Mais cedo, divulgamos aqui que o governo federal havia aumentado a taxa para determinados produtos importados, e os celulares seriam alguns dos afetados com a mudança. No entanto, a repercussão negativa fez o governo voltar atrás e com isso acabou de derrubar o aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos, incluindo smartphones.

A decisão foi tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), após forte repercussão negativa entre consumidores, importadores e setores da indústria, especialmente em um momento politicamente sensível, com a proximidade das eleições presidenciais.

Governo desiste de alta no imposto de importação de celulares

Governo desiste de alta no imposto de importação de celulares
Governo desiste de alta no imposto de importação de celulares

No início de fevereiro, o governo havia elevado a tarifa de importação de mais de mil produtos, com aumento de até 7,2 pontos percentuais. No caso dos smartphones, a alíquota subiria de 16% para 20%. A medida foi justificada como forma de fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência de importações, principalmente da China.

Agora, porém, a decisão foi revertida para a área de tecnologia da informação. Pela nova deliberação anunciada nesta sexta-feira (27):

  • 105 produtos tiveram a tarifa zerada novamente
  • 15 produtos de informática mantiveram imposto, mas com alíquota nos patamares anteriores ao aumento
  • Smartphones voltam à alíquota original de 16%

Entre os itens que retornaram às tarifas antigas estão:

  • Notebooks — 16%
  • Smartphones — 16%
  • Gabinetes com fonte de alimentação — 10,80%
  • Placas-mãe — 10,80%
  • Mouse e track-ball — 10,80%
  • Mesas digitalizadoras — 10,80%
  • SSD (unidades de memória de estado sólido) — 10,80%

Ou seja, o aumento que poderia elevar a taxação em até 7,2 pontos percentuais não será aplicado aos produtos de tecnologia.

Celulares da Xiaomi não vão ficar mais caros, como estava previsto anteriormente. Imagem: Oficina da Net
Celulares da Xiaomi não vão ficar mais caros, como estava previsto anteriormente. Imagem: Oficina da Net

Na matéria anterior, explicamos que marcas como Apple, Samsung e Motorola não seriam diretamente impactadas porque montam seus aparelhos no Brasil. Já fabricantes que trabalham majoritariamente com importação, como a Xiaomi, poderiam sentir mais os efeitos da alta.

Com o recuo do governo, o cenário muda e a gente celebra: mesmo os modelos importados deixam de sofrer o aumento previsto, o que reduz o risco de alta imediata nos preços.

Por que o governo voltou atrás?

Quando anunciou a elevação da tarifa, o Ministério da Fazenda argumentou que as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022 e que a penetração desses produtos no mercado interno superava 45%, o que poderia comprometer a cadeia produtiva nacional.

Importadores, por outro lado, alertavam para impacto negativo na competitividade e possível pressão inflacionária.

Com a forte repercussão negativa, ainda mais entre consumidores e no varejo, o governo optou por recuar parcialmente. Em ano de eleição presidencial, medidas que possam gerar aumento de preços tendem a ter peso político significativo, e a reversão evita desgaste junto ao eleitorado.

A estimativa inicial era arrecadar cerca de R$ 14 bilhões extras neste ano com a alta do imposto. Ainda não há números oficiais sobre o impacto fiscal depois que o governo revogou parcialmente o aumento parcial, mas especialistas já apontam que agora vai ficar mais dificil cumpri a meta de superávit em 2026.

O que fica valendo agora

Resumindo, praticamente voltamos ao que era antes. Quem importa ou compra eletrônicos no Brasil, os smartphones continuam com imposto de 16%. Não haverá o aumento para 20% que estava previsto. Além disso, produtos de informática seguem com tarifas nos níveis anteriores.

Com informações do g1