A Motorola acabou de lançar o Moto G77, e olhando a ficha técnica ele parece trazer exatamente o que a gente queria: tela AMOLED 1.5K de 120Hz, brilho absurdo de 5000 nits e câmera de 108MP. Em teoria, é aquele tipo de upgrade que deveria deixar a linha Moto G ainda mais interessante.
Mas tem uma coisa estranha acontecendo aqui.
Enquanto algumas partes claramente evoluíram - principalmente a tela - outras decisões simplesmente não fazem o menor sentido. Tem recurso que existia no modelo anterior… e simplesmente desapareceu. E é aí que surge a pergunta: o Moto G77 evoluiu ou, por incrível que pareça, regrediu? Bora tirar da caixa.
Tirando da caixa
A embalagem segue o padrão Motorola: robusta e bem acabada. Ao abrir, o celular aparece logo de cara, seguido pela caixa com manuais e a chave para o slot do chip. Completam o kit o carregador de 33W e o cabo USB-A para USB-C. É isso: celular, cabo e carregador. Sem surpresas.
Tela
Logo ao ligar ele o que me chamou atenção foi a tela, temos agora um painel AMOLED com resolução 1.5K, 120Hz e brilho de 5000 nits? Loucura pensar que estamos chegando a números impressionantes de luminosidade se lembrarmos que, há dois anos, esses valores eram inimagináveis nessa faixa de preço.
Vale lembrar que cheguei a criticar esse ponto no G75, que contava com um painel IPS e acabava limitando o potencial do aparelho. Aqui, sem dúvida, a tela é um dos grandes pontos fortes do G77.
Construção
Mas nem tudo são flores. Também notei um ponto que normalmente costumo elogiar nos aparelhos da marca: a construção. Desta vez, ele parece ter um acabamento mais barato do que realmente é. O smartphone é feito em plástico com traseira usando esse material que imita o couro. A sensação de ter em mãos é mais frágil e outro detalhe que me faz pensar assim são as bordas frontais, que apesar de terem diminuído em relação ao G75, por conta da tela OLED, ainda assim são grandes.
Tudo bem, a proposta desse modelo é justamente ser um aparelho para comprar barato. Nesse sentido, algumas concessões são necessárias. Mas existe uma decisão da Motorola que me deixou até mesmo confuso. Por que remover a proteção IP68 que havia no G75 e retornar para apenas IP64, aquela que é resistente apenas a respingos? Sério mesmo, eu não consegui entender o motivo. Olha a ficha técnica do Moto G56, esse possui proteção até contra jatos de água de alta pressão. Então fica a pergunta: por que cargas d’água o G77 acabou recebendo uma proteção inferior?
Hardware e performance
Eu gosto de comparar para você ter noção real se algo melhorou ou piorou. O processador do G77 é um Dimensity 6400. O G75 vinha com Snapdragon 6 Gen 3, e o G56 com Dimensity 7060. Os três contam com 8GB de RAM e 256GB de armazenamento.
Rodei o AnTuTu três vezes — e a pontuação na terceira rodada foi de 598 mil pontos. Para comparar: o Moto G77 fez 541 mil, e o G56 fez 478 mil pontos. Números que mostram uma evolução, mas que precisam ser validados no uso real.
E falando em uso real, fui pros jogos. Comecei pelo Asphalt, que é o jogo de corrida que sempre testamos por aqui e geralmente todos os celulares conseguem rodar bem. O G77 pegou 60 frames com 99% de estabilidade, jogando com gráficos no modo desempenho. Depois instalei o Genshin Impact, e já na compilação dos shaders deu pra perceber que ia ser pesado: demorou bastante. Mas jogando mesmo, na zona inicial, ele fez 2\9 frames com 97% de estabilidade com gráficos no mínimo.
Ainda vou testar mais 10 jogos e refazer tudo comparando com outro aparelho, aliás, qual você quer ver como concorrente? Coloca nos comentários.
Câmeras
A Motorola colocou dois sensores na traseira, apesar dessa aparência de 4 : câmera principal de 108MP e ultrawide de 8MP, temos também um flash e mais um espaço que deve ser aquele sensor de cintilação. Segundo o próprio site, a câmera principal entrega zoom digital de 3x sem perdas. Vou deixar exemplos para você julgar por conta própria.
Vou deixar algumas fotos passando e comentando, todo perfil de imagem que eu pude notar tem cores próximas a realidade, algo que me chamou atenção logo de cara, o motivo é que nos modelos passados eu sempre via as fotos com contraste e cores mais vivas.
As fotos noturnas que eu não me agradei muito, especialmente selfies, quando há pouca luz está difícil fazer ele conseguir focar direito, mas é uma limitação comum em smartphones nessa faixa de preço. Quando há boa luz, ele consegue focar melhor.
Ainda sobre imagens noturnas, há bastante pós processamento, veja essa foto e como ela se transformou usando o modo Night Vision. É uma imagem totalmente no escuro sim, mas não era o que eu estava vendo, apesar de achar que a imagem ficou muito bonita.
Agora deixo algumas selfies para você ver, ao meu ver estão parecidas com as fotos que o G75 fazia, apesar de agora contarmos com 32MP ao invés de 16MP. E essa câmera consegue fazer vídeos em 2K a 30FPS, confere aí.
Bateria
A bateria é de 5200mAh, aumentou 200mAh em relação ao G75. Parece pouco, mas vale lembrar que o brilho da tela saltou de 1000 para 5000 nits, e a tela é um dos principais vilões do consumo de energia. Se esse aumento foi suficiente para compensar, só o teste de bateria vai dizer e a gente faz isso no review completo. O carregador na caixa é 33W, mas me parece que ele só carrega até 30W de potência, site da Motorola mostra que é 33W, então acredito que realmente seja isso.
Conectividade
Na parte de conectividade, o G77 não decepciona. Ele tem 5G, NFC para pagamentos por aproximação e Bluetooth 5.4. Ou seja, no papel está bem equipado para o que o dia a dia exige. E foi removida a entrada para fones de ouvido, que existia no G75. Os alto-falantes são estéreo com Dolby Atmos, o que é um ponto positivo real nessa faixa de preço.
Ele aceita microSD, para expansão de memória, apesar de eu achar que 256GB são suficientes hoje em dia.
O leitor é sob a tela, o que em tese é uma evolução em relação ao sensor lateral que a Motorola costuma colocar nos modelos mais simples da linha. Na prática, porém, tenho um ponto que não gostei: ele está posicionado bem embaixo da tela, numa área que fica desconfortável na hora de segurar o celular naturalmente. Você precisa ajustar a mão para alcançar. É um detalhe que passa batido na ficha técnica, mas no uso diário aparece com frequência.
Software
O G77 sai de fábrica com Android 16 e a interface Hello UX da Motorola por cima. Pra quem não conhece, a Hello UX é leve, não enche o aparelho de bloatware e mantém a experiência bem próxima do Android puro, algo que eu sempre elogiei na Motorola. E a marca garante 3 anos de atualização para esse modelo, o que é um ponto positivo.
Conclusão
Tem muita coisa para eu testar ainda, me parece que a Motorola fez umas concessões não muito inteligentes nesse aparelho, talvez para não tornar ele muito caro. Mas realmente me parece que o smartphone regrediu, algo que sinceramente não faz sentido na minha cabeça.
Esse celular aqui, mantendo o processador antigo ou um leve upgrade, mantendo a proteção contra água, olha seria difícil bater.
Por falar em bater, ele chegou ao Brasil pelo preço de R$ 2499, mas já pode ser comprado por R$ 2000. Não farei ainda julgamentos em relação aos valores, quero deixar isso para o review completo, mas me parece caro no momento.
É isso pessoal, em breve traremos o vídeo Roda Liso dele e também o review completo, quer ver ele comparado com qual smartphone no quesito geral, comenta aí que vamos fazer.