Vitrocerâmica poderá ser o substituto das atuais telas de smartphones

Brasileiro desenvolve trabalho que poderá ser usado para substituir telas de smartphones. Material é muito resistente.

Por | @oficinadanet Tecnologia

Um estudo desenvolvido por Leonardo Santa’Ana Gallo, doutorando em Ciência  e Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mostrou como resultado um material vitrocerâmico transparente, bastante duro, que poderá ser usado para substituir os vidros comuns usados nas telas de tablets e smartphones ou mesmo os vidros blindados usados em veículos, edifícios e também viseiras de capacetes.

A apresentação, intitulada como “Correlation between crystallization, microstructure and mechanical properties of MgO-Al2O3-SiO2 glass-ceramics” (Correlação entre cristalização, microestrutura e propriedades mecânicas de vitrocerâmicas do sistema MgO-Al2O3-SiO2), acabou sendo premiada como uma das cinco melhores apresentações feitas por pesquisadores com menos de 40 anos, no 11th International Symposium on Crystallization in Glasses and Liquids (11o Simpósio Internacional sobre Cristalização em Vidros e Líquidos), em Nagaoka, Japão.

Vitrocerâmica poderá ser o substituto das atuais telas de smartphones

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“Devido às suas características – transparência, dureza e baixa densidade –, essa vitrocerâmica tem um grande potencial de aplicação. Com ela, seria possível, por exemplo, produzir smartphones com telas mais finas, o que contribuiria para a diminuição do peso dos aparelhos ou janelas à prova de balas mais leves e tão eficientes quanto as que possuem os vidros blindados atuais”, disse o pesquisador à Agência FAPESP.

A peça, caso fosse atingida por um projétil, por exemplo, iria romper, porém, ao romper, também iria absorver a energia do projétil, e com isso não atravessaria. A vitrocerâmica é um vidro espacial que passa por um processo parcial de cristalização. “São as fases cristalinas que determinam suas características especiais”, afirmou Gallo.

O interessante foi que conseguimos um material que continua transparente após a cristalização. Isso não é comum, nem fácil de se obter. Geralmente, após cristalização, os materiais ficam opacos”, disse o pesquisador.

 “Quando o material é aquecido, sua estrutura molecular começa a se reorganizar, formando pequenos cristais distribuídos pelo meio amorfo. No caso em estudo, são cristais compostos – de magnésio, alumínio e silício –, como a cordierita, a safirina e outros. Suas características são definidas por três variáveis: composição química do vidro, temperaturas de tratamento e tempo de exposição a essas temperaturas. É possível controlar rigorosamente todas as etapas do processo, determinando, inclusive, o percentual do material a ser cristalizado para a obtenção do produto final de interesse”, disse Edgar Dutra Zanotto, coordenador do Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (Certev, da sigla em inglês), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiado pela FAPESP , e orientador do doutorado de Gallo, sobre o processo do desenvolvimento da vitrocerâmica.

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