YouTubers são pagos pelo governo para elogiar mudanças do ensino médio

O governo de Michel Temer pagou R$ 65 mil para o canal Você Sabia falar bem da reforma. Ele é comandado por dois jovens e já conta com 7,1 milhão de assinantes.

Comentários Rafaela Pozzebon   -

Como sabemos, o governo federal está realizando mudanças no ensino médio. Algumas pessoas se mostram satisfeitas com a decisão, porém, outras, não aprovam as medidas.

Para obter mais informações sobre as mudanças, as pessoas recorrem muitas vezes à internet. No YouTube, por exemplo, um vídeo que explica “tudo que você precisa saber sobre o ensino médio” já conta com mais de 1,6 milhão de visualizações.

O material em questão parece ser bastante espontâneo, com conclusões positivas sobre a reforma, porém, o que poucos sabem é que trata-se publicidade vinda do MEC (Ministério da Educação).

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O vídeo foi publicado em 31 de outubro de 2016 e os youtubers Lukas Marques e Daniel Molo explicam os benefícios da reforma.

“Com esse vídeo você aí deve estar dando pulo de alegria. Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança eu ficaria muito feliz”, diz um deles.

No vídeo não há qualquer menção que o conteúdo seja pago. “A gente achou o tema bastante interessante, uma galera (estava) discutindo nas redes sociais, e então falamos: deixa com nós que a gente explica direitinho”, fala um dos youtubers.

Os jovens ainda reforçam os aspectos do projeto, com a possibilidade de escolher as áreas de aprofundamento. “Você ai que quer trabalhar com história, não vai ficar perdendo tempo com célula”.

De acordo com A Folha, outros dois canais foram procurados, porém, ambos recusaram. De acordo com Daniel Molo, o conteúdo foi encomenda da sua produtora, a Digital Stars, e que frequentemente trabalham com material patrocinado.

“A gente já ia fazer um vídeo sobre o novo ensino médio. Como recebemos a proposta, decidimos aceitar”, diz Molo.

O MEC diz que os canais de influenciadores digitais complementam a estratégia de comunicação institucional. O pagamento foi feito dentro da legalidade, através da agência já escolhida por licitação para atender o MEC.

 
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