A Samsung anunciou o Galaxy Watch 9 com bateria 20% maior. Só que esse número não é do relógio que está no meu pulso. No 44mm, esse aqui, a bateria cresceu 2%. Dois por cento. E mesmo assim ele durou mais do que o meu Watch 8 durava, de 30 a 38 horas contra 24 a 35. Ou seja, a autonomia veio de outro lugar, de uma peça que a Samsung trocou aqui dentro e que você não vê por fora.

Eu usei esse relógio por 10 dias no meu ritmo de sempre, futebol, corrida, sono monitorado, e no final do vídeo eu te digo o preço exato em que ele começa a valer a pena. Por fora, já aviso, nada mudou.

Design e construção

Se você colocar o Watch 8 e o Watch 9 lado a lado em cima da mesa, você não vai saber dizer qual é qual. Mesmo formato de almofada, aquele quadrado de cantos arredondados que veio da linha Ultra, mesmo acabamento, mesmo peso. E eu digo mesmo tamanho literalmente, milímetro por milímetro é o mesmo corpo do ano passado.

Design do Watch 9 da Samsung

No corpo do relógio, avanço nenhum. E eu não vou fingir que isso é bom só porque o design já era bom.

Watch 8 vs Watch 9

A mudança real de design está na pulseira, e essa sim eu senti. A Samsung refez a pulseira com uma câmara de ar interna e ela ficou 25% mais leve e bem mais flexível do que a que vinha no Watch 8. Na prática, o relógio continua firme no pulso, mas ele "abraça" o braço de um jeito mais confortável, e a diferença aparece principalmente à noite. Dormir com o Watch 8 já era tranquilo, com o Watch 9 eu simplesmente esqueço que ele está lá.

Outro ponto que as pulseiras geralmente incomodam é digitação, com o pulso apoiado sob a mesa, tanto no Watch 8, quanto no Watch 9 esse problema não existe.

Dynamic Lug System

O sistema de encaixe continua sendo o Dynamic Lug System, aquele de um clique só. É prático, é rápido, e continua sendo o mesmo problema de sempre: é um encaixe proprietário da Samsung, então esqueça aproveitar aquela pulseira genérica de relógio comum. Ponto positivo é que as pulseiras do Watch 8 são compatíveis com o Watch 9, então quem já tem coleção não perde o investimento.

IP68

A construção segue robusta, com certificação IP68, 5ATM para submersão e resistência militar contra choques e temperaturas extremas. Na prática, isso quer dizer banho, piscina, chuva e suor sem pensar duas vezes. A tela é protegida por cristal de safira e, assim como no Watch 8, eu já esbarrei ele em batente de porta, em trave de campo, e até agora nenhum arranhão apareceu.

Os dois botões continuam ali e continuam do mesmo jeito. Eu configuro sempre igual: o de cima é a minha tecla de escape, um clique volta para o começo, dois cliques abrem a lista de treinos, que é o que eu mais uso no dia. O de baixo eu deixo para configurar algum cartão de crédito.

E se você segurar o de cima, quem aparece é o Gemini. Guarda esse detalhe, porque o Gemini ganhou um truque novo nessa geração e eu volto nele daqui a pouco.

Tela

Tela do Galaxy Watch 9

A tela a Samsung não mexeu, e nesse caso eu nem queria que ela mexesse. São os mesmos 3.000 nits do Watch 8, o mesmo Super AMOLED de 1,47 polegada aqui no 44mm. O salto grande já tinha acontecido na geração passada, quando a Samsung dobrou o brilho em relação ao Watch 7.

E o que isso quer dizer na prática: eu corro ao meio dia, sol na cabeça, e eu leio o meu pace sem franzir o olho e sem fazer sombra com a mão. Não faltava nada aqui. Se você esperava novidade de tela, não tem, mas também não fazia falta.

A navegação continua sendo pelo toque ou pela coroa digital com feedback tátil, que imita a sensação da coroa física que só existe no modelo Classic. Eu já disse isso no review do Watch 8 e mantenho: eu não sinto falta da coroa física.

O que mudou de verdade, e isso é reflexo do processador novo, é a fluidez. O Watch 8 já era rápido, então eu não esperava sentir diferença. Sinto. Abrir a lista de aplicativos, trocar de watchface, subir a gaveta de notificações e principalmente iniciar um treino acontece com uma resposta mais imediata. É aquele tipo de melhoria que você não percebe em 5 minutos de loja, mas percebe voltando para o modelo antigo.

E essa peça que eu falei lá no começo, a que você não vê por fora, é ela: a Samsung trocou o processador. Agora é um Snapdragon Wear Elite, feito em 3 nanômetros. É ele que deixou tudo mais rápido, é ele que mexeu no GPS, e é ele que explica a bateria. Guarda isso, porque a conta da bateria eu faço daqui a pouco e ela tem um número que vai te surpreender.

Bateria e carregamento

E já que eu falei do processador, chegou a hora da conta. Aquela peça que eu falei lá no começo, a que você não vê por fora, é ele mesmo: um Snapdragon Wear Elite de 3 nanômetros. É dele que veio a autonomia. Não da bateria.

Porque a bateria desse 44mm foi de 435 para 445 mAh. Dez miliampères. Pouco mais de 2%. Aquele "20% maior" do anúncio é do modelo de 40mm, que saiu de 325 para 390.

Ou seja, se você é do time do relógio maior, a briga da autonomia não foi vencida no tamanho da bateria. Foi vencida na eficiência.

E entregou? Entregou, com moderação. Com tudo ligado do jeito que eu uso, tela sempre acesa, batimento contínuo, sono monitorado, notificação e pagamento, eu fiquei entre 30 e 38 horas. No Watch 8 a minha média era de 24 a 35.

Traduzindo para a vida real: eu tiro da base de manhã, uso o dia inteiro, durmo com ele, uso boa parte do dia seguinte e só ponho para carregar na segunda noite. Com o Watch 8 eu não chegava lá com folga, chegava raspando. É um ganho real. Mas não se engane, continua sendo um relógio que pede tomada todo dia ou quase todo dia.

Com uso pesado de GPS, tipo dia de futebol, corrida ou a bike, a autonomia cai para perto de um dia cravado, igual acontecia no Watch 8.

Carrega por indução, serve base Qi, e uma carga cheia leva em torno de 1h30. Como eu quase nunca deixo zerar, na prática são uns 50 minutos na base e volta para o pulso. Eu considero um carregamento rápido, enquanto estou digitando um roteiro, coloco ele pra carregar e logo está cheio, nunca tive aquele problema de falta de energia.

E tem um detalhe desse relógio que quase ninguém comenta e que muda a conta do preço lá no final. Já chego nele.

Conectividade

Conectividade subiu para Bluetooth 6.0, e eu vou ser honesto: isso não deu superpoder nenhum para o relógio. O que eu senti foi estabilidade. Deixo o celular na sala, vou para o quarto, e ele não cai mais como caía. Tem Wi-Fi, tem NFC para pagamento, e existe versão com chip, a LTE, para quem quer sair de casa e receber ligação sem o celular junto.

E toda vez que eu falo em Bluetooth aparece a mesma pergunta nos comentários: como é que eu pago no mercado se o relógio não tem chip? Explico rápido. O pagamento por aproximação usa NFC, que não tem nada a ver com internet nem com operadora. O seu cartão de crédito de plástico também não tem chip de operadora e funciona na maquininha, certo? É exatamente a mesma lógica. Relógio sem chip paga igual.

O GPS segue com dupla frequência, L1 e L5, e aqui eu tenho uma observação boa. O Snapdragon Wear Elite tem um bloco de localização mais eficiente, e o engate de sinal ficou mais rápido do que no Watch 8. No Watch 8 eu marcava até 3 segundos para o GPS travar, no Watch 9 é quase instantâneo. Ao marcar atividades com GPS ele se comportou bem, como era de se esperar. Os números batem com o que eu estou habituado a medir de distância.

Monitoramento de Atividades e Saúde

Saúde app do celular usando Watch 9

Os sensores são exatamente os mesmos do Watch 8. Mesmo BioActive, mesma medição de batimento, oxigenação, ECG, bioimpedância e pressão depois de calibrar. O que mudou foi o que a Samsung faz com esse dado. E isso tem uma consequência direta para quem já tem um Watch 8 no pulso, que eu vou te contar em um minuto.

Os outros três eu resumo rápido, porque o que importa não é o nome, é a pergunta que eles respondem.

O Índice de Saúde do Coração junta os seus indicadores cardiovasculares em uma nota só. Serve para você olhar tendência ao longo dos meses em vez de ficar caçando número solto.

A Carga Cardíaca Diária olha o peso dos seus treinos e responde uma coisa bem prática: hoje eu piso fundo ou hoje eu descanso? Para quem joga futebol como eu, isso vale mais do que parece, porque futebol é um esforço todo irregular, é parado, é tiro, é parado de novo, e o relógio mostra quanto aquilo cobrou de verdade.

E o Índice de Condicionamento Físico te compara com gente da sua faixa etária. É aquele número que ou te motiva, ou estraga o seu dia.

O resto continua tudo aqui, vindo do Watch 8: detecção de apneia do sono, Sleep Coach, Running Coach, índice antioxidante e carga vascular.

Essa é a consequência que eu te falei, e é o aviso honesto que eu preciso dar: boa parte desses recursos novos é software, e a Samsung já confirmou que vários deles vão descer para o Watch 8 via atualização. Ou seja, se o seu motivo para trocar de relógio é a lista de recursos de saúde, calma, espere a atualização da One Ui 9 chegar.

E tem uma regra que continua valendo e que muita gente descobre tarde demais: ECG, pressão arterial e bioimpedância só funcionam se o relógio estiver pareado com um celular Samsung Galaxy. Se o seu celular é de outra marca, o relógio funciona, mede batimento, mede sono, paga no mercado, mas essas três medições ficam bloqueadas. Vale checar isso antes de comprar.

O rastreamento automático de caminhada e corrida segue funcionando bem, o autopause na bike continua preciso, paro no semáforo e ele pausa, volto a pedalar e ele retoma sozinho.

Comecei a jogar padel, senti a falta desse esporte na lista, apesar de que uso como Tênis, afinal, a Samsung não monitora quantos backhands ou forehands você dá por jogo. Mas seria legal ter esse esporte que vem crescendo.

E antes que você diga, sim eu sei que posso criar um esporte, mas ele não fica como esporte de raquete e a criação de um esporte não é padronizada com outros serviços. Enfim, é coisa de doente por números, como eu sou.

Sistema

O Galaxy Watch 9 chega com Wear OS 7 e a interface One UI 9 Watch, e essa é uma das poucas vezes que eu vou dizer que a mudança de interface valeu a pena. As notificações agrupam melhor, os cartões de saúde ficaram mais legíveis e as animações estão mais suaves, ajudadas pelo processador novo.

Falando nele, o Snapdragon Wear Elite tem 5 núcleos e é feito em 3 nanômetros. A Qualcomm promete um monte de porcentagem de desempenho, e eu não tenho como medir porcentagem no pulso. O que eu posso te dizer é o que aconteceu em 10 dias de uso: nenhum travamento. Nem abrindo mapa no meio da corrida, nem em treino longo com música tocando e fone conectado. Zero.

Espaço e memória são os mesmos do Watch 8, e continua sendo de sobra para baixar playlist do Spotify ou episódios de podcast, conectar o fone Bluetooth e sair para correr sem levar o celular. Essa é, para mim, a melhor experiência que um smartwatch da Samsung entrega hoje: sair de casa só com o relógio, ouvir música, comprar no mercado pagando pelo pulso e voltar sem nunca ter sentido falta do telefone.

Lembra do botão de cima, que chama o Gemini? Agora nem precisa mais dele. O Gemini ganhou o recurso de levantar o pulso e falar, sem precisar tocar na tela nem segurar botão. Funciona bem em ambiente silencioso, e falha um pouco no meio da rua com barulho. É conveniente, não é revolucionário.

E aquele detalhe que quase ninguém comenta: a Samsung prometeu 5 anos de atualizações de sistema e segurança. Cinco anos de atualização quer dizer que esse relógio ainda vai receber recurso novo em 2031. Se você comprar hoje e usar quatro anos, sai por menos de dois reais por dia. É uma conta bem diferente da de comprar um relógio barato que para de receber atualização no ano que vem.

Sistema de resposta de mensagens

Chamadas pelo relógio continuam funcionando como viva voz, e responder mensagem pelo pulso segue disponível por respostas rápidas ou escrevendo na telinha.

Conclusão

O Galaxy Watch 9 é o melhor smartwatch casual que a Samsung já fez para quem usa Android, e continua sendo praticamente imbatível para quem está dentro do ecossistema Galaxy. A troca para o Snapdragon Wear Elite deixou tudo mais rápido, engatou o GPS mais depressa e melhorou a autonomia sem aumentar a bateria. A pulseira nova é confortável de um jeito que eu não esperava. E os cinco anos de atualização dão tranquilidade de longo prazo.

Mas eu não vou te vender fumaça. Se você tem um Galaxy Watch 8, não troca. Você já viu o porquê: é o mesmo corpo, a mesma tela, os mesmos sensores, e boa parte do que é novo vai cair no seu relógio por atualização. O ganho de velocidade é real, mas não vale a pena.

Agora, se você vem de um Watch 6, de um Watch 7, ou nunca teve um smartwatch da Samsung, aí a conversa muda completamente e o Watch 9 é a compra certa.

44mm Bluetooth:

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44mm 4G com chip:

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Sobre o preço, meu veredito é o de sempre: pelos R$ 3.199 de lançamento eu não compro, espere baixar de valor. A minha indicação é abaixo de R$ 2.300 para a versão de 44mm, não indico muito a versão de 40mm, a menos que você tenha um pulso muito pequeno.

Espero que este review tenha te ajudado a conhecer o novo Galaxy Watch 9, se ficou dúvida, manda aí embaixo nos comentários.