O nome completo dele é Samsung Odyssey G4 G40H, ele chegou ao Brasil em julho por 1.799 reais.
Só para colocar em perspectiva: nos Estados Unidos esse mesmo modelo sai por 299 dólares. Com imposto e frete, os 1.799 reais não são um absurdo, então não é sobre a Samsung estar sendo gananciosa aqui no Brasil. Agora a pergunta que fica é: com 1.799 reais na mão, hoje, esse é o monitor que rende mais? Porque essa faixa de preço no Brasil está lotada, e a concorrência está brigando com um argumento bem diferente do que a Samsung escolheu.
A própria Samsung foi clara sobre o público, disse que o G4 foi desenvolvido para quem busca performance em partidas competitivas. Guarda essa frase, porque ela explica todas as escolhas do projeto e também explica para quem esse monitor não serve.
O que 1.799 reais compram hoje?
Para julgar custo-benefício, você precisa saber contra o que ele está brigando. Então vamos colocar a régua na mesa antes de falar do produto.
Nessa mesma faixa, hoje, você encontra o AOC Q27G4F, um 27 polegadas com resolução QHD, painel Fast IPS, 180Hz, base com ajuste completo e certificação G-Sync Compatible. Eu achei ele entre 1.399 e 1.599 reais dependendo da loja e da forma de pagamento.
Do outro lado, se o que você quer é taxa de atualização pura, tem o AOC 25G4S, um 24,5 polegadas Full HD com 310Hz, painel Fast IPS, base ajustável. Preço de tabela na casa dos 1.899 reais, mas já foi visto perto dos 1.300 em promoção.
E tem também o LG UltraGear 27G440A, 27 polegadas Full HD, painel IPS, 240Hz, 1 milissegundo GtG, 99% de sRGB, HDR10, DisplayPort 1.4, compatível com FreeSync Premium e G-Sync. Lançou em março de 2026 e já foi visto abaixo de R$ 1100.
Repara no que essa régua diz. Existe concorrente entregando mais resolução por menos dinheiro, e existe concorrente entregando mais Hz com mais brilho por dinheiro parecido. O Odyssey G4 não está sozinho em nenhum dos dois extremos.
Onde ele entrega acima da faixa: a base
Começando pelo que ele faz melhor do que quase todo mundo nesse preço, e é o ponto que a Samsung menos divulga: a base.
A base do Odyssey G4 tem ajuste de altura, inclinação, giro lateral e pivô. Ela sobe e desce 105 milímetros, inclina de 3 graus negativos até 25 graus, gira 45 graus para cada lado e rotaciona 92 graus, ou seja, dá para deixar a tela em pé.
Isso ainda é raro. Muito monitor de mil e poucos reais te dá uma base que só inclina, e você acaba gastando mais 200 ou 300 reais num suporte separado. Aqui não precisa. Se você quiser braço articulado mesmo assim, tem furação VESA de 100 por 100.
Os 45 graus de giro lateral são generosos até para padrão de faixa superior. Se você usa dois monitores ou divide a tela com alguém do lado, isso conta no dia a dia.
O painel é plano, sem curvatura. E aqui eu concordo com a escolha: para jogo competitivo, tela plana evita distorcer linha reta e atrapalhar leitura de mira.
Ele pesa 4 quilos com base e 2,7 sem, é fácil de montar e o consumo máximo é de 48 watts, bem baixo.
Então, na conta de custo-benefício, esse é o primeiro crédito real do monitor: ergonomia de faixa superior. Só que ergonomia sozinha não vende monitor gamer, e a partir daqui a conta começa a apertar.
As conexões e a pegadinha dos 300Hz
O Odyssey G4 tem uma entrada DisplayPort 1.2, uma entrada HDMI 2.0 e uma saída de fone de 3,5 milímetros. É isso. Não tem USB-C, não tem hub USB, não tem mais nada.
E o detalhe: os 300Hz só saem pelo DisplayPort. Pelo HDMI, o teto é 240Hz. Está escrito na ficha oficial da Samsung, mas quase ninguém lê. Se você ligar no HDMI e não achar 300Hz no Windows, o monitor não está com defeito, ele está fazendo exatamente o que foi projetado para fazer.
Tem ainda um detalhe importante. É DisplayPort 1.2, não 1.4. Full HD a 300Hz com 8 bits de cor come praticamente toda a banda que o DisplayPort 1.2 transporta. Traduzindo: você precisa de um cabo DisplayPort decente e não sobra margem para mais nada. O bom é que a Samsung manda esse cabo na caixa.
O painel: cores, brilho e o teto do IPS
O painel é Fast IPS, com as vantagens clássicas do IPS. Ângulo de visão de 178 graus na horizontal e na vertical, então a cor não lava quando você olha de lado. Cobertura de 99% de sRGB, que é ótimo para jogo, navegação e consumo de conteúdo.
Agora a honestidade. O contraste é 1.000 para 1, número padrão de IPS. Preto, nesse monitor, é cinza escuro. Se você joga muito jogo de terror, assiste filme no escuro ou quer preto profundo, não é aqui. Não é defeito, é a natureza da tecnologia.
O brilho típico é suficiente para um quarto com a luz acesa, mas óbvio que se tiver uma janela aberta com sol na tela não vai dar conta.
27 polegadas em Full HD: a conta que decide o custo-benefício
Esse é o assunto mais polêmico do monitor, e eu quero resolver com matemática em vez de opinião. Densidade de pixels. Um 27 polegadas Full HD tem cerca de 82 pixels por polegada. Um 24 polegadas com a mesma resolução tem cerca de 92. E um 27 polegadas QHD tem cerca de 109.
Ou seja: aqui você está espalhando a mesma quantidade de pixels numa área bem maior. Na prática, texto fica com a borda menos definida, serrilhado em jogo aparece mais e a interface do Windows ou no Mac ficam com um aspecto meio grosseiro se você senta perto.
Isso é ruim? Depende de duas coisas.
- Primeira: a distância. A 80 centímetros ou mais, a diferença some bastante. A 50 ou 60 centímetros, que é como muita gente joga competitivo, você enxerga pixel.
- Segunda, e mais importante: o que você faz na tela. Se você passa o dia lendo texto, mexendo em planilha, programando ou editando foto, 27 polegadas em Full HD é escolha ruim e eu não recomendo. Se você abre CS2, Rocket League ou um RedSec igual eu, a densidade importa menos e o tamanho vira vantagem.
E o ponto de custo-benefício é esse: Full HD em 27 polegadas foi escolha da Samsung, tu corta resolução e amplia frequência, chegando aos 300Hz num IPS teoricamente barato.
300Hz na prática: o que você realmente compra
A 240Hz, cada quadro fica na tela por 4,17 milissegundos. A 300Hz, cada quadro fica 3,33. A diferença é de 0,83 milissegundo. Menos de um milésimo de segundo.
Para você ter uma noção do que estou falando, o tempo de reação de um ser humano treinado fica na casa de 150 a 200 milissegundos. A melhoria que você está comprando é menos de 1% do seu próprio tempo de reação.
Isso quer dizer que 300Hz é marketing? Não. Fluidez não está só associada à latência, é também nitidez da imagem em movimento, e mais quadros deixam a cena mais limpa num flick rápido.
Agora pra mim, na percepção que tive já testando vários monitores é, de 60 para 144Hz é gritante. De 144 para 240 é perceptível. De 240 para 300, sendo honesto com você, é uma diferença que a maioria absoluta das pessoas não identifica num teste às cegas.
E tem o detalhe, para aproveitar 300Hz você precisa gerar 300 quadros por segundo. Mesmo em Full HD, isso exige processador rápido. Se o seu PC entrega 180 fps hoje no seu monitor FULLHD, talvez não faz sentido você comprar um de 300Hz, entende? E é aí que entram as tecnologias de sincronização.
Os recursos de jogo que funcionam
O Odyssey G4 é compatível com AMD FreeSync Premium e certificado como G-Sync Compatible. Taxa de atualização variável funcionando nas duas marcas de placa de vídeo, sem rasgo de imagem. É o recurso mais útil da lista inteira.
Ele ainda conta com o Black Equalizer, que clareia áreas escuras para você enxergar inimigo na sombra. Funciona, mas eu não gostei, a imagem fica mais lavada do que costume.
Tem o Virtual Aim Point, a mira fixa desenhada no centro da tela pelo próprio monitor. Útil em jogo sem mira permanente.
Vale a pena? O veredito preso ao preço
- Base premium para a faixa
- Painel Fast IPS com 99% sRGB
- ângulo de visão de 178° (cor não lava de lado)
- FreeSync Premium + G-Sync Compatible
- Consumo baixo (48W) e fácil de montar
- Cabo DisplayPort já incluso na caixa
- 300Hz só funciona via DisplayPort 1.2 (limitado a 240Hz no HDMI)
- Full HD em 27" tem densidade baixa (82 PPI), pior para texto/produtividade
- Contraste de 1.000:1 típico de IPS, preto "lavado" para quem joga terror ou assiste filme no escuro
- Só 1 HDMI + 1 DisplayPort
- Preço de lançamento (R$ 1.799) fica espremido entre concorrentes com QHD mais barato ou mais Hz/HDR pelo mesmo valor
Juntando tudo, o Odyssey G4 é um monitor de propósito único, e ele cumpre bem esse papel.
Ele é para você se: joga FPS competitivo a sério, tem PC capaz de passar de 250 quadros por segundo e vai usar DisplayPort. Nesse cenário, 300Hz com Fast IPS, FreeSync Premium, G-Sync e uma base com ajuste completo é um pacote legal.
Ele não é para você se: usa o monitor para trabalhar com texto ou imagem, tem muito sol no cômodo, quer preto profundo para filme, tem PC que não passa de 150 fps ou precisa ligar mais de dois aparelhos.
Preço
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R$ 1.851,58
Samsung Odyssey G4 27 300Hz
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R$ 1.851,58
Samsung Monitor Odyssey G4 27, 300Hz, 1ms, FHD, HAS, G-sync, FreeSync, DP, HDMI
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Agora o veredito por faixa de preço, que é como eu sempre fecho aqui.
A 1.799 reais, eu não recomendo para a maioria das pessoas. Não porque ele seja ruim, mas porque nessa faixa existe QHD de 27 polegadas com 180Hz e base ajustável por menos dinheiro, e existe Full HD de 310Hz com HDR 400 por dinheiro parecido. Ele fica espremido entre os dois.
De 1.500 reais para baixo, a conta muda e ele passa a fazer sentido para quem é competitivo de verdade, porque a ergonomia e o painel Fast IPS param de ser cobrados caro.
E abaixo de 1.300 reais, ele vira uma das compras mais fáceis da categoria para quem joga FPS, porque não sobra muita gente entregando 300Hz reais com essa base nesse valor.
Resumindo em uma frase: se você quer resolução, brilho ou contraste, o seu dinheiro rende mais em outro lugar hoje. Se você quer velocidade e só velocidade, esse monitor entrega, desde que você compre no preço certo.






