Review AsRock B450M Steel Legend - Placa mãe produzida no Brasil!

A B450M Steel Legend é produzida no Brasil e traz compatibilidade com os processadores da nova geração, sem precisar desembolsar mais de R$1000 para aproveitar tudo que eles tem a oferecer.

Por Hardware 6 comentários
Review AsRock B450M Steel Legend - Placa mãe produzida no Brasil!

Agradecemos a AsRock por nos enviar a Steel Legend para os testes, e a AMD por nos enviar o Ryzen 5 3600X!

Com a nova geração de processadores da AMD, o mercado andou esquentando bastante, desde os chips de entrada até os de alto nível, como o Ryzen 9 3950X. Outra coisa boa que a terceira geração de Ryzen trouxe foi a retro-compatibilidade com os chipsets da primeira e segunda geração dos processadores.

Se você tem uma placa mãe B350 (alguns modelos), X370 (alguns modelos), B450 ou X470, basta atualizar a BIOS para a última versão disponível - que em alguns casos, já é a AGESA 1.0.0.4 - e você poderá usar um processador da nova geração.

AsRock B450M Steel Legend
AsRock B450M Steel Legend

No caso da B450M Steel Legend não precisamos atualizar a BIOS, simplesmente colocamos o Ryzen 5 3600X e tudo funcionou perfeitamente. Até atualizamos para a última versão, mas somente para garantir que as últimas melhorias e atualizações de segurança estavam instaladas.

Vamos então ver como a B450M Steel Legend se saiu em nossos testes, e ver se vale - ou não - a pena comprar ela, que se encontra na faixa dos R$600.

Design e Componentes

Vamos começar pela aparência da peça em conjunto com os seus componentes, tanto de VRMs quanto de conectores de expansão e portas traseiras.

Começarei pela parte que mais chama a atenção de quem olha essa placa mãe, que é o RGB, e que tenho que dizer que a empresa está de parabéns, pois é muito bem feito e caprichado. Há duas zonas iluminadas na placa mãe, o Chipset e o Heatsink - I/O Cover das portas da placa mãe.

AsRock B450M Steel Legend
AsRock B450M Steel Legend

Em ambos os locais, os LEDs são bem pronunciados e dão um efeito muito elegante a placa mãe. É possível controlá-los diretamente da placa mãe, ou pelo Windows, só é necessário baixar o AsRock Polychrome RGB no site deles, deixo o link aqui:

Fora isso, eles realmente são um pequeno show na placa mãe, e se bem configurados, vão muito bem com o visual branco/metálico da placa, que me agrada muito, mas aí já vai de gosto.

O chipset também conta com iluminação
O chipset também conta com iluminação

Nas portas traseiras encontramos a seguinte seleção: USB-A 2.0 x2, USB-A 3.1 Gen1 x4, USB-A 3.1 Gen2 x1, USB-C 3.1 Gen2 x1, HDMI x1 (1.0?), DisplayPort 1.2, SDDIF x1, PS/2 x1, RJ45 Gigabit x1 e entrada para falantes 7.1 ou microfone.

Para uma B450M, a seleção de portas é uma das melhores que já vi, e aqui só tenho a elogiar a AsRock. Muitas placas mãe mais caras e com Chipsets superiores não tem uma seleção tão ampla e completa quanto este modelo.

Seleção de portas é bem completa
Seleção de portas é bem completa

Agora vamos aos conectores, que são direto na placa mãe, vamos a "pequena" lista. Na parte mais abaixo da placa mãe encontramos os principais conectores para os botões e portas do gabinete: Power/Reset LED, Power/Reset +/-, 2x USB, 1x Audio, 1 porta COM, 1 conector para RGB 12V, 2 conectores para fans 4 pinos e também dois pinos para Clear CMOS.

A maioria dos conectores estão logo abaixo do slot PCIe 2.0 X16
A maioria dos conectores estão logo abaixo do slot PCIe 2.0 X16

Já espalhados pelo resto da placa mãe temos outros conectores, como o CPU_FAN 1 e 2 (o 2 serve para a bomba do Watercooler, caso você use um), mais um conector RGB 12V, também encontramos as 4 portas Sata 3, um dos cortes que a placa mãe sofreu, os dois Slots M.2 2280 - Ultra M.2 é PCI-E Gen3 X4, enquanto que o outro é Sata 3 -, e os 3 slots PCI-E: o primeiro é PCIe 2.0 x1, o segundo é PCIe 3.0 x16 reforçado com metal para aguentar placas de vídeo pesadas, e o último é PCIe 2.0 X16 não reforçado.

E como não poderia deixar de mencionar, os 4 slots de memória DDR4, que suportam até 64GB - 16GB por slot - e velocidades de até 3533Mhz em OC. Memórias ECC, que são usadas em servidores, são suportadas somente em processadores da série Ryzen-Pro. A própria AsRock fez uma tabela de compatibilidade de memórias sem perfil XMP, algo realmente muito útil e que outras marcas deveriam fazer também, acesse a lista aqui.

H 4 slots para memória, totalizando 64GB de capacidade mxima
Há 4 slots para memória, totalizando 64GB de capacidade máxima

Sobre as VRMs, encontramos modelos SM4336NSKP e SM4337NSKP da Sinopower, que são distribuídos em 4+2 fases. O primeiro modelo suporta até 65A, enquanto que o segundo fica nos 55A. Como a marca diz na página da placa mãe, temos capacitores japoneses Nichicon Black Caps e uma bobina de 60A, que diz ser Premium, mas isso não podemos confirmar.

Elas são cobertas por dois Heatsinks de alumínio, que fazem contato com as VRMs por meio de thermalpads, não direto. Os dois heatsinks não tem conexão entre eles, o que diminui a sua eficiência na dissipação de calor. Na parte de performance irei comentar sobre as temperaturas e resultado dos testes com e sem Overclock.

4 fases (esquerda) + 2 fases (direita)
4 fases (esquerda) + 2 fases (direita)

Não podemos esquecer da Realtek ALC892, que fica entre uma interface intermediária e topo de linha, trabalhando em conjunto com capacitores Fine Gold da Nichicon, também. Posso dizer que ela empurra fones gamers sem nenhum tipo de dificuldade, e também empurrou um Sennheiser HD202ii e um Arcano SHP-300 com bastante tranquilidade. Não são fones exigentes, mas dá para ter uma pequena ideia.

Infelizmente não temos um sistema 7.1/5.1 para testar essa parte do Chipset de áudio.

Na parte traseira da placa mãe não há nada de muito interessante, ela aparenta ter seus circuitos bem feitos e não mostra nenhum tipo de problema de soldas ou algo do tipo, também é possível ver as trilhas da placa, que fazem as conexões entre os componentes.

Traseira da placa
Traseira da placa

E creio que de design é isso, cobrimos as portas, componentes, slots de expansão e basicamente tudo que a placa mãe oferece de hardware. Vamos aos testes de performance?

Performance e Temperaturas

Como já havia mencionado antes, a AsRock B450M Steel Legend conta com 2 dissipadores separados para as suas duas fases, ambos são feitos em alumínio e fazem contato com os circuitos por meio de thermalpads. Será que eles foram eficientes o suficiente para manter as temperaturas baixas?

Todos os nossos testes foram conduzidos nas mesmas condições que a Aorus B360M Gaming 3, numa sala com a temperatura entre 22 e 23°C e em nossa bancada de testes aberta, sem airflow, e em conjunto com um Ryzen 5 3600X que foi emprestado pela AMD.

Em nossos testes de temperaturas externas com Overclock do Ryzen 5 3600X rodando a 1.375v de Vcore e utilizando o Furmark para estressar a CPU ao máximo, vimos a maior temperatura da placa em 43.5°C na parte central do Heatsink principal, logo acima da última fase lateral, o que mostra aparente controle sobre as temperaturas dos VRMs.

Heatgun capturou somente 43.5°C
Heatgun capturou somente 43.5°C

Infelizmente, este não é o caso, e os sensores da placa mãe mostra que as temperaturas ficaram extremamente altas por baixo do Heatsink. Quando fizemos o teste de estresse com a CPU stock, sem nenhuma alteração, vimos a temperatura máxima de 85°C no sensor TMPIN7 no HWMonitor, depois confirmado pela BIOS.

Em uma sala controlada com temperaturas relativamente baixas, ver 85°C com um processador de 65W em stock não dá boas esperanças pros próximos testes, mas vamos continuar, afinal é pra isso que estamos aqui.

A boa notícia é que a CPU não foi limitada pela VRM, e ele pode fazer o uso de toda a sua potência. Vimos o boost alcançar os 4.4Ghz em núcleo único e manter entre 3.9 e 4Ghz em todos os núcleos durante benchmarks como o Cinebench.

Quando fizemos Overclock, a temperatura dos circuitos da Sinopower chegaram a 94°C e não passaram disso porque a placa mãe limitava o uso de energia, sendo assim, as VRMs chegaram ao limite e o máximo que alcançamos de Overclock no Ryzen 5 3600X foi de 4.15Ghz com 1.35Vcore. Era possível aumentar o VCore? Sim, mas assim que passamos dos 1.35V, a placa mãe começava a fazer Downclock no processador para garantir que as temperaturas não subissem mais, e assim, limitando a performance do chip com Overclock.

E novamente, estes são testes realizados em ambiente de temperatura relativamente baixa, se seu quarto fica quente no verão, a performance será ainda pior. O extremo calor vem das 4 fases para CPU da Sinopower, que não são as mais robustas e frequentemente vem equipadas em placas mãe mais simples, e o 3600X já foi o suficiente para deixar os circuitos no seu limite, e assim sobre-aquecendo quando fomos além do padrão de fábrica do processador, e isso mostra que a placa mãe não foi projetada para este tipo de atividade, e também nada além de um Ryzen 5 3600X.

BIOS / Controles

Ainda temos que falar sobre a interface da BIOS da placa mãe, que é um ponto que tem ficado cada vez mais relevante e intuitivo conforme os anos vão passando. Assim como no review da Aorus B360M Gaming 3, vamos fazer uma galeria com algumas das opções adicionais no final, enquanto que as mais relevantes estaremos cobrindo com imagens conforme vamos descrevendo as opções disponíveis.

Ao acessar a BIOS, a primeira parte que vemos é a seção Main, que mostra a versão da BIOS, CPU, Clock, Quantidade e velocidade da RAM (em Mhz), e também quais slots de memória que estão sendo ocupados no momento.

Na aba "OC Tweaker" já começamos a ver algumas das opções de Overclock de CPU e de RAM. Temos a opção de ativar/desativar o SMT (equivalente a tecnologia Hyper-Threading da Intel), ativar o perfil XMP da memória, que como usamos 2x8GB DDR4 3000Mhz CL16 Geil SuperLuce RGB deixamos ativado, e funcionou perfeitamente e de primeira.

Há vários controles de força e energia diretamente nesta página, ela é bem completa e deixa a maioria das opções mais usadas disponíveis logo a frente, algo realmente útil. Se descermos a página, já temos controles de Vcore, Load-line, SOC, DRAM e VDDP, normalmente opções que são encontradas enterradas dentro dos menus das placas mãe, vide a MSI Z370 SLI Plus que tenho em casa.

Em "Advanced" temos várias seções que são separadas por componentes: CPU Config, Config de Armazenamento, I/O, e assim em diante. Iremos ver as configurações de cada uma destas opções aos poucos, começando pelo AMD Overclocking.

Aqui encontramos opções de OC manual, abas separadas para o Infinity Fabric e voltagens, provavelmente para não confundir os usuários com a nomenclatura, que é bem parecida em alguns momentos. Entrando em Infinity Fabric, é possível configurar cada uma de suas opções separadamente, tão completo quanto algumas X470/X570, pontos para a AsRock. Também é possível desabilitar OC por completo, bom para casos que o usuário que for usar o PC não for tão familiar com o processo, assim evitando possíveis problemas.

AMD Overclocking
AMD Overclocking

Em Precision Boost Overdrive podemos definir os limites do PPT, TDC e EDC - opções que estão disponíveis para serem configuradas diretamente no Windows pelo AMD Ryzen Master Utility, caso preferir. Também podemos deixar em um modo automático, que seria o comportamento "Stock" do processador, quando que colocamos Enabled, o PBO entra em ação.

Opções do Precision Boost Overdrive
Opções do Precision Boost Overdrive

Em Manual CPU Overclocking, temos somente como controlar a frequência da CPU e a voltagem (Vcore), além de poder escolher quantos núcleos estão ativos/desativados, e é literalmente só isso.

No AMD PBS temos controles sobre os Slots PCIe, como por exemplo escolher qual a banda em que o slot trabalha, assim como é possível configurar o RAID NVME - mesmo não havendo 2 entradas M.2 PCIe -, e por último é possível desabilitar os slots PCIe caso você queira.

Storage Configuration deixa selecionarmos o método de operação dos plugs Sata (recomendo deixar em AHCI) e habilitar Hot Plug, algo muito útil para usar em plataformas de testes rápidas, que também é nosso caso.

Onboard Devices Configuration temos configurações do áudio, como tipo do sinal do áudio do painel frontal, programar a placa mãe para ligar automaticamente caso acabe a energia e também uma opção chamada "Turn On LED in S5", que se deixar "Enabled", manda energia para os pinos e portas USB mesmo com o computador desligado, assim como acende os LEDs da placa mãe. Se você quer que seu computador desarme completamente quando desligado, deixe esta opção como "Disabled".

É possível desligar os LEDs após desligar o PC
É possível desligar os LEDs após desligar o PC

Agora em Tools, temos mais controles de RAID, Safe Boost, Flash para poder atualizar a BIOS caso você queira e também temos controles de LED, que pode aplicar todos os efeitos disponíveis para a iluminação inclusa na placa mãe.

Na parte de HW Monitor temos o monitoramento dos sensores e hardware que está plugado a placa mãe, como fans, processador, voltagem enviada para os pinos 5v e 12v, controlar a curva dos fans conectados a placa mãe. Como usamos uma plataforma aberta sem fans, não tínhamos nenhum conectado a placa.

Na aba "Security", podemos definir senhas tanto para acessar a BIOS quando para dar Boot ao PC, então além de senha no Windows, você pode configurar uma senha geral. Também é possível definir padrões de seguranças diferentes para cada drive instalado no PC.

Na aba Boot temos opções de inicialização do computador, como prioridade de boot para cada hardware instalado, habilitar som ao ligar ao PC, ligar o PC pela porta LAN, habilitar fastboot, dentre outras opções que são comuns nas placas mães modernas.

E assim cobrimos a BIOS da placa, e como prometido, deixo mais uma galeria com fotos adicionais das abas e opções que mencionei aqui no artigo.

Conclusão

Agora que já abordamos todos os aspectos dessa placa mãe, vamos juntar todos os resultados e ir ao veredito.

A Steel Legend faz muita coisa certa, assim como sabemos que a AsRock sabe fazer placas excelentes, como podemos ver na série Taichi, que sempre foi reverenciada por ter qualidade excelentíssima. Mas infelizmente, o mar não é feito de rosas, e a placa deste review não é uma delas.

Temos muitos pontos positivos: excelente seleção de portas, boa expansão de hardware, visual muito bonito e iluminação que deixa muitas de suas competidoras com inveja. Mas, o grande porém são as VRMs, que são um dos pontos mais importantes de uma placa mãe, ainda mais quando ela tende a custar mais de R$600.

AsRock B450M Steel Legend
AsRock B450M Steel Legend

Tudo bem que o Ryzen 5 3600X é um processador de 95W de TDP, mas as temperaturas vistas mesmo com ele em forma stock são um pouco alarmantes, e outros reviewers também notaram isso, como o Peperaio Hardware comentou em seu review em vídeo.

Entendo que o que a marca pede de valor a mais pela B450M Steel Legend é por causa de suas funções adicionais, que inclusive complementam muito bem a placa, mas como sempre falo: qualidade sobre estética, não o contrário, e neste caso, bom, vocês já sabem.

Infelizmente, pela combinação de preço e dos "problemas" citados acima, acabo por não recomendar a AsRock B450M Steel Legend, não porque ela não funciona ou não suporta nenhum processador, mas pois vejo outras competidoras tendo um Custo x Benefício muito maior. Então quais são elas?

Uma delas é a B450 Aorus Elite que se encontra na mesma faixa de preço da B450M Steel Legend. Ela conta com 4+4 fases pra CPU + 3 fases dedicadas a energia. Seu heatsink é mais encorpado e faz conexão com o superior, o que ajuda na dissipação.

Outro modelo que recomendo é a MSI B450 Tomahawk, que é um pouco mais cara do que as duas acima, mas é tão boa quanto a Aorus Elite, ou até melhor em alguns casos. Ela tem 4 fases para CPU + 2 para energia, mas roda consideravelmente mais fria que a Steel Legend, e suas VRMs são os RT9624A e RT9624As.

E nos modelos mais baratos, recomendo novamente a MSI B450 Gaming Plus/B450M Gaming Plus, que tem o mesmo VRM, só mudam o tamanho (ATX vs mATX) e é basicamente isso. Elas são placas da mesma faixa de preço da Steel Legend, porém é mais difícil de encontrá-las em estoque, então a dificuldade fica nisso.

É realmente uma pena que a Steel Legend teve uma performance ruim, pois para muitos, é a placa mais bonita de todas que mencionei aqui, e espero que as placas do novo chipset B550 venham com VRMs melhores e um heatsink melhor projetado.

Esqueci de mencionar alguma coisa? Tem mais alguma dúvida? Comente aí embaixo que estarei respondendo!

Leia também: Review ASRock Fatal1ty B250 Gaming K4. Acompanhe as últimas notícias de tecnologia aqui no Oficina da Net. Sempre trazendo conteúdos novos e produtos interessantes.

Compartilhe com seus amigos:
Comentários:
Carregar comentários