Sabe aquela irritação quando o Wi-Fi cai no meio da chamada, o notebook resolve atualizar bem antes da reunião ou o fone simplesmente não conecta? Pois é, segundo uma nova pesquisa da Logitech, esse estresse não fica no escritório. Ele vai junto com você para casa.
A fabricante divulgou o Ctrl Tomorrow, seu primeiro estudo global sobre a relação das pessoas com a tecnologia. A proposta é medir como a sensação de controle (ou a falta dela) sobre os dispositivos e ferramentas do dia a dia afeta o humor, o bem-estar, a produtividade e até o sono. E o resultado aponta para uma nova divisão: de um lado, quem se sente no comando da própria tecnologia; do outro, quem sente que é a tecnologia que manda nele.
E tem um detalhe que chama atenção por aqui: o Brasil aparece entre os países mais otimistas do levantamento, à frente dos Estados Unidos e de toda a Europa em vários indicadores.
Os principais números da pesquisa Ctrl Tomorrow
A Logitech resume a ideia em 2 conceitos. O primeiro é o "dividendo" do controle: quando você domina suas ferramentas, ganha confiança, foco, criatividade, produtividade e tranquilidade. O segundo é a "taxa" do controle, que aparece quando a tecnologia falha e traz impotência, ansiedade, raiva e prejuízos ao sono e ao bem-estar físico.
Na prática, os números globais mostram que:
- 77% concordam que quem se sente mais no controle da própria tecnologia aproveita mais a vida;
- 64% dizem que os atritos com a tecnologia afetam o humor depois do expediente;
- 63% afirmam que esses atritos afetam a sensação de controle sobre a vida pessoal;
- 64% relatam frustração, ansiedade ou raiva quando a tecnologia dá problema;
- 46% sentem impotência, constrangimento, exaustão ou a sensação de estar ficando para trás;
- 52% dizem que ter controle sobre a tecnologia permitiu fazer algo que não imaginavam ser possível.
O que é o Ctrl Score
Para medir essa divisão, a Logitech criou o Ctrl Score, um índice que classifica as pessoas em níveis que vão do desengajamento ao domínio completo da tecnologia. Ele leva em conta 3 dimensões:
- Configuração e intencionalidade: o quanto você escolhe, configura e reavalia de forma deliberada os dispositivos e ferramentas que usa no dia a dia;
- Atitude e abordagem: o quanto você se sente confiante, informado e aberto para usar tecnologia e testar ferramentas novas;
- Visão sobre o potencial da tecnologia: se você enxerga a tecnologia como algo que te ajuda a fazer, criar, crescer e se conectar com outras pessoas, ou como algo que te atrapalha.
O resultado não é dos mais animadores. Só 30% dos entrevistados relatam ter um alto grau de autonomia sobre a própria tecnologia, e apenas 10% podem ser considerados realmente no comando. Os outros 70% são menos intencionais ou menos confiantes, o que os deixa mais vulneráveis à sensação de esgotamento ou de estar ficando para trás. Projetando esse percentual sobre a população conectada do planeta, com base em dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a Logitech fala em cerca de 4,2 bilhões de pessoas nessa situação.
Outro dado curioso: 41% disseram que, se a tecnologia assumisse as tarefas rotineiras, usariam o tempo livre para cuidar do bem-estar, da saúde mental e do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Entre quem tem Ctrl Score mais baixo, esse número chega perto da metade. Ou seja, quem está mais longe de se sentir no controle é justamente quem mais quer chegar lá.
Os gamers, por sua vez, aparecem como um grupo de pontuação alta. Entre eles, 81% afirmam que jogar aumenta a confiança na vida real e reduz a ansiedade, e que isso se reflete em um desempenho melhor no trabalho. No Brasil, esse índice sobe para 84%, atrás apenas da China (96%) e da Índia (92%).
Brasileiro está entre os mais otimistas com a tecnologia
A parte mais interessante para quem está por aqui é a comparação entre os 9 países. O brasileiro se mostrou bem mais otimista do que americanos e europeus.
84% dos brasileiros acreditam que a tecnologia cria novas oportunidades, e não novas pressões. É o maior índice do estudo, empatado com a Índia, contra uma média global de 74% e apenas 60% na França, o país mais pessimista da lista. Além disso, 78% dos brasileiros concordam que a tecnologia ajuda a desenvolver o potencial pessoal, atrás somente da China (80%) e muito acima de França (45%), Estados Unidos (55%) e Alemanha (56%).
Com a inteligência artificial, a história se repete. Só 22% das pessoas no mundo demonstram entusiasmo com a ideia de a IA ampliar o que conseguem fazer. No Brasil, são 35%, o segundo maior índice, atrás da Índia (41%) e à frente da China (32%). Nos Estados Unidos, o número cai para 16%; no Reino Unido, 15%; na Austrália e na Alemanha, 13%; e na França, 12%. A Suíça é a exceção europeia, com 23%.
| Indicador | Brasil | Média global |
|---|---|---|
| Quem tem controle da tecnologia aproveita mais a vida | 84% | 77% |
| Controle permitiu algo que não imaginava ser possível | 71% | 52% |
| Tecnologia cria oportunidades, não pressões | 84% | 74% |
| Tecnologia ajuda a desenvolver o potencial pessoal | 78% | 61% |
| Entusiasmo com a IA | 35% | 22% |
| Atritos tecnológicos afetam o humor após o trabalho | 59% | 64% |
| Mais controle com dispositivos físicos | 62% | 69% |
Quem quiser descobrir a própria pontuação pode fazer o quiz do Ctrl Score no site da Logitech. Aqui está a versão em Português.
Sinceramente, acho que o recado mais útil da pesquisa nem é sobre comprar mais equipamento. É sobre parar alguns minutos para configurar direito o que você já tem: atalhos, notificações, conexões, aplicativos. É isso que o próprio estudo chama de intencionalidade, e é o tipo de ajuste que reduz a irritação do dia a dia sem custar nada.






