A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, está sendo acusada de anúncios fraudulentos nas suas plataformas. Depois de um relatório da Reuters que aponta que cerca de 10% da receita publicitária da empresa em 2024 poderia vir de anúncios ligados a golpes e produtos proibidos, agora, uma nova pesquisa dos Laboratórios de Ameaças da Gen, empresa por trás de marcas como Norton e Avast, mostra que o problema é mais grave.
30% dos anúncios são golpes
A equipe da Gen analisou 14,5 milhões de anúncios exibidos nas plataformas da Meta ao longo de 23 dias na União Europeia e no Reino Unido. No total, foram mais de 10,7 bilhões de impressões consideradas na pesquisa.
O resultado assusta: quase um em cada três anúncios (30,99%) levava o usuário para golpes, páginas de phishing ou sites que distribuem malware. Em números absolutos, foram 4,51 milhões de anúncios identificados como maliciosos, gerando mais de 300 milhões de impressões em menos de um mês.
Ou seja, não se trata de casos isolados ou "exceções" no sistema de anúncios, mas sim de um volume massivo de campanhas fraudulentas circulando em ambientes que as pessoas enxergam como relativamente seguros.
Outro dado importante levantado pela Gen é a concentração dessa atividade em um grupo pequeno de anunciantes. Mais da metade de todos os anúncios fraudulentos observados, o que é cerca de 56,1%, foi impulsionada por apenas 10 anunciantes.
Esses grupos operam em escala industrial, criando e derrubando campanhas o tempo todo, mudando apenas algumas partes dos textos e páginas de destino para driblar sistemas de detecção automática. Isso quer dizer que não estamos falando de golpistas amadores, mas de estruturas profissionais, bem financiadas e com grande conhecimento técnico.
Outro detalhes interessante é que vários desses clusters foram associados a infraestrutura com vínculos à China e Hong Kong, com redes de sites e contas criadas exclusivamente para veicular anúncios maliciosos. Nessas campanhas, a marca que aparece para o usuário muitas vezes é apenas fachada: o verdadeiro operador permanece escondido em camadas de redirecionamentos, domínios temporários e empresas de fachada.
Como se proteger no Brasil
Embora o estudo da Gen tenha focado em anúncios na União Europeia e no Reino Unido, o alerta serve para usuários do mundo todo. Golpes online via anúncios patrocinados, seja prometendo investimentos rápidos, ofertas absurdas em produtos ou imitando grandes marcas, também são comuns no Brasil, inclusive em campanhas que circulam no Facebook e no Instagram.
Por isso, fique atento: o fato de um anúncio aparecer em uma grande plataforma não é garantia de segurança. É preciso redobrar a atenção com ofertas muito abaixo do preço de mercado, promessas de rendimentos rápidos e garantidos e também com as páginas que imitam bancos, lojas, influenciadores ou órgãos oficiais.
Fique de olho nas URLs estranhas, cheias de caracteres aleatórios ou domínios pouco conhecidos. Sempre que possível, vale pesquisar o nome da empresa, buscar avaliações, desconfiar de pressão por decisão imediata e nunca fornecer dados bancários ou códigos de autenticação sem absoluta certeza de quem está do outro lado.






