Guerra Tecnológica

Governo brasileiro aposta em softwares livres e tecnologias nacionais contra espionagem.

Por | @oficinadanet Segurança digital

Desde o último setembro, a segurança da informação tornou-se foco do governo brasileiro. Denúncias de que o Brasil tenha sido vítima de espionagem operada pelos Estados Unidos, onde milhões de brasileiros tiveram suas informações monitoradas, incluindo interceptações de dados telefônicos da presidente Dilma Rousseff.

Esse cenário de desconfiança desencadeou diversas reuniões entre setores estratégicos do governo brasileiro e instituições de tecnologia com os objetivos de mapear ambientes virtuais do governo brasileiro e de avaliar suas vulnerabilidades.

Por que espionar o Brasil?

A espionagem da agência de informações norte-americana (NSA) tinha como alvo, as informações de governantes e o comportamento do usuário brasileiro em busca de informações de mercado, tendo assim, tendências dos consumidores brasileiros.

Diante dessa ameaça, já concretizada, tem-se o desafio de garantir a segurança e o sigilo dos dados sem comprometer a liberdade no universo da internet. Isso tem sido chamado de “reinvenção da rede”, é uma discussão que percorre todo o mundo, integrando detalhes jurídicos, tecnológicos e culturais, sugerindo mudanças que vão além das áreas técnicas, envolvendo a sociedade e os governos.

A medida adotada pelo governo brasileiro para prevenir possível espionagem é a utilização de softwares livres e tecnologias nacionais. As tecnologias livres são consideradas auditáveis e possuem garantias contra backdoors; dispositivos que extraem informações sem o consentimento do usuário.

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A primeira ferramenta é o Expresso V3.

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Uma aplicação de comunicação e de colaboração focada no ambiente corporativo que, atualmente, inclui os módulos E-mail, Contatos, Tarefas, Calendário, Workflow e Webconferência. Destaca-se também sua mobilidade e a alta escalabilidade.

Os recursos empregados nessa ferramenta são tecnologias próprias do SERPRO, empresa de TI pública, especialista na área de tecnologia de informação aplicada à esfera pública, e totalmente construídas em software livre, o que garante independência de fornecedor, baixo custo e utilização de protocolos padrões.

Baseado em um projeto da comunidade internacional de software livre, o V3 possui o seu desenvolvimento integrado ao projeto original, o que possibilita que os dois projetos se beneficiem das melhorias aplicadas a cada um deles.

O Expresso V3 é uma ferramenta utilizada pelo SERPRO, além de ser utilizada por alguns de seus clientes como a Presidência da República, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o Ministério de Planejamento, a Controladoria Geral da União, a SUSEP e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A proposta é que até o segundo semestre de 2014, todos os profissionais da administração federal estejam utilizando o V3.

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Há uma parceria do SERPRO com a Universidade Federal de Santa Catarina para rediscutir as formas matemáticas de criptografia e propor novas soluções.

Além dessa ferramenta, há em funcionamento o serviço de nuvem do governo brasileiro, desenvolvida pelo SERPRO. No início, o ambiente abriga sistemas para o programa “Cidades Digitais”. São soluções de educação, atendimento médico hospitalar, gestão e comunicações para municípios brasileiros.

Esse serviço envolve áreas de rede, plataformas de serviços e segurança e foi desenvolvido pautado por governança, planejamento, observância dos princípios de qualidade, integridade, disponibilidade e confidencialidade. Será voltado para três modalidades importantes e mais visíveis: infraestrutura, plataforma e software.

Inicialmente, está sendo ofertada a modalidade infraestrutura como serviço. O cliente contrata uma infraestrutura de hardware e software, disponível nos centros de dados da empresa, pela internet. As instituições do governo poderão optar por hospedar os dados nesse ambiente em nuvem, construído a partir de uma plataforma livre e com sua infraestrutura totalmente em solo nacional.

Isso tudo por causa do software livre OpenStack que permite a alocação de servidores, plataformas e aplicações pelos próprios clientes, sem a necessidade de intervenção das equipes do SERPRO.

O Expresso V3 e o sistema em nuvem são tecnologias nacionais. Conforme o SERPRO, a empresa está preparada não só para atender ao governo federal, mas também a um Município e/ou a um Estado que queiram utilizar tais ferramentas.

Fim?

O governo brasileiro já adotou sua estratégia de defesa e as primeiras reações contra a espionagem foram tomadas. Está apostando em tecnologias nacionais para resolver os desafios diante dessa guerra intelectual.

Fonte: Serpro1, Serpro2.

http://tema.serpro.gov.br/pub/serpro/
https://www.serpro.gov.br/

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