Designer disse que aprendeu a criar durante a Grande Depressão

“Trabalho uma vez por semana. Caminho três quarteirões até a estação de trem para chegar aos escritórios da IDEO às 10h. Sento-me no mesmo sofá para que todo mundo saiba onde estou. Logo chegam pessoas para marcar hora para conversas sobre seus produtos - é um ambiente extremamente colaborativo.”

Por | @oficinadanet Negócios

O Vale do Silício é o local na Califórnia que concentra algumas das empresas de tecnologia mais famosas do mundo. Entre tanta modernidade, uma trabalhadora se destaca, é a designer super reconhecida Barbara Knickerbocker-Beskind, de 91 anos. Durante uma conversa com a BBC ela relatou o segredo da sua longevidade profissional.

"Durante a Grande Depressão, não tínhamos dinheiro para coisa alguma, então tínhamos que atuar como solucionadores de problemas desde o início. Não havia outra alternativa. As únicas coisas que não fabricamos foram sapatos e óculos”.

“Meu pai foi um dos primeiros 100 agentes do FBI (a Polícia Federal americana), mas quando eu tinha um ano ele perdeu o emprego e ficou sem trabalhar por sete anos. Tivemos que nos mudar para a casa de minha avó. Mas meu pai era um grande observador e herdei isso dele. E minha mãe sempre foi muito criativa.

Não tínhamos dinheiro para brinquedos, por exemplo, então fazíamos os nossos. Eu, por exemplo, usei dois pneus para fazer um cavalinho - e com ele aprendi muito sobre a gravidade, pois caí várias vezes”.

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Barbara revelou ainda que aos 10 anos já sabia que queria ser inventora, porém, o orientador vocacional da escola disse à ela que mulheres não seriam aceitas em faculdades de engenharia. Por isso ela cursou economia do lar.

“Mas, em 1945, quando me formei pela Universidade de Syracuse, tive a sorte de ser aceita pelo programa de terapia ocupacional do Exército Americano. Foi o que realmente lançou minha carreira.

Naquela época, a terapia ocupacional usava o artesanato, bem como trabalhos em carpintaria, por exemplo, para ativar as pernas e braços de pacientes voltando da Segunda Guerra Mundial. Minha missão era fazer com que os pacientes ganhassem o máximo de independência possível - que conseguissem segurar uma colher ou um garfo, por exemplo.”

Aos 42 anos Barbara se aposentou do Exército e abriu um consultório particular. Ela nunca conseguiu parar de trabalhar. Após isso, voltou a estudar e formou-se em Belas Artes em 1997.

Em 2013, ao ver uma entrevista na TV com David Keely, fundador da empresa de design IDEO, pensou que a sua experiência poderia ser útil.

Barbara, então, escreveu uma carta para a empresa. Uma semana após recebeu o convite para trabalhar na coordenação de designe de novos produtos direcionados aos idosos.

 

“Trabalho uma vez por semana. Caminho três quarteirões até a estação de trem para chegar aos escritórios da IDEO às 10h. Sento-me no mesmo sofá para que todo mundo saiba onde estou. Logo chegam pessoas para marcar hora para conversas sobre seus produtos - é um ambiente extremamente colaborativo.”

“Os idosos são uma fonte de ideias que precisa ser melhor utilizada. Não espero que todo mundo goste de trabalhar como eu. Mas trabalhar é minha identidade”, finalizou Barbara.

Fonte: BBC

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