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NASA deve lançar em breve nave que irá chegar ao Sol

O custo da missão é de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, e a ideia é que ela possa mudar a compreensão do Sol e ainda a sua influência sobre o clima espacial.

Por | @oficinadanet NASA Pular para comentários

A NASA, recentemente, completou 60 anos de existência. Agora, ao que tudo indica, está finalizando os preparativos para uma missão espacial um tanto quanto audaciosa. Na madrugada do próximo sábado, o Delta IV Heavy, deverá ser lançado do Cabo Canaveral, na Flórida, transportando a cápsula Parker Solar Probe (PSP), que será o primeiro artefato feito pela humanidade a tocar o Sol de fato.

A missão está programada para durar sete anos, e a PSP irá chegar a 6,3 milhões de quilômetros de distância da superfície do Sol, um sobrevoo muito próximo, levando em consideração os mais de 150 milhões de quilômetros que separam a Terra da sai estrela. A PSP possui o objetivo de desvendar alguns mistérios científicos que ainda intrigam os pesquisadores.

O custo da missão é de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, e a ideia é que ela possa mudar a compreensão do Sol e ainda a sua influência sobre o clima espacial, incluindo as tempestades solares que afetam os satélites e a rede de eletricidade na Terra, disse Nicola Fox, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (EUA), que desenvolveu a missão PSP para a Nasa.

"A missão responderá questões sobre a física solar que têm nos deixado confusos por mais de seis décadas. É uma espaçonave carregada com inovações tecnológicas que resolverão muitos dos principais mistérios sobre a nossa estrela. Um dos objetivos centrais é descobrir por que a corona (parte externa da atmosfera) do Sol é tão mais quente que a superfície solar", disse Fox. Leia em destaque: 10 tecnologias da NASA que estão no nosso dia a dia.

"Não sabemos como o vento solar se acelera tão rapidamente na corona, chegando a milhões de quilômetros por hora", diz o diretor da divisão de ciência heliofísica da Nasa, Alex Young.

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A PSP irá mergulhar na corona, que é a parte que envolve todo o Sol e consiste na parte externa de sua atmosfera. A nave, então, deverá trazer mais informações sobre a corona e os ventos solares.

"Estamos nesse ambiente incrivelmente dinâmico do Sol e somos atingidos pelos ventos solares, que podem afetar não apenas a saúde de astronautas que trabalham no espaço, mas também nossos satélites, as telecomunicações e, em casos extremos, pode derrubar os sistemas de energia na Terra", disse Young.

A nave, que pensa 612 quilos, caso tenha sucesso em seu lançamento no dia 11, passará por Vênus em 2 de outubro e irá fazer a sua aproximação do Sol em 5 de novembro, chegando a 24 milhões de quilômetros do astro. A nave foi construída para suportar temperaturas de mais de 1,4 mil°C.

Assim que a espaçonave estiver longe do Sol, um sistema de telecomunicações irá fornecer contato de alta velocidade através de uma antena de alto desempenho.

Objetivos

Como objetivos principais da missão Parker Solar Probe (PSP) estão um melhor entendimento como se origina o vento solar, com as suas partículas se aceleram no espaço e como ocorre o aquecimento da corona solar. Caso a sonda consiga proporcionar tais respostas, terá garantido uma revolução na astronomia e ainda irá permitir melhores previsões sobre como os ventos solares afetam a Terra, explicou a astrofísica Adriana Valio, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em atividade solar e estelar.

"O vento solar chega o tempo todo na Terra, mas nosso planeta tem um campo magnético que nos protege dessas partículas carregadas. Só que esse vento solar não é homogêneo e, quando suas diferentes partes interagem, ele pode produzir uma onda de choque que perturba o campo magnético terrestre, causando as tempestades geomagnéticas", explica a especialista.

"Esse conhecimento sobre a expansão da atividade magnética do Sol no espaço interplanetário por meio dos ventos solares é fundamental para quem estuda, como nós, a habitabilidade em outros planetas", disse  o astrofísico José Dias Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atualmente pesquisador da Universidade Harvard (EUA).

"Dependendo de como o Sol evolui, pode esterilizar um planeta próximo, por exemplo. Ao entender em detalhes como o Sol afeta seu entorno, vamos compreender melhor por que a vida surgiu e permaneceu na Terra, por que não surgiu nos planetas vizinhos e por que eventualmente pode ter surgido e não permanecido em outros planetas", disse ainda Dias.

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