Quanto cobrar pelo seu serviço?

Cansou de ser empregado e resolveu abrir o próprio negócio? Parabéns! Mas agora você vai sofrer da angústia que preocupa esses profissionais: Quanto cobrar pelos seus serviços? Descubra conosco.

Por | @Evilmaax Carreira em TI

Uma das maiores dúvidas de quem trabalha por conta, seja um artesão ou um programador é quanto cobrar por seus serviços. A dúvida é legítima, afinal você precisa cobrar um valor que seja justo, considerando algo que não espante o cliente, que não seja um motivo de escolha pelo outro profissional em caso de dúvida, que cubra seus custos e, além e tudo lhe seja satisfatório. E como fazer isso? Difícil? Sem dúvidas, mas existe um cálculo que vai te ajudar com essa tarefa, confira:

A primeira coisa a ser levada em consideração é que esse é o seu trabalho, seu sustento e nada mais justo do que ter uma remuneração digna por tal. Muitas vezes ainda persiste a cultura de que por ser trabalho freelancer ou informal, sem os trâmites característicos que envolvem a contratação de uma empresa, seu trabalho é menos importante e que lhe pagar por ele é mais uma questão de “favor” do contratante do que obrigação.

Pergunte a um amigo músico e ele vai te explicar direitinho esse drama, principalmente se ele for daqueles que fazem barzinho.

Quanto cobrar pelo seu serviço?

Em segundo lugar, valorize-se. Somente você sabe o quanto estudou, quantas horas de prática, treino, dedicação, sono perdido, etc. foram necessárias para chegar ao nível em que você está. Profissional bom é profissional bem remunerado. Não é nenhuma coincidência as melhores empresas serem as que pagam os maiores salários (veja que eu disse as MELHORES empresas e não as maiores. A diferença entra quantidade e qualidade faz toda a diferença nesse exemplo).

Independente do seu mercado de trabalho, sempre vai ter um profissional começando, ou de qualidade duvidosa que vai fazer o trabalho por valores irrisórios, e claro, sempre vai ter o contratante que vê apenas preço e não vê qualidade. Leia o parágrafo anterior e não rebaixe sua formação e dedicação até aqui e não mire esse empregador que sempre que possível vai tentar levar vantagem em algo.

Por outro lado, não cobre valores excessivos tentando impressionar e fazê-lo pensar algo do tipo: “Nossa, pelo preço esse cara deve ser o melhor do mercado”. Pode até ser que você consiga alguns serviços, mas pelo preço pago as expectativas serão altas, e quando não correspondidas a má-fama virá à galope. E você sabe como é: Se somos corretos, fazemos sempre tudo da melhor maneira possível a “fama do bem” demora a ser espalhada, mas experimente ter algo de ruim atrelado à sua imagem. Você vai demorar anos para se livrar dela e se arrepender inúmeras vezes de ter pecado, muitas vezes, por besteira no passado.

Ok, mas saindo dessa parte mais filosófica e de autoajuda do texto, vamos à pratica.

Tudo vai depender do quanto você gasta no processo de produção e quanto almeja ser remunerado por seu serviço. Em primeiro lugar precisa descobrir “quanto você custa”, ou melhor, quanto custa para realizar seu trabalho.

Para começar estipule um salário que você considere satisfatório e justo para suas habilidades, experiências e formação. Não esqueça de levar em conta as diferenças regionais, já que um analista de banco de dados que trabalha em São Paulo, capital, recebe, por exemplo, X vezes a mais que um trabalhador no mesmo posto em uma cidade do interior do país.

Bem, digamos que você concluiu com sucesso a primeira parte e escolheu que R$ 4.000,00 é um salário justo. Agora adicione cerca de 30% referentes à carga tributária, como INSS, impostos, etc. ao valor. Vá anotando: estamos agora com R$ 5.200,00.

O próximo passo é definir quantas horas serão necessárias para o seu serviço, envolvendo a parte de planejamento, desenvolvimento, implantação e correções iniciais, por exemplo, no caso do programador. Após o cálculo você chegou no resultado de 20 dias de trabalho. Como você trabalha 10 horas por dia dará um total de 200 horas para concluir o serviço, certo? Não muito, pois como sabemos há os imprevistos que, na maioria dos casos, não são poucos. Leve-os em conta para depois não achar que trabalhou de graça.

Ok, agora peguemos o valor total que queremos receber + impostos que é de R$ 5.200,00 e divida pela quantidade de horas que você planejou terminar o projeto, que foram 20. O resultado será de R$ 26 por hora trabalhada.

Quanto cobrar pelo seu serviço?

Mas calma, ainda não terminamos. Agora você irá adicionar os custos fixos que são aqueles como água, luz e telefone do seu escritório e ainda aluguel e condução caso trabalhe não trabalhe em casa, por exemplo. Aqui uma dica de ouro que os especialistas apontem como fator de 90% das falências de empresários que trabalham em sua casa: NÃO MISTURE GASTOS DA CASA COM GASTOS DA EMPRESA. Separe tudo certinho, ok? Continuando: Digamos que todos estes gastos somados resultaram em R$1.000,00. Faça o mesmo cálculo que fizemos há pouco e divida-o pelas horas e chegaremos em R$5 de custo fixo por hora trabalhada. 

Estamos quase lá. A próxima parte é somar os seus custos por hora trabalhada (R$ 26) com o custo dos gastos fixos (R$ 5) e chegará à cifra de R$ 31. Esse será o valor mínimo que você deverá cobrar por seus serviços. Terminamos? Ainda não, falta um dos pontos principais: a margem de lucro.

Para formar esse critério não leve em conta apenas pensando que o lucro é aquele dinheiro para você trocar de carro, mas também para investimentos no seu negócio, como equipamentos, cursos de capacitação, propaganda, etc. Novamente leve em conta os valores da sua região, pois quesitos como marketing varia muito. Digamos que você definiu sua margem de lucro como 15%. Aplicando este valor ao valor da sua hora trabalhada ela totalizará R$ 35,65. (Problemas com porcentagem? Entenda como ela funciona neste artigo, ou então, se preferir, baixe uma planilha do Excel GRATUITA que resolve praticamente todas os cálculos onde ela é necessária).

Estamos quase lá, agora é só fazermos o processo que fizemos há pouco, no sentido contrário. Pegue seu novo valor por hora (R$ 35,65) e multiplique pelas 20 horas que serão necessárias para o trabalho. O resultado será de R$ 7.130,00. Pronto, esse é o preço a ser cobrado por seus serviços.

Caso você tenha um empregado não esqueça de adicionar os custos com ele da mesma maneira: Calcule quanto custa sua hora trabalhada. Digamos que seu salário é de R$1.500,00 e ele irá trabalhar as mesmas 20 horas, resultado = R$ 7.50. Adicione os 30% que você pagará de impostos (estou chutando, pode ser mais ou menos) e chegará em R$ 9,75. Adicione esse valor aos R$ 35,65 prévios e chegaremos a R$ 45,40. Como você já deve estar imaginando, multiplique esse valor pelas horas e você chegará em R$ 9.080,00.

Aqui neste link você encontra uma planilha gratuita para calcular os impostos devido por funcionário. Se você é empregador vale a pena conferir. 

Bem, este foi um exemplo menos palpável, ou seja, não temos um produto físico para vender, como no caso do artesanato citado no início do texto.

Mas se este for justamente o seu caso, não se sinta excluído, confira esta planilha gratuita de precificação do pessoal do Aprender Excel e escolho o preço ideal para sua bijuteria, escultura, etc.

Quanto cobrar pelo seu serviço?

Gostaram? Conseguiram calcular? Enão deixe um comentário logo abaixo nos contando.

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