Esse celular custava 4.499 reais no lançamento. Hoje ele tá saindo por menos de 2 mil. Mas será que caiu de preço porque é ruim, ou porque virou uma das melhores compras do ano? Comprei ele, fiz vários testes como meu smartphone por algumas semanas, tirei foto lado a lado com um S26 da Samsung, tudo para trazer os resultados mais fiéis que você vai ver.

Ele tem um ponto fraco, mas teve um teste que me surpreendeu bastante e colocou esse Motorola num lugar que eu não esperava. Sou o Nicolas, testo celular há mais de dez anos aqui no canal, e esse Edge 70 me deu trabalho para avaliar. Bora descobrir se vale a pena.

Motorola Edge 70: Análise

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Unboxing

O que vem na caixa do Edge 70

Ao abrir a caixa da Motorola, a primeira experiência é sentir o perfume que a marca aplica no pacote. Eles dizem que é para você se sentir bem, e eu concordo, porque gosto do aroma. Logo no topo, já aparece o celular. Embaixo dele, vem uma caixinha com os manuais e a chave para remover o chip. Em seguida, o cabo USB-C para USB-C e, por fim, o carregador de 68 W. E isso é tudo que vem no kit.

Design e construção

Design do Edge 70

Vamos começar pelo que a Motorola mais bateu no peito: a construção.

O Edge 70 tem 6,33 mm de espessura e pesa 163 gramas. Na mão, isso é uma sensação ótima. É fino, é leve, não parece aquele tijolo que a gente tá acostumado a carregar hoje em dia com os celulares de bateria gigante.

Na traseira, há uma textura, gosto desse estilo. O Edge 70 é vendido em três diferentes cores, o Lily Pad, Gadget Gray e esse verde chamado de Bronze Green.

Módulo de câmeras

O módulo de câmeras é levemente elevado, embutido na estrutura traseira do celular. O material utilizado é metal escovado, que ao meu ver garante rigidez nesse ponto, só que eu acho mais bonito o módulo do Edge 60, essa versão 2026 da traseira dos smartphones da Motorola não me agradou.

Na parte de cima do aparelho temos o primeiro microfone e também a logo "Dolby Atmos".

Embaixo da tela é onde fica escondida a saída de som secundária. Para encontrar o som principal temos que ir na parte de baixo do celular. O speaker fica aqui, ao lado da entrada USB-C, mais um microfone e também a gavetinha de chip, que ao abrir não tem expansão, algo que estava presente no Edge 60 e havíamos elogiado.

Agora, um ponto interessante é que, mesmo sendo fino, a Motorola não abriu mão da resistência. Ele tem certificação IP68 e IP69. O IP69, pra quem não conhece, é aquele nível que aguenta jato de água quente sob pressão, não é só o respingo de chuva. Junto disso vem o padrão militar MIL-STD-810H, testado em 16 categorias, e o vidro Gorilla Glass 7i na frente. Ou seja, é um celular fino que não tem medo de cair ou de pegar uma chuva.

Confesso que esse equilíbrio entre ser fino e ser resistente é o que mais me agradou no hardware. Normalmente você escolhe um ou outro. Aqui você leva os dois. Em relação ao Edge 60, a evolução está justamente na blindagem e no acabamento.

Tela

Tela Edge 70

A tela é um capítulo à parte, e é onde a Motorola foi agressiva no marketing. São 6,7 polegadas, painel AMOLED, resolução 1.5K (1220 x 2712), taxa de 120 Hz e HDR10+. Até aqui, o padrão que a gente espera de um intermediário premium. A diferença está no brilho.

A Motorola promete até 4500 nits de pico. Esse número, é importante explicar, é o brilho máximo em situações bem específicas, geralmente um trechinho da tela exibindo HDR. Você não vai usar o celular a 4500 nits o dia inteiro. Mas, na prática, isso significa uma coisa só: sol forte do meio-dia aqui no sul não derruba essa tela. Dá pra enxergar tudo tranquilo.

Outro detalhe é a calibração Pantone Validated, que entrega cores mais fiéis. Para quem consome muito vídeo e foto, faz diferença. Para mim, a tela é um dos pontos altos do aparelho. É brilhante, é fluida e é confortável de usar em qualquer ambiente.

Desempenho e hardware

Teste de jogos do Edge 70

Agora a parte que mais gera dúvida no celular da Motorola: ele aguenta o tranco?

O Edge 70 vem com o Snapdragon 7 Gen 4, 12 GB de RAM física com mais até 12 GB de RAM Boost, e 512GB de armazenamento. No AnTuTu, ele cravou 1.390.980 pontos. É um número de intermediário premium honesto, longe dos topos de linha que passam dos 3 milhões, mas suficiente para dar conta do dia a dia sem engasgo.

Mas número de benchmark não joga, então eu fui pros jogos de verdade. Rodei vários jogos para testar a performance no canal Roda Liso, e aqui a coisa ficou muito interessante pro Edge 70.

E nos jogos pesados ele também se vira muito bem pra faixa de preço dele. Genshin Impact rodou em 58 FPS, que pra um celular nessa categoria é um ótimo resultado, dá pra jogar com tranquilidade. O Wuthering Waves ficou em 47 FPS, e o Minecraft manteve 76 FPS de média. São números que, num celular de menos de 2 mil reais, entregam uma experiência de jogo que há pouco tempo a gente só via em aparelhos bem mais caros.

Juntando tudo, o Edge 70 fechou com 69 FPS efetivos de média no nosso cálculo, aquele número que pondera o FPS pela estabilidade. Isso garantiu para ele o selo Roda Competitivo.

E é aqui que entra o dado que mudou minha opinião sobre ele. Quando eu cruzo essa performance com o preço atual, o Edge 70 alcança um score de custo-benefício de 35,7 e crava o segundo lugar no ranking gamer do Roda Liso, atrás só do POCO X7 Pro e na frente de aparelhos mais caros como o Infinix GT 30 Pro e o POCO X8 Pro. Ou seja, pelo que ele cobra hoje, você está pagando muito pouco por cada quadro de jogo. É exatamente esse equilíbrio entre rodar bem e custar pouco que faz dele uma das melhores compras da lista.

Confesso que, pelo preço de lançamento de 4.499 reais, esse mesmo celular seria um flop em jogos. Pelo preço de hoje, vira um dos melhores negócios da lista. E para quem nem joga, o raciocínio é simples: se ele vai bem nos jogos, qualquer outra tarefa é fichinha.

E olha, esse tipo de teste, rodar os jogos um por um e cruzar FPS e estabilidade com o preço, você não encontra por aí. Então, se esse tipo de análise te ajuda, deixe o like aqui no vídeo, garanto que vai ajudar mais pessoas também e te inscreve, eu realmente testo os produtos.

Bateria

A bateria é o ponto que mais divide opinião, então vamos aos números reais que eu medi.

São 4800mAh, uma capacidade que a Motorola faz questão de dizer que é a maior entre os ultrafinos da categoria. E faz sentido, encaixar isso num corpo de 6,33 mm tem mérito. Mas seja honesto: 4800mAh hoje, num mercado onde já tem celular com 6000 e até 7000 mAh, não é nenhum exagero.

#CelularesCapacidadeConsumoTela LigadaTempo carregamento
29°Oppo A6x 4G6.5007007:45h0
30°Xiaomi Redmi Note 14 4G5.5007107:45h01:17h
31°Motorola Edge 704.8007107:45h00:46h
32°Apple iPhone 16e4.0057107:45h0
33°Samsung Galaxy S23 Ultra5.0007207:45h01:05h

No meu teste de uso, com 8 horas de tela ligada, o Edge 70 consumiu 71% da bateria. Sobrou 29%. Isso é um resultado mediano. Você fecha o dia com ele tranquilo num uso normal, mas não conta com aquela folga de dois dias que alguns concorrentes entregam. Quem é usuário pesado provavelmente vai precisar de uma recarga no fim da tarde.

E é no carregamento que ele se redime. Com o carregador TurboPower de 68 W, que vem na caixa, sim, ainda vem carregador na caixa, ele foi de 0 a 100% em 46 minutos. Isso é rápido e resolve bem a questão da bateria mediana. Em 15 minutos na tomada você já recupera carga pra boa parte do dia.

Resumindo a bateria: a capacidade é apenas ok, mas o carregamento rápido compensa boa parte da limitação.

Câmeras

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O Edge 70 traz um trio de câmeras: principal de 50 MP com estabilização óptica, ultrawide de 50 MP e 120 graus que também faz macro, e frontal de 50 MP. Fui testar tudo em situação real, não em estúdio. E adianto: fiz exatamente as mesmas fotos com o Galaxy S26, então fica ligado que eu quero saber a tua opinião.

A principal é o ponto mais consistente. Num close com a piscina ao fundo, o foco caiu rápido e a separação do fundo ficou natural, sem desfoque artificial. Nas plantas, o verde saiu fiel, sem aquela saturação forçada, e com bom nível de detalhe nas folhas. O teste mais difícil eu deixei pro fim: apontei contra o sol, com o céu de inverno e o sol estourando no canto. E ele se saiu bem. O HDR segurou o céu sem queimar, manteve a textura das nuvens e ainda preservou detalhe na sombra. Resumindo a câmera principal pelo preço de hoje, entrega foto que você acha em celulares mais caros.

A ultrawide me surpreendeu, e vou te explicar o porquê. Geralmente em intermediário, a grande angular costuma ser número de ficha técnica. Aqui não. O sensor de 50 MP segue a mesma linha de cor da principal, e isso é raro: você troca de lente e o azul do céu continua igual, sem mudar de temperatura. Contra o sol ela mostra o limite, com flare mais marcado e leve perda de nitidez nos cantos, comportamento normal de toda grande angular.

A frontal de 50 MP é uma das melhores partes do conjunto. Em luz suave, o detalhe é alto e o tom de pele sai natural, sem aquele beautify pesado que deixa o rosto plástico. O modo retrato faz um recorte de cabelo competente, com poucas falhas. O calcanhar de Aquiles é o contraluz pesado: com sol forte de lado, a parte iluminada do rosto tende a estourar um pouco. Nada grave, eu que forcei a foto ao máximo.

Fotos noturnas

Foto noturna é onde os celulares costumam perder qualidade, então fui pra rua quando escureceu.

Na principal, o resultado é equilibrado. Fotografei a fachada, o carro na garagem e uma estante decorada, e o controle de luz me agradou: as luminárias e os spots de chão não viraram borrão estourado. O modo noturno levanta as sombras sem deixar a foto artificial, e o ruído ficou controlado mesmo com o sensor forçando ISO alto pra dar conta do escuro. Numa foto da fachada até apareceram estrelas no céu. Em cena muito escura surge um ruído fino e leve perda de nitidez nos cantos, mas pelo preço é muito bom.

A ultrawide perde mais qualidade, e isso é esperado. Ela segura uma cena com alguma iluminação, com as luzes dos postes bem definidas, mas perde detalhes nas áreas escuras e tem mais ruído que a principal.

A frontal me surpreendeu. Nas selfies noturnas o rosto saiu bem iluminado e nítido, sem aquela granulação comum em intermediário, e com tom de pele natural. Pra quem posta stories à noite, cumpre muito bem.

Resumindo a noite: a principal é o destaque, a frontal vai melhor do que eu esperava e a ultrawide é a mais limitada.

Vídeos

E não é só foto. O Edge 70 grava em 4K a 60 fps em todas as câmeras, inclusive na frontal. Isso é raro nessa faixa de preço e é uma mão na roda pra quem cria conteúdo, enquanto eu vou falando você assiste um vídeo produzido com a câmera principal ao lado do S26 da Samsung para comparar a estabilização. O pior cenário possível é esse, onde a câmera tem o sol em frente.

No geral, o conjunto de câmeras entrega muito mais do que o preço atual sugere.

Sistema e atualizações

A Motorola fez um incremento de 1 ano nas atualizações do Edge 70, esse ano. Prometeu 4 anos, ou seja, ele começou no Android 16 e vai até o Android 20, além das atualizações de segurança ao longo desse período.

Esse é um tempo que eu considero ideal. E vou te explicar o porquê. É justamente o tempo que a maioria das pessoas fica com o mesmo aparelho antes de partir pra outro. O que costuma acontecer lá na frente não é o sistema parar de funcionar, é a bateria começando a falhar. Então, na prática, esse celular vai receber software novo durante toda a vida útil dele. É difícil pedir mais que isso num intermediário.

Vale só um ponto de atenção. Quatro anos de atualização é ótimo, mas ainda fica abaixo dos cinco a sete anos que Samsung e Google oferecem nos modelos deles. Pra esse preço e essa categoria, no entanto, está mais que de bom tamanho.

Quanto à interface, aqui temos a Hello UI, e sinceramente não houve grandes mudanças recentes. Continua aquela mesma experiência da Motorola de sempre, e nesse caso isso é um elogio. É uma interface limpa, leve. Junto disso vêm todas as customizações da casa, o Moto Secure, os gestos rápidos como aquele de balançar pra ligar a lanterna, e várias formas de deixar o celular com a sua cara.

Confesso que, pra quem como eu não gosta de interface pesada e cheia de firula, essa pegada mais clean da Motorola é bom.

CONCLUSÃO

8.5
Prós
  • Ótimo desempenho em jogos pelo preço (2º no ranking Roda Liso)
  • Tela AMOLED brilhante de até 4500 nits
  • Fino, leve e muito resistente (IP69 e padrão militar)
  • Carrega rápido (68 W) e vem com carregador na caixa
  • Trio de câmeras de 50 MP que grava em 4K60
Contras
  • Bateria de autonomia mediana
  • Sem expansão de armazenamento
  • Atualizações ficam abaixo de Samsung e Google

Então, o Motorola Edge 70 vale a pena? A resposta depende de uma coisa: o preço que você paga.

Pelos 4.499 reais do lançamento, eu não recomendaria de jeito nenhum. Só que esse não é mais esse o valor. Hoje, custando já em ofertas por menos de 2 mil reais, o Edge 70 é outra conversa. Você leva uma tela excelente de 4500 nits, uma construção fina e ultrarresistente com IP69 e padrão militar, carregamento de 68 W com carregador incluso, e aquele desempenho em jogos que cravou o segundo lugar no ranking de custo-benefício do Roda Liso. Essa foi a surpresa que eu comentei lá no começo.

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O ponto fraco fica por conta da bateria. Os 4800mAh entregam um resultado apenas mediano. O carregamento de 68W ameniza bem isso, mas é o único "mas" que sobra no aparelho.

E analisando pela ótica de quem nem joga, o raciocínio é simples: se ele vai bem nos jogos, qualquer outra tarefa do dia a dia é fichinha. Ele não vai travar de jeito algum, nem agora e nem quando estiver na última atualização possível.

Para o usuário que quer um aparelho bonito, resistente, com tela ótima e que ainda roda bem os jogos sem gastar muito, eu indico a compra do Edge 70. Com uma condição: encontre ele por menos de 2 mil reais. E como a gente tá falando de preço, vale entrar nos grupos de ofertas do WhatsApp e do Telegram do Oficina da Net, que é onde a gente avisa quando ele aparece no melhor valor.