Empreendedorismo: Vantagem Competitiva

Quem tem acompanhado alguns artigos, deve ter reparado que sou um pouco avesso a definições muito “acadêmicas” ou a afirmações incisivas sobre o “certo e o errado” no que respeita a processos, metodologias e teorias ligadas à administração de negócios.

Por | @oficinadanet Empreendedorismo
Quem tem acompanhado alguns artigos, deve ter reparado que sou um pouco avesso a definições muito “acadêmicas” ou a afirmações incisivas sobre o “certo e o errado” no que respeita a processos, metodologias e teorias ligadas à administração de negócios.

Primeiramente, não acredito em “receitas prontas” e em segundo lugar, com a dinâmica atual do ambiente de negócios, definir as “melhores práticas”, creio, no mínimo, ser uma pretensão aquém das possibilidades de qualquer um, por mais preparado que seja.

O que tenho procurado passar são conceitos básicos que, em princípio, independeriam do tempo e espaço. Inclusive, em vários desses conceitos – como o de estratégia – não apresentei uma definição pragmática e, sim, um conjunto de processos que formam o que se poderia chamar de o processo de estratégia.

Em cima desta linha de raciocínio, o que acredito que é a maior vantagem competitiva de qualquer empresa é a combinação de conhecimento, de inteligência – nas suas diversas formas e perspectivas – e de experiência (adquirida de modo próprio ou estudada).

Essa combinação permite o desenvolvimento constante do espírito empreendedor e inovador que deve ser o Norte de qualquer empreendimento e de seus gestores, seja no seu estágio inicial seja no seu estágio consolidado.

O conhecimento fornece os fundamentos para a análise da viabilidade de novos insights, além de ser uma fonte geradora destes. A Inteligência permite não só facilitar a condução dos negócios, como avaliar o factível e as prioridades, o como lidar com as pessoas e as emoções, ponderar sobre o tangível e o intangível, desenvolver a sensibilidade para analisar tendências, entre outros pontos fundamentais. E a experiência é uma referência para o aprimoramento e, também, uma segurança, pela análise e comparação dos bons e maus resultados de ações já praticadas.

O conhecimento, a que me refiro, não é na perspectiva de ter que se estar sempre atualizado com tudo e com qualquer “best-seller” que é proposto pela mídia. Mas é, sim, um arcabouço de referências, conceitos e práticas que estão, primeiro, alicerças no bom senso e pragmaticamente confirmadas como vantajosas – a sua utilização – e, segundo, que estejam embasadas em estudos disponíveis para que possamos analisar sua profundidade e utilidade.

Cabe aqui uma ressalva. Uma leitura rápida do parágrafo anterior pode transparecer, para quem não acompanha os meus artigos, uma visão restrita do que pode, ou não, ser utilizado como práticas de administração. Não é o caso.

O enfoque, na realidade, é contra os modismos e sucesso rápidos e espontâneos que aparecem como a solução para todos os problemas e que rapidamente são adotados. Um exemplo disso foi a reengenharia na década de oitenta. Outro exemplo foi o downsizing na tecnologia, a troca de grandes computadores por minicomputadores e redes de microcomputadores.

Um último exemplo pode ser a terceirização, que é pratica corrente das grandes empresas para diminuir custos, quando na realidade o que está acontecendo é só a mudança do centro de custo para outra empresa e é o achatamento dos salários de quem trabalha nessas terceirizadas, isto, quando não é uma cooperativa para driblar os impostos sociais que na realidade quem sai prejudicado, mais uma vez, é o colaborador.

Na realidade, eu sou um adepto do questionamento e da quebra de paradigmas, mas de modo inteligente, responsável e embasado.

Uma referência que sempre utilizo e releio, quando possível, é Peter Drucker. Pode ser observado, em seus últimos livros, que Drucker não oferece nenhuma receita milagrosa nem é incisivo em suas colocações. A sua experiência e a sua escrita mostram um texto discursivo profundo mas ao mesmo tempo leve, onde expõe seus pensamentos e análises de uma forma como se fosse uma conversa. No entanto, os ensinamentos contidos são impares.

Quanto à inteligência, como tinha referido, ela tem diversas formas e perspectivas. Por exemplo, a inteligência competitiva, onde se estuda o mercado, a competição, as tendências, entre outros pontos. Pode ser a inteligência emocional, onde a perspectiva é direcionada aos recursos humanos. Recentemente, li uma artigo que comentava sobre a inteligência social, cuja análise é de como as redes sociais interagem ou interagirão com o mundo dos negócios e qual será sua influência.

A experiência embasa todos os pontos anteriores pois permite a reflexão sobre o realizável em contraposição ao irrealizável, evita a repetição de erros básicos, sedimenta as tomadas de decisão, aumenta a “elasticidade” mental na análise de cenários de uma equipe, porque o arcabouço de informação acumulado é maior em relação ao de uma equipe com pouca experiência.

O contraponto deste argumento é se a experiência for estática ou aversa às mudanças. Neste caso ela mais prejudica do que ajuda. Inclusive este balanceamento, entre experiência e resistência às mudanças, é crítico. É aqui que a diferenciação entre o profissional experiente e empreendedor e o de um profissional experiente acomodado podem definir a vantagem competitiva de uma organização.

Portanto, definir a vantagem competitiva de uma empresa, ou de um produto, baseada somente em preço ou tecnologia ou serviço ou valor para o cliente , acredito que é minimizar o potencial da organização, como um todo, e reduzir a análise a um universo cartesiano que não existe.

“Os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.”
Alvin Tofler

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