Chegamos a quarta parte da série de artigos onde conto a história das principais marcas tradicionais de fones de ouvido do mundo. Após uma enquete feita com os membros do grupo Fones de Ouvido High-End no Facebook, foi decidido que as próximas narrativas seriam da AKG, Bose e Sony. Entretanto, a história das duas primeiras acabou se tornando extensa e decidi deixar a empresa japonesa para uma quinta ou sexta parte, pois ainda temos as crônicas da Denon, Etymotic e JVC para contar.

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AKG (1947)

Nacionalidade: Austria

Fundadores: Rudolf Goerike e Ernst Pless

Faturamento anual: ???

Rudolf Goerike (esquerda) e Ernst Pless (direita). Fonte: hongparkblog
Rudolf Goerike (esquerda) e Ernst Pless (direita). Fonte: hongparkblog

A AKG, originalmente chamada de Akustische und Kino-Geräte Gesellschaft (Acoustic and Cinema Equipment em inglês) é uma empresa austríaca focada em fones de ouvido, microfones e acessórios relacionados a áudio tanto para soluções profissionais quanto para soluções residenciais. A companhia vienensa, fundada pelo físico Dr. Rudolf Goerike e pelo engenheiro Ernst Pless em 1947 em Viena, capital da Austria, que inicialmente começaram fornecendo equipamentos para cinemas como caixas de som, projetores e medidores de luz. Após algum tempo, começou-se a produzir buzinas de carro, interfone, capsulas de microfone para telefones, fones de ouvido e almofadas para alto falantes (cushion speakers).

O primeiro microfone desenvolvido pela AKG, no ano de 1947, foi utilizado em estações de rádio, teatros, clubes de jazz e cabarés. Estes primeiros modelos (série AKG DYN) eram fabricados a mão por somente cinco trabalhadores. Nestes primeiros anos, a empresa desenvolveu suas primeiras patentes como a tecnologia da bobina móvel e o princípio das membranas de carga em massa (mass load membranes), permitindo que seus produtos obtivessem uma ampla faixa de frequência para trabalhar.

No ano de 1949, a AKG lançou seus primeiros fones de ouvido no mercado. Quatro anos depois, a empresa alcançou sua fama internacional estabelecendo o padrão para transmissões de voz. Sua primeira conquista, que a tornou conhecida, foi o primeiro microfone cardioide dinâmico do mundo, que possuia excelente qualidade sonora para a época, o D12, sendo utilizado em estações de rádio e estúdios de gravação do mundo inteiro. Posteriormente o microfone foi aprimorado, lançando assim o primeiro microfone capacitor multipadrão do mundo com controle remoto, o C12 e o D36 que fez história na acústica.

Primeiros headphones da AKG (1949). Fonte: hongparkblog
Primeiros headphones da AKG (1949). Fonte: hongparkblog

Curiosidade: Um dos primeiros clientes do famoso microfone AKG C12 foi a BBC em Londres.

Com o sucesso cada vez maior, a AKG acabou se expandindo geograficamente também, tendo uma subsidiaria na Alemanha no ano de 1955. Ao final dos anos 50, a empresa já havia crescido para outras partes da Europa e outros países de fora. Pouco mais de dez anos depois a companhia já estava exportando para o oriente e América Latina.

Na década de 70 a AKG focou no que fazia de melhor e com qualidade, transdutores de áudio. Com foco no que fazia com excelência, a empresa lançou então os primeiros microfones cardioides bidirecionais do mundo, o D202 e o D224, além de desenvolver um sistema de microfone condensador modular CMS. Mas as inovações desta década não pararam, a companhia lançou também o BX20, a primeira unidade de reverberação de estudo verdadeiramente portátil do mundo.

Em 1973, a AKG já estava comemorando a sua milésima patente. Neste mesmo ano a empresa apresentou seu fone de ouvido AKG K140. Após isso, ainda houve mais inovações como os primeiros fones de ouvido bidirecionais (two-way headphones) do mundo, o AKG Transversal Suspension (TS) e a linha True Vocal que consolidou a reputação de alta qualidade da marca.

Headphone AKG K140. Fonte: usaudiomart
Headphone AKG K140. Fonte: usaudiomart

No final dos anos 70, artistas como com Frank Sinatra, Roger Whittaker, Falco e outros utilizaram os equipamentos de gravação da AKG. Além disso, a empresa foi a primeira a aperfeiçoar a tecnologia digital dos microfones, que foram utilizadas em 1980 nas Olimpíadas de Moscou. Quatro anos depois, em 1984, a AKG tornou-se uma empresa pública.

Em 1985 a AKG abriu sua subsidiaria americana e continuou a expandir para outros países. Esta expansão ajudou muito a empresa na venda de seus produtos, conseguindo até participar do projeto espacial "Audimir", que realizava simulações do espaço sideral. A companhia continuou a crescer, tendo sucesso com seus fones de ouvido da linha K Series, com seus microfones dinâmicos da Tri-Power Series, com o sistema modular de microfone da série Blue Line, entre outros.

Headphone AKG K1000 anunciado em 1989. Fonte: hongparkblog
Headphone AKG K1000 anunciado em 1989. Fonte: hongparkblog

No ano de 1994, a AKG acabou sendo comprada pela Harman International Industries. Um ano depois, a empresa lançou o menor sistema de diafragma duplo do mundo, o CK77 / C577, projetado para teatros, TVs e cinema. A companhia também lançou a série Performer, com microfones mais acessíveis para Karaokê, gravações caseiras e músicos performáticos.

Na década de 90 a AKG continuou a mostrar mais inovações como o primeiro microfone dual large-diaphragm electret.

Em 2007 a AKG completou 60 anos, refazendo seu logo e imagem da marca. Três anos depois, em 2010, a empresa ganhou o prestigiado prêmio Technical Grammy.

No ano de 2016 houve grandes mudanças para a AKG. A Harman, que tinha os direitos sob a empresa, foi comprada pela Samsung. Houve também o anúncio de que suas instalações em sua sede principal em Viena seriam encerradas no ano seguinte, com transferência para a sede na California, EUA.

Atualmente, a maioria dos produtos da AKG são fabricados nas instalações da Harman.

Bose (1964)

Nacionalidade: EUA

Fundadores: Amar Bose

Faturamento anual: US$500 milhões

Amar G. Bose. Fonte: libretto-inc
Amar G. Bose. Fonte: libretto-inc

A Bose é uma empresa norte-americana focada em equipamentos de áudio. Fundada por Amar Bose em 1964 em Massachusetts com a ajuda de investidores anjo, incluindo seu orientador de tese e professor, Y. W. Lee. O interesse do fundador por caixas de som iniciou em 1956, quando comprou um sistema estéreo e ficou desapontado com seu desempenho.

Inicialmente, o objetivo da criação da Bose era conseguir desenvolver um sistema de caixas que utilizassem diversos alto-falantes nas paredes ao redor para replicar o som de uma sala de concertos. Então, dois anos após a fundação da companhia, em 1966, a empresa lançava seu primeiro produto, o Bose 2201. O design do primeiro produto da companhia era um tanto quanto incomum, sendo formado por 22 alto-falantes que foram projetados para ficar nos cantos da sala para que o som se refletisse e proporcionasse uma boa imersão. Infelizmente a invenção foi um fracasso e sua produção foi interrompida após 3-4 anos.

Bose 2201. Fonte: pinterest
Bose 2201. Fonte: pinterest

Após a experiência desastrosa dos múltiplos alto-falantes, Amar chegou à conclusão que as técnicas de medição dos sistemas de áudio da época (para medir distorção e resposta de frequência) não eram eficientes para avaliar a reprodução natural do som. Segundo o fundador da empresa, a melhor medida seria a percepção do ouvinte.

Em 1968, a Bose lançou o seu sistema de caixas de som estéreo, o Bose 901, que utilizava 8 alto-falantes voltados para as paredes e um nono voltado para o ouvinte. O objetivo deste produto de audio era dominar o som refletido nos espaços de audição caseiros. Felizmente o 901 foi um sucesso comercial imediato e a empresa cresceu rapidamente durante a década de 70.

Modelo cortado de um dos pares do conjunto Bose 901. Fonte: Flickr (Por Hideya HAMANO)
Modelo cortado de um dos pares do conjunto Bose 901. Fonte: Flickr (Por Hideya HAMANO)

O Bose 901 foi um dos pilares da empresa por muitos anos, tendo sua produção encerrada somente no ano de 2016.

A primeira loja de varejo da Bose foi aberta em 1993 em Kittery, Maine.

No ano de 2011, Amar Bose, presidente e acionista primário da empresa doou a maioria das ações sem direto a voto para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Anualmente um dividendo em dinheiro é pago para o MIT avançar na missão de pesquisa e educação. Entretanto, nas condições para recebimento do dinheiro declaravam que o instituto não poderia vende-las e nem poderia participar da administração da empresa.

Com a morte de Amar Bose em 2013, Bob Maresca se tornou o CEO da empresa.

A receita anual da Bose atualmente está em aproximadamente US$500 milhões de acordo com o site incfact.

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Esse artigo é feito em parceria com o Grupo Fones de Ouvido High-End: