celulares de entrada, e só melhoram com o passar dos anos.

Câmeras

Quanto às câmeras, a Xiaomi optou por manter o mesmo sensor de 200 megapixels que eles já usam há alguns anos. Para falar a verdade, é o mesmo conjunto de câmeras do Note 13 Pro e 14 Pro, a diferença é que eles tiraram o sensor macro de 2 megapixels e substituíram por um buraco vazio. Exatamente, até um buraco vazio no celular é melhor que a câmera macro de 2 megapixels.

Mas falando sério agora, as fotos que esse celular tira não são ruins, mas eu confesso que fiquei um pouco decepcionado. Estamos vendo muita evolução no quesito câmeras nos celulares topo de linha da Xiaomi. Esses tempos eu testei o 15T, e aquele celular foi simplesmente um dos melhores para tirar fotos em 2025. Mas a gente só vê essa melhora nos topo de linha - aqui, nos aparelhos custo benefício, é mais do mesmo no quesito qualidade de foto.

O celular segue aquele padrão de pós-processamento que praticamente todos seguem hoje em dia - tirando fotos com bastante saturação e uma nitidez artificial. Se o objetivo for captar bastante detalhe, isso ele consegue fazer, só não espere imagens fiéis a realidade vindo dessa câmera.

Já a câmera de selfie tem 32 megapixels e não consegue capturar direito os detalhes do rosto sem estourar o fundo. Nas noturnas, a pele fica suavizada, padrão Xiaomi.

📷Fotos tiradas com as câmeras do Note 15 Pro 4G (clique para ampliar):

Imagem da galeria
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Selfies

Já a câmera de selfie filma em FULL HD 30 frames, e é aquela imagem e som que estamos acostumados já há vários anos em celulares da Xiaomi. Apesar de ser a versão "Pro", não tem diferença de qualidade entre as versões mais baratas. Então fique sabendo disso caso você esteja pensando em comprar esse aparelho para produzir conteúdos em redes sociais. Eu não recomendo.

Bateria

Um dos maiores pontos positivos dos celulares da Xiaomi do ano passado foram as baterias gigantes. Eles adotaram a tecnologia silício-carbono, aumentando a capacidade de carga sem aumentar o tamanho físico do celular. Este ano, a Xiaomi trás essas baterias também para seus modelos mais em conta, e é por esse motivo que o Note 15 Pro 4G tem uma bateria de 6.500mAh de capacidade.

Para ter uma ideia, o meu Galaxy S25 Ultra - celular topo de linha da Samsung - tem apenas 5.000mAh.

Eu coloquei o celular da Xiaomi para enfrentar o nosso teste de bateria completo. São 8 horas de uso variado, começando com navegação no Chrome, passando por redes sociais, gravação de vídeo, jogos e mais. Ele começou com 100% de bateria e depois de tudo isso ainda restavam 43%.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
Xiaomi Redmi Note 15 Pro 4G6.5005707:45h01:11h
Samsung Galaxy M34 5G6.0005807:45h02:12h
JOVI V50 Lite6.5005907:45h00:46h
Samsung Galaxy M54 5G6.0006207:45h02:44h
Samsung Galaxy M627.0006307:45h02:04h
Honor Magic 7 Lite6.6006307:45h01:07h
Xiaomi POCO F76.5006307:45h0
ASUS ROG Phone 66.0006407:45h0
Realme GT 77.0006407:45h00:34h
10°Realme C85 4G7.0006407:45h0

De todos os celulares que já testamos, esse foi o melhor resultado de autonomia. Eu cheguei a repetir o teste e o resultado foi o mesmo, então se você está procurando um celular para usar o dia todo e ainda sobrar carga para o outro dia, o Note 15 Pro 4G é simplesmente o Top 1 no nosso ranking.

Outra tecnologia que a Xiaomi trouxe até os celulares baratos é o carregamento rápido - e foram até além, incluindo um carregador de 45W na caixa. Esse carregador consegue encher a bateria gigante do Note 15 em um pouco mais de uma hora - 1h11min, para ser exato.

Hardware e Desempenho

Na introdução desse post eu prometi contar para vocês o motivo de eu não recomendar a compra do Note 15 Pro 4G, e finalmente chegou a hora: o processador dele é um Helio G200 Ultra da Mediatek, e apesar desse nome, de "ultra" ele não tem nada.

Você provavelmente já ouviu algum comentário de que celular com processador Mediatek não presta. E, de fato, até uns anos atrás, isso até que era verdade. Acontece que com a chegada dos chips "Dimensity" da Mediatek isso mudou: eles são rápidos e eficientes, ultrapassando até os chips Snapdragon da Qualcomm no quesito custo benefício.

Acontece que o Note 15 Pro 4G não tem um desses processadores Dimensity, mas sim, Helio, e mesmo sendo um modelo lançado recentemente, ainda carrega a arquitetura antiga da Mediatek. É um chip obsoleto que foi relançado como se fosse novo.

Eu acho importante mencionar que não é só a Mediatek quem faz isso - até mesmo a queridinha Qualcomm aumenta a frequência de processadores antigos um pouquinho e relança como produto novo. Cabe a gente pesquisar bastante antes de comprar para não cair nessa enrascada.

Mas e aí, como fica a performance do Note 15 com esse processador Helio G200 Ultra? Eu coloquei ele para rodar o aplicativo AnTuTu e tivemos a pontuação de 589 mil. Isso significa que ele tem performance idêntica aos celulares mais baratinhos da Samsung, como o Galaxy A06, A17 e por aí vai. A diferença é que o nosso modelo da Xiaomi tem 8GB de memória RAM e também está rodando a HyperOS, interface da Xiaomi que tem recebido várias atualizações que a deixaram mais leve e fácil de rodar, principalmente nos aparelhos mais fracos.

E olha, não tem nem comparação um celular barato da Samsung com um barato da Xiaomi. Os Samsung fracos sofrem demais, já esse aqui até me surpreendeu na agilidade.

Ele responde muito bem ao abrir vários aplicativos ao mesmo tempo, e também não engasga em tarefas leves como navegação em redes sociais, respondendo WhatsApp com vídeo tocando no fundo, dentre outras. A única coisa que eu não consegui fazer com ele foi jogar. A performance ficou muito abaixo do esperado em vários títulos, até mesmo num game leve como Asphalt Legends que roda bem em qualquer celular, não deu muito certo aqui no Note 15 Pro 4G, mas eu entendo que nem todo mundo curte jogar no celular.

A minha preocupação - e também o motivo de eu criticar tanto o uso desse processador - é que o celular funciona bem hoje, mas e nos próximos anos? Garanto que você não compra celular para usar por um ano e depois jogar fora. Aqui em casa, pelo menos, eu uso o celular por dois, três anos e depois dou de presente para um familiar que precisa. Será que o Note 15 Pro 4G vai continuar rodando com agilidade os 6 anos de atualização que a Xiaomi promete? Eu duvido muito.

Esse é o motivo principal para não comprar o Note 15 Pro 4G.

Conclusão

Ano passado eu não tive tempo de testar o Note 14 Pro, e esse ano sinto que também deveria ter pulado, pelo menos esse modelo 4G. Parece que há anos a Xiaomi tenta criar intermediários para a linha Redmi, mas sem sucesso. Os celulares continuam com especificações de celulares de entrada, mas com preço de intermediário premium. E esse é o grande problema do Note 15 Pro, o preço. Se fosse um celular de R$ 1.300, no máximo R$ .1.400, até teria como recomendar a compra, mas enquanto eu escrevo esse post, o Note 15 Pro em sua versão 4G está custando cerca de R$ 1.719 na Shopee.

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Para se ter uma ideia, o POCO X7 Pro - outro celular da Xiaomi - pode ser comprado por cerca de R$ 1.890. São quase duzentos reais de diferença, mas eu vou falar as diferenças e você avalia se compensa pagar essa diferença e levar o celular mais caro:

  • Na construção, o X7 Pro vem com certificação IP69 contra jatos de água de alta pressão e submersão completa em 1.5m de água por 30 minutos.
  • Quanto a tela, ambos os celulares têm ótimos paineis AMOLED, mas o do POCO tem uma resolução maior, resultando numa nitidez aprimorada ao consumir todos tipos de conteúdo.
  • A câmera do POCO tira fotos bem melhores que as do Redmi, e também consegue filmar em 4K 60 frames com boa estabilização.
  • Mas a maior diferença é o processador: nada de Helio G200 desatualizado - não, aqui a gente tem um Dimensity 8400 Ultra, um dos chips mais potentes da Mediatek.

Para se ter uma ideia da diferença, no teste de performance o Redmi pontua cerca de 590mil, enquanto o X7 Pro chega próximo dos dois milhões de pontos. É um celular com processador que consegue rodar até mesmo os jogos mais pesados, como Wuthering Waves e também Fortnite com gráficos no máximo.

Eu fiquei boa parte de 2025 recomendando a compra desse celular, e enquanto ele continuar sendo o melhor custo benefício, vou continuar recomendando em 2026.

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Outro celular que vale a pena ficar de olho em promoções é o novo POCO M8. Ele também é um Xiaomi com bateria boa e tela AMOLED, mas vem com processador Snapdragon 6 Gen 3 - que apesar de estar longe de ser o melhor do mercado, ainda é melhor que o Mediatek do Note 15 Pro 4G. No momento, ele ainda está caro, mas se encontrar por cerca de R$ 1.500, é uma boa compra.

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