Eu testei o novo monitor OLED da Samsung, o modelo G5 de 27", resolução QuadHD com 180Hz de taxa de atualização, tempo de resposta de 0.03ms e qualidade que nenhum outro monitor LCD te proporciona. Mas tudo isso tem um preço e é sobre isso que vamos falar.

Samsung Odyssey OLED G5: Análise

Design e construção

Olha, antes de tudo preciso te falar uma coisa que ficou clara assim que tirei esse monitor da caixa: a Samsung pegou um painel premium e colocou num corpo de entrada. E não é crítica gratuita, é exatamente a estratégia para conseguir chegar no preço que apesar de eu ter criticado, é um dos menores da categoria.

Traseira do monitor
Traseira do monitor

A construção é quase toda de plástico. Nada de detalhes espelhados, nada de estrutura metálica aparente. E confesso que, pode incomodar quem pensa em comprar algo premium, mas acredito que não seja o público que esse monitor quer atacar.

Por outro lado, você pega o monitor na mão e entende uma coisa: ele é absurdamente leve. Com a base montada, são só 3,3 kg. E é fino, muito fino, porque o OLED não precisa daquela camada de retroiluminação que os monitores LCD carregam atrás do painel. Então parte do que parece "economia" é, na real, a própria tecnologia trabalhando a teu favor.

Diferente de outros modelos da linha Odyssey, esse G5 vem com tela plana, reta, sem aquela curvatura. O acabamento da frente é fosco, o tal do Glare Free, que segura bem os reflexos. Só te adianto: em ambiente muito iluminado, esse acabamento pode dar um aspecto meio acinzentado ao preto. Não é defeito, é o jeito que o anti-reflexo funciona. E reparei também numa borda interna dentro do próprio vidro, antes da imagem começar de fato. As bordas externas são finas, mas a tela de fato só começa onde você está vendo com ele ligado.

Por trás, a Samsung manteve aquele visual de linhas agressivas com o logo da Odyssey. Bonito, moderno, minimalista. Esse monitor não tem RGB, diferente dos modelos mais caros da marca. Pra mim, é algo removível, especialmente se baixa o preço final do produto.

Base do monitor
Base do monitor

A base tem um formato hexagonal, quase pentagonal, também de plástico, ainda que por dentro possa ter peças metálicas pra dar firmeza. E é aqui que mora a maior limitação do monitor. O suporte original é básico, muito básico. Ele só faz ajuste de inclinação, o tilt. Não sobe, não desce, não gira pros lados, não tem pivot pra rotacionar a tela. Pra mim isso é o ponto fraco mais sério do conjunto.

A ergonomia é ruim, mas acredito que você deve ter um braço articulado em casa para deixar ele suspenso, e a boa notícia: ele tem furação VESA 100x100.

Conectividade
Conectividade

Na traseira, a conectividade é enxuta e direta ao ponto. Você tem 1 HDMI 2.2, 1 DisplayPort 1.4, uma saída de áudio P2 de 3,5 mm e uma porta USB-A, que aqui serve para atualizar firmware e não conectar seu periférico.

O monitor não tem alto-falante nenhum. Se você quer som, vai depender daquela saída P2 com fone ou caixa externa, outro ponto que não vejo problema em ser removido.

Fonte de alimentação
Fonte de alimentação

A fonte é externa, igual fonte de notebook.

Os comandos do menu, o OSD, ficam num botão direcional embaixo, no centro, logo abaixo do logo da Samsung. Funcional, sem mistério.

No fim das contas, o design entrega o recado: é honesto sobre o que é. Um corpo simples segurando uma tela que vale muito mais que ele. Você só precisa entrar nessa compra sabendo que vai querer um braço VESA do lado.

Qualidade de imagem

Monitor Odyssey OLED G5
Monitor Odyssey OLED G5

Agora a gente chega na parte que justifica tudo. Porque, sinceramente, é aqui que esse monitor mostra onde foi parar o dinheiro.

O painel é um QD-OLED de 3ª geração. E pra você entender por que isso importa: o QD-OLED junta o melhor do OLED, onde cada pixel acende sozinho, com os pontos quânticos, que deixam as cores mais vibrantes e mais precisas. Na prática, é como ter duas boas tecnologias trabalhando juntas na mesma tela.

Vamos começar pelo que mais salta aos olhos: o contraste. Como é OLED, cada pixel emite a própria luz e pode simplesmente desligar. Isso significa preto de verdade, preto absoluto, não aquele cinza escuro que os monitores LCD tentam te empurrar. E acaba com o blooming, aquele vazamento de luz em volta de objetos claros numa cena escura. Você assiste a um filme com cena noturna e o preto da imagem se funde com o preto da moldura do monitor. É de queixo caído.

Nas cores, o monitor cobre 99% do DCI-P3 e 100% do sRGB, e ainda tem certificação Pantone. Traduzindo: cor vibrante e fiel tanto pra jogo quanto pra trabalho profissional. E tem mais, a uniformidade é excelente, sem aquele efeito de vinheta que é comum nos LCDs, onde os cantos puxam pra um tom diferente do centro.

Ótima resolução, cores e contraste
Ótima resolução, cores e contraste

A resolução é Quad HD, 2560x1440, numa tela de 27 polegadas. Boa densidade de pixels pro tamanho. E aqui tem um detalhe técnico que merece atenção: essa 3ª geração do QD-OLED mudou o alinhamento dos subpixels pra vertical, com vermelho, verde e azul em linha. Parece bobagem, mas é justamente isso que reduz o text fringing, aquela franja colorida nas bordas das letras que atormentava as gerações antigas de OLED. Resultado: o texto ficou muito mais nítido, e isso faz desse G5 uma ótima opção para quem trabalha e precisa de boas cores e ótimo contraste.

Agora preciso ser justo e falar do ponto que vai dividir opiniões: o brilho. Não é muito, dentro do estúdio aqui funciona, pois a luz é controlada. A Samsung limitou o brilho de propósito e penso que fez isso para evitar a degradação acelerada do painel, o famigerado Burn-in.

Teste de Ghosting
Teste de Ghosting

Pra jogo, o monitor é fera demais. Tempo de resposta de 0,03 ms, que na prática elimina o ghosting, aquele rastro que a imagem deixa em movimento rápido, algo característico de telas OLED. A taxa de atualização vai até 180 Hz no DisplayPort e 144 Hz no HDMI. E tem FreeSync da AMD e compatibilidade com G-Sync da NVIDIA, então nada de tearing, aquela quebra de quadro horrível no meio da tela. É total fluidez.

Ótimos ângulos de visão
Ótimos ângulos de visão

Fechando, os ângulos de visão são excelentes, outra característica de telas OLED. Você olha de onde quiser e a cor e o contraste se mantêm, sem desbotar. E o acabamento fosco reduz reflexo em até 54%, o que ajuda muito, especialmente se tiver janelas próximas. Só lembrando do que já falei lá no design: em ambiente muito iluminado, esse fosco pode dar um leve aspecto acinzentado ao preto. É a troca que você faz pra não ter um espelho na sua frente.

No fim das contas, a qualidade de imagem é o coração desse monitor. Para mim, é o tipo de tela que, depois que você usa, fica difícil voltar pra um LCD comum. O brilho é a única ressalva real, e mesmo assim só vai te incomodar em situações específicas.

Uso no dia a dia

Já falei bastante sobre jogar com ele, mas agora quero dar uns pitacos sobre como foi usar esse monitor no trabalho. Eu tirei o meu ultrawide WVA da LG da mesa pra colocar o OLED da Samsung no lugar. Perdi em área de trabalho, isso é fato. Mas ganhei muito em qualidade, em nitidez e, principalmente, em contraste.

Muito bom para trabalhar
Muito bom para trabalhar

E pra escrever texto, isso faz toda a diferença. É a diferença entre forçar a vista de vez em quando pra enxergar as letras e ter uma visão limpa, nítida, do que você está escrevendo. Quem passa o dia digitando entende o que eu tô falando.

Confesso que o meu setup nem sempre é o mais organizado ou o mais bonito, mas ele funciona pra mim. Eu vivo trocando o aparelho que estou testando, vivo mexendo nas coisas, então a mesa está sempre mudando. Faz parte.

Mas vou ser honesto: se fosse pra adotar esse monitor como meu principal de trabalho, eu mudaria algumas coisas. Colocaria um braço articulado para levantar ele e deixaria o notebook na frente, usando a tela do notebook como monitor secundário. Assim eu recuperaria parte daquela área de trabalho extra que o ultrawide me dava.

Essa aqui é a visão da minha mesa enquanto escrevo. E, falando em ergonomia, o monitor deveria estar um pouco mais alto pra eu não ficar com o pescoço curvado. É exatamente por isso que o braço articulado seria essencial, não é luxo, é necessidade.

Preço e vale a pena?

8.5
Prós
  • Painel QD-OLED de 3ª geração com imagem excepcional
  • Contraste infinito e preto absoluto
  • Cores vibrantes: 99% DCI-P3, 100% sRGB e certificação Pantone
  • 180Hz, 0,03ms, FreeSync e G-Sync para jogos
  • Texto mais nítido graças ao novo alinhamento de subpixels
  • O OLED mais barato do Brasil
Contras
  • Suporte básico, só com ajuste de inclinação
  • Sem alto-falantes integrados
  • Sem iluminação RGB
  • Brilho limitado, sofre em ambientes muito claros
  • Construção quase toda de plástico
  • USB-A serve apenas para firmware

Agora a gente fecha o assunto que abriu esse vídeo lá no comecinho. E aqui mora a maior virtude desse monitor: ele é, hoje, o OLED mais barato que você encontra no Brasil. Em promoção, dá pra achar ele por menos de R$ 3.000. Pra quem acompanha o mercado, isso é absurdo. Esse é literalmente o monitor que abre a porta da tecnologia OLED pra muita gente que nunca teria condição de pagar pelos modelos top de linha.

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Mas, como eu já venho falando ao longo desse review, esse preço não cai do céu. A Samsung cortou coisas pra chegar nele. Cortou o suporte ergonômico decente, deixando só o tilt. Cortou a iluminação RGB da traseira. E cortou os alto-falantes, que simplesmente não existem aqui. Então é aquele jogo: você paga menos, mas aceita algumas concessões. A pergunta que importa é se essas concessões te incomodam.

E pra mim a resposta é clara: não incomodam tanto assim. Porque tudo que a Samsung cortou é periférico. Ela manteve intacto exatamente o que importa, que é o painel QD-OLED de 3ª geração com aquela qualidade de imagem de queixo caído. Suporte ruim você resolve com um braço VESA. Som você resolve com fone ou caixa. Agora, qualidade de imagem ruim não tem como resolver, e é justamente aí que ele não decepciona.

Quando você olha pra concorrência, a comparação direta é com o LG UltraGear OLED. E é uma briga interessante. O LG entrega uma construção mais robusta, vem com controle remoto e oferece mais conexões. Em ergonomia e em "mimos", o LG ganha. Só que o Samsung é consideravelmente mais barato. Então a escolha vira uma conta simples: se você quer o pacote mais completo e tem o dinheiro, o LG faz sentido. Mas se o seu objetivo é entrar no mundo OLED gastando o mínimo possível sem abrir mão da qualidade de tela, o G5 é imbatível.

Para mim, esse monitor cumpre exatamente o papel a que se propôs. Ele não tenta ser o melhor monitor da Samsung, ele tenta ser o OLED mais acessível, e nisso ele acerta em cheio. Eu indico a compra, mas com uma condição: já entra nela sabendo que vai querer comprar um braço articulado junto. Com o braço resolvendo a ergonomia, você tem nas mãos uma das melhores relações custo-benefício do mercado de monitores hoje no Brasil.

Ficha técnica

Samsung Odyssey OLED G5 27
GERAL
StatusVerificado
Data lançamento01/05/2026
Preço de lançamentoR$ 3.039,05
Menor preço históricoR$ 2.959,30
Preço atualR$ 2.959,30
Tela
TelaOLED
Tamanho27 Polegadas
ResoluçãoQHD (2560x1440)
Frequência144Hz e 180Hz
Tempo de resposta0.03ms
SyncFreeSync
Contraste1000000:1
Conectividade1 USB-A, 1x DisplayPort 1.4, 1 3.5mm P2 e 1 HDMI 2.2
Construção e Extras
Dimensões609.9 x 359.3 x 57.0 mm
VESA100x100
Peso3.3 KG