A história do Google (parte 5)

Mais uma parte de como o Google dominou (está dominando) o mundo.

Por Entretenimento 6 comentários
A história do Google (parte 5)

Na última parte do nosso especial terminamos 2005 e até o momento já vimos a briga da marca com a Microsoft, o surgimento do Goolge Earth, Analytics, Google Talk, versão brasileira do Google News, a compra do sistema Android, a inauguração do primeiro escritório brasileiro, etc. Vejamos agora como foram os anos seguintes para a marca.

Mas antes de começarmos dê uma olhada nas nossas Histórias Digitais e confira as postagens anteriores.

E a inovação não para nunca no Google. Logo no início do ano a empresa resolveu modificar seus ramos de atuação, comprando a companhia de anúncios radiofônicos dMarc, que oferecia sistemas automatizados de anúncios de rádio. Da mesma forma a empresa começou a experimentar anúncios em jornais e revistas físicas, escolhendo como "cobaias" o jornal Chicago Sun-Times.

Lançou o Google Finance, um serviço repleto de gráficos interativos que desenham o valor das ações na bolsa e notícias relativas ao mundo dos negócios. No mês seguinte entraria no ar o Google Agenda para que você nunca mais perdesse nenhum evento, data especial ou compromisso. Além disso você ainda pode compartilhar suas informações com quem desejar.

Data deste ano, também, um dos produtos mais usados da marca: O Google Tradutor, ainda em versão Beta, que no início oferecia tradução entre árabe e inglês. Hoje em dia já são dezenas línguas diferentes suportados. O Google Trends, outro lançamento de 2006 reúne as buscas que mais bombaram em cada ano ou período em um local específico, por exemplo: Quais as buscas mais feitas no ano no Brasil, em 2014? Qual o jogador de futebol mais buscado? Qual a pergunta que começa com "O que é ...? " mais buscada? Todas essas e outras perguntas são respondidas pelo Google Trends. Aliás, anualmente, o site lança um especial com os termos do ano. Confira no botão aqui do lado a última listagem, de 2014.

A brincadeira de 1º de abril deste ano ficou por conta de um site de relacionamento do Google, o Google Romance. Sim, isso mesmo, o Google fez todo mundo acreditar que ele iria pagar de cupido. Você cadastrava seu perfil, deixava eles traçarem sua personalidade e então estava pronto para encontrar alguém que se encaixava perfeitamente na sua vida. O sonho acabava quando você dava um clique em "Search Romance" e ele mostrava " Erro 404: Romance Não Encontrado" =( A página ainda está no ar e você pode conferir a brincadeira agora mesmo. Para isso, clique aqui.

Outro lançamento de visão da marca foi o Google Checkout, que mais tarde transformar-se-ia em Google Wallet e evoluiria até chegar aos nossos smartphones, integrado com o Android e oferencedo a opção de realizarmos pagamentos com agilidade e segurança. A novidade oferecia uma maneira rápida e fácil de pagar suas compras on-line e foi a precursora deste tipo de aplicação.

Ok, mas inovações em certas áreas, lançamento de padrões a serem seguidos, recordes, etc. são comuns para o Google, certo ? O que não é (tão) comum é o reconhecimento da academia ou de setores mais tradicionais da cultura, e foi isso que aconteceu naquele ano de 2006. Em junho o conceituado Dicionário Oxford adicionou a palavra "Google" aos seus verbetes. Ela foi classificada como verbo e significa "Usar a ferramenta de busca do Google pata obter informação na internet.

Outra novidade foi que com o lançamento do Google Apps a empresa dava um grande passo que nos levaria em direção à computação na nuvem. Isso aconteceu após em 2007, após o serviço virar Google Apps Premier Edition, versão voltada às empresas e que as tornava mais funcionais e onipresentes, colocando-as na cloud. Hoje, o serviço já mudou de nome para Google Apps for Work e, em 2014 contava com a adesão de mais de 5 milhões de negócios mundo afora. Provavelmente você mesmo já tenha usado alguma de suas ferramentas na empresa onde trabalha, como o e-mail do trabalho que é gerenciado pelo Gmail.

Continuando a série de lançamentos, teve também o Google Apps for Education, um pacote de ferramentas de produtividade gratuito para a colaboração em sala de aula que auxilia alunos e professores de graça. Com ele sua turma poderá salvar arquivos na nuvem e compartilhar entre si, colaborar na criação de documentos, agendas, conversar com o hangouts e até criar sites. Hoje a aplicação conta com mais de 25 milhões de usuários distribuídos entre centenas de universidades, incluindo 80 das 100 melhores.

Mas mesmo com tantos lançamentos e compras ou fusões, talvez nenhuma tenha sido tão revolucionária quanto a compra do YouTube em outubro, por míseros US$ 1,6 bilhão de dólares. A plataforma de compartilhamento de vídeos havia sido criada no ano anterior por 3 ex-funcionários do PayPal. A nova compra integrou-se ao Google Video, que havia sido lançado no início daquele mesmo ano. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas acessam o site por mês, assistindo um total de mais de 6 bilhões de horas de vídeos por mês, além disso, a cada minuto, mais de 100 horas de vídeos são enviadas aos servidores do Google. E o YouTube não é rentável somente ao próprio Google, a ferramenta, hoje, funciona como uma das principais fontes de renda de estúdios e artistas, permitindo inclusive que pessoas "normais" fiquem famosas e ganhsem dinheiro da noite para o dia.

E se alguém ainda duvidava do novo modo de "viver" a internet do Google, baseado em conteúdo gratuito aos usuários e pago em venda de espaços publicitários para as empresas, o balanço anual da empresa afirmou que de todos os seus ganhos, uma receita de quase 10, 5 bilhões de dólares vieram dos anúncios e "apenas" 112 milhões de dólares de licenças e outros métodos convencionais de ganhar dinheiro.

E com tanta disponibilidade de caixa estava na hora de parar de pagar o aluguel, certo? Sim, pois o Google ainda não era dono do Googleplex, o complexo de prédios e sede da empresa. O valor da compra foi a bagatela de 319 milhões de dólares. Quanto à importância da sua sede, na próxima corrida presidencial americana, os 2 candidatos principais, Barack Obama e John McCain visitaram a mesma em campanha, além dos demais candidatos de menor notoriedade.

E a empresa estava gastadora naquele ano. Além do YouTube e do próprio parque do Googleplex, foram compradas outras 10 empresas. Entre elas companhias que ofereciam um processador online de texto, modelagem 3D, planilhas online (que virariam o que usamos hoje como editor de texto, apresentações de slides e planilhas online do Google Drive), mapeamento, e até uma ferramenta colaborativa para sites que funciona nos mesmos moldes das wikis. Mas o ano também foi de acordos milionários: O Google pagou 900 milhões de dólares para oferecer busca e publicidade em sites do grupo News Corp, como IGN, American Idol, Fox.com, Rotten Tomatoes, etc.

No início do ano seguinte, 2007, a cultura da empresa foi reconhecida por sua liberdade e facilidade que proporciona aos empregados. A revista Fortune colocou a empresa na primeira posição das melhores empresas para se trabalhar. E essa não seria a última vez que a publicação daria reconhecimento ao Google; ela ainda ficaria no topo da lista outras 2 vezes.

E não é só a cultura organizacional que tem lugar especial nas estratégias empresarias do Google. Sua política verde também é inovadora, e naquele ano traria medidas interessantes como a disponibilização de mais de 700 bicicletas para deslocamento rápido no Googleplex, as gBikes. Outra ação foi a inauguração da maior instalação corporativa de painéis solares do mundo na época. Atualmente a política se expandiu e quase metade da energia consumida no campus de Mountain View usa esse tipo de energia renovável. A própria iniciativa RechargeIT, para acelerar o uso de veículos elétricos híbridos entrou em atividade (sendo aposentada pouco depois, embora a empresa ainda continue oferecendo carros elétricos para os funcionários dentro do seu compartilhamento de carros).

Outra ação em nome do meio ambiente foi o Renewable Energy Less Than Coal (REC), projeto concebido para gerar eletricidade a partir de fontes renováveis mais baratas do que o carvão. Atualmente o REC não está mais na ativa, mas segundo o Google, seus ensinamentos ainda vivem em outros projetos.

A brincadeira de 1º de abril de 2007 ficou por conta do Gmail Paper Archive e do TiSP.

Através do primeiro deles, o Gmail Paper Archive, o Google permitia que você imprimisse qualquer mensagem recebida via e-mail e recebesse gratuitamente através dos correios, inclusive imagens e propagandas. Segundo o site da iniciativa, você só não poderia imprimir arquivos WAV e MP3. E para completar a onda verde que vimos a pouco, todas as folhas seriam impressas em um material orgânico biodegradável. As impressões eram todas pagas pelos anunciantes.

Já a segunda pegadinha, o Google TiSP - Toilet Internet Service Provider (Provedor de serviços de internet via banheiro) - queria provar para você que o vaso sanitário é muito importante. Tratava-se de uma banda larga que utilizaria a rede de esgoto da sua cidade para fornecer internet de alta velocidade. O site conta com uma seção sobre, faq (recomendando, inclusive, que você jogue Mentos e Coca-Cola na privada quando encontrar problemas de conexão) e até um manual de instalação com fotos, vale o acesso. A instalação, aliás, era impressionante: você recebia o cabo de fibra ótica em casa, colocava no vaso, dava descarga e em cerca de 60 minutos um PHD - Plumbing Hardware Dispatcher (encanador expedidor de hardware) - pegava seu cabo e fazia as conexões devidas. E se ele precisasse, o Google enviaria nanorobôs pelo encanamento que fariam os ajustes finais. E se você acha que acabou está muito enganado. O Tisp ainda tinha um leitor que analisava seus hábitos alimentares e dava dicas de uma vida mais saudável e podia fazer o seu sequenciamento genético.

Neste ano o Google Maps receberia as primeiras informações relativas ao trânsito. Na ocasião, mais de 30 cidades americanas receberam o update. Hoje, dezenas de países e milhares de capitais e cidades grande contam com informações como horários de ônibus, linhas de metrô, pontos em que o fluxo de veículos está lento em tempo real, permite às pessoas traçarem itinerário de serviços de transporte e saber quanto tempo demorará para chegar ao seu destino, etc. Também em 2007 a estrearia o Google Street View que passou a permitir que agora, além de vermos as cidades por cima (com o Google Earth), pudéssemos caminhar pelas ruas das principais cidades.

O próprio desenvolvimento do Android deu um passo grande neste ano, quando fabricantes como Samsung, Sony, HTC e as operadoras de telefonia americanas como as Sprint Nextel e T-Mobile, e fabricantes de hardware como Qualcomm e a Texas Instruments, além do próprio Google (hoje sãi mais de 80), reuniram-se em um consórcio de tecnologia e fundaram a Open Handset Alliance. O objetivo da união de marcas era a criação de uma plataforma de código aberto para smartphones. O resultado foi o primeiro Android comercial do mercado, rodando em um HTC Dream, lançado oficialmente em 22 de outubro de 2008.

Também foi nesse ano que estreou a Pesquisa Universal e o Patent Search. O primeiro deles integra conteúdo de páginas, vídeos, imagens, pesquisa acadêmica, etc. Tudo em apenas 1 clique de "Search". Por causa disto, o algoritmo de busca foi alterado significantemente, mudando, inclusive, algumas técnicas de SEO. As buscas mobile também receberam incrementos, pois a partir de então anúncios passaram a ser exibidos também no seu smartphone no momento de uma busca, permitindo ainda monetizar seu site através de mensagens de texto. Já o segundo trata-se de um mecanismo de pesquisa que tinha indexado mais de 7 milhões de patentes desde 1790 no momento do seu lançamento.

Falando em anúncios, em 2007 o Google foi às compras e adquiriu 15 empresas, sendo a maior dela a DoubleClick, pelo valor de US$ 3,1 bilhões. A empresa, especializada em mídia eletrônica, como marketing de banners e motores de busca, foi integrada ao Adsense, dando além da tecnologia, todo o networking de agências e designers do empreendimento anterior. Outra compra importante daquele ano foi o FeedBurner, maior gerenciador de feed da web.

Na próxima parte desta história veremos a continuação da conquista da internet mundial pelo Google. E se você não conferiu ainda as postagens anteriores da série, clique aqui para conferir a elas e todas nossas histórias digitais.

Comentários:
Carregar comentários