Por que gostamos tanto de jogos difíceis?

Eles são os maiores motivos para os seus rages em suas gameplays, mas, por que você não vive sem eles?

Por | @grasiel_grasel Games

Uma das principais características dos jogos do século passado não eram apenas a menor quantidade de bits nas especificações de barramento dos processadores de seus consoles, mas também enorme dificuldade que a maioria de seus games obrigavam os jogadores a enfrentar, afinal, em boa parte deles não existia uma opção de salvar o seu progresso como temos nas gerações do século XXI, se suas vidas se esgotassem no último boss, boa sorte recomeçando do 0.

Boa parte dos “gamers hardcore” que atravessaram as gerações vendo Mario saindo dos poucos pixels que o Nintendinho suportava em Super Mario Bros para a qualidade gráfica, profundidade em 3D e liberdade de Super Mario Maker oferece, costumam dizer que os jogos blockbusters da atualidade não oferecem nenhum desafio e, por serem fáceis demais, podem ser considerados ruins, mas é claro que isto não é uma verdade.

A grande questão é: Por que frustração e raiva pela dificuldade de passar de uma fase não são o suficiente para fazer um jogador desistir de um jogo? Quais são as reações fisiológicas que nos fazem querer levar o desafio cada vez mais a sério?

Em primeiro lugar, é importante termos a certeza de que estamos falando de jogos em que a dificuldade está unicamente baseada na jogabilidade, e não em bugs que tornam o progresso impossível ou glitchs que atrapalham o desempenho do seu personagem. Estamos falando única e exclusivamente de jogos que tem como característica a desvantagem do protagonista em relação aos seus inimigos ou ao próprio cenário.

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Por que gostamos tanto de jogos difíceis?

A dificuldade dos RPG’s ao estilo Dark Souls

Você certamente já deve ao menos ter ouvido falar sobre a série de jogos Dark Souls, e sempre que vê esse nome, automaticamente pensa em um jogo difícil e cheio de armadilhas para te fazer passar raiva. Embora sejam por estes os principais comentários que vemos a respeito do jogo, ele vai muito além disso, pois tem uma história bastante interessante que só pode ser acompanhada se buscarmos cada detalhe em cada segredo do game, pois, ao contrário de outros jogos, você não segue um enredo contado por cutscenes ou CGs in game, mas vive e explora Dark Souls, entender a sua história vai depender da sua capacidade e curiosidade.

Uma das maiores reclamações dos jogadores da saga é o nível de apelação dos inimigos, principalmente dos chefes, que são muito maiores e/ou mais rápidos que você, te obrigando a entender os padrões de ataque de um boss, utilizar apenas ataques de oportunidade e passar várias horas tentando encontrar uma maneira de derrota-lo tirando uma quantidade mínima de HP a cada golpe dado, enquanto você, se levar um único golpe, pode acabar sendo morto instantaneamente. Tudo bem, isto deixa o jogo realmente difícil e frustrante, mas, quem disse que isso não é legal?

Para descobrirmos o que faz jogadores de Dark Souls continuarem jogando o game, resolvemos falar com Renan Cardoso Leitão, que tem 30 anos e é administrador da página Dark Souls da Depressão, uma das comunidades sobre o jogo com maior engajamento de seu público, ele joga a saga a cerca de dois anos e diz que o que mais gosta nele é a sua jogabilidade e linearidade, achando a sua dificuldade bastante desafiadora: “Pra chegar no Boss você precisa passar por um cenário com inimigos bem difíceis, e quando chega no Boss a batalha é épica, é geralmente a única parte do game que possui uma trilha sonora”.

O que acontece é que, por estarmos sofrendo uma constante frustração, passando por momentos constantes de raiva, apreensão e dificuldade, somos muito bem recompensados por nosso cérebro, que libera uma dose de dopamina pelo corpo ao perceber que passamos por uma dificuldade e nos saímos bem. Ao sentirmos o alivio e a felicidade de derrotarmos um chefe difícil, o corpo sente os efeitos da dopamina e passa a pedir por mais dessa sensação, nos prendendo ao jogo até o seu final.

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Jogos de atenção, velocidade e habilidade

Uma outra categoria de game que pode te deixar com os nervos à flor da pele são os point and click de habilidade ou então jogos de música como Guitar Hero, nos quais, em níveis mais altos, você precisa apertar uma série de botões em um espaço de tempo extremamente curto, tudo isso seguindo um ritmo dado pelo próprio jogo. Este estilo de game já foi bastante citado como um dos que são benéficos ao cérebro humano e melhoram nossa capacidade cognitiva, pois somos estimulados a pensar mais rapidamente.

A dificuldade deste gênero está ligado diretamente com a nossa capacidade de perceber e reagir a estímulos visuais e auditivos, sejam eles as cores dos botões que devemos apertar ou o ritmo da música que devemos seguir. Jogos como Osu!, um game musical rítmico japonês onde você precisa clicar e arrastar pontos com perfeição, são utilizados até mesmo para melhorar certas habilidades de jogadores de outros jogos, como em Counter Strike, no qual ter um bom “muscle memory” (capacidade do jogador em saber o quanto precisa movimentar o mouse para levar a sua mira de um ponto ao outro) é essencial.

Conseguir completar uma música nos modos mais difíceis deste tipo de jogo é quase tão reconfortante quanto conseguir derrotar um chefe inimigo em Dark Souls.

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Mas, jogos fáceis são ruins?

Voltando a falar sobre os gamers “hardcore”, muitos deles costumam dizer que a cada geração os jogos começaram a ficar mais fáceis e, por este motivo, ficaram ruins. A exemplo de games das primeiras gerações, como boa parte da 4ª geração e Battle Toads, que é conhecido até hoje como um dos títulos mais difíceis de todos os tempos, essa dificuldade acabou caindo por terra a cada novo console, e agora qualquer pessoa consegue um bom desempenho na maioria dos jogos, mesmo jogando pela primeira vez.

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Não há dúvida de que jogos com uma dificuldade reduzida podem ser tão bons quanto os mais difíceis, afinal, o game pode ter um maior apelo visual ou então uma história melhor desenvolvida, deixando a dificuldade de lado e apostando em aspectos que podem ser mais atraentes a novos jogadores.

A verdade é que, com o amadurecimento do mercado, jogos difíceis acabaram caindo para uma categoria de títulos voltados a um público muito específico, já os mais fáceis visivelmente atraem mais jogadores para o mercado de games, aumentando o engajamento de novos compradores e o melhor, sem perder em qualidade, que é compensada por uma história bem desenvolvida e um visual bem desenhado.

E você, gosta de jogos difíceis? Quais são os seus favoritos? Deixe o seu comentário abaixo a respeito do assunto! ;)

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