Coluna: A Microsoft está acabando com o Xbox

Cancelando títulos importantíssimos e afastando seus fãs do console, a Microsoft pode estar cavando a sepultura do Xbox.

Por | @grasiel_grasel Games

Quem me conhece sabe que minha preferência pelos consoles da Sony não é um segredo, e isto está longe de ser apenas pelo primeiro console da empresa ter sido um marco na história dos videogames ou pelo segundo ser o produto do gênero mais vendido da história, mas sim pela qualidade absurda de seus jogos exclusivos. Dito isto, posso dizer que sim, já tive um console da Microsoft em casa e sei que não faltam bons títulos exclusivos para a marca.

Jogos como Halo, Gears of War, Fable e Crackdown são alguns dos títulos exclusivos da Microsoft que pude conhecer mais de perto e descobrir todo o potencial da plataforma. Posso não ter a sorte de um dia ter jogado todos os games do Xbox, mas sempre acompanhei de perto as novidades do Xbox devido meu direcionamento de jornalista especializado em games e acredito que sei o suficiente sobre a plataforma para perceber que ela já não é mais a mesma.

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Play Anywhere foi mesmo uma boa ideia?

Oferecer aos jogadores do Xbox One a opção de jogarem alguns de seus games favoritos no computador certamente soa como uma ideia incrível, não é mesmo? E certamente ela é, mas não para a Microsoft, e muito menos para o Xbox.

O Play Anywhere foi um serviço anunciado pela Microsoft durante a E3 2016, na conferência da empresa e na apresentação de Gears of War 4, que foi anunciado como o primeiro game a suportar os recursos multiplataforma, que incluem a opção de escolher onde jogar e a vantagem de ter mais players online com a junção dos servidores de matchmaking do PC e do Xbox One em um só.

Já que não existe nenhum tipo de limitação para o serviço, jogadores do PC que não possuem um Xbox One podem simplesmente comprar o exclusivo na loja da Microsoft e jogá-lo em sua máquina, sem nenhuma restrição e com a experiência completa que um usuário do console teria.

Com estas informações em mente, vamos iniciar um raciocínio: Suponhamos que você está pensando seriamente em comprar um Xbox One para jogar todos os exclusivos do console, mas já possui um computador suficientemente bom para rodar os jogos disponíveis no Play Anywhere. Por que você gastaria o valor de uma máquina nova se pode simplesmente comprar estes títulos na loja da Microsoft e jogá-los no seu computador que, inclusive, é 100% compatível com um controle de Xbox One?

Toda a experiência que você teria no Xbox é exatamente a mesma no seu computador, com a vantagem de ter mais potência para ter um desempenho ainda melhor dos jogos, que não sofrem com os gargalos da plataforma caso você tenha uma máquina suficientemente boa.

O Play Anywhere não surgiu como uma alternativa para os jogadores de Xbox One poderem jogar no computador, mas sim para dar uma opção aos jogadores de PC que gostariam de usufruir da qualidade dos exclusivos da plataforma sem obriga-los a comprar um novo eletrônico que ocuparia espaço na sua mesa, portanto, não se sinta privilegiado, consumidor do Xbox, sinta-se prejudicado!

Coluna: A Microsoft está acabando com o Xbox

Tudo bem, é claro que ainda existem vantagens de você ter um console, como a facilidade do clique de 2 ou 3 botões para liga-lo e iniciar o seu game, o que certamente é mais rápido que esperar a inicialização do Windows; pode ter a praticidade de administrar seus jogos ao simplesmente tirá-los ou coloca-los na entrada de mídia física (se é que alguém ainda faz isso); e também pode evitar as dores de cabeça que podem acontecer (mesmo que raramente) com a compatibilidade de controles do console no sistema operacional. Mas, estas vantagens são o suficiente para fazerem você sair de um PC gamer para um Xbox One?

Cancelamento de jogos e recursos

Não há dúvidas que é extremamente difícil manter um empreendimento tão poderoso quanto o Xbox, principalmente pela constante negociação com grandes desenvolvedoras para trazer exclusividades e benefícios aos seus jogadores, no entanto, nos últimos anos a Microsoft parece não estar conseguindo se sair muito bem na administração destes assuntos da empresa.

Lançado em 2014, o Project Spark foi uma aposta muito ambiciosa da Microsoft, que permitia aos jogadores criarem o seu próprio universo, ambientação, personagens e jogabilidade em um projeto genuinamente original. A ideia de oferecer aos jogadores uma ferramenta que lhes permitia criar o próprio jogo era interessantíssima, no entanto, acabou caindo por terra antes mesmo de existir a possibilidade de ser um sucesso.

Embora que tivesse uma proposta bem exclusiva e direcionada, a Microsoft não foi capaz de esperar pelos primeiros frutos a serem colhidos com o projeto, que foi cancelado e descontinuado em maio de 2016, tendo seus servidores desligados no dia 12 de agosto do mesmo ano.

O primeiro cancelamento que deixou os fãs extremamente tristes foi o de Fable: Legends, um dos jogos mais aguardados para o Xbox One em 2016, principalmente pelo sucesso dos títulos anteriores da saga e sua excelente avaliação recebida pela crítica internacional. O game foi anunciado em agosto de 2013 com um trailer incrível, mas teve seu desenvolvimento interrompido em março de 2016, quando a Microsoft também anunciou o fechamento do estúdio responsável pelo game, a Lionhead Studios.

Como se já não fosse o suficiente, em 2017 fomos pegos de surpresa por mais um cancelamento de uma das maiores promessas do Xbox One: Scalebound, um game de RPG ao estilo Hack and Slash criado sob a supervisão do mestre Hideki Kamiya, escritor e diretor de jogos aclamadíssimos como Bayonetta, Okami, Devil May Cry e Resident Evil.

Scalebound era um game que eu estava esperando muito para conhecer, principalmente pela proposta diferenciada e a forte influência do estilo característico dos jogos do mestre Kamiya. Com a existência do Play Anywhere do Xbox One, eu poderia jogar o game sem ter a obrigação de comprar um console. Acreditem, mesmo preferindo o PlayStation, cheguei a considerar a possibilidade de um dia comprar um Xbox One só para jogar Scalebound caso ele não fosse lançado com a tecnologia multiplataforma e/ou eu não conseguisse alguma outra maneira de jogá-lo.

Eu sei que certamente a culpa do cancelamento não é apenas da Microsoft, e que certamente a PlatinumGames também cometeu algum erro, mas, quando vi o grande número de pessoas no Twitter afirmando que compraram ou comprariam um Xbox One só para poder jogar Scalebound, tive a certeza de que a Microsoft perdeu muito mais que um jogo, ela perdeu o respeito e a confiança de diversos clientes e fãs, que agora não sabem mais o que esperar dos poucos jogos exclusivos que ainda estão marcados para serem lançados no console.

Escassez de novos jogos e futuro indefinido

Com o principal concorrente, o PlayStation 4, oferecendo diversos exclusivos de peso para serem lançados ainda no primeiro semestre de 2017, tudo o que sabemos sobre o Xbox One até o momento é que teremos CrackDown 3, State of Decay, Cuphead e alguns jogos de desenvolvedoras independentes que tiveram seus projetos acolhidos pela Microsoft sendo lançados neste ano. Ninguém sabe ao certo se alguma grande franquia do console está desenvolvendo uma sequência debaixo dos panos, mas espera-se que sim, se não, teremos um ano tão escasso de exclusivos “Triple A” quanto 2016.

É claro, existem outros jogos nos quais a Microsoft está visivelmente investindo bastante, como Halo Wars 2 e Sea of Thieves, no entanto, nada neles parece chamar a atenção da comunidade gamer, que cada vez mais vai ficando sem boas opções para escolher o Xbox One. Espero que isto mude, e que a boa e velha guerra dos consoles volte a ser justa, como na geração passada.

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