Hoje vamos testar o Moto G Max, e se você está confuso com as especificações desse celular, calma que isso é proposital.
A Motorola fez uma bagunça danada na hora de nomear esse aparelho: o Moto G Max lançado lá fora é um celular completamente diferente desse aqui do Brasil, com bateria maior e outro processador. Já o G Max lançado aqui é idêntico ao G87 lá de fora, só trocaram o nome.
É isso mesmo, celular com crise de identidade. Mas e aí, será que compensa comprar ou a Motorola confundiu o nome na tentativa de esconder o fato de que esse celular aqui é pior que o do ano passado? Só testando para saber.
Construção Externa e Design
Quando eu penso em Motorola, me vem na cabeça um celular igualzinho ao Moto G Max: módulo de câmera com quatro círculos numa base elevada, cor chamativa, laterais em plástico, traseira em couro vegano e uma tela bem grande. E já adianto: dos quatro círculos, só dois são câmeras de verdade, mas a gente fala sobre isso depois.
E se você estava esperando um celular compacto para usar com uma mão só, pode esquecer. Talvez o "Max" do nome seja justamente o tamanho: para acomodar uma telona de 6,8 polegadas, o celular precisa ser grande.
A boa notícia é que ele é fino, com 7,3 milímetros, e os 183 gramas são bem distribuídos. É confortável de segurar, mas você vai precisar das duas mãos. Eu curti muito a textura fininha do couro vegano, que lembra um pouco a do Edge 60 Pro. Dá vontade de usar o celular sem capinha o tempo todo.
Nas cores, são só duas opções: grafite e azul. Mandaram para a gente testar a azul, que é bem chamativa e, eu diria, ainda mais bonita pessoalmente.
Na parte de cima temos um microfone. Já a saída de som secundária fica nessa fitinha acima da câmera de selfie.
Na lateral ficam os dois botões de volume e o botão power. Esse furinho aqui eu acredito ser outro microfone, provavelmente para redução de ruído.
Embaixo temos mais uma saída de som, então o Moto G Max tem som estéreo, como praticamente todo celular hoje em dia. A entrada USB-C fica aqui também, junto do terceiro e último microfone.
Na gavetinha de chip eu tive uma surpresa: além do slot para o primeiro chip, tem um segundo slot híbrido. Nele você coloca outro chip ou um cartão de memória, algo raro de ver em lançamentos.
Uma dica: se for comprar um cartão de memória, pesquise bem e fuja do mais baratinho. Tem muito cartão falsificado por aí, até na Amazon e no Mercado Livre. Eu já comprei cartão que deu problema em 1 mês, corrompendo todas minhas fotos, então vale a pena ficar esperto.
Ah, o leitor biométrico não fica no botão lateral, e sim embaixo da tela. Hoje em dia esses sensores estão excelentes, então você não vai ter problema na hora de desbloquear o celular.
Proteções
Mas chega de falar de design, bora para o que importa: a durabilidade. E aqui só tem boa notícia. O Moto G Max tem certificação IP68 e IP69, ou seja, é praticamente à prova d'água. O IP69, pra quem não conhece, é aquele que aguenta até jato de água quente sob alta pressão, não só um mergulho.
Também temos a certificação militar que a gente já viu em outros lançamentos da Motorola, garantindo resistência contra quedas e mudanças bruscas de temperatura. Na frente, a tela tem Gorilla Glass 7i, aquela proteção intermediária da Corning.
Ou seja, se você é como eu e liga muito para durabilidade, quer que o celular funcione inteiro por vários anos, o Moto G Max praticamente gabarita esse quesito. As certificações indicam que a Motorola construiu esse celular para durar.
Câmeras
Chegamos nas câmeras, e a gente sabe que megapixel por si só não significa nada, mas mesmo assim, confesso que fiquei animado quando vi que o Moto G Max vinha com uma lente principal de 200 MP com estabilização óptica. No papel, essa é a grande novidade em relação ao G86, que tinha 50 MP e mesmo assim tirava ótimas fotos.
Além dela, temos uma ultrawide de 8 MP e uma selfie de 32 MP. Lembra que eu falei que, dos quatro círculos na traseira, só dois são câmeras de verdade? São esses dois: a principal e a ultrawide.
A lente principal tira fotos bem agradáveis, com tons naturais. O rosa dessa flor saiu igualzinho o que eu estava vendo, e o verde das folhas não tem aquela saturação forçada. O HDR também trabalha ok: nas fotos onde aparece o céu, as nuvens mantêm a textura, sem virar uma mancha branca.
Um detalhe que vale mencionar: mesmo com 200 MP o celular salva as fotos em 12.5 MP, porque junta 16 pixels em um só para captar mais luz. Todas as fotos que você está vendo foram tiradas no modo padrão - saquei do bolso e bati a foto - acredito que 99% das pessoas vai tirar a foto exatamente assim, no máximo um zoom ou outro.
E é nesse zoom que os 200 MP fazem diferença. O Moto G Max, como quase todo celular nessa faixa de preço, não tem lente telefoto, mas aqui o sensor tem resolução de sobra, então consegue recortar o centro da imagem sem perder qualidade. A Motorola chama isso de "zoom 2x sem perda", e na prática é isso mesmo: a foto em 2x fica tão nítida quanto a normal.
Claro que isso tem limites. Em 4x a história já muda: quando você amplia a foto, a grama e as folhas parecem uma pintura. Eu recomendo usar o zoom quando você já está perto do que vai fotografar, como nessa da florzinha. O desfoque de fundo ficou show.
Falando um pouco da câmera secundária, a ultrawide. O lado bom é que as cores acompanham bem a lente principal, o lado ruim é a nitidez, que cai bastante, principalmente nos cantos da imagem. Para uma paisagem que só vai ser vista em rede social, quebra o galho.
Nas fotos noturnas, que é onde os celulares mais baratos costumam sofrer, eu fiquei surpreso de novo. As fotos saem bem bonitas, com cores fiéis e bastante detalhe. Dá até para ver a textura do pneu do carro. Claro, se você der zoom, o ruído aparece, mas bem menos do que eu esperava.
Eu falei antes que a câmera de selfie tem 32 MP, mas aqui o celular também junta os pixels e salva as fotos em 8 MP. Para mim, essa é a melhor câmera do conjunto. As selfies saem muito nítidas, dá para ver cada fio da barba, e sem aquele filtro de beleza que deixa a pele plastificada. Mesmo com o céu atrás, o HDR equilibra bem e o rosto continua bem iluminado.
No modo retrato o recorte é bem competente, repare só no contorno do boné e nas hastes dos óculos, dois pontos que costumam dar problema, e aqui ficaram certinhos no Moto G Max.
À noite, a selfie perde um pouco de detalhe e a pele fica mais lisinha, mas nada além do esperado. Para postar nos stories, cumpre muito bem.
Eu to elogiando sem parar aqui, mas foi na hora de gravar vídeos que eu encontrei um ponto negativo considerável: o Moto G Max grava vídeos no máximo em 2K a 30 frames, tanto na câmera traseira quanto na frontal. O Moto G86 do ano passado filmava lindamente em 4K.
A estabilização continua funcionando bem, sem aqueles efeitos de gelatina enquanto eu caminho, mas poxa, que falta faz um 4K. A qualidade fica bem melhor no Moto G86, sem essa granulação que estou vendo no G Max.
<video selfie>
Tela
A tela do Moto G Max é bem parecida com a do G86, e isso é ótima notícia, já que o display daquele celular foi um dos melhores que a gente já usou num intermediário. É AMOLED, com taxa de atualização de 120 Hz para aquela ótima fluidez, e resolução 1.5K, entregando uma nitidez muito acima da média.
Para ter uma ideia, eu testei esses dias o Galaxy S26 FE da Samsung, outro celular com tela grande, mas com resolução menor que a do nosso Moto G.
O brilho máximo na teoria subiu de 4.500 nits para 5.000. Acontece que esse número só é alcançado em testes específicos em laboratório. O que interessa para a gente é uso real, e num dia de sol, eu posso dizer com segurança que falta brilho na tela do Moto G Max. Eu tive que me esforçar para enxergar a tela enquanto tirava fotos no sol, coisa que não devia acontecer num celular com "5.000 nits de brilho máximo".
Eu já comentei antes, mas o tamanho da tela também aumentou em relação ao Moto G86. Foi de 6,67 para 6,78 polegadas. É uma tendência que a gente vem vendo nos últimos anos: os celulares estão cada vez maiores. Um terror para quem quer um compacto, mas uma maravilha para quem usa o celular para ver filmes e vídeos.
Tirando o detalhe do brilho, a tela é excelente. Era um ponto forte do Moto G86 e continua aqui no Moto G Max.
Hardware
Entramos agora na parte mais polêmica do Moto G Max: a performance. No papel, a ficha impressiona. Um celular nessa faixa de preço com 8 GB de memória RAM e 256 de armazenamento é excelente, mas isso significa que a Motorola precisou economizar em outra peça para fechar a conta. E quem sofreu foi o processador: o Moto G Max vem com o Dimensity 6400, um retrocesso em relação ao Dimensity 7300 do G86.
E a diferença não é pequena. No AnTuTu versão 11, o Moto G86, celular de 2025, passa dos 985 mil pontos. Já o novo Moto G Max fica perto dos 600 mil.
Mas por que o celular novo tem um processador pior? Não tem como saber exatamente, mas uma coisa é certa: o preço global das memórias nunca esteve tão alto, e, novamente, o Moto G Max vem com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Minha teoria é que a Motorola investiu nisso e economizou no processador.
Só que número de benchmark não conta a história toda. Navegando pela Hello UI, o Moto G Max passa longe daqueles celulares baratinhos e travados. Claro, ele não impressiona na agilidade, e instalar aplicativos pesados demora um certo tempo. Vou pedir para o editor deixar no fundo um vídeo navegando pelo sistema, para você de casa julgar se é rápido ou lento. Eu achei bem tranquilo, os 8 GB de RAM certamente ajudam muito. Me conta aí nos comentários se esse processador dá conta do seu uso.
Agora, se você curte jogar no celular, a história é outra. Eu coloquei os dois lado a lado lá no canal Roda Liso, e o celular do ano passado se saiu bem melhor que o novo. No COD Mobile, foram 54 frames de média no Moto G Max contra 89 no G86. No jogo de corrida Asphalt, a mesma coisa: 33 frames contra 60. Não é um upgrade, e sim um downgrade.
Nos jogos, quem manda é o chip gráfico, e o Moto G Max perde entre 40% e 45% dos frames em relação ao antecessor. Para quem joga, é o ponto mais fraco do celular. Para quem não joga, essa diferença pesa bem menos.
Bateria
Na bateria, o Moto G Max vem com uma acima do padrão, tem 5.200mAh de capacidade total. Está longe de ser ruim, mas mesmo assim, eu esperava mais capacidade nessa geração de Motorolas. Estamos vendo recentemente baterias de 6mil, 7 mil, até mais, em celulares baratos. Então eu esperava pelo menos uns 5.500 - só para ficar acima do Moto G86 - mas não, tem a mesma capacidade do celular do ano passado.
Mesmo assim, ter a mesma capacidade não significa gastar a mesma coisa. Eu coloquei os dois no nosso teste de bateria completo, de 8 horas. Começa com 1 hora de navegação no Chrome, depois mais 1 hora de Reels do Instagram, tem etapa gravando vídeo em Full HD a 30 frames... enfim, vocês já sabem. Depois de 8 horas disso, o Moto G Max ainda tinha 37% de carga sobrando, enquanto o G86, no mesmo teste, terminou com apenas 22%. Confesso que isso me pegou de surpresa.
Na maioria das funções, eles gastam a mesma coisa. A diferença ficou no teste de estresse, onde o Moto G86, por ter um processador mais potente, gastou mais. De qualquer forma, dá para usar ambos os Moto G’sa o dia inteiro sem se preocupar com bateria.
Na hora de carregar, contamos com um carregador de 33W na caixa, enchendo a bateria de 0 a 100% em pouco mais de uma hora. Esse é um tempo que eu considero bom.
Ah, não tem carregamento sem fio. A Motorola costuma deixar isso para os aparelhos mais caros, como os da linha Edge.
Sistema
A Motorola prometeu 3 anos de atualizações de Android e 4 anos de patches de segurança. Esse é um tempo que eu considero o mínimo para um celular hoje em dia. Afinal, quem usa o celular por menos de três anos? Mesmo quando trocamos um aparelho por outro, o antigo geralmente vai para algum parente ou vira celular secundário. Pelo menos comigo é assim.
Quanto à interface, é a mesma Hello UI de sempre, já que o Moto G Max sai de fábrica com Android 16. Quando chegar o Android 17, aí sim a Hello UI ganha muitas novidades.
Uma delas é a nova organização das configurações, com cores que melhoram a visibilidade. O painel de configurações rápidas também foi atualizado, com botões maiores e customizáveis. É uma coisa que as outras marcas já tinham faz tempo e que finalmente chega à Motorola. Se você quiser conferir todas as novidades da Hello UI com Android 17, vou deixar o vídeo completo aí no card.
Conclusão
O Moto G Max com certeza é um lançamento polêmico. Afinal, ele veio para substituir um celular lendário, o Moto G86, e, na minha opinião, falhou nessa missão. Se você tiver a oportunidade de levar um G86 por um preço parecido, aquele é o celular superior.
Mas como o G86 parou de ser fabricado e está sumindo das lojas, tem grandes chances de ele não ser mais uma opção quando você estiver assistindo a esse vídeo. Nesse caso, o Moto G Max ainda carrega boa parte das qualidades do antecessor: tela AMOLED de ótima qualidade, proteção topo de linha com IP69 contra jatos de água de alta pressão, bateria que dura o dia todo e ainda sobra, carregador de 33W na caixa, 256 GB de armazenamento e uma performance honesta. E ainda ganhou uma câmera principal de 200 MP, com um zoom 2x que funciona de verdade.
O processador é fraco? Sim, e não vai rodar bem jogos pesados. Se jogar no celular é prioridade para você, o Moto G Max não é a melhor escolha. Mas, para o uso do dia a dia, se eu tivesse que escolher entre o Moto G Max e um baratinho da Samsung, como o Galaxy A26, eu ficaria com o Moto G Max. A interface da Motorola é mais leve, então mesmo com processador fraco o celular apresenta uma boa agilidade.
Quanto ao preço, ele foi lançado por R$ 2.799, mas já caiu bastante. Eu marquei o preço justo dele lá no nosso site em R$ 1.599, e é mais ou menos nesse valor que ele está agora. Mas o ideal mesmo é pegar por menos de R$ 1.500. Quando isso acontecer, vou postar a oferta lá no nosso grupo de ofertas no WhatsApp e no Telegram.
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É difícil testar um celular novo que é objetivamente pior que o antigo, então vamos torcer para que ele venda mal e a Motorola seja obrigada a colocar uns descontos absurdos para queimar o estoque. Aí sim, o Moto G Max tem potencial para ser um ótimo custo-benefício.
Muito obrigado por ter assistido, até a próxima!






